As crises e Agustina
Ouvi recentemente esta história a Mário Cláudio, que tem uma grande ternura por Agustina, mesmo que tenha um dia escrito que ela era tão depressa uma espécie de mãe como uma bruxa a quem apetecia amordaçar. Num tempo em que Portugal se encontrava numa grande crise que não era esta (às vezes acho que a crise é o nosso estado quase natural e os bons tempos a excepção), Agustina foi convidada a ir com outros escritores a um festival literário perto de Bordéus. Por lá, havia bastante fausto e pompa, e o encontro realizava-se num château riquíssimo e belamente decorado. Antes do jantar, a castelã, calculando que Agustina precisasse de usar o toilette antes de se sentar à mesa e usando um eufemismo, perguntou-lhe se não queria “ir lá dentro”. Ao que a escritora do Norte terá respondido logo, lembrando a crise: “Não, obrigada, estamos numa altura de retenção.” Só ela.
Se algum dia alguém fizer uma biografia da Agustina (sem ser daquelas em que só se faz um retrato perfeito do biografado...) será um acontecimento literário e social.
ResponderEliminarÉ daquelas pessoas quem não passam despercebidas, até por ter o hábito de dizer o que pensa. E por isso tem despertado muitos "amores e ódios"...
Pois bem! A boca pequena (nem sempre) há discórdia.
ResponderEliminarUm bom dia a todos
Agustina já tem idade e obra para rir de todas as anedotas que se contem sobre, ou ela tenha vivido, como é o caso. Vida inteira e longa a escrever e só agora as pessoas parecem estar a acordar para ela. É pena. Porque cumpriu e de forma muito única.
ResponderEliminarSe bem que em tempos de crise - é provável verdade, estamos sempre em crise - usa-se mais o termo contenção que retenção; é certo, no contexto, o último cai melhor.
A crise em Portugal há muito que é um estado, não um efeito. Estamos em crise de retenção porque somos naturalmente uma comunidade pouco epistémica, dada à ambivalência e à retenção dos fluidos. Vivemos no medo e no absurdo e isso envenena-nos e condena a parca felicidade.
ResponderEliminarOra vivam!
ResponderEliminarFazendo a devida vénia à citada Senhora Escritora, também assinalo ter aprendido uma palavra nova - epistémico! Fui ao gúgel e ele esclareceu-me prontamente que epistémico se refere ao que está relacionado com epistemologia ... o que eu nem imaginava!
Realmente que grande e útil fonte de informação!
Portanto se alguém quiser por exemplo saber o que é a solanina, será informado que é relativo às solanáceas, segundo a mais absoluta lógica da batata!!!!
Saudações epistémicas cá da Cidade Morena e neste caso um especial abraço ao PAS!
Agustina é Portugal: provinciana, palavrosa e redundante.
ResponderEliminarJá tinha ouvido essa história acerca da Agustina.
ResponderEliminarSou fã da escrita de Agustina Bessa-Luís, acho-a divinal!
Entusiasticamente recomendo a sua leitura...
Que história maravilhosa.
ResponderEliminar