Aprender até morrer

Tendemos a associar estudo a obrigação e chatice, sobretudo na adolescência, durante a qual parece sempre que temos muita coisa mais interessante em que aproveitar o tempo. E, porém, um estudo recente realizado pela OCDE sobre as vantagens sociais da educação vem agora confirmar que são mais felizes as pessoas que estudam, até porque podem esperar mais da vida. «A educação ajuda as pessoas a desenvolver capacidades, melhorar a sua condição social e ter acesso a redes que podem ajudá-las a fazer mais conquistas sociais», dizem os autores da pesquisa, que acrescentam ser, em média, o grau de felicidade de quem faz o ensino universitário 18% superior ao de quem fica pelo ensino médio. Mas, além disto, revelam que quem estuda mais tem também sérias hipóteses de viver mais tempo, apresentando como exemplo um homem de 30 anos que viverá, em princípio, mais 51 anos se tiver uma formação superior, mas apenas mais 43 se tiver ficado pelo ensino médio (parece que a diferença para as mulheres não é tão acentuada, mas, ainda assim, há uns três anitos a mais de vida para quem andou na faculdade). Caso para dizer: aprender até morrer...

Comentários

  1. Acho óptimo a filosofia de aprender até morrer, torna-nos mais abertos a tudo aquilo que o presente e o futuro nos reservam.

    Agora essas coisas da felicidade e da idade, deixa-me muitas dúvidas.

    Até porque quanto mais ignorantes somos menos martirizados somos pelas dúvidas. Ou seja, somos mais facilmente felizes...

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    1. Creio que foi John Lennon que disse, mais ou menos isto: A IGNORÂNCIA É UMA BENÇÃO.

      Eu não acho que seja uma benção, mas...

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    2. Inteiramente de acordo... é um ponto de vista, o nosso ... claro! E olhe que se dúvidas tivera, a minha realidade actual me o prova diariamente!

      Saudações racionais - analíticas cá da instintivo- sensória e Morena Cidade!

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  2. Faço a distinção entre aprender e adquirir informação. Enquanto aprender acrescenta-nos anos de vida, exercita o cérebro com cálculos, escrita e leitura.
    Aquisição de informação deixa-nos ansiosos e deprimidos, especialmente com toda a informação sobre a situação internacional actual. Neste caso, felizes dos ignorantes que se mantêm mais sãos de cabeça.

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    1. Ainda de acordo, "distinção entre aprender e adquirir informação" ...

      Vai Extraordinária a conversa! Gosto!

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  3. Concordo com a distinção entre aprender e informar-se e também com os efeitos diferenciados que eventualmente provocam.

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  4. A in )felicidade associada à (ausência de) informação irá sempre depender da visão de cada um.

    É como a velha escolha entre «verdade desagradável» e «mentira tranquilizadora».
    Cada um saberá o caminho que prefere.

    Pessoalmente, prefiro estar o mais próximo possível da verdade (conhecimento, informação) em tudo, do que ser alegremente ignorante.

    Se essa «verdade» me deixa mais infeliz?
    Aí já terei de recorrer à filosofia, colocar tudo em perspectiva, realidade vs percepção, etc.

    Mas não acredito que uma vida de carneiro, guiada cegamente pela «narrativa oficial» seja de facto o caminho para a «felicidade», mesmo que falsa ou por omissão. Normalmente, existe o chamado gut feeling » que nos diz que algo está errado e colocados perante essa evidência - verdade, o sentimento é normalmente de «libertação».

    Mas é tudo relativo.

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    1. Tem razão quando diz "relativo", pois a vida de carneiro só é a felicidade para carneiros! Não o será para humanos, ou mesmo para cães ... e por aí fora.

      A filosofia, discorrer sobre os assuntos, tranquilamente, em paz , conforto e de barriga cheia é a suprema felicidade... para os místico-unitários, não é?

      Para ser mais claro a algum Extraordinário que se interesse pelos temas (teosofias aparte) vamos percorrendo sucessivos patamares:
      Instintivo-sensórios
      Racionais-analíticos
      Intuitivo-sintéticos
      Místicos unitários.

      Ficam as pistas... da parte de um assumido ignorante que vai reunindo informação e aprendendo o que calha e pode.

      Saudações amigáveis cá da Cidade Morena

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  5. Ser velho e ir a aulas novas é fundamental !
    Eu estou a seguir um curso de Arquitetura dado por um professor reformado da Faculdade de Arquitetura e já estou a olhar diferente para o que me rodeia.
    As Universidades Publicas deviam todas ter: (1) Universidade Nocturna, para quem trabalha; (2) Universidade da Terceira Idade, para reformados e aposentados. Com tantos aposentados que foram professores seria fácil ter docentes para ambas as universidades.
    E todos viveríamos mais felizes (e, pelos vistos, vidas mais longas, agora que isso deixou de ser pecado).

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  6. É hilariante supor que se vivem mais três anos só por ter curso superior. Haverá diferença entre mestrados e doutoramentos? E quem - sendo mulher - não fez um nem outro, viverá só mais ano e meio? E que dizer daquelas que só frequentaram a universidade e não tiraram curso, que alínea atribuir-lhe...enfim. Há estudos e estatísticas sobre tudo.

    Quanto a felicidade...cuja nem acredito que exista, mas admito uma certa luta pelo bem estar e nesse sentido, sim, terão mais sucesso aqueles que têm maior desafogo económico e é vero que a educação pode proporcioná-lo (a vida é injusta com os pobres todos os dias. Como diz Mia Couto, os pobres são os primeiros a morrer nas guerras e tb na paz; certíssimo)

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