Um soninho descansado

Uma investigação recente trouxe ao de cima alguns dados terríveis: nos EUA, ao que parece, o tempo médio de leitura de um artigo na Internet é de 15 segundos (ou seja, não é lido, é apenas espreitado) e, em 2014, um quarto dos cidadãos americanos adultos não tinha lido um livro sequer (e são muitos estes cidadãos, como sabemos). O estudo, do Pew Research Center, refere que todos os que têm hábitos de leitura mostram ter mais memória e mais capacidades mentais em todas as fases da vida do que aqueles que vivem com o nariz colado ao écran do computador, sempre a saltar de imagem para imagem, para além de serem melhores oradores (têm muito mais vocabulário) e, o que não é de somenos, até melhores pessoas em geral. E acrescenta agora uma vantagem que será seguramente uma benesse para quem sofre de insónias: quem lê na cama, mesmo que apenas uns minutinhos, dorme garantidamente melhor! Eu sou mais de ler sentada e é já quando tenho sono que me vou deitar…

Comentários

  1. A questão pior é a dos 15 segundos. Somos matraqueados cada vez com mais coisas a um ritmos cada vez mais rápido.

    Nos telejornais, dá-se 3 'noticias' ao mesmo tempo, fala-se de uma, em baixo há outra escrita, e em rodapé vai passando um pout-pourri de coisas.

    Nos vídeos os planos têm que ser cada rápidos, não há tempo para ninguém se fixar em nada. Os entendidos destas coisas sabem que gera um sentimento de querer ver mais.

    Cada vez mais pessoas vêm televisão enquanto estão no pc. Já não há 'paciência' para nada. Tudo se torna aborrecido se durante mais de 15 segundos.

    No facebook tem-se centenas ou milhares de amigos e a nenhum se dica mais que 15 segundos, o tempo para fazer um like num post que não se leu.

    É este o meu e nosso futuro.

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    1. Não acredito. Aposto nos amigos presenciais e sem hora; nos jornais e revistas lidos de fio a pavio; nos filmes e livros que se repetem; nas conversas prolongadas à mesa...acredito em coisas sem tempo de ampulheta, que nele acontecem mas não se deixam aprisionar. E creio firmemente na sua continuidade. Para além de e sobre a net, a despeito da obsessão dos 15 segundos e da falta de tempo de que todos nos queixamos.

      É verdade que será pouco frequente - ou não tem a frequência que desejaríamos -, mas acontece. E cada vez é um pleno. Ora, caro senhor, estes plenos não se conseguem de outra forma. Creio eu. Pronto.

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    2. Claudia da Silva Tomazi5 de outubro de 2015 às 04:35

      Fala gramática o Vocativo o Aposto e donde andar-se-ía hífen?

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    3. Andorinhas há-de haver sempre, graças a deus. Mas dizem que não basta para que a primavera aconteça.

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    4. Não percebi, Cláudia

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    5. Pois não:) e ainda bem que a Primavera é mais. Se bem que sejam bonitinhas. Mas a primavera não depende delas nem por elas acontece. Em rigor, são duas misteriosas simultaneidades que a ciência ordena e explica, quase sempre marginal à essência poética.

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    6. António Luiz Pacheco5 de outubro de 2015 às 13:53

      E somos dois, Extraordinária Beatriz!

      Mas, repito, a análise do Extraordinário LR está bem feita... só que não acredito que seja o futuro, é apenas o presente, e muitos analistas só vêem de facto presente... o Futuro a Deus pertence... lembram-se?

      Eheheheh!

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    7. Vamos apresentar o passado Pacheco:

      Homem rã lhe cai bem!

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    8. :) Tem razão. Mas há vezes em que o presente esmaga o futuro. E depois ele ressuscita dos escombros. Até hoje foi assim :).

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    9. bem hajas andorinha primaveril :)

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    10. Ser brindado com E maiusculo!!

      f*!* há que desfazer rapidamente oq ue tenha bem feito...

      Olha outra coisa, acha que Deus terá isso do Futuro registado na conservatória.

      Estou a pensar arranjar um bom advogado e ficar com a coisa para mim :)

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  2. António Luiz Pacheco5 de outubro de 2015 às 02:18

    Não me surpreende o que diz o estudo, e aliás nem é original.

    As funções do cérebro, incluindo a fala e o raciocínio, exercitam-se como as demais. Quem lê apreende e treina uma série de funções, além de armazenar conhecimento e vocabulário ...

    A internet, e a forma como as notícias são hoje veiculadas, fazem das pessoas meros saltitões que não se concentram, mas também creio que esse é o objectivo.

    Quanto a ler, a cama é um dos meus locais priveligiados e antes de dormir, durmo melhor se ler antes de dormir, é um facto!

    Saudações cerebralmente musculadas e vigorosas além de presumidas, cá da Cidade Morena!

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    1. ? (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_Morena)

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    2. António Luiz Pacheco10 de outubro de 2015 às 01:51

      https://www.google.com/search?q=Benguela+a+Cidade+Morena&rlz=1C1AKJH_enPT622PT622&espv=2&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0CEUQsARqFQoTCMPTv7XCt8gCFYbYGgodbLIPnA

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  3. Creio que será um problema global.

    É evidente que os minutos deixaram de ter sessenta segundos, os dias deixaram de ter vinte e quatro horas, os anos deixaram de ter doze meses.

    As pessoas já não falam, já não olham, são autómatos comandados por telemóveis, I´pds e computadores...

    Deste modo como é que poderia haver tempo (ou vontade) para ler

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    1. Bom, bom...os livros continuam a vender, os livreiros e as livrarias a existir; há grupos e editoras poderosos, verdadeiros gigantes. E há editoras independentes que fazem bom trabalho...julgo que a coexistência do mundo digital com o mundo físico pode ser pacífica. Se alinhamos pelo campo das dependências e dos exageros...a net, como os livros, podem afastar-nos dos outros, impedir-nos de olhá-los com a atenção que nos merecem (o aumento vocabular e de raciocínio só é útil se nos aproveitar para outrem; o resto é exercício de egoísmo).

      Suponho que a justa medida seja algo muito necessário, um condimento vital para perseguirmos a humanidade que devemos ao mundo.

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  4. Toda a vida li um pouco antes de adormecer. Nunca dispenso esse hábito.

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  5. Bommmm...as estatísticas são as estatísticas. Quem dera que as insónias curassem via leitura antes de dormir:). Digamos que, se alguém sofre de insónia esporádica, poderá resolver. Em quem não padece do mal, ajudará a dormir melhor (e aqui, desculpem, mas até isso depende muito do tipo de leitura e do tipo de leitor). Que a leitura resolva o problema das insónias mais ou menos habituais...não creio. Pode é ocupar o tempo, as horas nocturnas cheias de minutos que nunca mais acabam. Isso sim. No último caso, ler não será tanto um remédio como uma grata ocupação da mente.

    Conheço gente que quase só lê na net e tem um vocabulário fora de série. E quem seja como a Rosário refere. Mais uma vez, tudo depende do leitor e do seu interesse em ler. Seja onde for.

    E Viva a Leitura.

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  6. Desde há muitos anos, não dispenso o hábito de ler na cama até vir o sono. Confesso que chego a ir um bocadinho mais cedo para lá para poder ler mais umas páginas antes de adormecer. É de lamentar os maus (ou inexistentes) hábitos de leitura de muita gente.

    Relativamente à leitura na internet, confesso que a informação disponível é tanta que por vezes damos por nós a "ler as gordas", acabando por não terminar leitura nenhuma. São sinais dos tempos, parece-me. Mas não deixa de ser preocupante que, perante tantos benefícios, a leitura não seja ainda uma constante para todos.

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  7. Concordo totalmente. Quem lê habitualmente, fala, escreve e pensa melhor. Possui um raciocínio mais estruturado e consegue expressar verbalmente melhor o seu pensamento. E ainda possui um sentido critico mais aguçado.
    Quanto ao uso da internet, é giro e é versátil, mas, percebendo como é viciante, temos que a controlar, senão é ela que nos controla.
    Temos que fazer escolhas, eu auto imponho-me horários e tempos na rede. Trabalho com múltiplas aplicações informáticas, mas também escrevo e leio muito e tenho a certeza que o meu trabalho tem beneficiado muito do meu gosto pela leitura.
    Quanto a leituras, se é verdade que a leitura antes de dormir (para além de outras alturas do dia) é ótima para dormir bem, também é verdade que para quem sofre de insónias, nem a leitura os salva.
    Eu gosto de ler sentada, mas a posição deitada é mesmo a minha preferida...

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    1. É? Se me deito, sobram-me braços e ombros por todo o lado; decerto esticam, os invasores. Mesmo bom seria haver um livro suspenso e que passasse as folhas sozinho. Isso é que era. Na ausência desta tecnologia de ponta, temos de pegar nos livros, facto que, na posição horizontal, pode ser assaz desconfortável. E nefasto para tendinites e afins. Inventam tanta bugiganga sem graça e não se lembram dos velhotes que não aguentam o peso da livralhada. Ora esta.

      E nada de sorrisinhos que isto é a sério. Com licença, tenho que tomar uns sais de frutos, que a política deu-me uma azia desgraçada para não dizer outra coisa.

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    2. Ora essa, ó Beatriz! Não é necessária grande tecnologia para ler na cama. Só precisa de almofadas.
      Mas almofadas com fartura. Um monte delas debaixo dos joelhos, para as pernas ficarem bem apoiadas e dobradas como deve ser para pousar-lhes o livro. Duas outras almofadas, uma suficientemente grande para apoiar as costas, os ombros bem aconchegados, e, por cima dela, outra mais ao jeito de apoiar a nuca na melhor posição para ler. Finalmente, ainda uma almofada molezinha sobre os joelhos para nela encostar e ajeitar o livro.
      De tecnologia basta um projectorzito fixado na barra da cabeceira da cama, a apontar ao livro.
      Mas existe um senão: o meu.
      É que, se a Beatriz tiver em casa, como eu, gatos e cachorros mimalhos, então terá de gastar uma parte da noite a tentar sossegá-los antes de começar a entrar no livro…
      Não é fácil. Mas eu rotinei-os a ouvir música; para mim é música de fundo e eles apreciam, ao fim de uns minutos ficam sossegadinhos.
      O pior é se vem algum ruído do exterior – cães a ladrar, ou assim.
      Para isso é que não há tecnologia. É fechar bem as janelas, mesmo que sejam de vidro duplo, e fechar bem as portadas, correr os cortinados – mas mesmo assim…
      É que eles têm o ouvido aguçado, e detestam que se lhes perturbe a música.
      E eu detesto que me perturbem a leitura.
      (O desassossego dos bichos perturba-me mais do que o desassossego da política. Esse, a leitura transfere-mo para o dia seguinte.)

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    3. Booommm...referia-me a ler deitada:) Mas obrigada na mesma pelas dicas

      Sentada na cama nem preciso de tanto tagaté. E como os animais estão proibidos no quarto - excepto eu, claro -, não há ruídos. Não consigo ler com barulho. Mesmo a música me perturba. Sou de silêncios demorados.

      A usar essas almofadas todas, com a minha falta de sincronia, levava o tempo a deixá-las cair ou resvalar

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    4. Engraçado

      falar melhor sei o que é

      escrever também

      já pensar melhor tenho imensa reticências
      a responsabilidade é grande

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