Escrever ou não escrever?

Hoje em dia muita gente quer escrever um livro – e eu acrescento: acha que pode. Não discutindo as competências de cada um, a verdade é que o facto de todo o bicho-careta, entre apresentadores de TV e actrizes de telenovela, publicar livros faz com que se pense que escrever não implica talento e o que é preciso é ter uma história para contar (quando o como se conta a história é que, normalmente, faz a diferença). Sei que já falei muitas vezes aqui do tema, mas descobri umas novas dicas importantes. William Boyd, escritor, formula algumas perguntas essenciais aos aspirantes a escritores, que servem, no fundo, para que concluam se, efectivamente, estão habilitados a escrever um livro. E a primeira é justamente «Sabem escrever?», ou seja, se dominam a gramática, não cometem erros, são capazes de se exprimir por escrito de forma a serem entendidos e, claro, conhecem mesmo bem a sua língua; sem isso, meu amigo, de maneira nenhuma se tornarão autores de jeito. «Sabem planificar?» é outra das perguntas, uma vez que a organização da intriga ao longo das páginas de um livro é absolutamente fundamental; não é preciso o plano integral antes de começarem a escrever, mas, à medida que escrevem, têm de saber onde entra o quê sem se espalharem ao comprido. «Têm imaginação?» Ah, pois, há quem julgue que não precisa disto, mas é impossível tornar um episódio credível se o seu autor não o conseguir imaginar, diz o conselheiro. «São suficientemente resistentes?» Sim, Boyd acha que não só escrever um romance implica perseverança, aceitar os momentos menos criativos sem desistir, se calhar cortar páginas e páginas que deram muito trabalho na altura de rever, esperar o tempo que for preciso até o livro estar pronto, mas também que é necessária resistência às críticas depois de o livro sair e ao longo da carreira, porque há na profissão de escritor muitos altos e baixos. Enfim, algumas questões que ajudarão os indecisos a tomar uma decisão em consciência.

Comentários

  1. Post excelente!
    Primeiro porque o William Boyd é dos meus escritores favoritos (uma vez não quis fazer um trabalho que era uma seca e desafiei o prof. se ele me deixava dar um final pós-final a um dos livros do Boyd:
    - Sure, get me 3000 words and we'll see. - tive A).
    Segundo porque é tão difícil escrever...
    Terceiro porque adorei a expressão "bicho-careta", mais uma para o rol e a aprendizagem do dia!

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  2. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 02:43

    Sobre as palavras do Mestre da Escrita... quem sou eu para as avaliar? Lembro-me de um almoço e tertúlia de escritores-não-alinhados que ocorreu em Agosto passado e se discutiu e tiraram idênticas conclusões, apenas por mero bom-senso e realismo dos presentes, aliás gente comum!

    Quanto ao resto do post, esse está mais ao meu alcance de comentador (não-candidato a nada!)...

    Parece-me ser mais "bicho-carinha"!
    Há entre a classe da "nova-gente" que se constituiu na nossa sociedade como grupo que suponho já perfeitamente tipificado, um óbvio desejo de notoriedade e em muitos casos uma necessidade de se provar que não são apenas uma "cara" ou um corpo e querem a todo o transe ser reconhecidos também como sendo inteligentes e cultos ...

    Não digo que o não sejam... mas parece-me que todos temos o nosso lugar e função na engrenagem que constitui a sociedade e ser uma cara bonita que alegra, ou alguém que distrai, que entretém e até acompanha, é uma função tão importante e respeitável como ser médico ou professor, por exemplo.

    Modelos, actores/actrizes de telenovela, entertainers, apresentadores e cromos em geral, fazem parte... fazem rir e chorar, despertam paixões ou antipatias... mas têm obviamente o seu lugar e todos temos de o perceber e aceitar, pois fazem parte da actualidade e sempre o fizeram, apenas hoje com a mediatização possível estão mais presentes e visíveis do que nunca, e aumentaram em género e quantidade!

    O que acho criticável não é o seu anseio de dar nas vistas e quererem provar que são capazes de escrever - o que aliás dá estatuto e é importante para o currículo de "famoso/celebridade"!
    O que é criticável é que haja editoras a publicar essas "obras", quando ignoram outras que têm qualidade (conheço tantos casos) apenas porque são de gente não-famosa/celebridade.

    Podem argumentar que as obras das Cara-Linda (era o cavalo do Jack Taxas, lembram-se dos Parodiantes?) é dinheiro em caixa pois vende, e as editoras precisam... as livrarias também, já sabemos e que remédio, mas não deixam de estar a encher os espaços das livrarias com lixo!

    Ou seja, apesar de ser um post interessante é sobretudo corajoso (tiro-lhe o Panama), pois a nossa Extraordinária Anfitriã trabalha numa editora e logo indirectamente está ligada à produção e promoção do tal lixo escrito. Não estou a ser cínico e nem é uma acusação, que fique bem claro!

    Mas também há os cultos, que enveredam pela escrita e produzem boas porcarias, publicadas porque são reconhecida e justamente gente culta ... tenho vários exemplos na minha biblioteca!

    Saudações anónimas cá da Cidade Morena

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    1. Ó Pacheco sabias que foi com "Deixei tudo por ela" que o Zé Cabra vendeu mais de 40.000 discos...

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    2. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 03:18

      E eu com isso é Severino? Estamos a falar de livros ...

      Repara antes no que diz o Santos-Roza!
      O Zé-Cabra na feira de Almeirim é um regalo ouvi-lo... ou o Toy Carreira... estás ver Vivaldi ou Lizz Wright, ou mesmo Rui Veloso (a ilha...) numa feira? Era pior que comer arroz de cabidela com Sumol de ananás!!!!!

      Já agora e para dar exemplos que a meu ver estão dentro do que se diz sobre programação, esquematização, domínio da linguagem, etc. por pessoas reconhecidamente cultas: Alguém leu "Madrugada suja" de M. Sousa Tavares? "O anjo branco" de J. Rodrigues dos Santos????
      Meu Deus... que duas boas porcarias!!!
      Seriam publicados se não fossem assinados por quem foram?

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    3. Bom dia, António Luiz Pacheco,

      Metendo-me na conversa, deixe-me dizer que do José Rodrigues dos Santos fui obrigado por um amigo a ler um livro (A Fórmula de Deus) e jurei para nunca mais: personagens fraquíssimas, o que se costuma dizer de planas, apenas para cumprir a acção; texto raso, sem voo. Muito mau.

      Do Miguel Sousa Tavares, não li o que se diz ser a sua obra-prima (Equador). Mas custa-me a acreditar que seja tão bom assim, a julgar pelo resto que li: No Teu Deserto, um livro mal amanhado, mal acabado, mal pensado, enfim, uma treta. O Madrugada Suja já me veio parar às mãos e ainda estou a pensar se lhe faço o que fiz uma vez com outro da Margarida Rebelo Pinto: foi parar à casa de banho para quando houvesse daquelas urgências que às vezes nos surgem e em que descobrimos que nos esquecemos de comprar papel higiénico.

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    4. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 05:08

      Caro e Extraordinário A. de Sousa

      Muito sinceramente, li da Margarida Rebelo Pinto e quando foi lançado, "Sei lá". Confesso que gostei pois vi sobretudo um retrato de um certo estrato da sociedade, aliás feliz e bem gizado!

      Do José Rodrigues dos Santos, li por curiosidade e também mais ou menos obrigado o citado "O anjo branco" ... a análise foi igual àquela que faz para a "A fórmula de Deus"! Mas há gostos para tudo e ainda bem, ou eu não podia por exemplo ser aficcionado dos toiros...

      Do Sousa Tavares, bem, tenho lido coisas dele de que gosto, como o "Não te deixarei morrer David Crockett) e achei muito bom "Equador" que efectivamente pode ser considerada a obra-prima do autor, se bem que eu tenha gostado mais de "Rio das Flores", a despeito de nesta linha de romance, haver uma obra soberba que creio quase desconhecida mas que aconselho já que estamos num blog de leitores:
      "Vida e morte dos Santiagos" de Mário Ventura.
      (Foi prémio do Pen Clube.)

      "Madrugada suja"... é infantil sem ser para crianças, diria eu apenas para resumir o que para mim é de mau... e não faz justiça ao autor!

      Um abraço cordial e leitoral cá da Cidade Morena!

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    5. Li a madrugada suja e não achei assim uma porcaria como diz. Pareceu-me um livro normal português. E não necessariamente lixo.

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    6. Respeito o seu gosto, Extraordinária Beatriz!

      Certamente que livros muito bons para mim não o serão para si, o que parece óbvio dada a nossa continuada e saudável discordância em quase todos os assuntos que aqui se tratam, e, repito que ainda bem que assim é, longe estejam os tempos passados ou futuros do pensamento único!

      Mas o que é "um livro normal português"? Está a nivelar por cima: Eça, Camilo, Aquilino, Torga, Agustina, Saramago, Lobo Antunes... ou por baixo: Rodrigues dos Santos... etc?
      Pergunto isto porque de facto achei "Madrugada suja" tão mau, mas tão mau, que acreditaria não ter sido escrito por Miguel Sousa Tavares e mais depois de ter lido "Equador" e "Rio das Flores", mas temo que e pela nossa habitual discordância me diga que os achou péssimos.

      Ahahah!

      Saudações subequatoriais cá da Cidade Morena.

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    7. Um "livro normal português" significa o quê?

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    8. Não gostei nada do "Equador"! Se é o melhor livro dele... Machismo encapuzado, além de páginas e páginas com informações que não interessavam nada para o enredo. Nunca mais li nada desse autor, nem pretendo ler.

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    9. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 07:37

      Ó Extraordinária Cristina Torrão, tenha lá paciência mas modere o seu afã feminista ... Equador passa-se numa época em que era assim! Machismo encapuzado... então e se alguém decidir que os seus livros contêm nacionalismo ou até e pelos temas e forma como apresenta o D. Afonso Henriques como ideias de monarquia encapuzada, isso legitima que não se goste nem se leia mais nada seu????

      O Ricardo Araújo Pereira é anti-toiradas e isso não me impede gostar de o ler e ouvir ... Aquilino era carbonário e é um dos meus autores preferidos... Torga comunista e idem... vamos lá a ser leitores esclarecidos e não nos deixar influenciar nem tolher por uma qualquer limitação política, sexista, religiosa ou o que quer que seja. Ou acha que eu como católico não posso gostar de Kahlil Gibran? O tempo da inquisição e das fogueiras, já lá vai criatura!
      (Perdoe tratá-la por criatura, mas se dissesse "senhora" temo que me acusasse de machismo!) Eheheh!

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    10. Machismo encapuzado Cristina?

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    11. Ó Cristina essa do machismo e do feminismo já é do tempo da conversa da treta:

      -Os homens e as mulheres têm que lutar pela vida, pelos seus ideais, pelo seu bem estar, enfim por uma vida digna JUNTOS E LADO A LADO.

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    12. Ó Pacheco, do 565* (Orelhas) li "A FILHA DO CAPITÃO", e chegou-me, apesar de não ser do pior que li.

      Do MSTavares o que li gostei de "EQUADOR" e de "SUL", que sem serem obras primas li com alguma curiosidade e interesse; li ainda "não te deixarei morrer David Crockett " e "NO TEU DESERTO" este último uma treta muito mal amanhada, e isto sim autêntico embuste (para quem o comprou), diria mesmo lixo!

      porquê* 565 ?- a sua editora não lhe encomenda 2 livros/ano, encomenda-lhe simplesmente 565 páginas/ano.

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    13. Ó Pacheco, em tempos recomendaste-me "Vida e morte dos Santiagos" de Mário Ventura e estou-te grato pela sugestão porque é, na minha opinião, efectivamente um grande livro!

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    14. Não assinei, mas ó Pacheco só eu é que te tratava assim, sem, contudo, me teres dado confiança para tal.

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    15. Cara criatura,

      Não modifico uma vírgula no que disse!

      Se reparou bem, no meu romance sobre Afonso Henriques, escrevi uma nota inicial, da qual passo a transcrever parte:

      «No século XII, a religião cristã estava profundamente enraizada na vida das pessoas. E D. Afonso Henriques, como toda a gente sabe, notabilizou-se, entre outras coisas, pela sua luta contra os mouros. Eu não podia escrever um livro sobre ele sem falar na "guerra santa" e na necessidade de expulsar os "infiéis" da Hispânia.
      Queria, no entanto, deixar bem claro que, na minha opinião, guerras de índole religiosa não fazem o mínimo sentido.
      Sou convictamente contra qualquer tipo de "guerra santa" e não tenho nada contra muçulmanos ou quaisquer outras formas de vida e/ou religiões».

      Uma pessoa das relações da minha editora de então, quiçá pensando de forma semelhante à sua, era terminantemente contra a publicação desta minha nota. Eu fiz questão!

      É perfeitamente possível escrever um romance sobre outra época, caracterizando-a bem, sem dar a impressão de que o autor pensa mesmo assim. Na minha opinião, Miguel Sousa Tavares é incapaz de tal!

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    16. Perfeitamente de acordo, caro Severino!

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    17. P.S. De resto, não foi só por causa disso que não gostei do livro. Eu apontei outra razão que, na minha opinião, é um erro no qual nenhum escritor deveria cair.

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    18. Não, não. Esses que refere - mais "Equador" que o outro - são bons livros para o meu gosto. "Madrugada suja" é um livrinho. Não da craveira dos nossos maiores. Mas, arrisco porque nunca li nada de JRS, acho MST outra coisa. E não os comparo.

      O mundo é feito de diferentes coisas; é saudável haver opiniões diversas desde que não sejam más opiniões. A que temos direito, ainda assim; mas, se erradas e não por questão de gosto, não vejo por que se não emendem:)

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    19. significa um livro mais ou menos às voltinhas e depois acaba como qualquer romance das nossas tias, tudo em bem. Mas tem algo de diferente desse tempo, traz problemas actuais e em português escorreito. Alem disso usa aquele realismo de que agora toda a gente gosta, meio à bruta. Há muitos livros assim por aí. Portugueses.

      Se não me fiz entender, paciência. Fica para outro dia:))

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    20. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:07

      E eu não percebi logo, ó Severino?

      Queres um estalo na cara? Isso entre nós é por acaso preciso... temos de nos explicar?
      Fáxavor ...

      Grande Abraço!

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    21. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:13

      Hum... e nem eu esperava que retirasse ... conheço-a bem! Mas tinha de lhe dizer o que disse!

      E se não defende guerras de natureza religiosa, é por demais óbvio que defende outras... estarei errado?

      O extremismo -seja ele de que natureza for - só fica mal a quem o pratica.

      Já fui extremista, mas depois cresci ... evoluí.

      Saudações Cara e Extraordinária Feminista-Radical.


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    22. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:23

      Ah! É o que mais aprecio em si minha cara, de verdade: a sua clareza!

      Com efeito, "Madrugada suja" é um livrinho ... e indigno do autor! Que eu aprecio, nomeadamente pela coragem que tem em se estar nas tintas para todos e para o "políticamente correcto", como seja assumir que caça, que bebe, que come, que se apaixona e até que pode ser um pouco machista - qual o homem que o não é? Sem precisar de bater nas mulheres... como nenhuma mulher que se preze deixará de ser feminista, sem cair no excesso da nossa Querida Cristina Torrão que vê machismos em tudo e até no simples facto de os homens terem uma pila que se calhar lhes devia ser cortada à nascença ...

      Eheheh! Perdoe a vulgaridade mas não pude conter-me... e creia-me que como sempre com todo o respeito e consideração, cá da Cidade Morena!

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    23. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:28

      Não sendo embora para mim directamente, também o era... e concordo com a sua análise, aliás por isso não gostei do livro como não gosto de muitos autores da actualidade - os tais que classifiquei como maníaco-depressivos, lembra-se?

      Pior, este livro é feito de clichés, já que o MST odeia constructores civis e arquitectos das câmaras municipais (e faz bem!) mas a história é fraquinha, os personagens ridículos e a trama é de uma total falta de inteligência que até dói!

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    24. Isto vai longe demais, meu caro!
      Estou cheia de insultos e de inverdades sobre a minha pessoa!

      Afinal, eu só critiquei um livro que li, um livro que não tem nada a ver consigo, a não ser o facto de o ter lido também. Não foi a si que critiquei, foi o autor desse livro! E insinuar que sou radical e extremista e avisar-me que o tempo das fogueiras já acabou, vai mesmo longe demais! Afinal, por vezes critica-me por achar que sou ingénua demais, que vejo a Natureza através de óculos cor-de-rosa, ignorando a violência, coisa e tal. Agora, critica-me por ser radical e defender certos tipos de guerra???

      DECIDA-SE!!!

      O facto, meu caro, é que não me conhece e põe-se a caracterizar.me, como se eu fosse personagem de um romance. Não sou, sou uma pessoa de carne e osso! Ainda por cima, reserva-se o direito de me educar! Acha-se superior a mim?

      «E se não defende guerras de natureza religiosa, é por demais óbvio que defende outras... estarei errado?» SIM! ESTÁ ERRADO!

      «O extremismo -seja ele de que natureza for - só fica mal a quem o pratica» - CONCORDO!

      «Já fui extremista, mas depois cresci ... evoluí» - eu nunca fui extremista, nem radical! Nem sou extremista, nem radical! Não precisei de crescer, nesse aspeto!

      Passe bem!

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    25. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2015 às 03:36

      Extraordinária Cristina Torrão:

      Centremo-nos objectivamente no seu comentário que originou esta discussão:

      “Não gostei nada do "Equador"! Se é o melhor livro dele... Machismo encapuzado, além de páginas e páginas com informações que não interessavam nada para o enredo. Nunca mais li nada desse autor, nem pretendo ler.”

      É uma opinião, e tem direito a ela… mas leia com atenção e cabeça fria.
      Acha que é uma opinião esclarecida, e justa? Pensada e estructurada? Ou é mera explosão momentânea e irreflectida?

      Páginas e páginas com informações sem interesse para o enredo … discutível, mas é razão para ter detestado a ponto de nunca mais ler nada do autor? Não… o âmago da sua análise, óbviamente e para quem a conhece de outras e tantas atitudes similares, é o seu primeiro argumento, aquele que nos mostra claramente a sua opinião e o porquê de não ler mais nada dele: “machismo encapuzado”.

      Diga-me lá, com honestidade e franqueza, se não é uma atitude de feminismo radical? Ou parece sê-lo…

      Compare apenas com um exemplo:
      - Ricardo Araújo Pereira é um anti-taurino primário. Mas eu aficionado e militante na defesa da tauromaquia, assumido, continuo a apreciá-lo e a ler os seus escritos porque o acho inteligente e com humor. Ninguém me viu atacá-lo em lado nenhum por causa das suas opiniões e nem fazer coro com os que logo apelaram ao seu bloqueio.

      Volte a ler a sua declaração… vá lá, hoje com a cabeça fria e mais calma, por si mesma.

      Não estou nem fico de mal consigo, acho que já ultrapassei há muito essa condição de me ofender ou ofender por diferenças de opinião como estas, num caso de lana caprina. Apenas disse o que penso, aliás coisa que você faz constantemente e normalmente de forma desabrida -é o seu estilo -, mas no meu caso é ser insultuoso?

      Poderei ter sido impertinente, já que para si tudo é sexismo ou sectarismo, admito, mas não era aquele o meu intuito... talvez tenha ido longe demais mas apenas fui franco e a tratei como pensei que aguentava e me retornaria sem ir pelo caminho de se dizer ofendida e virar costas.
      Afinal a Cristina explode constantemente e melindra-se muito, já se percebeu que tem pouca paciência... mas não temos ambos os mesmos direitos?

      Se reparar, notará que há sempre no meu discurso um tom de ironia que se pretende aligeire as minhas afirmações e as tornem amigáveis, pois julguei estar a discutir saudávelmente e com abertura entre "quase-amigos", e aos amigos é permitido dizerem-se certas coisas e fazerem-se críticas, já as fizémos antes e mais pesadas, sem ter havido este desfecho e nenhum de nós fechar a porta na cara do outro.

      Lamento a confusão e criar mal-estar ou estragar este ambiente, pois nesse caso prefiro levantar-me e abandonar o debate, não quero constringir e nem tornar-me incómodo. É tudo, e como me mandou passar bem, o que tomo por um corte, de futuro não trocarei comentários consigo evitando assim melindrá-la e criar situações desconfortáveis neste espaço que como já referi, muito estimo.

      Como se diz por aqui, fique bem.

      À dona deste espaço tanto quanto aos demais frequentadores e comentadores, dirijo desculpas sinceras e creiam que lamento, mas creio que a vivacidade dos debates também conta e faz dele um espaço vivo e eventualmente interessante.
      Se estiver errado e a minha postura for assim tão incómoda saberei retirar-me como entrei, sem estrondo.

      NOTA: Cada qual é livre de tomar as suas decisões, mas peço que não comentem p.f. pois não venho contar apoios ou críticas, nem vamos deitar achas para uma fogueira que espero tenha sido apagada e por mim assim se manterá.
      O futuro ditará o que deveremos fazer...

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    26. (Ok, Pacheco. Não quero deitar mais achas para a fogueira mas, ainda assim, gostava de saber o que tem Cristina a dizer sobre esta sua penitência.
      A minha esperança é que ela admita que este episódio lhe tenha servido a si, caro Pacheco, para cuidar de moderar os seus impulsos…)

      Mas pronto: vamos lá então voltar ao seu comentário à minha intervenção de 16 Out. às 16:12.

      A questão é que este texto que o meu caro classifica de “interessantíssima intervenção” foi escrito há mais de vinte anos.
      Ora bem: se, vinte anos depois, ainda é “interessantíssima”, isso agrada-me, mas, ao mesmo tempo, preocupa-me.
      Agrada-me porque, pelos vistos, mantém a actualidade.
      O que me inquieta é que, ao que vou sabendo, isso de “escrever industrialmente” – isto é: com a ajuda de uma equipa de writers – está a generalizar-se, já não é “só mesmo na América”.

      Paradoxalmente (ou talvez não…) fiquei com a curiosidade (ainda mais) aguçada acerca do seu “Largueza”, por causa do pormenor que refere: pois percebi que no próprio livro se vê que o narrador é ajudado por uma equipa.
      Ora bem: se assim é, você devia oferecer dois exemplares do seu livro – um a uma das industriais best-sellers americanas (que era para ela ver que um livro deve ser feito às claras) – e o outro a mim.
      Neste último caso, e sabendo eu que o seu livro é tão “largo” e grosso que não cabe na ranhura da minha caixa do correio, o melhor era você vir um dia destes a Amarante, trazia o livro para mo oferecer pessoalmente, e almoçava cá c’a gente (como dizia o Raul Solnado).
      Tenho aqui um verde branco da Lixa que, estou certo, fará as suas delícias –
      e que o inibirá de falar de touradas e caçadas (caso contrário a minha mulher punha-o logo porta fora…).

      Quanto aos sapos, já deviam estar a hibernar, mas o tempo está tão esquisito – ainda não arrefeceu apesar de chover – que até agora eles continuam a passear tranquilamente no pátio.

      PS – Se concordar, vamos tentar arranjar maneira de a Cristina Torrão vir também, almoçavam ambos cá c’a gente – e faziam as pazes. Que diz? (Se assim for, não esqueça de trazer um terceiro exemplar do seu livro, para lhe oferecer – com dedicatória!...)

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    27. Caro Pacheco,

      Se eu expludo constantemente e me melindro muito, o Pacheco não fica atrás! Também não é de explodir? Eu acho que sim.

      De qualquer maneira, essa coisa de eu o ter achado insultuoso prende-se com o facto de eu tentar discutir ideias, apresentar argumentos, e o Pacheco partir para ataques pessoais, do género: a Cristina é isto, aquilo e aqueloutro. Apreciava mais que discutisse ideias, em vez de tentar classificar-me, pois todos sabemos: "não julgues para não seres julgado".

      «Páginas e páginas com informações sem interesse para o enredo … discutível, mas é razão para ter detestado a ponto de nunca mais ler nada do autor?» - na minha opinião, é! Como também se costuma dizer: "a vida é curta demais para perder tempo com livros maus". Eu modifico (para não julgar): para perder tempo com livros que não nos agradam. MST não me cativou minimamente, na verdade, irritou-me profundamente em vários passos, e, por isso, dificilmente tornarei a ler algo dele.

      Por isso, não acho que a minha opinião seja «mera explosão momentânea e irreflectida». Eu li o livro há bastantes anos e foi essa a impressão que me ficou. Aliás, não consigo dizer mesmo mais nada sobre o livro!

      Quando usa o exemplo do Ricardo Araújo Pereira, fica-se com a impressão de que eu só gosto de autores, ou de pessoas em geral, que comungam das minhas opiniões. Lá está: o Pacheco induz em erro, porque isso não é verdade! Por exemplo: sendo eu contra a caça, admito que ao matar animais que vivem em liberdade, a fim de os comermos, está-se a agir mais eticamente do que ao criá-los e mantê-los em sofrimento extremo para fornecer o mercado de carne (por favor, não entremos nesta discussão, é só um exemplo).

      Dito isto, acho que podemos enterrar o "machado de guerra", sim. Mas olhe que ele não se deve apenas ao meu feitio intempestivo, também ao seu. E aproveito para dizer que não acho defeito nenhum ser feminista, nem que alguma mulher deva pedir desculpa por o ser. Se não fossem as feministas, onde estaríamos ainda? Se calhar, nós mulheres nem sequer podíamos votar e ainda tínhamos de publicar livros sob pseudónimos masculinos.

      Talvez o Pacheco ache que o feminismo já não se justifique hoje. Muitos homens pensam assim. Eu sou de opinião contrária, pois ainda estamos muito longe de atingir a igualdade plena, longe do caminhar lado a lado, referido pelo Severino. Infelizmente.

      Não se irrite tanto com as feministas! Até parece que tem medo delas... Ahahaha!

      (Agora já estou a conjeturar como o Pacheco)...

      Sabe, eu até sou paciente (acho eu)!

      Fuma? Eu não. Caso contrário, pegava já no cachimbo da paz. Mas penso que o João Madeira o poderá fazer pelos dois ;)

      Boa semana e obrigada pelo estender de mão!

      P.S. Sim, o post já vai num número considerável de comentários. Quem diria? Pela minha parte, porém, insisto em que não me disse nada de novo (apesar de me te deixado envolver nesta discussão. Pronto, tá bem).


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    28. Caro Joaquim, já tenho os dois volumes do "Largueza", autografados pelo autor, e já os li.
      Também já respondi ao nosso amigo Pacheco. Pode ler à vontade, que não se vai incomodar ;)

      Amarante? Não moro assim muito longe, quando estou em Portugal: Macedo de Cavaleiros. E passo sempre em Amarante, quando vou ao Porto, como é óbvio. Por isso, e se o António Luiz Pacheco prometer não falar de touradas (que eu nisso sou como a sua mulher), até era capaz de me deixar tentar... ;)

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    29. Deus me livre! Sempre gostei de homens!

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    30. (O quê?! “Largueza” tem dois volumes?! C’um caneco! É mesmo à Pacheco: não faz a coisa por menos…)

      Então ficamos assim: lá mais para o Verão, para podermos almoçar na mesa de pedra que temos aqui, ao ar-livre (mas à sombra), trataremos de arranjar os contactos (para não expor aqui os nossos endereços, nºs de telefone, etc), depois combinamos a ementa e o resto.
      Mas isto é se ambos prometerem que, daqui até lá, não voltam a rabujar.
      Vou ficar atento…

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    31. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2015 às 17:18

      Hum... fumo uma charutada de vez em quando, serve?

      Vê? É o que aprecio em si, e por isso seria incapaz de mesmo brigando ficar de mal consigo... é honesta e directa, leal.

      Já lhe disse uma vez que nunca pensaria em a mudar - mesmo que pudesse - porque já não seria a Cristina Torrão que aprecio.

      Não é bem medo das feministas, mas tudo o que é extremismo faz-me antes comichão... sexismo, religião, política, sei lá o quê mais.

      Bom, lá teremos de ir a Amarante visitar os sapos, perdão, o casal Jordão!

      Saudações de Benguela

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    32. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2015 às 17:26

      Caro Joaquim Jordão

      - Não podia imaginar que tinha escrito o seu interessante comentário há tanto tempo, como ignorava que houvesse quem escrevesse assim em "linha de produção" , só mesmo na América, pois no Entroncamento não se escreve assim tanto - o JCC que me corrija.

      - Agradeço a sua temperança e sensatez, como o convite... talvez a sua mulher mesmo não gostando fique com uma opinião diferente dos caçadores e aficionados, pelo menos que são pessoas como as outras, eheheh! Mas não é preciso falar de coisas que não agradem e certamente que teremos muitos outros temas... agrada-me o vinho da Lixa, que aliás também era a terra do Zé-Pequeno, um notório comparsa do José Teixeira da Silva.

      Este é um dos muitos personagens que entra no meu Largueza e onde tento fazer as pazes com a história... ele foi um dos muitos injustiçados!
      Temo sim que a sua leitura o mace, por ser extensa e talvez não ser o seu género.

      No resto, comece a engordar o galo para a cabidela... para demolhar o bacalhau ainda é cedo...

      Saudações cá da Cidade Morena

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    33. Cachimbo aceso. Fumando agora em paz. Como qualquer cachimbo gosta. Abraço a todos, amigos.

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    34. Muito obrigada pelo convite, Joaquim Jordão :)

      Depois vemos, então!

      Abraço!

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    35. Olá, João :)

      Fumemos então descansados!
      (eu não fumo, mas solidarizo-me)

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    36. Pois, eu nem charutada. Fumei, no passado, mas deixei. Mas havemos de brindar com o tal verde... ;)

      Saudações da zona hanseática!

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  3. Como assim, "novas dicas importantes"? São as dicas do costume que andam em todo o lado na internet, e bastante básicas.

    Não sou eu que vou minorizar a importância da parte técnica da escrita - todos os autores que admiro rescreviam até à exaustão e ficavam anos a criar um só livro - mas, e depois? O que interessa isso? Há meses que ando a tentar fazer com que algum editor leia o meu romance "gramaticalmente bem escrito" e "bem planeado," porque obviamente não me passa pela cabeça mostrá-lo a alguém sem estar no mais perfeito estado ao alcance das minhas capacidade - isso é profissionalismo elementar; porém nem recebo respostas ao simples inquérito sobre se querem receber o texto. Envio-o não obstante o silêncio, mas nem acusam ao menos a recepção dele, nem uma resposta a dizer, "Não estamos interessados."

    Falo de dezenas de editoras: as dos grandes grupos, as pequenas, as ditas independentes com todas as suas peneiras de quem trilha caminhos novos, as que dão entrevistas sobre serem "muito ousadas" e à procura de "talentos originais," mas que depois só publicam os já conhecidos no mercado há anos e que nunca vêem a caixa de e-mails recebidos para, pelo menos, enviar um claro 'NÃO' a um desconhecido em início de carreira.

    O Sr. Boyd também tem conselhos para isso, ou isso insere-se no sobre resistência?

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    1. Caro Luiz Santos-Rosa,

      O que Boyd não disse:

      1)Torne-se amigo de um escritor já estabelecido,
      2) peça-lhe para entregar pessoalmente à editora o seu original (e "reze" para que ele o faça), e, assim,
      3) salte da pilha de originais que chegam às editoras todos os dias.

      Alternativamente, opte por concorrer a prémios literários. Concorra a muitos, gaste muito dinheiro no correio e não se deixe desmotivar pelo pensamento de que há por aí muita marosca. Mas atenção, isto só vale a pena se não tiver escrito uma coisa demasiado original... Tem de ter algo assim, digamos..., de bicho-careta.

      Alternativamente ainda, e se acreditar no que escreveu, faça uma edição de autor, venda dois ou três livros a amigos e espere que a História lhe faça justiça.

      Um abraço e o meu desejo sincero de que estas minhas palavras sejam desajustadas.

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    2. Na mouche. Há ainda outras soluções, mas não seria elegante mencioná-las.

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    3. O quê, ir à Editora Chiado e Esfera do Caos e semelhantes, custear parte da edição, receber dezenas de cópias que ocupam espaço num armário, nunca mais ouvir notícias do editor, e sentir-nos estúpidos?

      Pelo contrário, acho que devemos falar sobre elas, especialmente sobre como o entrincheiramento das ditas editoras "a sério', com os seus silêncios e políticas obscuras, fomenta a criação de editoras embusteiras que são sempre céleres a responder a escritores ignorados no limite da paciência.

      Discutir isso é certamente mais interessante e urgente e valioso do que estar a discutir os lugares-comuns dos 'conselhos' do Sr. Boyd que eu já li 100 vezes antes em outros sites ao longo dos anos. Querem falar sobre 'resistência'? Que tal o Sr. Boyd não se encostar a frases feitas. A única resistência que conheço na minha escrita é a resistência contra o cliché. Para repetir o que já foi dito, mas vale não aconselhar nada. Querem falar de 'imaginação'? Que tal o Sr. Boyd arranjar conselhos novos que nunca li antes? É isso que a imaginação significa para mim: escrever combinações de frases em que ainda ninguém pensou.

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    4. Sim, quando comecei a ler o post, também pensei que vinham aí dicas importantes. Afinal...

      A nossa extraordinária anfitriã, desta vez, subestimou os seus comentadores habituais. Já nos devia conhecer melhor... ;)

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    5. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 07:42

      Olhe que não, olhe que não ...

      Já reparou em quantos comentários vai hoje???

      Parece-me mesmo e antes que a bola foi muito subtil mas sábiamente lançada para o campo... a nossa Extraordinária Anfitriã conhece-nos já de ginjeira... ahahah!
      Temos de contar sempre com a esperteza dos outros!

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    6. Bom, estava pensar em trabalho horizontal. Sobre Chiado e afins, nada contra, mas não pago a editoras para ser editado. Faço edições de autor, como Torga, por exemplo. Não sei se a resistência é comigo, mas julgo ter escrito resilência. Vou verificar, que o corrector pode ter substituído.
      Ah, é cansativo escrever nome e mail em cada comentário. Há maneira de evitar isso? Obrigado.
      e
      JCC

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    7. Muito obrigada pelos seus conselhos sábios e pela sua tentativa de modificar a minha maneira de ser! Que faria eu sem si?

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    8. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:32

      Hum ... que tal aprender a contar? Já viu em quantos vão os comentários?

      Ahahah!

      Podia ensinar-lhe outras coisa, mas não creio que seja do tipo de aprender... a Cristina já sabe tudo.

      Saudações cá de Benguela e de uma noite morna.

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    9. Exactamente,
      Auto edite e entregue volumes das suas OBRAS na BN e nas Bibliotecas Municipais.
      Talvez um dia a história diga que maus eram as casas editoras... ou talvez não!

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  4. Isso era se existissem indecisos...

    Normalmente quem quer escrever um livro não pensa muito em todas as dicas importantes relatadas pela Rosário. Quer apenas escrever um livro, da mesma forma que fez um filho ou plantou uma árvore (gostava de saber a pessoa que inventou esta "fórmula" da realização humana no planeta...).

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    Respostas
    1. Falta: quem foi a pessoa que inventou...

      (esta pressa em comentar...)

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    2. Mas é uma fórmula como outra qualquer, não cabe lá toda a humanidade:). Posso morrer humana, se a máxima não se aplique apenas a seres masculinos que o Eça tinha seus quês de machismo e a gente nunca sabe.

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    3. Creio que a versão mais antiga dizia: mata um homem, faz um filho, planta uma árvore, escreve um livro. Não se escandalizem sem antes ler os poemas homéricos.
      JCC

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    4. O Eça viveu no século XIX, Beatriz.

      Embora muita gente diga que os seus textos permanecem actuais, Eça viveu num tempo em que mais de 80% da população era analfabeta e as mulheres, se esquecermos a maternidade e a vida doméstica, não passavam de um mero objecto decorativo na sociedade...

      Eliminar
    5. Ah, ah, ah...e ele não podia ser um bocadinho avançado para o tempo? Ora esta...anda toda a gente a dizer que Cristo foi o primeiro comunista e depois atira-me com a fidelidade do Eça à época.

      Tá bem, não é o melhor exemplo, sempre é um Deus e isso...mas será que a justiça para com as mulheres (Cristo também foi o primeiro feminista, sabia? quem disse foi aquele padre meio sarcástico Anselmo Borges; não inventei, foi mesmo ele) Ora bem, onde é que eu ia...deixa ver...pois, a justça para com as mulheres. Parece-me que um espírito inteligente tinha obrigação de bem pensar (que o agir é mais difícil, mesmo para um Eça)

      E pronto

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    6. Discordo. O primeiro feminista foi Platão .

      Eliminar
    7. Eça era avançado para o tempo, cara Beatriz! Já reparou na maneira como as adúlteras são tratadas, nos seus livros? Com compreensão! À la Flaubert. A adúltera de "A Ilustre Casa de Ramires" chega a ser tratada com o máximo de carinho e admiração. Quem fazia isso no século XIX (ainda que no fim)? Avançadíssimo, digo eu!

      E é isso que faz um bom autor, um autor intemporal, um clássico: ele quebra as amarras do seu tempo.

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    8. Tem que ler melhor o filósofo:)

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    9. Não disse que não era avançado. Mas que não era um feminista não era. E não foi o primeiro nem será o último a tratar o adultério. Se quer que lhe diga acho-o bem machista na forma como o trata. Mas pode que seja apenas um retrato e não ele mesmo - que do senhor sei muito pouco para além do que escreveu.
      Quanto à ilustre casa de Ramires, ou não li ou essa senhora que diz tão importante passou-me. Mas sempre vou dizendo que as mulheres, pelo menos para mim, são mulheres e todas têm um nome. Além disso, ninguém é adultero sozinho e esse erro- ou não - abrange um naipe de intenções que contam, de situações que são. O artigo definido atrás da palavra é torpe.

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    10. Também não me passaria pela cabeça apelidar Eça de feminista ;)

      Claro que temos de o incluir na sua época e a sua maneira de tratar o adultério tem de facto laivos machistas, não só, mas sobretudo, pelo paternalismo. Contudo, penso não haver uma única obra dele em que ele deixe transparecer um tom condenatório em relação a tal ato (a não ser por parte das suas personagens, mas não esqueçamos que ele retrata a sua época; no entanto, a ironia e, por vezes, o desprezo com que o faz, revela a sua distância em relação aos comportamentos).

      Lamento não me lembrar do nome da personagem feminina que referi d' A Ilustre Casa de Ramires. Não sei se era Rita... Enfim, não me lembro. O seu adultério é perdoado pelo irmão (a única pessoa que dele soube). Cheio de paternalismo, mas perdoado. Ele não modifica em nada o seu comportamento em relação à irmã, continua a respeitá-la.

      Eliminar
    11. Maria Madalena foi a melhor amiga de Cristo. Tão amiga que há por aí umas versões mais íntimas. Mesmo sem elas, é indubitável que quem acompanha uma morte daquelas só pode amar.

      Palavra que não entendo o fétiche com o adultério. E menos ainda que seja um crime do piorio como em alguns países onde as mulheres estão, talvez, ligeiramente acima de qualquer animal. Além do mais, julgo que toda a gente devia ser dona de si e do corpo que lhe pertence. Mas talvez esteja errada porque isso subverte as leis assentes nos bons costumes e há na verdade um pacto com alguém que é violado. Nos dois sexos. Sempre com consequências. O amor, a existir, deixa rasto. E a infracção também. É só.

      perfilho cada vez mais a opinião que li já não sei onde, de que nada se perdoa, o perdão é uma espécie de falsidade com que nos entretemos a fingir que somos capazes.

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    12. Rita é um nome alegre, não se parece com Eça:) Parece-me que tinha comentado o seu comentário...não importa. Fica assim.
      BFS

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  5. Estou absolutamente de acordo quanto ao lixo produzido pelos "famosos" quando escrevem um livro. Mas considero que o "famoso" Ricardo Araújo Pereira constitui uma notável exceção. Não sei se concordam.
    Bom fds a todos os Extraordinários.

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  6. À partida, acredito que todas as histórias são boas para contar, a grande questão (que gera sempre o problema) é precisamente encontrar a formula certa, aquele ritmo, para a transcrever de forma notável, ou no mínimo, que lhe faça jus. É por isso que falhamos, falhamos e voltamos a falhar. Falta qualquer coisa, e a essa coisa chamarei "tarimba", estofo, bagagem de livros e afins...
    Não é escritor quem quer ser escritor, é escritor quem sabe ser escritor! E isso, meus caros, pode aprender-se mas leva uma infinidade de anos.
    Os prémios literários são uma boa aposta para os iniciantes, mas não se percam em prémios e congratulações, pois ainda que os vençam, dali para a frente haverá um mar de coisas a aprender, uma biblioteca inteira para ler e muitas folhas escritas para deitar ao lixo.

    Quanto ao talento; ele pode existir desde logo, mas tem de ser trabalhado, exercitado, estimulado, alimentado e desenvolvido com paciência.
    Bom, isto sou eu a falar, que pouco ou nada percebo do assunto.

    Um abraço extraordinário e um bom fim de semana aos participantes desta sala e ou muito me engano ou hoje o tema vai dar pano para mangas.

    Carla Pais

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    Respostas
    1. Carla, deixa-te de falsas modéstias, a tua escrita é adulta, de oficial do ofício. Outra coisa é o reconhecimento público, mas tens o reconhecimento inter pares e a admiração pelo que produzes.
      JCC

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    2. Catarino, não tem nada a ver com modéstia, queria apenas deixar claro que não se escreve um livro assim às boas! É preciso trabalho Catarino, trabalho... E o Catarino sabe disso tão bem quanto eu, ou melhor até!
      Como dizia aquela música: só nós dois é que sabemos...

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  7. Cláudia da Silva Tomazi16 de outubro de 2015 às 05:50

    Queridos escritores e amáveis amigos vossa palavra resiliência.

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    Respostas
    1. Nem mais, Cláudia: resilência. Certeira e enigmática, como sempre.
      JCC

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  8. Julgo que o senhor escritor deve ter razão. Mas também me parece que, se toda a gente se submeter a tal exame, a profissão encurta drasticamente. É uma acumulação de circunstâncias que pode levar à desistência da maioria aspirante. Tem a certeza que o que ele pretende não é restringir drasticamente o numero dos escribas?! Bom, também podemos contrapor que esse é o perfil do escritor ideal e que os ideais, já se sabe, não existem. Além de que, as tais ditas qualidades - algumas delas -, suponho que se vão adquirindo na razão directa da tarimba.

    Mas é um facto que se necessita gostar de e saber escrever, ter algum domínio da língua, ser perseverante e ter imaginação. Já ouvi escritores afirmar que não têm planos de livro; outros que os esboçam por inteiro e depois são infiéis; alguns que os desenham e permanecem fieis à imagem...

    Mas saber escrever não basta para ser escritor. Escreve.

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    1. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 07:05

      E desta tenho de concordar inteiramente consigo!

      Ahahah!

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  9. Cito as palavras saudáveis de Valter Hugo Mãe: “ Nunca pensem no aparato da literatura, no espetáculo da literatura. […] Escrever com a seriedade profunda de quem alcança o melhor de si mesmo e não propriamente com aquele sonho mais imediato de ter um livro nas prateleiras. O sonho deve ser efetivamente o de ter um texto com o qual nos possamos identificar sem vergonha.”

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    Respostas
    1. Receber de Valter Hugo Mãe, de todas as pessoas do mundo, conselhos sobre não cortejar o espectáculo só pode ser uma piada obscura para a qual não tenho intelecto.

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    2. Subscreve-se!
      A escrita deve ser acima de tudo um exercício pessoal!

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  10. A quem possa interessar e sobre a segunda dica, que envolve plano e planificacao: há software excelente, por exemplo o Scrivener, gratuito até 30 dias de utilização. Pessoalmente não uso, que não faço planos antes, apenas na parte final para controlar o produto. Mas não pretendo ser exemplo para ninguém, até porque, como sabem, as editoras não querem saber de mim. Sou dos tais a quem, de há anos para cá, nem sequer respondem a agradecer o envio.
    JCC

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  11. A propósito das dificuldades do ofício da escrita, peço licença para submeter à vossa generosa e infinita pachorra um extracto de uma coisa que escrevi já lá vão não sei quantos anos, a pretexto de uma viagem a Milão, onde visitei o atelier – melhor, a instalação industrial – de um escultor que fazia peças enormes em metal.

    (...) Continuo a ter alguma dificuldade em comparar, por exemplo, um romancista com um escultor. Escreve-se um livro para ser reproduzido em milhares de exemplares, o autor ambiciona que ele seja traduzido para outras línguas e distribuído pelo mundo, mas o seu conteúdo é impalpável. Faz-se uma escultura para existir apenas um exemplar, único e palpável, e o escultor ambiciona que pessoas de todo o mundo se desloquem para o admirar no local onde ele é colocado. Parecem-me lógicas diferentes. Li há tempos que uma romancista americana, autora de best-sellers, emprega uma série de redactores que, oito horas por dia, lhe organizam os enredos, lhe compõem o perfil dos personagens, lhe retocam a narrativa, tudo conforme as melhores técnicas da mais avançada ciência do marketing. Trabalhando numa lógica diferente, a americana utiliza no entanto processos idênticos aos do escultor italiano. É até muito capaz de argumentar, com razão, que cada escultura do italiano também tem um conteúdo imaterial que os seus operários metalúrgicos não prejudicaram, tal como os seus redactores não deturparam o sentido e o conteúdo que ela quis dar aos seus livros. E no entanto, parece que não fica bem que os romances sejam feitos assim. Fazer esculturas que pesam toneladas, vá com os diabos, compreende-se que tenha que ter por trás um esquema de produção complexo. Mas escrever, valha-nos deus, é coisa para ser feita pessoalmente.

    Ainda há dias vi na televisão francesa um programa sobre um historiador que, esse sim, coitado, é que havia de arranjar uns assistentes que lhe fizessem as pesquisas nos arquivos, lhe preparassem resumos das investigações, lhe apurassem a exactidão científica dos escritos. Mas ele, admiravelmente, prefere fazer tudo sozinho e vai redigindo com caligrafia miudinha em folhas A3 uns complicadíssimos manuscritos que laboriosamente vai corrigindo e reescrevendo com canetas de cores diferentes até que, um belo dia, encontra a forma acabada, produzindo assim livros que são muito apreciados.

    Adivinham-se as apreciações dos leitores da americana e do francês. No aeroporto, onde comprou o romance para ler enquanto espera o avião, o americano comenta para o amigo: “Os livros desta fulana são bestiais. Ela tem uma equipa de writers a trabalhar com ela. Faz quatro por ano. Ganha quanto quer.” Na esplanada, domingo de manhã, o francês comenta para a mulher: “Os livros deste homem são formidáveis. Ele dedicou a vida inteira a escrever isto.” Serão os pontos de vista dos leitores induzidos pelos processos utilizados, mais do que pelos conteúdos? Pode acontecer que sim. Mas a apreciação do leitor francês é muito mais gratificante. Ou não é?

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    Respostas
    1. Hipérbole, metoní mia ou metáforas chame-as o quê quiser Joaquim Jordão.

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    2. Sim, Cláudia. Mas seja lá com metáforas, metonímias ou hipérboles, ou tudo junto – o que é preciso é resiliência.

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    3. António Luiz Pacheco17 de outubro de 2015 às 01:26

      Trouxe-nos mais um belo momento e uma interessantíssima intervenção, Extraordinário JJ!

      Essa de escrever industrialmente e em linha de processo só mesmo na América... nunca tinha ouvido nem me lembraria de tal!!!! É como os pneus do sr. Michelin ou o atum do sr. Tenório, que nem por isso são feitos por eles!

      Já os investigadores que têm equipas a trabalhar para si e sob sua orientação, bem isso parece-me algo completamente diferente!
      Curioso que no meu Largueza, ponho precisamente uma equipa de universitários a ajudar o narrador a organizar e interpretar os documentos que lhe são entregues... o que de resto não é nada original!

      Saudações calorosas cá da Cidade Morena onde já faz calor e os sapos coaxam alegremente! Os seus estarão prontos a entrar em modo de hibernação ...

      Eliminar
    4. (Vou esperar que você e a Cristina Torrão das 16:38 se reconciliem, depois colocarei a minha resposta ao seu comentário ao meu. Mas mantenha a calma, hã!?)

      Eliminar
    5. António Luiz Pacheco17 de outubro de 2015 às 10:44

      Mas meu Caro, eu não estou de mal com a Cristina Torrão, apenas disse o que penso, aliás coisa que ela faz constantemente... mas parece que no meu caso é ser insultuoso!

      Poderei ter sido impertinente, já que para ela tudo é sexismo ou sectarismo, e não era esse o meu intuito... talvez tenha ido longe demais, mas apenas fui franco e a tratei como pensei que aguentava e me retornaria sem ir pelo caminho de se sentir ofendida e virar costas.

      Afinal a Cristina explode constantemente e melindra-se muito, já se percebeu que tem pouca paciência... mas não temos ambos os mesmos direitos?

      Lamento a confusão criar mal-estar ou estragar o ambiente, pois nesse caso prefiro levantar-me e abandonar o debate, não quero constringir e nem tornar-me incómodo.

      Um abraço


      Eliminar
    6. Ok, Pacheco. Mas, já que diz que não está de mal com a Cristina, deixe-me, primeiro, ir ver se já lhe respondeu ao comentário das 16:38.

      Não está lá nada.

      Acalme-se.
      Não leve a mal que lhe diga: estas suas palavras com que me responde – “Poderei ter sido impertinente” (…) “talvez tenha ido longe demais” (…) “Lamento a confusão criar mal-estar” – não seria melhor dirigi-las, antes de mais, à Cristina?
      Ande lá, pá, deixe-se de rabugices e dê-lhe uma palavrinha, que ela – persistente e aplicada Extraordinária, como você – bem merece.
      Fico à espera.
      Depois continuaremos a nossa conversa sobre os nossos inter-comentários acerca do tema do post em apreço, ok?

      Eliminar
  12. Adoro tragédias gregas, e entre as minhas favoritas está Ajax, de Sófocles.
    Nela, o jovem Ajax, ao partir para a guerra de Tróia, é aconselhado pelo pai a pedir a protecção da deusa Atena. Responde, com a arrogância dos jovens, que com a ajuda da deusa, até o mais fraco dos homens se cobrirá de glória; mas ele, Ajax, há-de vencer sem a ajuda da deusa e, se necessário, contra a deusa.
    Por isso mesmo é destruído e morre empalado, lançando-se sobre a própria espada.
    JCC

    ResponderEliminar
  13. Esta publicação diz-me muito neste momento.

    Escrever é a minha paixão. Assim que aprendi a escrever, mantive diários (a quantidade de diários guardados em casa dos meus pais é de loucos), escrevi pequenos contos nos intervalos grandes, cheguei mesmo a escrever histórias durante as aulas, enquanto fingia tirar apontamentos. Contudo, só no inicio deste ano vi um dos meus contos ser publicado, através de um concurso que venci. Foi nessa altura que decidi que já tinha estava pronta a levar a escrita (ainda mais) a sério. Tenho uma história para contar, contudo, exige muita pesquisa e muita revisão histórica. Quando a Maria do Rosário refere a necessidade que há em nunca desistir, confesso que estou naquela fase menos criativa e que me encho de dúvidas. Mesmo assim, acordo todos os dias e a primeira coisa em que penso é no que estou a escrever. A obsessão pela história que estamos a desenvolver também é essencial.

    Tenham um bom fim-de-semana

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  14. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 07:57

    Vou-vos fazer uma confissão, ou melhor vou fazer uma declaração, eu traça literária:

    - Como alguns saberão, sou dos acreditam que nada acontece por acaso! Portanto, foi por e num propósito que adivinho qual foi, que um belo dia vim aqui parar a este blog justamente chamado "Horas Extraordinárias", atraído pela sua luz!
    E, na sequência desse não-acaso, pude conhecer pessoas Extraordinárias, aprender muita coisa e sobretudo ter acesso a ler muita coisa que tem sido publicada e outra que não, da autoria de autores sem visibilidade mas igualmente Extraordinários!

    Pelo que considero um privilégio ter descoberto este espaço e travar conhecimento convosco!

    Há muita injustiça no Mundo editorial como no restante, porém como nada acontece por acaso tirem vocês mesmos as ilações dos vossos casos e frustrações...

    Pela minha parte vai uma sincera e vigorosa saudação aqui das terras do reino de Benguela-a-Nova!

    ResponderEliminar
  15. Boa tarde meus amigos.

    Extraordinário texto, extraordinários comentários, extraordinário mundo em que vivemos.
    O caminho do criador/do artista faz-se solitário e com muito sofrimento, não há volta a dar.
    Tudo o resto são fait divers …

    ResponderEliminar
  16. Cara Rosário, a sua crónica reflecte a minha posição relativa à maior parte dos 'novos escritores'. Quando dou um conselho, quem mo pede, aceita-o ou não.
    Um amigo costuma dizer:' se não neste momento vontade de escrever, faz outra coisa, volta depois; não escrevas por escrever'.
    Eu acrescentaria: se não tens nada de novo e interessante para mostrar ao mundo, não publiques!
    Tem de se ler muito e bem para se escrever em condições. ' Levo na cabeça' e agradeço sempre que me critiquem, incentivem, me frustrem, também. Sei que muito pouco é bom e que tenho muito a melhorar...
    Sinto-me desconfortável quando me pedem uma opinião e a seguir ficam 'magoados, decepcionados por ter aconselhado cortes, lavagem de palavras...
    Não me sinto a atingir topos. Quero antes sentir os contornos das coisas que tenho de melhorar. Escrever um livro? Constatei há dias que se passaram 34 anos entre o 1º e o segundo livro. E foi preciso! Beijo. LT

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    Respostas
    1. "Eu acrescentaria: se não tens nada de novo e interessante para mostrar ao mundo, não publiques!"

      Essa é uma daquelas incríveis sabedorias de pacotilha; hoje deve ser o dia dos lugares-comuns nas Horas Extraordinárias. Diga-me, D. Tavares, e como é que ele publicaria mesmo que quisesse?

      Levar na cabeça? Eu adoraria que um editor me apontasse tudo o que está de errado no meu romance; mas para isso teria de haver um que me respondesse aos e-mails, que efectivamente quisesse LER o meu romance.

      Você vive na realidade da indústria editorial portuguesa? É que, pelo que tenho aprendido dela nos últimos meses, a D. Tavares não está a debitar senão baboseiras do alto de um estrado onde julga estar postada.

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    2. António Luiz Pacheco16 de outubro de 2015 às 13:50

      Hum ...
      "Nihil sub sole novi" - Não há nada de novo debaixo do sol.

      E não falo do belíssimo tema dos Rádio Macau!
      https://www.youtube.com/watch?v=BuNDyEC2oKc

      Mas esse facto inegável, impede que haja variações sobre os temas?

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