Poesia sem grades

«O recluso de hoje pode ser o nosso vizinho de amanhã», diz Filipe Lopes, o criador de A Poesia não tem grades, um projecto que vem sendo desenvolvido desde 2003, com o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e em parceria com a Direcção-Geral da Reinserção e dos Serviços Prisionais. Tem como objectivo primeiro criar hábitos de leitura entre os detidos que, na sua maioria, possuem um baixo nível de escolaridade e provêm de meios sociais com poucos hábitos culturais, mas que podem transformar o tempo do cumprimento da pena numa oportunidade de aprendizagem e ampliação de conhecimentos que, inclusivamente, serve a muitos para voltarem a estudar e a alguns para concluírem uma formação superior. No projecto A Poesia não tem grades, a literatura é usada como instrumento para abordar temas diversos, como o amor, a morte ou a solidão, permitindo um debate e uma reflexão gratificantes entre os reclusos. No entanto, dado o excelente resultado atingido até agora e para alargar a actividade a mais estabelecimentos prisionais, são agora precisos voluntários; e, portanto, se alguém estiver interessado em inscrever-se, aqui fica o link:


 


www.apoesianaotemgrades.pt

Comentários

  1. António Luiz Pacheco4 de setembro de 2015 às 01:49

    A nossa Extraordinária Cristina Carvalho tem a experiência de ir a prisões falar de literatura ... e poderá certamente dizer algo sobre este tema, de resto tão sensível!

    Sem dúvida que os livros libertam, tanto o ler como o escrever, e é curioso como a minha sobrinha Margarida actualmente sózinha na Holanda onde foi fazer um mestrado, começou a escrever-nos longos mails a narrar a sua chegada e aclimatação, coisa que por exemplo eu pratico também, sendo a forma de se extravasar a saudade e a sensação de estar longe.

    Mas, será a poesia a forma melhor de divulgar a literatura na prisão? Não sei ...

    Saudações distantes cá da Cidade Morena

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  2. "O nosso vizinho de hoje pode ser o recluso de amanhã". Desculpem, mas, atendendo ao tempo presente, apeteceu-me "virar" a frase.

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    Respostas
    1. Muito bem, João!
      Gosto mais da tua frase porque exprime melhor o sentido que se lhe quer dar, ou seja, quebra melhor a barreira entre recluso/pessoa sem antecedentes criminais.
      A frase original funcionou em mim, à primeira impressão, como um aviso, do género: cuidado, que o recluso de hoje pode ser o nosso vizinho de amanhã! Pensei mesmo que a nossa extraordinária anfitriã iria criticar esse tipo de discriminação e só ao ler o resto do post me apercebi da verdadeira intenção da frase.

      O autor que me desculpe! E aceite os meus parabéns pelo seu projeto!

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  3. Claudia da Silva Tomazi4 de setembro de 2015 às 04:30

    Queridos portugueses a Doutora Maria do Rosário Pedreira nem morre de amores a "Sócrates" tão pouco avizinhar-se a Champs ao Arco ou a Eiffel.


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  4. é mesmo uma fatalidades a poesia falar sobre amor, a morte ou a solidão
    e não sobre garfos ou ter comichão?

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