Pentear e escrever

O que se passa por dentro das cabeças é mais importante do que o que se passa por fora? Falar de cabelos é sempre uma futilidade? Não necessariamente, até porque, segundo a narradora do belo e contundente Esse Cabelo, «escrever parece-se com pentear uma cabeleira em descanso num busto de esferovite» e visitar salões é uma boa forma de conhecer países, de aprender a distinguir modos e feições e até de detectar preconceitos. Esta é a história de uma menina que aterrou despenteada aos três anos em Lisboa, vinda de Luanda, e das suas memórias privadas ao longo do tempo; mas é também a história das origens do seu cabelo crespo, cruzamento das vidas de um comerciante português no Congo, de um pescador albino de uma praia mítica, de católicas anciãs de Seia, de cristãos-novos maçons de Castelo Branco – uma família que descreveu o caminho entre Portugal e Angola ao longo de quatro gerações com um à-vontade de passageiro frequente. E, assim, ao acompanharmos as aventuras deste cabelo crespo – às vezes confundido com o abismo mental –, é também à história indirecta da relação entre vários continentes – a uma geopolítica – que inequivocamente assistimos. Não percam. O lançamento, dia 15 deste mês na FNAC do Chiado, terá como orador o fascinante Abel Barros Baptista.


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Comentários

  1. Já o tenho anotado na agenda. :)

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  2. António Luiz Pacheco7 de setembro de 2015 às 05:12

    Interessante se afigura a hirsuta história!

    A comprar, definitivamente, e a ler... óbvio!

    Saudações encarapinhadas cá da Cidade Morena!

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  3. Promissor, na minha opinião, e sem ter lido.

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  4. Claudia da Silva Tomazi7 de setembro de 2015 às 16:09

    Bem tratado ambos, livro e cabelo. Cosmética, higiene ou figura este assunto atravessa gerações a lidar com o ícone natural de todo continente africano.
    Cabelo é moda e história.

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