O totalitarismo de volta
Não é surpresa que alguns de nós sentimos que, apesar da queda dos muros e dos regimes totalitários, há muita coisa má que está de regresso, umas vezes sub-repticiamente, outras nem tanto. Agora é o senhor Putin que se arma em culto e quer seguir os passos de Oprah Winfrey, aconselhando livros para os leitores da sua nação com uma espécie de Clube do Livro. E mais: promete ajuda na renda e um corte nos impostos aos livreiros que exponham uma lista de livros propostos pelo seu governo… O objectivo, diz um seu ministro, é aumentar as vendas de literatura de qualidade, bem como das obras sobre arte, história e educação. Assim as coisas até nem parecem ter nada de preocupante, excepto quando o discurso começa a referir livros que «contribuam para o sentimento patriótico da população» e outras frases do tipo, o que já lembra uma certa propaganda. Sabe-se, ainda por cima, que houve directivas governamentais para certos manuais escolares que as crianças russas usavam há anos serem banidos do sistema educativo, e os livreiros queixam-se de que foram «aconselhados» a retirar dos seus espaços comerciais obras que poderiam ser consideradas ofensivas apenas por terem símbolos fascistas nas suas capas (a suástica em Maus, de Art Spiegelman, foi um deles). Sob o véu da promoção da literatura, muitos acreditam que Vladimir Putin quer moldar as mentes dos leitores. Cuidado.
Onde é que eu já vi isto...?
ResponderEliminarSe já viu há solução, Blond.
EliminarÓ anónimo esta tua "saída" merece os meus aplausos.
EliminarEsse líder de uma potência, como é a Rússia, "não dá ponto sem nó". Interna e externamente.
ResponderEliminarNão me espanta!
ResponderEliminarO Putin, é um nacionalista russo, assumido... e o seu sonho será o de devolver à mãe-Rússia a sua glória passada, seja branca ou vermelha.
Num seu discurso aplaudido de pé por vários minutos, no parlamento russo, disse claramente que a Rússia não precisa de minorias, as minorias é que precisam da Rússia, também disse que quem quisesse ir e ficar na Rússia tinha que se adaptar às leis, à língua e à forma de viver... quem quisesse viver segundo a sharia, pois que fosse para países onde sharia é lei!
Cheio de significado e de sentido, para quem queira perceber ...
Portanto em nada me espanta esta iniciativa de que nos dá conta no seu post. Era mesmo de esperar, e, na verdade quem sabe da tenda é o tendeiro, como se diz na nossa terra...
A mim, sinceramente, que me estou nas tintas para as falsidades do Obama como para os nacionalismos do Putin, para a hipocrisia silenciosa dos chineses, e pior, a apatia e o egoísmo europeu, preocupa-me bem mais que nós portugueses continuemos iludidos sobre nós mesmos e sobre os outros, defendendo com unhas e dentes o socialismo francês, a autonomia dos gregos, a democracia dos americanos, e o retorno ao palco dos russos ... enquanto isso continuamos a ser espoliados de tudo, não temos um vislumbre de futuro nem de recuperação, aumenta a velocidade do nosso retrocesso... mas as preocupações são sobre a arrumação da casa dos outros...
É típicamente nosso, eu sei... e mesmo aqueles que por cultura e educação deviam ser diferentes do Zé povinho que tanto criticam, têm nestas questões o seu fado-futebol-Fátima ... é irresistível!
TODOS os governos e governantes tentarão sempre estas manobras para controlarem e dirigirem o seu povo! Nós estamos sujeitos ao mesmo, se não pior, digo eu ... porque nem sequer há qualquer tentativa de divulgação de qualquer livro seja de que maneira for... por isso, nem me rala a Rússia e quem sabe, se não seria bom que houvesse um pouco mais de espinha dorsal e de nacionalismo nos nossos governantes e em nós mesmos, não apenas quando o árbitro nos prejudica.
Fiz o famoso teste político que anda aí nas redes sociais, deu absolutamente centro, ligeiramente descaído para a direita e o tradicionalismo nacionalista... coisa que nada me admirou. Já antes tinha feito um outro que me colocou no centro também,, mas do lado esquerdo libertário.
Pois aí está... balanço entre uma coisa e outra, e sabem que mais? Ainda bem ... sou independente.
Quero lá saber dos russos e do totalitarismo, que é o sonho de todos os governantes, e no qual me parece que ainda não perceberam que TODOS vivemos ainda e viveremos... disfarçado quando se elege um presidente preto, agravado quando há um presidente nacionalista, mascarado quando se elege um governo de esquerda-radical ... etc.
Saudações emigradas de um tradicionalista libertário na Cidade Morena.
Os povos precisam de ter referência. E nós portugueses somos um povo sem referências governados por gente sem referências que até teve a lata (inimaginável) de abolir o 1º. de Dezembro...
EliminarEsta gente que nos governa tem apenas uma referência: O REI VERDE.
Ao que li, o homem ainda só sugeriu 5 livros numa entrevista televisiva. E pelos títulos e extensão dos 5 livros, parece-me que é mais um político a fazer passar a ideia de que é um homem culto (também cá os temos: o Rui Rio também ofereceu recentemente uma lista dos livros da sua vida que incluía "Os Maias"...). A lista de Putin não é programática ou ideológica, mas sim de óbvios clássicos. Como se nós acreditássemos que o homem que fez carreira na KGB fosse um grande leitor... Se não vejam a lista dele:
ResponderEliminarOs Três mosqueteiros” de Alexandre Dumas;
“Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski;
“Crime e Castigo” de Dostoievski;
Ana Karenina” de Tolstoi;
“O Vinho da Sabedoria: a Vida, Poesia e Filosofia de Omar Khayyam” de Mehdi Aminrazavi.
Se for como diz, e haja apenas essa lista, não me parece vir mal ao mundo por ela. Pode até ser uma forma de cultivar o pessoal.
EliminarMas o post refere outros atropelos, como "aconselhar" os liveiros a retirar livros. E isto já não me parece democrático.
É verdade, temos o péssimo hábito de nos irar qb com as faltas democráticas dos outros sem olhar às nossas.
Repare como, repentinamente, a Europa inteira se preocupar com o fenómeno dos que nela se refugiam vindos de tanto lado e tanta guerra. E há tanto ano.
Mais vale tarde que nunca. Mas, infelizmente, não partilho essa sede de acolhimento que grassou repentina. E nem me parece que esteja aí a boa solução. Nem que a chanceler alemã seja a nova heroína.
Obrigado pelo seu comentário. De facto, políticos a "aconselharem" livreiros é perigoso. Estou de acordo consigo que este acolhimento pela Europa das massas que fogem do Médio Oriente, de África e Ásia pode ser problemático. E mais para a Europa central do que para nós isolados neste cantinho onde a austeridade e o desemprego imperam e não atraem quem emigra para o nosso continente. A Merkel era há poucos anos contra deriva multiculturalista da Alemanha mas, pelos vistos, alterou a sua visão e isso é bom.
EliminarCaro e extraordinário Artur:
EliminarA Merkel nunca foi «contra a deriva multiculturalista da Alemanha». Não sei onde leu isso, mas não é verdade! Os media portugueses, muitas vezes, deixam muito a desejar, no que respeita à Merkel e aos alemães. Se não foi num media português, interessar-me-ia onde leu tal coisa.
P.S. Quando a Merkel chegou ao poder, já 10% da população alemã era estrangeira. Se ela fosse contra o multiculturalismo, teria de mandar muita gente embora. Ela não o fez, pelo contrário: a percentagem de estrangeiros na Alemanha tem vindo a aumentar.
EliminarE já agora: já imaginou ser 10% da população em Portugal estrangeira? Sempre eram uns 100.000! Para muitos, seria até assustador...
Cara Cristina, obrigado pelo seu comentário. A Merkel disse em 2010 que a sociedade multicultural tinha falhado na Alemanha, nomeadamente porque uma boa parte dos emigrantes não aprendiam alemão e não se integravam, vivendo em bairros étnicos. As declarações da altura podem ser lidas na net no site da "BBC News", com o seguinte endereço: http://www.bbc.com/news/world-europe-11559451. A atual generosa postura da chanceler é portanto um pouco surpreendente e não está a ter eco em países vizinhos como a Dinamarca que cortou as ligação ferroviárias vindas da Alemanha como medo da chegada de emigrantes. Não já este ano, mas em outubro do próximo ano, Merkel irá à Noruega receber o Prémio Nobel da Paz.
EliminarDeclarar ser contra que «boa parte dos emigrantes» não aprenda alemão e não se integre, «vivendo em bairros étnicos» não é o mesmo que dizer que ela é «contra a deriva multiculturalista da Alemanha». Ou eu entendi mal a sua expressão.
EliminarA Merkel quer, e sempre quis, integrar os imigrantes e não vejo aí nenhuma contradição com a sua postura atual. Aliás, a Merkel está a dar uma boa lição aos governos da Hungria e da Dinamarca. Dizer que ela não »está a ter eco em países vizinhos como a Dinamarca», que rejeitam os refugiados, é um grande elogio à chanceler!
Não esqueçamos que a Alemanha conta com 800.000 (oitocentos mil) pedidos de asilo, até ao final deste ano, e está pronta para os receber e analisar!
Sejamos objetivos!
Infelizmente a santificação da Merkel tem que esperar. O fecho das fronteiras hoje, mostra-o.
EliminarNão pretendo santificá-la. Apenas evitar "nazificá-la".
EliminarNão vejo o que isso tem de surpreendente, no mundo actual.
ResponderEliminarPor exemplo, os políticos portugueses, são mais finos, tentam controlar a comunicação social, especialmente a televisão, que chega a muito mais gente e tem um efeito mais rápido como "anestesiante"...
Pelo título do texto, pensei que fosse falar sobre a recrudescência do totalitarismo nas democracias europeias, como por exemplo a recente Lei da Mordaça passada em Espanha:
ResponderEliminarhttp://economico.sapo.pt/noticias/lei-da-mordaca-entra-em-vigor-em-espanha_222557.html
Embora tenha simpatia pelos russos, acho isto muito mais preocupante; a Rússia é um estado despótico desde 1917, a queda a União Soviética não alterou esse facto, Boris Yeltsin foi um capacho americano; Putin está apenas a manter o país no rumo da tirania; não há surpresas aqui.
Sim, acho muito mais preocupante os constantes namoricos entre alegadas democracias e ditadores; outro exemplo: a entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Que tanta gente considera isto coerente e lógico em relação aos valores democratas, é perturbador.
Entrada apadrinhada pela múmia vergonhosamente democrata cuja reforma é, ao que parece, escassa...
EliminarNa verdade, Rosário, os muros fronteiriços não caíram. Eles multiplicaram-se: de 16, em 1989, passaram para 65 nos dias de hoje.
ResponderEliminarJá em relação ao Putin... nada surpreendente vindo de um nacionalista bem ao estilo dos que existem hoje na Europa de Leste (Hungria, países bálticos, Polónia, etc). Os políticos andam com a mania de sugerir livros em missas dominicais à hora de jantar. É moda. Mas já vi carniceiros a sugerirem pratos vegetarianos, portanto...
Abraços a todos os extraordinários!