O que ando a ler
Ora bom dia a todos – e espero que as férias (para quem as teve) tenham sido revigorantes, sobretudo em matéria de leituras. É mesmo por aí que começo e o melhor é ir direita ao assunto: 10:04, de Ben Lerner, saído recentemente para as livrarias portuguesas. Trata-se de uma obra que aparenta ser um romance, mas não é só isso, e que, num género que percebo estar agora em voga nos Estados Unidos (já aqui vos falei de Rebecca Solnit e do seu Esta Distante Proximidade, por exemplo), talvez seja mais interessante do que a maioria, pelo menos a avaliar pelos encómios dos pares do autor e pelas críticas positivas das publicações respeitáveis. Pois bem, dito isto, começa por estranhar-se e depois, como na frase de Pessoa, entranha-se. Livro em que narrador e autor são figuras que coincidem, em que personagens com nomes diferentes acabam por ser as mesmas, em que o livro que o narrador está a escrever e pelo qual lhe pagaram uma bela maquia é e não é o que estamos a ler, enfim, aqui as categorias da narrativa estão bastante baralhadas e podem baralhar-nos também a nós, se não estivermos suficientemente atentos. Mas, se estivermos, apreciamos as reviravoltas e proezas do autor, ou narrador, ou seja o que for, enquanto descobre uma deficiência na própria aorta, combina com a melhor amiga ser pai biológico do seu filho, faz uma residência literária no deserto do Texas ou ajuda um miúdo hispânico de uma família «sem papéis» a escrever um trabalho sobre um dinossauro que nunca existiu. O livro é bastante exigente e o tradutor fica um nadinha aquém; em todo o caso, para quem gosta de meta-literatura, vale a pena atrever-se a esta ficção/não ficção do aplaudido Ben Lerner.
Olá, bom dia a todos!
ResponderEliminarEu não tive férias, ou seja, não saí de casa, mas as leituras foram bem revigorantes.
Comecei precisamente com a Rebecca Solnit e adorei ler este livro. De seguida passei para a Susan Sontag e "Olhando o Sofrimento dos Outros": muito, muito bom.
Depois li "O Olhar e a Alma" da extraordinária Cristina Carvalho, uma biografia de Modigliani (de que gostei imenso) e que me preparou para ver o filme "Os Vagabundos de Montparnasse" que tinha comprado com o Público.
Nos saldos da Bertrand comprei 2 livros do Truman Capote: A Harpa de Ervas (adorei) e o Breakfast at Tiffany's (que nunca tinha lido, embora tivesse visto o filme inúmeras vezes).
Em Setembro, talvez ainda hoje, vou começar a ler "Submissão", a minha estreia com o Houellebecq.
Boa rentrée a todos!
:-) Antonieta
Olá a todos!
ResponderEliminarLi em agosto dois excelentes romances: Fome, de Knut Hamsun, e Cordilheira, de Daniel Galera. Victoria, de Hamsun, foi uma decepção. E li com grande proveito e prazer as biografias de Bob Fosse e de Arthur Freed (compositor e produtor dos melhores musicais americanos da MGM). Comecei agora a ler A Porta Estreita, de André Gide.
Boas leituras para setembro.
O Lugar Supraceleste, de Frederico Lourençºo (Livros Cotovia)
ResponderEliminarA ler "A felicidade dos tristes", de Luc Dietrich. Confesso que desconhecia o autor, mas não resisti ao maravilhoso título. E em boa hora o comprei: é uma pequena pérola!
ResponderEliminarLido também no mês que findou, foi o maravilhoso, estonteante, brilhante, soberbo, extraordinário, assombroso, segundo volume da "Amiga Genial" da, essa sim, GENIAL Elena Ferrante. Mais palavras para quê? :)
1 – Nas minhas erráticas andanças a tentar acalmar as inquietações, andei a ler on-line no Observador extractos do livro "Sapiens - História Breve da Humanidade", do historiador israelita Yuval Noah Harari.
ResponderEliminarLi os capítulos “A Maior Ficção da História: o Dinheiro” e “A Religião: Como Une e Como Divide”.
O dinheiro e as religiões são porventura as mais determinantes convenções que a Humanidade, com vista à harmonia, foi estabelecendo desde os primórdios – mas que, metendo a política no assunto, acabou por desenvolvê-las de tal forma que são hoje a causa dos maiores desentendimentos e conflitos.
Recomendo que leiam na íntegra. Podem ler aqui:
http:/ observador.pt /especiais a-maior-ficcao-da-historia-o-dinheiro /
e aqui:
http:/ observador.pt /especiais lei-da-religiao /
Aprendi muito com esta leitura. Ajudou-me a arrumar ideias.
Mas – e se lerem entenderão porquê – as inquietações não me largam.
Pois, lá dizia o Manuel António Pina: “Aprendemos coisas demais, eu e as minhas palavras, e perdemos, nos labirintos dos livros e do comércio com a vida, toda a sabedoria”...
2 – ... É que, a ver se consigo equilibrar, tenho andado no meu vagar a ler (diria a degustar, mas se calhar o Pina levaria a mal) a antologia “Crónica, Saudade da Literatura”.
3 – E quando, não obstante isso, me acho ainda inquieto e sinto necessidade de “A Kiss To Build A Dream On ”, ouço isto com a trompete no volume máximo: https :/ youtu.be /PSe1Takt5F
4 – Já agora, Welcome back , everybody , que fica sempre bem.
Do muito e bom (acho...) que li este verão, fica lá nos píncaros a 'História do novo nome', 2º vol. d''Amiga Genial' da Elena Ferrante. Espero que os outros 2 vols. da tetralogia não demorem a ser traduzidos e publicados.
ResponderEliminarPois...sejamos bem regressados a esta casa que não é casa, mas é como se fosse. E faz de conta.
ResponderEliminarHummm...anda toda a gente a ler novos autores e eu a actualizar leituras. Finalmente comprei e li "A Casa Grande de Romarigães" e foi um prazer redescobrir palavras e termos tão da linguagem de Aquilino a cair-me como sorvete no verão. Li "A paixão" de Almeida Faria e reli a Utopia de Thomas More. Comecei "D. Casmurro" do meu estimadíssimo Machado de Assis; e, a colectar a ternura da sua escrita deleitosa, vou lendo "Contos do Nascer da Terra" de Mia Couto.
Bem-vinda! Faço votos por mais uma série de textos livrescos agradáveis.
ResponderEliminarPor razões profissionais ando a ler mais ensaística. Ontem terminei "Os Académicos Eborenses da Primeira Metade de Seiscentos," de Maria da Conceição Ferreira Pires, que é muito mais interessante do que o título sugere: tem uma parte fascinante sobre as discussões de críticos literários no século XVII sobre se Os Lusíadas eram ou não um bom poema.
Agora vou começar "Entre Duas Maneiras de Adorar Deus, de Isabel Drummond Braga, sobre religião no século XVII do ponto de vista daqueles que abandonavam seitas protestantes e regressavam ao Catolicismo.
Bom regresso a todos.
ResponderEliminarPois as minhas leituras de férias concentraram-se em Martin Gilbert , a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Os tempos estão propícios para o regresso a Gilbert e a literatura ficcional parece-me muitas vezes um passo atrás da descrição da realidade.
Para além dos calhamaços de Gilbert , Amin Maalouf e as Cruzadas vistas pelos Árabes foram minha companhia, bem entremeado com o De Castelo em Castelo de Céline .
Boa tarde a todos e sejam igualmente bem-vindos!
ResponderEliminarComo habitualmente não fiz férias durante o mês de agosto. Gostamos de trabalhar durante este mês, a cidade e os serviços apresentam-se mais calmos.
Quanto a leituras, li do Miguel Real, "O Feitiço da Lua" e estou a terminar, "Underground" do Haruki Murakami.
São livros e escritores muito distintos, embora, interessantes.
Também aproveitei aos fins de semana, o sol e a praia do Funchal
Pois, não sei se me despertou muito interesse os assuntos abordados no romance, mas levantou-me a curiosidade para tentar descobrir essa forma de escrita.
ResponderEliminarEspero assim com este ou outro ter a possibilidade de ler para depois perceber.
O excelente último número da revista Granta ('Falhar Melhor'), A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones e A Rocha Branca, de Fernando Campos.
ResponderEliminarMarta Correia