Curiosidades
A maior vantagem da leitura é que um texto, mesmo que não faça as nossas delícias (e uso a expressão porque vou falar de alimentação), quase sempre nos ensina qualquer coisa que não sabíamos. Eu sempre pensei, por exemplo, que expressões como «pôr a mesa» e «levantar a mesa» estavam relacionadas com o facto de, para comermos à mesa, termos de lá pôr em cima uma data de coisas, como pratos, talheres, copos, travessas, guardanapos – e, claro a própria comida – e as tirarmos de lá no fim da refeição. Mas não – e eis porque é tão bom ler! A verdade é que, segundo apurei numa tese que recentemente me veio parar às mãos na área da História da Alimentação, da autoria de Guida Cândido, as salas de jantar dos nossos dias só se tornaram comuns em Setecentos porque, antes disso, se comia em muitos sítios dos palácios, dependendo dos que vinham (se eram mais íntimos, se mais afastados), pelo que era necessário ir pôr a mesa nesses lugares e tirá-la, ou levantá-la, no final das refeições. Seguramente, muitas outras coisas de que estou convencida cairão por terra à medida que for encontrando informações deste tipo. Lendo, claro.
Tem muita razão a regressada de férias!!!
ResponderEliminarMas, porém, todavia, contudo (belo momento gramatical) falta observar que só se aprende lendo, desde que haja o interesse em ir ler aquilo que se pode aprender, e passo a explicar:
- É muito comum as pessoas pura e simplesmente porem de lado, desprezar, a informação sobre os assuntos que na verdade desconhecendo acham que são contra ou não lhes interessa, e por isso permanecem na ignorância, fundamentando as suas opiniões em premissas erradas!
Também me acontece a mim, obviamente que não sou diferente da maioria... mas acrescento que sou daqueles a quem interessa sempre saber o que pensam, os que pensam diferente de mim!
Acho que dessa forma é que se aprende e evolui...
Saudações regressadas da Cidade Morena!
Tem toda a razão, António.
EliminarNa última Feira do Livro comprei o 'Alimentar o Corpo Saciar a Alma,' de Anabela Ramos, sobre a alimentação dos monges de Tibães; pode parecer monótono, mas está cheio de informações fascinantes: por exemplo, as instruções para usar um guardanapo de forma a que durasse um mês; aquilo é que era poupança a sério!
À descoberta, vinda da leitura, que a MRP nos oferece hoje, junto um curto aforismo que acabo de ler e que me deslumbrou:
ResponderEliminar"O amor é o invisível no habitual."
É de Agustina Bessa-Luís e está destacada no programa da Feira do Livro do Porto que amanhã começa.
Que frase tão bonita e tão verdadeira ! Faz justiça ao homem tartamudo, incapaz de verbalizar palavras românticas, mas secretamente desejando que a sua silenciosa devoção de todos os dias faça eco no coração da sua amada.
ResponderEliminarClaro que eu já sabia. Mas foi igualmente através da leitura (como haveria ser de outra forma?). Segundo as minhas informações, não tem a ver apenas com o comer em diferentes sítios do palácio, pelo menos, na Idade Média. Mesmo no salão principal das alcáçovas reais, não havia mesas. Elas apenas eram montadas na altura das refeições. Na verdade, limitavam-se a estrados de madeira sobre cavaletes, o que as tornava muito flexíveis, de acordo com o número de convivas. E levantavam-se (no verdadeiro sentido da palavra), quando começava o baile. Com as mesas postas, não haveria espaço para dançar.
A minha avó de Trás-os-Montes tinha uma mesa muito interessante no local da lareira. Tratava-se de uma mesa de apenas uma perna! É verdade! Era assim uma espécie de tábua de passar a ferro, pregada à parede, com dobradiças. Havia uma espécie de tranca que a segurava na parede e uma perna flexível que se encolhia igualmente contra a parede. Quando se queria comer à lareira, destrancava-se a mesa, que descia, (como a tábua do ferro), e se apoiava nessa tal perna. Depois da refeição, tornava-se a levantar, ou a recolher, a mesa. Muito prático! Infelizmente, essa mesa já não existe e não tenho uma única fotografia dela. Comi lá muitas alheiras feitas pela minha avó ;)