Arrumadinho ou nem por isso?
O jornal The Guardian revela que, nos dias de hoje, o aspecto das secretárias se tornou uma questão importante para intelectuais e gestores em todo o mundo e que já muito se tem escrito e investigado sobre o assunto. Tenho ideia de que o que temos em cima das nossas secretárias e a forma como as deixamos ao fim de um dia de trabalho dirá bastante acerca da nossa personalidade. Eu sou arrumada na minha desordem, mas tenho de deixar sobre a minha mesa tudo o que é para tratar no dia seguinte, pois, se cometo o disparate de o tirar da minha frente, posso realmente esquecê-lo durante semanas (a memória já não é o que era). O jornal britânico partilha a fotografia da secretária do escritor japonês Haruki Murakami, muito limpinha e organizada: além do computador, uma caneca com a bandeira da suíça, um bibelot de um jogador de baseball do seu clube, alguns talismãs trazidos de viagens, dois copos cheios de lápis iguaizinhos, um candeeiro, uma agenda e pouco mais. Serão assim tão despojadas e vazias as dos outros escritores? E as das pessoas com outras profissões? O Guardian pede que lhes enviemos fotografias das nossas secretárias e promete publicar as suas preferidas, pedindo que, por favor, não as limpemos para o retrato. Quer contribuir ou nem por isso?
Reparei que o Murakami também tem um copo cheio de lápis. Talvez signifique que não corrige os seus textos diretamente no écran do computador, mas sim só após a sua impressão. Eu não consigo corrigir textos de outra maneira. Acresce que o que é escrito a lápis tem a vantagem de não desaparecer se o papel apanhar chuva, razão pela qual o Hemingway, que escrevia frequentemente em cafés e bares como a "Closerie des Lilas", não usava caneta. Sendo japonês, talvez a arrumação seja um hábito cultural. Adorei o "Kafka à Beira Mar", o "Norwegian Wood" e vários livros de contos dele. Não é um escritor "arrumadinho", pelo menos no sentido ocidental do termo. Murakami é muito produtivo e eu gostava de ter tempo para ler todos os seus livros, mas há uma só vida e muitos grandes escritores.
ResponderEliminarAgora que toda a gente diz cobras e lagartos do Murakami gostei de saber que o Artur adorou o "Kafka à Beira Mar".
EliminarEu também!
Li-o em 2007, numa altura em que estive de cama (um problema numa perna) e lembro-me que o despachei em dois dias: um autêntico page-turner.
Gostaria de ter tempo para voltar a lê-lo, só para ver se sentiria o mesmo encantamento, mas tão depressa não vai ser possível: a pilha de livros em espera é enorme...
Também li vários livros de contos e gostei.
Bom fds!
:-) Antonieta
Estamos em sintonia literária !
EliminarSei lá; estou sempre a desconfiar de gente extremamente organizada e claro disciplina outra coisa all right!
ResponderEliminarNo meu caso, é melhor não! A minha secretária é a "vergonha da minha cara". Sei onde está tudo é certo, mas é tão desarrumada. Um dia destes um petiz de 8 anos, ao ver tal confusão, ofereceu-me ajuda para a arrumar
ResponderEliminarSem querer ofender ninguém (é-me indiferente a maneira como arrumam a vossa secretária) e alargando o arrumo da secretária ao resto da divisão (ou de outros armários, ou da casa), os psicólogos costumam dizer que, assim como temos as coisas arrumadas (ou desarrumadas), assim está a nossa cabeça.
ResponderEliminarAcho interessante, não sendo motivo para criticar, ou criar vergonhas, tão só de reflexão (começando por mim mesma).
Costumo ser ordenada, sem grandes exageros (e o exagero, o estado asséptico e impessoal, também diz muito sobre o carácter). Porém, quando dou com coisas acumuladas que bem podia deitar fora, começo a perguntar-me que desperdícios estarei a acumular no sub-consciente...
Olá,
ResponderEliminarEu confesso que não gosto de sair do trabalho sem ter a minha secretária limpa. É um vício que tenho e sinceramente não o trocava por nada
Por acaso tenho a mania quase obsessiva das arrumações.
ResponderEliminarSecretária e não só e quando oposto esporadicamente acontece, só na minha desorganização é que eu mexo e me entendo (isto deve ser óbvio).
Só não concordo (como com muitas outras) com a teoria dos Psicólogos, que isto se ajuste a uma cabeça igualmente arrumada.