A menina do cabelo azul
Os meus autores de romances também gostam de escrever livros para crianças e Não Acordem os Pardais, de Nuno Camarneiro (texto) e Rosário Pinheiro (ilustrações), é o primeiro que publico este ano (mais para a frente darei também a conhecer estreia de Ana Margarida de Carvalho na literatura infantil). Neste belo livro do Nuno, a Rita tem o cabelo azul e muitas perguntas para fazer aos pais que, por cansaço, às vezes não dão muita atenção ao que lhe respondem. Daí que a menina tente saber por si própria onde mora o papão, que afinal é bem medricas, para onde vão os sonhos (estarão em caixas de cartão?) e onde dormem os pardais que, por acaso, fazem bailes bem giros no sótão da casa quando ninguém está a ver. Um texto divertido e imagens muito bonitas para deliciar meninos e meninas com cabelos de todas as cores.
Só as fantasias reunidas no resumo já são um apelo irrecusável à leitura do livro. O azul é a mais bela cor mas para cabelo não gosto.
ResponderEliminarPode ser, pode ser ...
ResponderEliminarAlém de um filho, tenho 6 sobrinhos e 3 sobrinhos-netos ...
Lá em casa há um armário com livros para crianças, que já vem desde a minha mãe com a colecção da Condessa de Segur, um fabuloso álbum da Becassine e diversos contos já ilustrados, depois eu e as minhas irmãs com a Colecção Varinha Mágica e por aí fora ...
Na verdade nenhum livro para crianças dos últimos tempos, me parecem ter tido sucesso e menos cumprir o objectivo, sinceramente acho que são livros para adulto e não para crianças, que os adultos escrevem para tentar mostrar aos outros adultos (que não ás crianças) aquilo que de um modo infantil pensam. A minha sobrinhada não lhes acha graça nenhuma, do Matias (5 anos) às gémeas (14).
Como não quero ser desagradável não digo mais nada... mas a criança que vive em mim também não gosta, em compensação quando leio os Contos do Arco da Velha, os irmãos Grimm e outros clássicos, são sempre um sucesso, deixem lá as meninas de cabelo azul que as crianças são menos patetas que os adultos julgam. A dupla Magalhães x Alçada bem o sabem, porque lidam com elas... o Camarneiro tem filhos? Se calhar ....
Saudações infantis cá da Cidade Morena.
Bom dia! Tenho a mesma dificuldade ao tentar motivar os meus netos (5) para a leitura dessas histórias infantis. As ilustrações são lindas, mas as histórias têm pouca ou nenhuma acção e eles desinteressam-se. Sempre que dormem em minha casa, lêem, os 2 que já sabem, folheiam livros e lêem com o avô os restantes. Mas é o Tio Patinhas e C& ;, ou as velhas histórias, sobretudo fábulas e contos populares que querem.
EliminarEu mesmo fui alvo de crítica devastadora quando, anos atrás, dei ao meu neto mais velho, então com 5 ou 6 anos, uma história infantil minha: -- Isto não é livro para crianças! Os livros para crianças têm muitas imagens e poucas letras!
JCC
É bem verdade que a literatura infantil evoluiu bastante em Portugal. E também a ilustração. Não se percebe por que é que com livros assim apelativos os garotos não criam o hábito da leitura.
ResponderEliminarSerá que são os outros livros que, depois, não os seduzem? Não acredito, os bons escritores também proliferam noutras áreas.
Não sigo o hábito de comprar livros para crianças, apesar de ter 3 em casa, todas elas com idade para ler. E leem; os meus livros, os que li quando tinha a idade deles e que releio hoje com um prazer que não me envergonha. Os Cinco, os Sete, Tintim, Blake e Mortimer, as primeiras biografias... Acontece-me muitas vezes, à hora de recolher, dar por mim a escolher o que ler ao longo das lombadas dos livros para crescidos. Quantas vezes a demora da indecisão me leva a virar-lhes as costas e voltar aos que li em miúdo, partir com as mesmas pulsações para uma missão noturna que conheço de cor, à espera dos finais sempre justos.
ResponderEliminarNem sempre sei o que dar a ler aos meus filhos, mas quero acreditar que se daqui a uns anos, por altura da minha idade, forem ter com os primeiros livros e os relerem como uma criança, é porque se tornaram leitores. Na verdade, muito mais do que isso.
Quem não goste de ler livros para crianças, pode escrever-lhes um livro? Vou ficar a pensar nisso.
Tenho um livro escrito que, orgulhosamente, está quase em 3ª edição, tendo até sido encenado. A editora quase me persegue na tentativa de que escreva o 2º.
EliminarSe o não fiz ainda, talvez seja porque, mais do que ler livros para crianças, considero essencial ser-se criança por breves instantes para conseguir transmitir, não as aventuras ou os ensinamentos, mas a magia. Magia que eles tão bem desmultiplicam quando nas apresentações.
Penso que o meu livro lhes terá ensinado algo, mas não imaginam quanto aprendi no contacto directo com aqueles "espertalhaços". :D
Interessantes os comentários de hoje, pois é por demais conhecido que as crianças poucas vezes gostam de um livro que os adultos acham ser muito bom para elas. Penso que os adultos esquecem muito facilmente o que é ser criança, viver como criança e sentir como criança.
ResponderEliminarPor exemplo: uma passagem deste post chama-me a atenção (e sem querer julgar um livro que ainda não li): «muitas perguntas para fazer aos pais que, por cansaço, às vezes não dão muita atenção ao que lhe respondem. Daí que a menina tente saber por si própria onde mora o papão» - esta é uma situação a que os adultos costumam achar muita piada: a falta de tempo e atenção dos pais espicaça a imaginação infantil. Isto, dito assim, é muito bonito. No entanto, é bastante trágico o facto de os pais não terem tempo para a criança, ou não darem importância aos seus problemas. Os adultos costumam "bagatelizar" estas coisas (ora, eu também tive de me ver sozinho/a e não veio mal ao mundo), mas a verdade é que o mal é muito maior do que o que gostamos de admitir. Uma criança deixada sozinha, a procurar as suas próprias explicações, sem orientação, pode ter consequências muito graves!
(O livro, se calhar, até chama a atenção para este problema, ou solidariza-se com as crianças deixadas sozinhas).
P.S. Por favor distinguir esta situação do estimulo dado à imaginação e à criatividade infantil, de uma forma positiva! A melhor orientação que se pode dar a uma criança é aquela que a própria não nota estar a receber.
Concordo completamente.
EliminarJCC
Já li. Fraquíssimo, como tudo o que Camarneiro, o homem bonito da moda, escreve.
ResponderEliminarEu gostei da capa!
ResponderEliminarMuitos livros comprei para os meus filhos e com eles descobri a magia e o sonho...
Sempre gostei de ler para eles e mais tarde que lessem para mim, treinando assim a leitura.
É bom escolher livros infantis, a escolha é muito variada e de boa qualidade.