Turistas de livrarias

Há dois meses fui fazer o lançamento do romance No Dia em que o Sol se Apagou, de Nuno Gomes Garcia, à Livraria Lello, na cidade do Porto; e, se a sessão não se tivesse desenrolado no primeiro andar, teria sido simplesmente impossível ouvir as palavras do apresentador, tantos eram os turistas que entravam e saíam do lugar e as exclamações entusiastas que proferiam ao mirá-lo. A Lello vem referida em todos os guias da Invicta como uma das atracções da cidade – e vale muito a pena visitá-la, mesmo a 3 euros – mas há outras que também estão nos roteiros turísticos de Portugal por razões diferentes; uma delas, conhecida como a «Livraria do Simão», nas Escadinhas de S. Cristóvão, ali à Rua da Madalena, em Lisboa, é, tanto quanto li, descrita como «a mais pequena livraria do mundo» e isso parece atrair para lá os turistas, a quem alguém diz – verdade ou não – que até está no Guinness Book! E eis que, diante disso, todos sacam da máquina fotográfica e do telemóvel para fazerem umas chapas que estão, afinal, entre as mais disparadas de Lisboa. O livreiro (Simão, claro) diz que, sem saber, criou «um monstro maior do que ele» - e é curioso utilizar a palavra «monstro», tratando-se, afinal, de uma livraria minúscula, quase claustrofóbica, com livros do lado de fora, pois já não cabem mais lá dentro. No entanto, foi nestas Escadinhas de S. Cristóvão que Manoel de Oliveira rodou A Caixa, por isso o espaço é ainda mais especial. Turistas à parte, se conseguir romper por entre a multidão, é de lá dar um salto e uma espiadela!

Comentários

  1. E será que a Livraria do Simão vende algum livro? Imagino os turistas a tirarem fotos e seguir escadaria acima.
    Acho que uma livraria deve criar um cenário propício a psicológicamente uma pessoa querer um livro e a Lello tem o cenário perfeito, senão bastava um armazém com os livros espalhados ou em caixas abertas.
    Acho que a Lello fez bem em cobrar entrada, descontando o valor no preço do livro.

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    1. Notícia de hoje no DN:
      Um bilhete vendido a cada 12 segundos no dia em que a Lello voltou a ser livraria

      http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4697113

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  2. Claudia da Silva Tomazi24 de julho de 2015 às 03:50

    Sinceramente a livraria Lello feita iniciativa está a aperfeiçoar a propriedade intelectual, segundo a Unesco "time is money"; claro, evoluir também é business equiparado o turismo caminha com carinho.

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  3. António Luiz Pacheco24 de julho de 2015 às 04:40

    À partida parece um erro, cobrar entrada a quem vai comprar algo (género consumo obrigatório?).

    Porém, tratando-se de um sítio de interesse turístico, e, com a particularidade de o valor da entrada ser descontado na eventual compra, acho que se justifica.

    Eu e minha mulher muitas vezes vamos passear com o objectivo de visitar livrarias ou alfarrabistas, apenas para ir ver os livros! Já não o faria se as demais livrarias o fizessem também... e espero que a moda não pegue. Mas penso que não... só mesmo naquele caso específico da Lello ou outro semelhante.

    Irei a Portugal na próxima semana, e levo uma lista de livros para comprar, pelo que lá irei dar umas voltas pelas livrarias, coisa aliás de que tenho muita saudade!!!!

    Não conhecia a "Livraria do Simão" ... mas terei de a visitar!!!!

    Saudações livrescas cá da Cidade Morena!

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    1. Claudia da Silva Tomazi24 de julho de 2015 às 06:17

      Então, se você e vossa esposa visitam e também mais pessoas seguem em visita, um dia, outro e outro dia; os livreiros estariam a disposição em recebê-los e lhe estariam sorridente as boas vindas é Pacheco?! Bem, você também há de fazer então generosa doação, deste modo estar-se-ía em justiça vosso conhecimento ou será que vossa particular pilha de livros também está a disposição de visitas?

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    2. A minha pilha de livros, pode ser visitada e vista ... sem pagar! Só não podem levar... isso nem pagando!!!!!!

      Eheheh!

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  4. A Lello é única e vale o preço da entrada. E espero que sirva para lhe porem a mão e não deixarem decair mais. Se for assim, é bem empregue.

    Porém, se eu vivesse no Porto, gostaria de entrar só por entrar. Se na FNAC me cobrarem por ir ver os livros é quase certo que deixo de lá ir. Ora, numa livraria de tal raridade - é linda demais, até dói por bem de vê-la -, mais me apetecia entrar, sentar-me naquelas mesinhas que ficam invisíveis no meio das gentes e perdem utilidade.

    Sou contra um certo tipo de turista. Mas nem sei como se pode evitar. Porque pagam os três euros (julgo eu).

    Por acaso um dia destes visitei-a e escrevi sobre ela. Será que fugi ao bilhete sem querer? Não paguei.

    A livraria do Simão, desconheço

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  5. Eu já entrei na Livraria Simão para comprar livros, e levei alguns comigo; também tive uma rápida mas produtiva conversa com o Sr. Simão sobre Jorge de Sena, enquanto turistas passavam e espreitavam incomodando-nos. Há mesmo visitas guiadas que param à porta.

    A livraria, menor do que um corredor de T3, é de facto muito pequena, mas o Sr. Simão consegue arranjar óptimos livros antigos, e recomendo-a a todos os que procurem livros esgotados.

    Só é pena considerar Sinais de Fogo o melhor romance português do século XX. Ninguém é perfeito.

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    1. OK, ninguém é perfeito.
      Ainda assim, diz-nos que foi produtiva a sua conversa sobre Jorge de Sena com o imperfeito Simão.
      O problema é que ele – isto de sermos todos imperfeitos… é no que dá… – lhe confessou que gostou muito de ler “Sinais de Fogo”. Mas você nem tanto. Daí a produtividade da conversa.
      Posto isto, ó imperfeito LSR , questiono-me se valerá a pena, se servirá para alguma coisa, desvendar-nos – a nós, os restantes imperfeitos – qual é, afinal, o melhor romance português do séc. XX?
      Leu-os todos? Não lhe escapou nenhum? Não será prudente reler um ou outro, não vá às vezes o diabo tecê-las?

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