Trabalhos de férias

Supostamente, não deveríamos trabalhar durante as férias (eu quase nunca me escapo), mas é costume os professores marcarem os antipáticos «deveres» aos alunos, logo de pequeninos, no último dia de aulas, mesmo que no ano seguinte não estejam nessa escola para os corrigir e avaliar. Em todo o caso, leio por aí (já não me lembro aonde fui buscar isto, talvez ao Facebook) que um professor primário espanhol não fugiu à regra, distribuindo uma folhinha de tarefas a cada aluno, mas tornou-se a excepção justamente pelo que encomendou (e recomendou) às crianças, sem esquecer também umas achegas aos pais. Porque não vale a pena reproduzir ou parafrasear o dito professor, deixo-vos o link dos TPC em causa, comentando apenas – por razões que todos os Extraordinários certamente compreenderão – que o homem é cá dos nossos, já que a sua primeira recomendação é a leitura.


 


http://historiascomvalor.com/professor-surpreende-todos-os-pais-com-estes-trabalhos-de-casa-para-as-ferias-de-verao/


 


 

Comentários

  1. As crianças são "esponjas" dos bons modelos quando a educação não é relaxada. Quantos pais lêem e a influência maior sobre os seus filhos é a da rede de jogadores da Playstation...

    É enorme a pressão dos filhos sobre os pais para estes os deixarem fazer o que os colegas fazem e passarem a noite (a jogar, claro) em casa deles. E dá muito jeito a pais cansados e, muitas vezes, divorciados.

    Miúdos com sete, oito anos, já percebem imenso de GrandTheftAuto e Mindcraft e sabem falar com sotaque brasileiro melhor do que qualquer dos pais e dizem "ganda fail" em vez de "falhanço do caraças", como eu dizia no meu português vernáculo. Já não jantam à mesa com os pais e, quando vão ao restaurante, passam o tempo a brincar com o telemóvel ou o mini-ipad, fazendo cara enjoada ante as conversas e as tentativas dos pais para comunicarem com eles.

    O professor espanhol esqueceu-se de dizer que também são necessárias regras e que, a par da diversão, não fez nada mal às crianças ajudarem mais os pais durante as férias, contra a expressão crítica de quem acha que ajudar a mãe a carregar um balde de água é trabalho infantil.

    Mas talvez isto seja o desabafo de um homem da classe baixa e bastante crítico da burguesia cá do sítio... Faço aqui o mea culpa.

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    1. Mas também existem estudantes - não na primária - que gastam e aproveitam as férias a trabalhar. Alguns, em tarefas bem cansativas. As férias vivem-se de muita e diversa maneira. Sem orlas de mar para o sonho. E mesmo assim sonhando.

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    2. Trabalhar nas férias -uma minoria e sempre os "mesmos"- (tal como eu o fiz nas férias quando estudava)...

      O analfabetismo (dos portugueses, e, pelos vistos, não só) continua igual (ou pior) ao que existia aqui há cem anos; a diferença é que há cem anos não possuíam habilitações literárias...

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    3. Não é o mesmo. Mas é semelhante porque se sabe ler mas não se atinge o lido; ou não se lê. Há demasiada gente no bê-á-bá mental. O que é confrangedor. Lê-se sem distância, ao rés das palavras, não lhes saindo da superfície. Não acredito que quem assim lê crie amor à leitura. Ou lhe retire o proveito.

      Nem sequer concordo muito com o professor espanhol. Não é preciso ler muito em férias. Mas ler alguma coisa com gosto são umas férias para a alma.

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  2. Eu sei que existem professores assim, sei porque conheço alguns franceses e outros portugueses, mas confesso que tenho medo que se extingam...
    Aqui nestas bandas de França, uma semana antes de iniciarem todas as férias ( e são muitas porque aqui os miúdos têm 7semanas de aulas, 15 dias de férias) os professores acompanham os alunos à biblioteca da vila para requisitar um livro ao gosto de cada um, e é esse o trabalho de casa para férias: ler o livro para depois falarem num geral sobre todos os livros lidos pela classe.
    Enfim, não me parece que os meus filhos estejam mal servidos em termos de escola.
    Um abraço.
    Carla Pais

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  3. Bem ... eu tive sempre trabalho para férias!
    Na escola primária eram-nos passados trabalhos para fazer!
    No liceu nem por isso, mas o coronel Pacheco encarregava-se de o fazer ele mesmo, a despeito das ausências motivadas pelas suas missões de soberania no Ultramar, que nos aliviavam um pouco!
    Já com os meus 16 anos e corpo para isso, pois tinha direito a duas semanas de férias na praia e o resto era nas campanhas da apanha da pêra e da maçã, trabalho na debulha, uva de mesa e finalmente a vindima e o lagar! O meu pai acreditava piamente que não se pode mandar fazer o que não se saiba fazer também!
    E apesar de tudo gostava... é curioso. E aprendi tanta coisa que hoje de muito me serve... claro que pelo meio havia algumas distrações e o Verão era tempo de festa, sempre assim foi.

    Saudações do Bairro Ribatejano!

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  4. Pensava que já não se marcavam trabalhos de férias aos alunos... mas estes são conselhos e não trabalhos. Bons conselhos a miúdos e graúdos. Ou como bem entreter e valorizar o tempo de férias.

    Não sei se é caso para tanta comoção, mas é bonito de ler. E diverso.

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  5. Como tive a sorte ou o azar, para muitas educações moderníssimas, de ter uma mãe professora de Francês e Português, mas que também dava uma perninha de Inglês e Alemão, as férias eram sempre bem polvilhadas daqueles livros cheios de blanks ", onde se tinha de manietar os espaços acertando sem titubear nos tempos verbais.
    Como andava quase sempre com a cabeça em devaneios de grandes epopeias, não era fácil o ajuste dos trabalhos para férias e a sua tradução real. Salvaram-me aqueles soberbos livros de História, que me lançaram nos livros cheios de sonhos das grandes gestas do passado. Entre os espaços em branco e o seu preenchimento decorriam horas a fio bem providos de batalhas virtuais, cheias de galeras romanas, tropas napoleónicas ou "corpos" de África. Um autêntico museu de História Natural de férias.

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  6. Gostei do texto do professor espanhol, gostei do texto da MRP e gostei dos textos que antecedem este pequeno texto.
    Gosto dos princípios que subjazem as diferentes experiências de vida de cada um.
    Só que a realidade do tempo presente não tem nada a ver com a realidade de há vinte, trinta e quarenta anos atrás, para o melhor e para o pior...

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    1. Mas as coisas boas de há vinte, trinta e quarenta anos atrás, deveriam ser preservadas, porque não são de há trinta, quarenta anos são de sempre!

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    2. Evidentemente que sim, caro ASeverino!
      Mas, o que são as coisas boas de há tanto tempo atrás? O que foi bom para uns, foi mau para outros!
      Não tenho o hábito de olhar para trás e querer trazer o passado para o presente. Prefiro investir em soluções novas adequadas ao tempo atual.
      A única certeza que tenho é viva as férias!

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    3. Justamente e agora que estou de férias, vivam as ditas ... sei que tenho e teria aí montes de coisas para fazer, mas dormirei até me apetecer e passarei o dia como me der na real gana, enfim ... tenho mesmo uma ou outra obrigatoriedade mas não me estragarão estas duas semanas!
      Vivam as férias!

      E, para me assegurar de tal, nem disse a ninguém que estou por cá ... eheheh!

      E vai mesmo como anónimo, para continuar incógnito... também não percebo porque é que esta coisa estúpida e imbecil que gere o não-sei-quê do blog agora deu em me obrigar a preencher sempre o nome e o e-mail!!!!
      Saudações diletantes do Bairro Ribatejano!

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  7. Isto é uma ideia bastante interessante; um professor motivado e carismático consegue inspirar os alunos. Pensando nisso, reparo que os professores que mais me marcaram foram aqueles que evidenciavam, no dia-a-dia, amor genuíno pelo ensino. Espero que estes invulgares trabalhos de casa tenham um efeito benéfico nos alunos dele.

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