Países irmãos

Aqui há tempos, quando disse que o Brasil ainda não contava para a internacionalização dos autores portugueses, houve alguém que, num comentário, me pediu que explicasse melhor – e a única explicação que posso dar é a da minha experiência: quase ninguém lê no Brasil os autores portugueses contemporâneos, excepto se ganharem prémios importantes ou forem conhecidos por outras razões. E o contrário é também verdade – muitos dos autores brasileiros que escrevem hoje não são publicados em Portugal, e os que o são quase ninguém os conhece. A situação pode, mesmo assim, melhorar bastante com uma parceria anunciada recentemente pelo nosso Secretário de Estado da Cultura. Ao que parece, lá e cá, as bibliotecas públicas acordaram ter todas à disposição um conjunto de livros considerado uma biblioteca básica que dê um cheirinho sobre a literatura do outro país. O ministro brasileiro disse esperar que a parceria contribua «para desenvolver estratégias que nos aproximem, que fortaleçam a nossa língua e que criem a possibilidade de um intercâmbio e uma proximidade muito maior do que aquela que já temos». Veremos se muda alguma coisa. Eu gostaria de começar por saber de que se comporá essa biblioteca básica…

Comentários

  1. Mas se nem entre nós conseguimos ter uma biblioteca básica decente...

    (aliás, uma Biblioteca Básica, séria e a sério, deveria ser uma atribuição obrigatória da Imprensa Nacional)

    Cumprimentos

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    1. Hum ... Extraordinário RAA:

      Nem sequer a VVV?
      (Vivlioteca Vásica Vilhena)

      Ahahahah! Perdoe-me o eventual mau-gosto do meu comentário, mas não resisti.

      Saudações humoradas, da Cidade Morena!

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  2. Não tenha ilusões, caríssima Maria do Rosário...
    Aquando das comemorações dos 500 anos do descobrimento (achamento) do Brasil, fui integrado numa comitiva cultural a Porto Seguro (Baía). No calor dos discursos políticos e culturais, naturalmente cheios de promessas e do vocábulo irmãos, houve então alguém que propôs "equipar" ou apetrechar as bibliotecas com a obras completas de Fernando Pessoa e outros valores da escrita portuguesa, logo se compondo ali um intercâmbio no âmbito da cooperação bilateral literária.
    Que eu saiba, até hoje não se operou qualquer envio, quer de um lado quer do outro.
    Há uma obra minha - editada pela Leya - que seguiu por proposta de encomendas (julgo que não fisicamente) para um livreiro do Brasil (presumo que a Saraiva). Tenho receio em saber se foi vendido algum exemplar...
    Não me venham dizer que é do léxico, dos pseudo acordos ou doutra mirabolância de transportes oceânicos, por mar e por ar. Talvez seja mais do género de penetração do mercado, substancialmente diferente em termos de dimensão e custos do livro.
    Há uns anos atrás era costume alguns autores portugueses optarem por pseudónimos anglo-americanos para venderem algumas obras de literatura apropriada às paragens do farwest. Talvez seja essa forma de iludir através da onomástica localizada, com uma série de gerúndios metidos no texto, que resulte...
    Portugal vender livros de autores portugueses no Brasil é como David tentar vender fisgas a Golias.

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    1. Extraordinário Fernando ... Ross Pym foi logo o que me veio à memória, ahahah! Com efeito este carismático autor de "coboiadas" e policiais, foi mestre na sua visão de marketeer quando ainda nem se usava o conceito!

      Imagine: "Open range" a novel by Al Pacec

      Ahahahah!

      Estou munta reinadio hoje!

      Saudações divertidas, cá da Cdade Morena!

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    2. Extraordinário Pacheco

      Há mais, como Dennis Mac Shade (Dinis Machado, de "O que Diz Molero"), Frank Gold (Luis Campos)e Orl Mark (de Orlando Marques), ou ainda Saint Coast (este era eu, quando na juventude escrevi livros de cow-boys para uma colecção atinente).
      O António Pacheco podiaria ter esta sugestão - é claro que já vai tarde - Anthony Pace Ecco, por exemplo.
      Quanto ao Brasil, sugeria Antoninho ao António (os brasileiros adoram diminutivos) e Luiz em vez de Luis, sem esquecer que teria de colocar um acento circunflexo no "e" de Pacheco, como manda a boa regra onomástica de lá (provavelmente já pensada para um próximo acordo hortográfico), e dar largas à sua experiência em terras que tudo fazem lembrar as terras de Vera Cruz.


      Saudações para a Cidade Morena e para quem lá trabalha, com especial dedicatória ao Extraordinário ALP.

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    3. Ora, ora...
      Onde está podiaria, quis digitar poderia - peço desculpa:
      onde se lê hortográfico, é mesmo assim, porque será natural essa a designação a levar em conta ao próximo, se bem que este já o tenho por tal - não há desculpas.

      É mania minha. Continuo a não sacrificar a paciência no verificador de ortografia da caixa de comentários e depois lá saem destas gralhas de bico aberto. Acrescento que não resultou o aumento de dioptrias que me receitaram e o "blogger" entende que a caixa de comentários e o corpo da letra são ENORMES.

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    4. Bora escrever alentejano, há muito gerúndio nessa gente vagarosa e que pode passar à escrita. Andando...

      Concordo: não há grandes misturas na literatura de um e outro país. Quando fui ao Brasil e entrei numa livraria, eu era a única compradora. Apenas vi uma ou outra obra de Fernando Pessoa. E andei à procura:) E também é verdade que as livrarias não abundavam.

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  3. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 04:18

    Bom dia a todos. Há uma seria de factores que definem estratégia a comercializar livros no estrangeiro seja no Brasil ou em qualquer outro sítio e a principal tarefa é a boa vontade e creio eu aos escritores portugueses não a falta independente do leitor que o consagrou, porque não à prémios sem bons leitores de acordo o tema se lhes interessar. Bem, as circunstâncias em países sul americanos traduzem a eficácia em diferentes patamares, prová-lo é fácil pois cada qual têm a seu gênero seu gosto a defesa em causa à exemplar e diferenciada intelectualidade identifica-se em países de língua espanhola, embora o Brasil arrecada a maior concentração a diversidade o leitor em diferentes línguas. Embora complexa a educação brasileira "sofre pressão" (digo a geração tecnológica) quiçá influência a má adaptação do uso a mesma, característica isenta do modos vivendi saudável.
    Volto ao que vos interessa em desvendar o (porquê) a leitura e claro, escritores portugueses dever-se-ía distribuir através do acordo Luso contribuindo a formação educacional em países de língua latina.


    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. Extraordinária Cláudia:

      Será então a diferença entre o imaginário latino-Americano e aquele ibérico (sobretudo o português) a causa do falhanço da penetração da nossa escrita no mercado brasileiro?

      Com efeito, quando leio Ferreira de Castro acho bem mais semelhante a um José Mauro de Vasconcelos ou Jorge Amado do que a António Lobo Antunes... e vou mais longe, Júlio Dinis e os seus "tipos" ou Camilo e os seus muitos casos com tiros de clavina e brigas de varapau, estão mais para o género dos escritores latino-americanos do que Valter Hugo Mãe ou José Luis Peixoto... será o que distancia os premiados "O teu rosto será o último" de "A rainha do cine Roma" ou "O rasto do jaguar" de "Debaixo de algum céu"?

      Ou seja, houve um afastamento dos nossos escritores dos temas e do género que antes se assemelhavam e uniam portanto a escrita dos dois países que era assim lida de ambos os lados?
      Isto é, se Camilo, Júlio Diniz, Eça, etc. eram lidos no Brazil????

      Saudações poéticas de uma tarde lânguida do cacimbo, cá da Cidade Morena.

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    2. Eça tornou-se uma estrela no Brasil antes de se tornar um grande escritor em Portugal. Por volta de 1878, quando os livros dele chegaram lá, nasceu uma mania por Eça que o escritor Lobato Monteiro mais tarde cunhou de Ecite. O livro de Heytor Lira, a melhor fonte sobre a recepção da obra de Eça no Brasil, tem várias anedotas sobre as muitas formas que os brasileiros inventavam para mostrar a sua devoção por ele: a minha favorita é a lenda do leitor que enlouqueceu a tentar memorizar Os Maias. Por cá, esse romance hoje admirado vendeu tão mal que a 1ª edição, de 1888, só esgotou em 1903. Aliás, uma "sondagem" em 1893 numa revista brasileira para se saber os melhores romances de língua portuguesa, dava 3 lugares a Eça nos 4 primeiros, com 1 para Machado de Assis.

      O Eça, felizmente, nunca teve problemas em ser lido no Brasil. Nunca voltou a haver um caso de sucesso a esse nível.

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    3. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 07:08

      Pachequinho, seu dito "falhanço" exibe uma queda de braço; nem pretendo aprofundar. São coisas, lá a ditadura a censura enfim vestígios da não ocupação ou de acordo à honrar.

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    4. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 07:16

      Eça de Queiroz fez-se retrato em exercício a língua portuguesa e digo mais LSR a forma a criatividade e desempenho o vigor a pátria, modelo e requinte; um projecto de sucesso internacional, nem mais.

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    5. Não sei se entendi. Pode explicar com mais pormenor a sua ideia?

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    6. Creio a boa surpresa Beatriz Santos. Minha idéia deu (hoje) calorosa iniciativa.

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    7. Então pronto, doce Cláudia de arrevezado português, parabéns à ideia que foi sua; há-de ser boa se foi tão bem acolhida.

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  4. Se se seguirem as normas habituais, tanto no Brasil como em Portugal, penso que uma biblioteca básica será composta pelos autores já conhecidos em ambos os países.

    Ou seja, pouco mudará no panorama literário.

    (algo que interessa aos mesmos de sempre...)

    Boas Férias para todos.

    Não vale a pena dizer para lerem muito, por razões óbvias. :)

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  5. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 07:41

    Sinceramente, conheço bons motivos a trazer escritores ao Brasil e melhorar a qualidade o leitor brasileiro.

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  6. Estou a acabar de ler uma Granta Brasil que uma amiga me ofereceu, com textos dos melhores jovens escritores brasileiros, e fico mesmo com vontade de ler mais, até porque muitos dos textos são partes de livros que entretanto já devem ter sido publicados. Não sei se os brasileiros sentirão o mesmo com os nossos autores, mas a leitura em português do Brasil não me tem parecido difícil.

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  7. Não sei se isto interessa a alguém, mas muitos brasileiros interessam-se pela época medieval portuguesa. Já me teem contactado cidadã/os brasileiros/as a perguntar onde podem comprar os meus livros. Como se estivessem à venda no Brasil... Que pena, dizem eles. Acabo por enviar os livros pelo correio. Adivinhem quem paga todas as despesas...

    P.S. Não estou a censurar essas pessoas que se interessam pela nossa História, mas sim a lamentar a situação que a tal me "obriga".

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    1. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 11:06

      Primeiramente Parabéns a você o aniversário a escrita, eu já li vosso trabalho e quem está a ganhar é a literatura, embora qualquer esforço está a ampliar horizontes em sentido prático, o conhecimento também. Poucos se aventuram a elaborar riquezas o conceito histórico medieval.

      A escrita da Cristina Torrão é confortável a leitura e adaptada ao Brasil, faço a afirmação frente a outras experiências a leitura independente do tema; inclusive Cristina concorre com autores consagrados; vale apontar está preferéncia nacional.

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    2. Obrigada, Cláudia.
      Não sei se mereço tanto elogio, mas se a Cláudia achou que os devia escrever, agradeço.

      De resto, o meu comentário foi acima de tudo para sugerir a aposta em romances medievais portugueses no Brasil.

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  8. Claudia da Silva Tomazi17 de julho de 2015 às 12:54

    A exemplo o escritor é responsável em cultivar e enaltecer o país de origem.

    De mais a mais, abrir caminho a literatura portuguesa signí fica lançar sementes dóceis as palavras.


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  9. Tudo claro. Agora não fala da Liv. Lello . já não tenho nada haver com a empresa desde Jan-2015 mas a sua credibilidade tal como do Jornalista Filipe quando fui acusado de cobrar entradas ( sendo mentira ).Hoje é verdade e ao nada comentarem corresponde ao que infelizmente penso.
    Antero Braga

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    1. "nada a haver" ou "nada a ver"?

      O resto é inintiligível para leigos como eu, inéditos em criptografia.

      Quemnão gosta da Lello? não se cobra na entrada, mas não sei se não seria boa ideia. Aquilo precisa de ser refrescado. Ou cai de podre.

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  10. Esse «alguém» que «aqui há tempos»... mais concretamente, a 23 de Junho último, e como comentário a este texto...

    http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/internacionalizacao-305126

    ... pediu à Maria do Rosário Pedreira para explicar a sua afirmação de que o Brasil ainda não «contava» para a internacionalização dos autores portugueses... fui eu. Agradeço-lhe ter retomado o tema e desenvolvido a sua asserção. Que confirma aquilo que eu creio há já muito tempo, ou seja, que não é necessário qualquer (ilegal, inútil, ridículo, fascista) «(des)acordo ortográfico» para promover, valorizar e desenvolver as literaturas (e não só) dos dois países.

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    1. Sim. O "Aborto" ortográfico é isso tudo e muito mais...

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    2. Extraordinário Octávio, ainda bem que (me) nos esclareceu, pois eu iria apostar que foi o digníssimo primeiro-ministro de Portugal que teve essa ideia e a colocou à MRP.

      Não leve a mal, mas a tentação foi grande, aproveitando a onda.

      Cumprimentos.

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