O repouso da guerreira
Antes de partir para férias (o blogue ficará interrompido até Setembro, lamento, porque esta guerreira também precisa de repouso), sugiro que leiam bons livros durante o Verão e despeço-me com uma sugestão, pois também eu a recebi de uma leitora que prezo. Trata-se de Os Anjos Morrem das Nossas Feridas, de Yasmina Khadra (um argelino que escolheu um pseudónimo feminino e cuja obra, muito premiada, está traduzida em mais de 40 países), romance belíssimo que conta a história de um rapaz muçulmano muito pobre na Argélia dos anos 1920 e 1930 (antes da independência, portanto) e que se inicia, curiosamente, com a sua condenação à morte em 1937 para nos trazer, como esse filme acelerado do passado que se diz chegar a todos na hora de sucumbirem, o relato da sua vida desde pequeno: a miséria terrível nas ruas fétidas, as amizades nem sempre bem escolhidas, os trabalhos duros de sobrevivência, as paixões frustradas e a sua opção de um dia, por causa de um desgosto de amor, se tornar boxeur – e uma vida de socos dados e recebidos não pode, claro, acabar bem. Retrato de época notável, fundo político, escrita realmente apaixonante, enredo e personagens de grande densidade, este é um livro de um autor a reter e a repetir, neste ou noutro Verão qualquer. Boas férias a todos. Em Setembro, cá estarei para fazermos juntos o ponto da situação.
Boas férias ! E obrigado por todas as sugestões e posts ao longo do ano !
ResponderEliminarExplicaram-me um dia que "fazer o ponto da situação era "fazer o ponto do ponto". Boas férias e, se aquele tiver razão, na volta faremos o ponto.
ResponderEliminarBoas férias, Maria do Rosário, e obrigado por este seu espaço onde "residem" extraordinários leitores e se encontram extraordinários autores.
ResponderEliminarObrigado pela recomendação.
ResponderEliminarBoas férias a todos e boas leituras.
Boas férias!
ResponderEliminarBoas Férias!!!
ResponderEliminarTambém para mim... agora tranquilamente de volta às leituras:
Lido, "Gilvaz - o homem das cicatrizes", do nosso Extraordinário José Cipriano Catarino! A seu tempo será falado, pois trata-se de um belíssimo romance de fundo histórico que todavia não podia ser mais actual pela inteligente forma como o autor consegue estabelecer paralelos entre o passado e a actualidade que aliás teve início nesse passado ainda recente do século XIX! A ruralidade e a sensibilidade humana do autor sempre presente mas sendo preciso ir buscá-la pois é subtil.
Lido ontem à noite e ainda com a vista lavada nas aguarelas do Mestre: Roque Gameiro - O mar, a serra, a cidade.
Uma delícia e um presente a mim mesmo - também mereço!
A ler:
"Arquipélago", de... deixa-me lá ir ver ... ah: Joel Neto!
O regresso ao grande romance açoriano? A coisa promete, depois darei notícias!!!!
"A pilhagem de África", do conhecido e premiado jornalista de investigação Tom Burgis (britânico).
A não perder... e a cruzar fatalmente com o que foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos, de Miguel Real "O último europeu". Até arrepia fazer o confronto entre a realidade crua e a "ficção" de um espírito atento e inteligente como Miguel Real... leiam e tenham calafrios!!!!
Saudações diletantes cá do Bairro Ribatejano e até Setembro, já na Cidade Morena!!!!
Muito boas férias querida Rosário. E sim, esse livro, pelo que descreve aqui, parece imperdível.
ResponderEliminarBeijinho.
Quem se calhar não vai ler grande coisa nas férias sou eu, que ando tão desmotivado.
ResponderEliminarInfelizmente, tenho de repetir o que disse no anterior “Ando a Ler”: «Eu cá não é bem por falta de tempo que, ultimamente, me tenho ocupado pouco de livros. Pego num aqui, noutro ali, mas, atormentado pelas inquietações resultantes do que vejo à nossa volta, facilmente arranjo pretextos para ir abandonando este ali, o outro acolá...»
Bem me esforço por vencer esta inércia.
Ainda há dias, graças a ter visto uma notícia que mostrava uma foto de Mario Vargas Llosa com uma rapariga toda jeitosa, lembrei-me que há um ror de anos ando a deixar para trás “A Cidade e os Cães” – e lá fui vasculhar a desarrumação até o encontrar.
Mas logo encontrei uma dificuldade: – esta edição de 1977 da Europa-América tem as letrinhas muito pequenas, as páginas são graficamente muito densas, nem com óculos consigo ler confortavelmente...
Bem, isso ainda seria como o outro. O pior foi que, logo na página 26 me apareceu a primeira cena de maus-tratos sobre a cadelinha Malpapeada .
Ora eu estava a ler tendo a minha cadela Sasha a dormir aninhada nos meus pés. Perante aquela cena, curvei-me para lhe fazer uma carícia e, com isto, deixei cair o livro. Quando o recuperei e me pus a desfolhá-lo à procura da página onde tinha ficado, reparei que o nome da Malpapeada aparece várias vezes. Fui investigando e vi que, regra geral, são outras cenas de maus-tratos...
Com este pretexto, decidi pôr o livro de parte. Pelo menos por enquanto...
… …
Mas pronto: agora que a Sasha não está aqui, vamos lá ver isto melhor…
Andei no livro para trás e para a frente e, pelo que percebi, grande parte da história tem lugar num Colégio Militar, que é a escola onde se aprende a ser convencionalmente valentão e, ao mesmo tempo, indispensavelmente cruel.
Pelo que percebi desta errática leitura, um aluno menos integrado a certa altura adopta e tenta proteger a pobre Malpapeada , mas, devido às circunstâncias, vai tendo uma atitude dúplice para com ela – que, apesar dos episódicos maus-tratos que dele vai recebendo, permanece dócil e bondosa para com ele. Ao contrário dos colegas, que o humilham.
Entretanto, também reparei no pormenor de que (pelo menos nesta edição) o nome "Malpapeada ” aparece sempre destacado em itálico-bold .
Aliás, foi isso que me facilitou esta superficial leitura – o que me faz pensar e me dá a esperança de que este pormenor resulte de uma exigência do autor.
Não tendo ainda lido o livro como deve ser, todo de seguida, para já quero ficar com esta presunção de que Mario Vargas Llosa utilizou este truque de salientar graficamente o nome da cadelinha para lhe dar o papel de ponto de referência na estrutura da ficção.
Ainda assim, por enquanto o livro vai ficar mais uns tempos de parte. Depois veremos.
... ...
[Agora aqui entre nós (e não desfazendo): Bempapeada me pareceu a tal rapariga...]
Boas férias à Maria do Rosário e a todos.
E para quando o julgamento (deveria ser obrigatória a publicação do nome desta gente) dessa horrível escória que, nos seus lindos automóveis, a caminho dos resorts no Algarve, vai abandonando na AE os seus peluches de estimação? muita, mas mesmo muita gente é capaz de tudo...até do impensável.
EliminarBoas Férias e um descanso retemperador para todos nós.
ResponderEliminarObrigada por mais esta sugestão que já não cabe na minha mala. As minhas apostas também estão feitas:)
Um abraço grato à Rosário, porque nos aguenta com paciência e sugestões de leitura que não esmorecem . Que estendo a todos que frequentam o lugar. Comentem ou não.
E até Setembro.
Portem-se mal.
Estou na preguiça por isso vou plagiar alguém que escreve muito bem (Pedro A. Sande):
ResponderEliminar"Boas férias, Maria do Rosário, e obrigado por este seu espaço onde "residem" extraordinários leitores e se encontram extraordinários autores."
A todos umas extraordinárias férias, e que incluam leituras também elas extraordinárias!
ResponderEliminarRui Miguel Almeida
Boas férias a todos. Com um conselho: não leiam! Em tempo de ócio, usem a imaginação. É um livro maravilhoso.
ResponderEliminarDo Yasmina Khadra recomendo "Com quem sonham os Lobos" e "As andorinhas de Cabul", já li (e gostei) há uns bons anos.
ResponderEliminarBom repouso :). E até Setembro.
ResponderEliminarBoa férias Dra. Rosário!
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