Medidas de prevenção

Ir a uma livraria comprar um livro erótico ou a uma papelaria comprar uma revista de mulheres nuas deve equivaler ao que sentiam certos homens aqui há uns bons anos quando tinham de comprar preservativos na farmácia e os atendia uma senhora de certa idade. Por isso, este tipo de livros e revistas é ainda hoje comprado sobretudo em lojas online e frequentemente em edição digital. Leio, mesmo assim, que a Associação de Editores e Livreiros da Alemanha tomou a decisão de estabelecer um horário nocturno para a compra online de livros e revistas para adultos – precisamente entre as 22h00 e as 6h00. Talvez o objectivo seja o de evitar que crianças consumam produtos que não são para a sua idade. A Alemanha tem, de resto, uma lei desde 2002 que obriga editores a especificar que certos livros, revistas e outras publicações se destinam apenas e só a adultos, incorrendo em multa muito pesada se o não fizerem. E são essas publicações que não vão agora poder ser compradas durante o dia nas plataformas digitais, mesmo que sejam adultos a querer lê-las. A medida está a dar uma grande dor de cabeça, porque há certamente alguns menores que já terão capacidade de ler alguns títulos para adultos e porque requer uma nova catalogação que dá trabalho e custa dinheiro. Não sei se terá efeitos práticos, mas como prevenção até é louvável.

Comentários

  1. Há medidas que considero completamente desajustadas nos tempos que correm. E que conseguem quase sempre ter os efeitos contrários.

    Uma delas é a proibição de venda de álcool a menores. Já deviam saber que proibir um jovem de fazer isto ou aquilo, não deixa de ser um convite. Isso só irá fazer com que surjam dentro da noite "intermediários", com vontade de ganhar algo, nem que seja uma bebida à borla, voluntários para comprarem aos balcões dos bares e discotecas todas as bebidas desejadas pelos adolescentes.

    Voltando ao tema, claro que esta medida poderá explorar o facto do "fruto proibido ser o mais apetecido", realçando ao mercado que ainda existem livros e revistas "proibidas" a gente que ainda não atingiu a maioridade.

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    1. Absolutamente de acordo !
      Os argumentos do Luís Eme são irrecusáveis e demonstram a ineficácia deste tipo de medidas restritivas, ainda para mais para aplicar à net ! A uma net totalmente aberta (felizmente!) a tudo, a todos e a todas as horas do dia.
      A medida alemã só demonstra falta de inteligência, ou melhor, uma inteligência teutónica ofuscada pela deriva regulatória que até quer alterar o modo de vida do sul da Europa. Enquanto as regras e limitações forem para dentro da Alemanha, não temos nada com isso, mas o problema é que o paradigma de pensamento social e cultural da EU está a ser tiranizada por Berlim. Porque não vão os alemães caçar à Tailândia os seus cidadãos pedófilos que lá vão passar férias?

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    2. A nossa sociedade, cada vez mais hipócrita, consegue obter tranquilidade através de "regulamentação", achando que pelo menos assim fizeram alguma coisa... claro que falham depois as medidas de fiscalização e implementação das leis, como a jurisprudência, etc. Mas o que interessa aos políticos e aos idealistas é que haja regulamentação, a partir daí está tudo bem!

      Há quem chame a isso "tapar o Sol com uma peneira" ...

      Saudações não-regulamentadas cá da Cidade Morena!

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    3. Claudia da Silva Tomazi9 de julho de 2015 às 12:29

      Luis Eme você concordaria vender bebida alcoólica a menores de idade, você seria a favor o consumo de álcool a crianças ou adolescentes?

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    4. Cláudia é mais uma questão de bom senso que de proibições.

      Quer um exemplo? Não tenho qualquer dúvida que se as drogas fossem legalizadas baixava o seu consumo.

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  2. Não faço ideia de quais são as normas educativas alemãs, mas julgo que as crianças se deitem cedo. Porém, às 22 horas a noite ainda é uma criança para muitos garotos portugueses. Infelizmente. Devo ser um tanto obtusa porque não vejo diferença entre encomendar de dia ou de noite um produto que chega por correio - suponho - e decerto durante o período diurno.

    A falar com honestidade e como o mundo está, com pornografia na net a todo o vapor, é até engraçado o prurido das encomendas.

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  3. Andar a categorizar livros de acordo com idades nunca é uma boa ideia.

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  4. Muito sinceramente não acredito que este tipo de medida obtenha um grande resultado prático.
    Derivado da minha experiência profissional, constato luta que se trava diariamente contra o comércio de venda através da internet de medicamentos contrafeitos e outras mercadorias de marcas devidamente registadas.
    Tratando-se de um problema de saúde pública e de concorrência desleal, as pessoas não deixam de contrariar os alertas e os avisos, continuando a adquirir susbstâncias e produtos que colocam em risco a sua própria saúde.
    Não desvalorizo a bondade da medida ora tomada, mas, esta é a realidade em que vivemos...

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  5. Tempos passaram, sobre aquele dia em que um rapazito (não mais de 5 ou 6 anos) transportava consigo um livro que era quase maior do que ele. E era também com alguma dificuldade que ele o tentava pousar no balcão daquela Maravilhosa Biblioteca Pública. Seus familiares estariam noutro local, na mesma biblioteca como é evidente. Quem sabe se a escolher as suas próprias Leituras. E tanto foi assim, que não viram o despacho do resoluto petiz.
    Ora a Bibliotecária ao ver que o rapaz levava consigo somente o Dicionário Ilustrado do Sexo versão para adultos, pescado naturalmente no meio das prateleiras da Sala dos Mesmos, tentando não fazer muito alarde da situação (embora tivesse uma vontade "desgraçada" de rir) abeirou-se do moço pequeno e disse-lhe:
    "Oh meu pequenito e esforçado leitor. Tu não podes levar isso. Tens livros sobre essa mesma temática na Salinha das Crianças".
    E a Bibliotecária obteve a resposta imediata e inquestionável do petiz: "Mas eu quero levar este! E que este tem... fotografias."
    É claro que a criança não levou tal livro. Não era adequado para a sua idade... Mas pelo menos... tentou a sua sorte.
    Fora de brincadeiras e por favor, não tomemos em atenção literal o exemplo expresso... como é evidente. Mas quando se proíbe... só se chama mais a atenção. E o fruto proibido...

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