Falta de tempo?

Muita gente que não tem hábitos de leitura alega falta de tempo para não ler. Pois bem: há muitas desculpas mais válidas, entre elas ser preguiçoso ou simplesmente não querer dar-se ao trabalho de exercitar o cérebro. Não é, porém, por falta de tempo que não se lê. Desencanto num outro blogue uma lista de quase meia centena de títulos de qualidade reconhecida – e para gostos muito distintos – que podem ler-se integralmente num fim-de-semana por terem todos menos de 200 páginas; e alguns são, de resto, considerados obras-primas da literatura universal. Desde logo, o celebérrimo Animal Farm (traduzido entre nós como O Triunfo dos Porcos), que é de leitura aconselhada até para adolescentes; mas, se o acharem pouco suculento (é tudo menos isso), têm à disposição coisas mesmo para adultos, como O Amante, de Marguerite Duras, Um Quarto Que Seja Seu, de Virginia Woolf, O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, ou mesmo Breakfast at Tiffany's (que deu um belíssimo filme com Audrey Hepburn), de Truman Capote. E, se os livros lhe metem medo, experimente um livro no qual os livros estão em extinção, Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, por exemplo. De autores mais recentes, ainda vivos, a lista inclui Amsterdão, de Ian McEwan – que recebeu o Booker Prize – e O Sentido do Fim, de Julian Barnes, de que já aqui falei há mais de um ano. E também pode fazer uma viagem com O Velho e o Mar, de Hemingway (curta, mas intensa), ou com O Americano Tranquilo, de Graham Greene, antes que o autor passe de moda. Há muito por onde escolher – e a falta de tempo não serve de desculpa para não se atrever ao prazer e ao conhecimento.

Comentários

  1. Quem gosta de ler arranja sempre tempo, quem não gosta inventa sempre uma desculpa.
    A esta lista da Rosário eu acrescentaria:
    Morte em Veneza, Thomas Mann
    Platero e Eu, Juan Ramón Jiménez
    A Casa de Papel, Carlos María Dominguez
    O Homem que Plantava Árvores, Jean Giono
    Novela de Xadrez, Stefan Zweig
    Os Bichos, Miguel Torga
    ou qualquer título do Luis Sepúlveda.
    Mas há mais, muitos mais, para quem não gosta de ler 'calhamaços'.
    Boas leituras!
    :-) Antonieta

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  2. 'Animal Farm' foi traduzido entre nós, em 2008, como 'A Quinta dos Animais', como pode conferir aqui: http://www.antigona.pt/catalogo/a-quinta-dos-animais-191/

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    1. A Quinta dos Animais é uma nova tradução (como pode verificar no seu link). Quando surgiu em Portugal, tinha o título O Triunfo dos Porcos.

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  3. À falta de tempo costuma-se ainda acrescentar a falta de dinheiro para comprar livros aos preços que eles têm hoje. Então recordo aqui um pequeno livro (menos de 200 páginas) e que pode custar menos de 3€ (Como um romance – Daniel Pennac). Parece que arrasa todos os argumentos e então o conteúdo, aborda precisamente a temática da leitura ou da falta dela. Visita todos os argumentos que nos podem levar a ser ou deixar de ser leitores. Podemos questionar-nos como leitores ou como pais de miúdos que podem ter diversas relações com a leitura e qual o nosso papel nessa diversidade. Tenho várias filhas, talvez uma de cada no que respeita à relação com os livros, este pequeno livro além de muito agradável, permite-nos compreender que o ensino secundário dificilmente cumprirá o seu papel de apresentação da literatura aos jovens. Diz Daniel Pennac “A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como um amor, uma maneira de ser. A questão que se coloca não é saber se tenho ou não tempo para ler (tempo esse que, aliás, ninguém me dará), mas sim se tenho ou não prazer em ser leitor.”

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    1. Ora aí está. O prazer é fundamental. Sem ele, o leitor não existe. Li algumas coisas de Daniel Pennac sobre educação e nem sempre concordo. Mas, acerca da leitura, teoricamente, reconheço-lhe razão.

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  4. Claro que não é desculpa.

    Mas quem não tem o gosto da leitura, também não vail lá com livros mais curtos...

    Mas tudo muda. Houve uma altura em que eu lia em qualquer lado e em qualquer altura (tinha sempre um livro na "manga"...), e agora já não é assim...

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  5. Obrigada pelas sugestões, são na verdade obras acessíveis à bolsa e ao tempo e garantem horas saborosas.

    Pois é, não se lê por outros motivos. Porque se há coisa que fazemos em grande parte, é perder tempo. Ou gastá-lo menos bem. A pensar na morte da bezerra; a ler pps parvos que amigos palermas nos enviam; a escrever sms digitais que nos levam um tempão quando melhor nos serviria encontrarmo-nos com os amigos a quem os enviamos; nas redes sociais a ler o que alguém anda fazendo, que raio me interessa se a pessoa x está a lavar o carro ou a culinar uma guloseima qualquer?...e mais. Muito mais haverá. A nossa questão com o tempo não é já a da rotina necessária ao dia-a-dia e o que nos rouba (na verdade, se pensarmos melhor, ela não rouba, apenas garante o tal tempo livre). É o termos integrado nela o que não lhe pertence, não é prazeiroso, se baseia em fazer circular opiniões que nem adiantam nem atrasam.
    Pronto, mas estarei de mau humor e a ver tudo negro. Vou apanhar sol.
    Tenham um bom dia

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  6. Recordo com gosto a leitura de alguns livros aos quais faz referência, dos mais antigos aos recentes. :)

    Como referiram, falta de tempo e falta de dinheiro não são argumentos. Se não se puder ler cem páginas, lê-se menos; se não for possível comprar alguns livros, há sempre a possibilidade de ir a uma biblioteca ou de fazer trocas entre amigos - neste momento, estou a ler um livro emprestado por uma amiga e, ainda ontem, uma amiga levou três da minha modestíssima biblioteca. :)

    Boas leituras.

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  7. A propósito da Maria do Rosário ter escrito: "O Americano Tranquilo, de Graham Greene, antes que o autor passe de moda.", li há pouco uma deliciosa novela dele, "O Doutor Fischer e a Festa da Bomba", e perguntei-me porque não tinha lido mais Graham Greene depois de me ter deliciado há muitos anos com "The Heart of the Matter" e com "O Poder e a Glória". Possivelmente não avançarei para "O Americano Tranquilo" mas para outra novela porque a surpresa do enredo, que é sempre um ponto alto nos livros do Greene, está "estragada" por ter visto um excelente filme há uns dez anos com uma interpretação soberba do Michael Caine.

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    1. Artur, vou-me atrever a sugerir que leia "Viagens com a minha Tia", um livro absolutamente delicioso do Graham Greene.
      Já o li há imensos anos e nem sei onde ele anda, possivelmente "emprestadado" a alguém.
      Deixou-me óptimas recordações.
      Se por acaso o ler e não gostar, estou pronta para "levar na cabeça" (eheheh).
      :-) Antonieta

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    2. Cara Antonieta,
      Obrigado pela sugestão ! (até o tenho na minha biblioteca de livros em 2ª mão que vou comprando a 1€).
      Abraço

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  8. Para além da falta de tempo, de dinheiro e a preguiça com as distracções, eu sofro de cansaço. Tenho muito pouca vontade de ler depois de um dia de trabalho de 12 horas que começou às quatro e meia da manhã. Normalmente se me sento mais de dez minutos o sono invade a minha consciência.

    Já fui um leitor mediano, tinha um bom ordenado num emprego com horário de sete horas e meia, folga ao Sábado e Domingo (actualmente só folgo ao Domingo) e muito menos cansaço físico e mental.

    É possível que o argumento de falta de tempo tenha por trás cansaço e um espírito que não se deixa apaixonar pelo primeiro livro que lhe aparece.

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  9. Não sendo patrioteiro, alguns livros pequenos-grande livros de autores portugueses: «Amor de Perdição» (Camilo Castelo Branco); «O Conde de Abranhos» (Eça de Queirós); «O Malhadinhas» (Aquilino Ribeiro); «A Missão» (Ferreira de Castro); «Davam Grandes Passeios aos Domingos» (José Régio); «O Barão» (Branquinho da Fonseca)...

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  10. Falta de Tempo?
    Eu cá não é bem por falta de tempo que, ultimamente, me tenho ocupado pouco de livros. Pego num aqui, noutro ali, mas, cada vez mais atormentado pelas inquietações resultantes do que vejo à nossa volta, vou abandonando este ali, o outro acolá...

    Bem tento pôr ordem nas inquietações mas, entretanto, vou-me deparando, aqui e ali, com coisas como esta:

    «Em 2014, o número de deslocados e refugiados ascendeu a 60 MILHÕES – 19,5 milhões de refugiados e 38,2 milhões de deslocados no ano passado (crescimento de 8,3 milhões face ao ano anterior).
    Por dia, o número de deslocados e refugiados subiu para cerca de 42.500, mais de metade dos quais são crianças.
    Uma em cada 122 pessoas no mundo é deslocada, refugiada ou está à procura de asilo devido à perseguição, violência, conflitos ou guerras.
    Segundo António Guterres, Alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas, "estamos a assistir a uma MUDANÇA DE PARADIGMA, a um resvalo para uma era em que a escalada de deslocações forçadas está a superar claramente o que vimos antes". Segundo Guterres, o drama é que a ajuda humanitária revela-se insuficiente. "Já não é possível. Cada vez mais pessoas estão a sofrer e para muitas delas não há hipótese de serem ajudadas", lamentou.»...

    ... e mais atormentado fico, por não saber responder à questão: “Porquê? Por que razões chegou, no século XXI, a Humanidade a este horror?”

    Desato, pois, ansiosamente à procura de respostas.

    Paulo de Almeida Sande dá-me algumas pistas no seu interessante texto “Eu é Outro”, que li no Observador de 16 junho.

    Cito: «O Homem moderno vive a angústia de se sentir Outro. Em seu redor tudo se explica e tudo fica por perceber, até o horror máximo – uns lacraus negros a cortar aos poucos a garganta de seres cor de laranja – se dissolve na enorme mancha mediática de indiferença. Mas esse horror, ou aquele de milhares de corpos negros afogados no Mar à nossa porta como formigas que uma criança dilui num copo de água, é um espasmo diário, uma mera inquietação.

    Mais logo virá a notícia fresca, e outra e outra ainda, a chegar com tal rapidez que nada assimilamos, tudo passa e se esquece à mesma velocidade. No mundo virtual somos réus, acusadores e carrascos. A estupidez senta-se na primeira fila. (...)

    (...) Num futuro passado agitam-se fantasmas. Os laboriosamente construídos Estados nacionais vacilam; um país quer sair da comunidade alargada de vontades a que se comprometeu, e arrisca fragmentar-se no processo (falo do Reino Unido, claro, antes que me acusem de obscuro); um palavrão – grexit – comanda as pesquisas no Google.

    E já não há países, só interesses, não há valores, só ideologias, não há partidos, só grupos de pressão e associações secretas. Há ânsia de lucro e vontade de protagonismo. E CADA VEZ MENOS SOLIDARIEDADE. Somos prisioneiros de maravilhosos Mundos virtuais, sentimo-nos sós no meio de multidões, somos nós em si mesmo, ensimesmadamente. Lentamente nos consumimos.»

    ... e mais inquietado fico.

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    1. Continuo inquietado.

      Ainda assim, vá lá que encontrei no Expresso on-line de 18 junho este texto de José Saramago, “Verdade e Ilusão Democrática” (1991) que, ao menos, aponta um caminho.

      Cito: «(...) afirmo que os povos não elegeram os seus governos para que eles os “levassem” ao mercado, e que é o mercado que condiciona por todos os modos os governos para que lhe “levem” os povos.
      E, se assim falo do Mercado (agora com maiúscula), é por ser ele, nos tempos modernos, o instrumento por excelência do autêntico, único e insofismável poder realmente digno desse nome que existe no mundo, o poder económico e financeiro transnacional e pluricontinental , esse que não é democrático porque não o elegeu o povo, que não é democrático porque não é regido pelo povo, que finalmente não é democrático porque não visa a felicidade do povo. (...)

      (...) O sistema de organização social que até aqui temos designado como democrático tornou-se cada vez mais numa plutocracia (governo dos ricos) e cada vez menos uma democracia (governo do povo) (...)

      (...) Que fazer, então? Deixar de considerar a democracia como um dado adquirido, definido de uma vez e para sempre intocável. Num mundo que se habituou a discutir tudo, uma só coisa não se discute, precisamente a democracia. (...)

      (...) Pois eu digo: discutamo-la, meus senhores, discutamo-la a todas as horas, discutamo-la em todos os foros, porque, se não o fizermos a tempo, se não descobrirmos a maneira de a reinventar, sim, de a re-inventar , não será só a democracia que se perderá, também se perderá a esperança de ver um dia respeitados neste infeliz planeta os direitos humanos.»

      ... ...

      ... E pensar que, tendo isto sido escrito há já uns 25 anos, continuamos num mundo onde tudo se discute, excepto a maneira de reinventar a democracia...

      ... E pensar que, afinal, de um modo geral por todo o mundo, incluindo as zonas ditas mais civilizadas, duas décadas e meia depois aumentam aceleradamente o empobrecimento de cada vez mais pessoas, a desprotecção social, etc ...

      ... E pensar que, em contrapartida, o capitalismo financeiro internacional prospera à custa dos juros que cobra aos Estados que foram politicamente empurrados para o endividamento, e também graças às privatizações dos inúmeros serviços públicos que, apesar de erguidos à custa dos impostos cobrados aos cidadãos, foram deliberadamente mal geridos pelos Estados...
      ... E pensar que, entretanto, já vai em 60 milhões o número de pessoas refugiadas ou à procura de asilo devido à perseguição, violência, conflitos ou guerras...

      ... E pensar que, não obstante, a visão dos milhares de corpos negros afogados no Mar à nossa porta como formigas que uma criança dilui num copo de água, é um pequeno espasmo diário, uma mera inquietação, de que a televisão ou as redes sociais logo nos aliviam com outra notícia, outro tema, outro comentário...

      Em suma: continuo inquietado.

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    2. Estou admirada de como pode conservar a sanidade mental pensando tanto em tanta coisa má. Que inquietos todos estamos mesmo sem conhecimento dos números exactos da desgraça

      O pior mal é mesmo a indiferença a que tanta informação sobre tudo nos conduziu.

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  11. Não importa a que horas eu chegue a casa... não passo uma noite sem ler um bocadinho antes de dormir.

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  12. Tantos livros com menos de 200 páginas, maravilhosos e baratos... A minha lista de 10, sem pensar muito, apenas porque me deliciaram há muito ou recentemente:

    Do amor e outros demónios (G. G. Márquez)
    Crónica de uma morte anunciada (G. G. Márquez)
    O carteiro de Pablo Neruda (A. Skármeta)
    O Túnel (E. Sabato)
    Lazarillo de Tormes (Anónimo)
    O Estrangeiro (A. Camus)
    Matteo perdeu o emprego (G. M. Tavares)
    Morreste-me (J. L. Peixoto)
    O Grande Gatsby (F. L. Fitzgerald)
    Um pinguim na garagem (L. Caminha)

    Podia continuar, agora me lembro de outros :). Mas estes foram os primeiros dez que me vieram à cabeça. E acho que qualquer deles se encontra, pelo menos nalgumas edições por valores à volta dos cinco euros.

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  13. Existem tantas razões para ler, umas racionais, outras emocionais.
    Leio desde pequena, em nossa casa existia uma pequeníssima biblioteca, foi por lá que comecei, depois chegaram as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian e através do Circulo de Leitores de três em três meses, eu tive direito a escolher um livro. Eu sei lá, sempre existiram mil e uma formas de encontrar o que ler.
    Os hábitos criam-se, depois as personalidades vão-se moldando à volta dos hobbies e do meio ambiente que nos rodeia.
    Os livros, a literatura, tem-me acompanhado nos momentos bons e nos momentos difíceis da minha vida. Os nossos filhos não lêem, nem de perto nem de longe o que eu e o meu marido achamos que deveriam fazer, para seu crescimento pessoal e profissional, mas, enfim, são escolhas.
    Sem a literatura já tinha desesperado, com a literatura, consigo compreender, pensar e ter esperança no futuro.

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  14. Permito-me:

    -"Billy Bud" - Herman Melville - um grande livro com menos de cento e cinquenta páginas.

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  15. Conordo em que os livros sugeridos devem ser lidos, mas de momento as minhas prioridades são outras: acabar de reler o "Ulisse" do Joyce, ler a "Ana Karenina" do Tolstoi. A "Guerra e Paz" já lá vai;ler "Os Irmãos Karamazov". Voltar a Camilo e Aquilino sempre.

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  16. A falta de tempo tem umas costas larguíssimas.

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  17. Gostaria de sugerir dois de João Aguiar:

    Inês de Portugal e Diálogo das Compensadas

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