Roubado em Lisboa
A minha mãe tem sobre a cómoda do quarto uma bonita tacinha de porcelana; quando a viramos ao contrário, diz na base: «Roubada em Madrid no Hotel x.» Roubar é feio, claro, mas o hotel de que já não recordo o nome incentivava a isso – ou, se quisermos, dava um presente aos hóspedes de forma bastante original. Na minha adolescência, tive amigos que rapinavam coisas – não muito importantes, é certo, mas mesmo assim…- e tinham descontracção para isso, o que nunca foi o meu caso. Também alguns colegas de faculdade iam a livrarias e à Feira do Livro apetrechar-se de leituras. Nunca fui capaz, por mais que gostasse de ler e achasse que os livros mereciam ser lidos fosse de que maneira fosse. Um dia destes, uma amiga contou-nos que tinha roubado sem querer a revista Estante, uma publicação da FNAC, de pequeno formato e papel reciclado (pelo menos, aparenta), com entrevistas, artigos de opinião, recensões e curiosidades à roda dos livros. Disse-nos que pensou que era para as pessoas levarem – até pela forma como estava exposta – e que só ao chegar a casa se apercebeu de que, na contracapa, havia uma etiqueta com o preço (1,50 €), mas que já não teve forças para voltar à loja. E – curioso – foi só quando acabou de contar essa sua história que o Manel olhou para mim e para ela alternadamente com um sorriso maroto e a seguir lhe perguntou se era mesmo verdade que a revista se vendia. É que também ele a tinha roubado... sem querer. Pelos vistos, a Estante tem ar de coisa para dar, mas, meus senhores, não diz «Roubada em Lisboa» e, embora baratinha, tem um preço. Assim sendo, se a virem numa loja da FNAC, não se distraiam.
Ooops...
ResponderEliminarE o alarme, à saída, não apitou?
ResponderEliminarVou testar o esquema, pois pode ser mesmo gratuita ou, como o preço é irrisório, o dispositivo não se incomoda em incomodar.
E a culpa pode ser da FNAC, já que ofereceu a número 1 (ou terá sido zero?). :)
ResponderEliminarE vale a pena gastar o 1,50 € ?
ResponderEliminarAA não é má nem é boa, mas fala de livros!
EliminarObrigado pela informação. Se fala de livro, é sempre boa ! Vou gastar o 1,5€ na próxima vez que for à FNAC.
EliminarJá acompanho a revista há algum tempo (sempre a pagar) e acho-a bastante interessante. A propósito, este último número menciona o Horas Extraordinárias numa página, já viram?
EliminarVou ter mesmo que comprar a revista, a começar pelo último número ! Obrigado pela informação.
EliminarA trajetória universitária a biblioteca saquiei um livro e levei-o a superintendencia o sistema falho a segurança e, Silvio Sandri dizia, cadeado.
ResponderEliminar«Estante tem ar de coisa para dar», realmente acho que sim. Eles dizem que «A Estante é uma revista para viver fora da estante». :-)
ResponderEliminarCuriosidade: Cerca de 80% dos produtos culturais não ativam os alarmes da FNAC.
MSantos
EliminarAgradeçlo a informação, pois desconhecia esse pormenor. É claro que, no meu caso, não vai servir, uma vez que tudo o que trago dali passa pela registadora.
Esses 80% provam que, em Portugal, a cultura está livre da apetência rapineira, uma vez que a cultura - e a dos livros, principalmente - para a maioria, nem dada nem roubada.
Hummm...estive a rever a minha vida e acho que só roubei uns tostões a minha mãe para comprar amendoins, facto que me deixou de consciência bem pesada. Se haja tirado mais alguma coisa foi sem querer de certeza.
ResponderEliminarNão tem qualquer graça roubar objectos aqui e ali, mesmo que sejam baratos. Digo eu. Quem os tira deve achar piada. O seu a seu dono.
Também nunca fui capaz de roubar nada, nem na adolescência, quando se apreciam experiências radicais. Devemos, porém, ter em conta que muitas pessoas roubam por distúrbio psicológico: a cleptomania. Será cruel julgá-las severamente, essas pessoas sofrem, mesmo que não o aparentem.
ResponderEliminarSofrer porque rouba então, Cristina a vítima o ladrão?
EliminarCláudia, não sofre porque rouba, mas rouba porque sofre. Não estou por dentro da problemática da cleptomania, mas, quem rouba compulsivamente, tem algum desequilíbrio psicológico grave. Nesse caso, sofre, é inevitável.
EliminarHavia um caso famoso: o da atriz Winona Ryder. Pelo menos, teve uma fase na sua vida em que era cleptomaníaca. Espero que tenha superado.
Bom dia, Cristina e sem ofensa nem comparação.
EliminarDevolvi o livro no mesmo instante e com àquele acto denunciei o sistema falho a instituição dobrou a vigilância.
A vigilância é avaliar sistema e nem só.
Sociedade requer sobriedade.
"Associação criminosa" é outra coisa.
Não espero que entenda felizmente ou infelizmente.
Cláudia, não me apercebi que se referia a uma experiência pessoal. Falei de uma maneira geral.
Eliminar(desculpem a rima).
Mas não é só a Winona Ryder, em Portugal temos mil exemplos, começando pelo DDT-Ricardo Espírito Santo passando pelo Duarte Lima e seguindo uma infindável lista doutros gatunos...
EliminarPois é, Severino. Só que casos desses nada têm a ver com a doença psicológica chamada cleptomania. Terá a ver com outro tipo de distúrbios...
EliminarEsta de sair sem pagar faz-me lembrar que eu ainda sou do tempo em que não existiam as máquinas de tabaco.
ResponderEliminarNaquele tempo o maço de cigarros comprava-se no Café. O cliente sentava-se, vinha o empregado de mesa, pedia-se: “Uma bica e um maço de Português Suave, se faz favor”.
Depois conversava-se prolongadamente com a malta que ia chegando, e tal…
E no fim, depois do muito movimento que assoberbava e desnorteava o empregado, como quem não quer a coisa, distraidamente, guardava-se o maço de cigarros no bolso, estalava-se os dedos a chamá-lo e, apontando a chávena da bica, perguntava-se: “Quanto é?”.
Em resumo: pagava-se a bica – e, muitas vezes, o tabaco ficava de borla…
Devido a isto é que começou a aparecer nos Cafés o letreiro que avisava: “TABACO SÓ AO BALCÃO. E PAGO NO ACTO DE ENTREGA”.
Incontornável.
Isto antes das máquinas. Com estas, uma pessoa tem de, muitas vezes, ir ao balcão para arranjar trocos à feição.
Em homenagem ao passado haviam de colocar ali, ao menos, um letreiro: “TROCOS SÓ AO BALCÃO”.