Pensar Portugal

«Um povo sonâmbulo é um povo que vive no presente, como acontece com as populações em estado de guerra ou que sobrevivem sob ditaduras férreas, constrangidas a acreditar na propaganda do Estado, que assim lhes esvazia o cérebro, forçando-as a não crer na existência de alternativas. Hoje, os portugueses são, de facto, um povo sonâmbulo: vivem o presente sem saber porquê e para quê […]» Este excerto de Portugal: Um País Parado no meio do Caminho (2000-2015), de Miguel Real, reflecte sobre os efeitos da interrupção do processo de modernização europeia de Portugal a partir do início deste século e o que representam para diferentes grupos sociais figuras como Siza Vieira e Olga Roriz, Joana Vasconcelos, Cristiano Ronaldo e José Mourinho. Um ensaio que vale a pena ler pela sua originalidade e pela dura análise dos últimos quinze anos de governação em Portugal.


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Comentários

  1. Não aprecio generalizações e de citações sempre assertivas está o Facebook cheio... Não compro um livro para saber que sou sonâmbulo como o meu povo, que não desprezo, antes nele me revejo. É preciso sair das cidades, esquecer as praias, há por aí fora muita realidade desconhecida dos sociólogos e "cientistas" sociais!
    JCC

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  2. Claudia da Silva Tomazi22 de junho de 2015 às 03:03

    Bom dia Portugal o valha em pensar.

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  3. E existe aquele ditado ... "camarão que dorme, a onda leva ..."

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  4. António Luiz Pacheco22 de junho de 2015 às 05:05

    Concordo inteiramente com o José Cipriano Catarino!

    Mas, gosto muitíssimo do pensar e da escrita de Miguel Real, pelo que já tenho este na lista ...

    "O último Europeu" (Miguel Real) não sei se teve o impacto que merecia... mas creiam que é um livro que deve ser lido, e, assusta pela perspectiva que nos dá daquilo em que o Mundo se está a tornar, parece que tudo se encaixa como as peças do Lego... não deixem de o ler! Digo com toda a minha e mais sincera convicção!

    Saudações Sinceras cá da Cidade Morena.,

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  5. Nenhuma das figuras mencionadas lida com a literatura - indiciará isso que as Letras não contam nada para os grupos sociais estudados?

    Hm, a MRP tem de puxar a brasa à sua sardinha, por isso compreende-se o elogio da originalidade, mas eu não consigo encarar mais um ensaio catastrofista sobre o fim de Portugal, a morte de Portugal, a passividade dos portugueses, a estupidez dos portugueses, sem pensar em José Gil, Eduardo Lourenço, Manuel Laranjeira, Alexandre Herculano, Vasco Pulido Valente, Fialho de Almeida, Eça de Queiroz, António Sérgio, Adolfo Casais Monteiro, Antero de Quental e tantos outros que escreveram sobre exactamente o mesmo. Como João Medina - mais um - escreveu algures, desde o século XIX que o tom da intelectualidade portuguesa é de lamento pela decadência da pátria. E Miguel Real há-de saber isso melhor do que ninguém, visto que até escreveu um livro sobre esse fenómeno chamado "A Morte de Portugal." Agora pode reeditar esse livro com um capítulo actualizado sobre si mesmo.

    Seja como for, provavelmente será um ensaio interessante; Miguel Real é um pensador inteligente.

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    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2015 às 07:37

      Caríssimo Extraordinário:

      Concordo inteiramente com a sua análise sobre o pensar de Miguel Real!

      Faço-lhe duas perguntas:

      1 - Inicia o seu post dizendo que nenhuma das figuras mencionadas lida com literatura... está a referir-se a quem? Fiquei um pouco baralhado...

      2 - Só por curiosidade e porque parece conhecer bem o autor: Leu "O último Europeu" de Miguel Real? O que achou dele?

      Se tiver o ensejo para me responder, agradeço-lhe antecipadamente e com os melhores votos cá da Cidade Morena! Um abraço.

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    2. António Luiz Pacheco22 de junho de 2015 às 07:40

      Pois claro ... que burro sou... CR7, Mourinho, Siza... é óbvio!!!! Olvidei que no post da nossa Extraordinária Anfitriã se alude a esses!

      Assim sendo, me perdoe e passe à questão nº 2 por favor!

      Abraço

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  6. Portugal não é um país parado, nem sequer um país adiado. A história dos povos não se faz na curta ou média dimensão. "Olvidar os prazos longos" é esquecermos que a história não se constrói sob o nosso tempo de vida, a nossa dor ou a nossa saudade, muito menos os nosso interesses ou comodidade. Mau grado muitos de nós percepcionarmos o país actualmente como um país parado, ele não parou, nem foi adiado. Novas dinâmicas são geradas todos os dias, muitas certamente diferentes daquelas que nós gostaríamos, mas há uma coisa que é certa: ninguém, dos que amam a escrita, deixará de escrever por sentirmos o país em modo sonâmbulo ou em modo "ralenti". Muito menos Miguel Real cuja voracidade pela escrita é conhecida.
    Um paradoxo um pouco à Umberto Eco quando este diz: “Informação demais faz mal”, como se o mundo fosse sucumbir pelo seu excesso. Só se deixa olvidar e parar quem se deixa corromper pelo pensamento. Ou quem não conhece verdadeiramente o seu país, o seu tempo e as suas dinâmicas e estiola tristemente na defesa da sua confraria. Ou quem entra em modo replay ", uma e outra vez, tentando capturar a sua comodidade. Sejam ousados, não velhos, apenas antigos.
    E que tal não nos deixarmos parar lendo Mattoso , Naquele Tempo, a Idade Média de Eco ou o soberbo A segunda Guerra Mundial de Martin Gilbert .

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  7. Vamos ao que interessa e digam-me lá os sociólogos se eu estarei a ouvir mal e a pensar o pior:
    Estava eu ontem na praia quando chegam para aí uns dezassete/dezoito jovens (eles e elas) e na sua natural juventude a praia encheu-se de sons (o que seria óptimo, não fosse....), só que cada um e cada uma que abria a boca em três palavras (palavras não, berraria) duas eram bacoradas (alhos e por aí fora, com elas à cabeça) a outra era iá meu, fixe, bueda , etc etc .. , o vocabulário não ia mais além e isto eu vejo e oiço diariamente na gente desta idade na sua quase maioria e, acho eu que é assustador a gente que estamos a formar ou será da minha vista, ou serei eu que estou a ver mal...

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    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2015 às 12:20

      Não vou dizer nada, pois não sou sociólogo... mas oiço e vejo o mesmo...
      Porém recordo-me que (alguns) tivémos 18 anos, fomos rebeldes e malcriados, atrevidos, irreverentes, fumámos umas ganzas e bebemos umas bejecas, curtimos, usámos uma gíria própria da nossa idade, tempo e grupo, rompemos com muita coisa e cultivámos uma certa marginalidade destinada a chocar e mostrar que estávamos em ruptura e éramos revolucionários. Queríamos ser modernos, diferentes, Mundo não acabava amanhã e só olhávamos para a frente ... fomos dados por perdidos - e alguns se perderam de facto...

      Creio que no fundo é isso, é o que se repete geração após geração...

      Lá em casa vigora a lei molhada (bebemos todos copos...) que implica expressarmo-nos com correcção pois advogo que seremos tão melhor compreendidos e pensaremos tanto melhor quanto melhor uso façamos da linguagem e tão melhor a dominemos na sua diversidade e adequação dos termos!

      Portanto, entre eles e com os amigos... é bué e é iá, bombam e essas cenas, mas portas adentro e à mesa ou na sala, em conversa, é proibido o uso de linguagem desse tipo, como interditei os aparelhos de comunicação electrónica e similares! Em compensação, cães e gatos (desde que se comportem) são admitidos na sala e na casa de jantar - na cozinha não!

      Um abraço aqui de bué de longe ó Severino!

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    2. Dizes bem, Pacheco:

      Creio que no fundo é isso, é o que se repete geração após geração...

      (também tinha pesado essa hipótese apesar de não a ter ventilado)

      Possivelmente terás razão.

      Obrigado Pacheco

      Um abraço

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    3. Concordo com os dois, Severino e Pacheco.

      Há uma linguagem de rua e de grupo que todos utilizámos na juventude, até para nos sentirmos mais em "família".

      Claro que se tivermos dois dedos de testa, sabemos que aquele palavreado é apenas distracção e riso.

      Mas as limitações existem em todas as gerações.

      Das coisas que mais embirro é estar num grupo de homens que só sabem falar de gajas, carros, bebidas e restaurantes... e muitos deles ostentam com o diploma da universidade... Mas o problema até pode ser meu. Se calhar eles nas minhas costas dizem: «Olha, este tem a mania que é intelectual.» (ou coisas piores...)

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  8. Espera aí... Aqui atrasado topei, num jornal, com uns textos de Miguel Real que, se bem me lembro, eram justamente sobre esta necessidade de re-pensar Portugal... Lembro-me de ter feito copy-paste. Ora deixa-me cá procurar na pasta de ficheiros “Repensar”...

    (Esta pasta tem os textos de que me vou socorrendo a ver se consigo pôr ideias em ordem, se alivio o tormento e apaziguo a inquietação que em mim têm vindo a crescer por causa desta minha mania de tentar entender o que se passa à minha volta, à nossa volta.)

    Cá está! “Identidade histórica em mudança”, jornal Público de 29 e 30 janeiro 2015.
    Pela data e pelo conteúdo, palpita-me que estes textos de há cinco meses fazem parte deste novo livro que Miguel Real andaria na altura a preparar.

    Cito algumas partes que sublinhei a amarelo:

    «(...) na segunda década do século XXI, no retrato histórico de Portugal figura já o resultado do violentíssimo choque social e cultural entre duas forças motrizes de natureza social, bem como o efeito deste choque na consciência do cidadão português:
    - A primeira força social imparável que tem regido a sociedade portuguesa como um todo, consiste na esforçada modernização europeia de Portugal desde 1980 (...)
    - A segunda força social opõe-se à primeira e (...) tem apenas em conta – APENAS – a saúde orçamental das finanças públicas e as aspirações tecnocráticas por que a elite político-administrativa (quebrando a mobilidade social e restaurando o tradicional estado de coisas hierárquico em Portugal, fortemente dividido entre “senhores” e subordinados) intenta reduzir a maioria da população à luz de uma visão burocrata, monetarista e tecnocrata da Europa (...)»

    É esta a “visão” que tem feito tudo o que pode para aqui nos impor o «(...) neoliberalismo global que deposita o país nas mãos de um mercado financeiro (quase) totalmente desregulado e de uma economia concorrencial de cunho selvagem».

    É por causa disto que, aqui em Portugal, temos assistido à crescente «perda de referentes éticos e culturais do passado (...) substituídos por valores hedonistas (...) niilistas (...) e individualistas (...)»

    Ora isto é que vai p’raí uma democracia do carago!...

    Mas pronto: o melhor é ir comprar o novo livro, que há de ter lá mais matéria para sublinhar as inquietações a amarelo.

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    1. António Luiz Pacheco23 de junho de 2015 às 04:30

      Ora aí tem!!!!

      Grande Miguel Real ... não podia estar mais de acordo.

      Aqui para nós que nos entendemos na nossa diversidade, eu muitas vezes choco algumas pessoas quando sabendo ou assistindo a certas coisas pergunto:

      "E foi para isto que mataram o Senhor D. Carlos e o príncipe Luiz Filipe?".

      Percebem onde quero chegar?

      Saudações azuis e brancas ó Extraordinário Jordão!

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    2. Lamentável. Sempre que existe um lançamento, ou qualquer evento relativo ao pensador e escritor Miguel Real, a editora é sempre muito contida e pouco justa nas análises que faz a este nome tão grande que a Europa tem. O Miguel Real, para quem desconheça, é um dos maiores pensadores da Europa. Não fosse ele a humilde e excelente pessoa que é, já há muito que a editora lhe faria rasgados elogios de grande dimensão como os que costuma fazer aos escritores de grande e pequena dimensão. Aliás, a editora parece aperceber-se disso quando os autores a abandonam e partem para outras editoras adquirindo projecção nacional e internacional. Aí não faltam desabafos ao nível deste bloque vertendo lágrimas pela partida de determinado autor.
      É bom ter conhecimento de que a editora anda a reboque daquilo que ganha prémios e tem projecção internacional por diversos motivos ( que não interessam agora evocar) tornando-se, assim, habitual este tipo de narrativa relativamente ao grande pensador que é o Miguel Real. Um tipo de aittude deste género revela a falta de respeito e, sobretudo, as grandes carências culturais de que uma editora , quer como instituição, quer na pessoa responsável pela publicação do autor em questão, têm. É bom que, embora a editora revele ter um grande défice de cultura , entre outros atributos, que os leitores com indispensável índice de cultura descubram o fascinante pensamento deste grande pensador.

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  9. Lamentável. Sempre que existe um lançamento ou qualquer evento relativo ao pensador e escritor Miguel Real a editora é sempre muito contida e pouco justa nas análises que faz a este nome tão grande que a Europa tem. O Miguel Real, para quem desconheça, é um dos maiores pensadores da Europa e não fosse ele a humilde e excelente pessoa que é já há muito que a editora lhe faria rasgados elogios de grande dimensão como os que costuma fazer aos escritores de grande e pequena dimensão.Mas como a editora anda a reboque daquilo que ganha prémios e tem projecção internacional por diversos motivos ( que não interessam agora evocar) tornou-se habitual este tipo de narrativa relativamente ao grande pensador que é o Miguel Real. Um tipo de aittude deste género revela a falta de respeito e, sobretudo. as grandes carências culturais de que uma editora , quer como instituição, quer na pessoa responsável pela publicação do autor em questão. È bom que, embora a editora revele ter um grande défice de cultura , entre outros atributos, que os leitores com o indispensável índice de cultura descubram o fascinante pensamento deste grande pensador.

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