Lá e cá
A Feira do Livro de Madrid começou no dia 29 de Maio – e apetece dizer «isto anda tudo ligado» porque as duas capitais ibéricas fazem as suas feiras praticamente ao mesmo tempo. Mas, se para muitos estas são uma excelente notícia, porque lá se podem comprar livros mais baratos, muitos deles a preço de saldo, a verdade é que, enquanto elas duram, as livrarias ficam às moscas e não facturam nada que se veja. O jornal El País decidiu então, para as compensar das perdas, falar de duas livrarias por dia enquanto decorria a feira de Madrid, até porque no país vizinho parece que, só num ano, 912 espaços de venda de livros (eram 4336 no total) tiveram de fechar as suas portas. E porquê? Bem, porque, com a crise, as vendas de livros baixaram drasticamente (cá também), caíram 18% desde 2011 – e estes 18% correspondem a mais de 870 milhões de euros, números impressionantes (que um dia gostaríamos de alcançar no nosso pequeno Portugal). Segundo as estatísticas, há 55% de espanhóis que declaram não ler, ou ler apenas um livro por ano (quantos serão cá, mais ainda?); e, além disso, o número de festivais culturais, nos quais participavam muitos escritores e se vendiam os respectivos livros, caiu 27% em seis anos (por acaso, julgo que em Portugal acontece o contrário e que o poder local está a saber agarrar as oportunidades de celebrar a literatura e os escritores). Enfim, lá como cá, a desgraça é grande para livreiros e editores, ameaçados todos os dias pela diminuição nas vendas. Que fazer para inverter a situação em dois países de tanga (e às vezes também da tanga)?
Futuras mamãs, comecem a ler às criancinhas ainda durante a gravidez. Continuem a fazê-lo desde que nascem e prolonguem esse hábito, daqui a anos teremos aumentado consideravelmente o número de viciados na leitura e melhorado as contas das livrarias... parece ingénuo, mas não é.
ResponderEliminarÉ receita que não pegou num exemplar que conheço e só na adultícia começou a ler. Mas pode que as leituras sejam de efeito retardado. Nunca se sabe. Pelo menos é dose sem efeitos danosos.
EliminarCaríssima Rosário
ResponderEliminarApreciei muito esta sua peça literária, bem pensada e bem estruturada e oportuna - como aliás é seu timbre - tanto mais que toca num dos pontos mais importantes para haver oferta, que é haver procura.
Quando desempenhei funções como presidente do conselho de administração de uma empresa municipal, não havia aquisição de livros há uma série de anos; de uma assentada, numa feira do livro, com animação à mistura, assinei a aquisição de oito mil euros em obras, escolhidas pelos bibliotecários.
Digo isto para comentar aquela passagem onde diz (e cito): "julgo que em Portugal acontece o contrário e que o poder local está a saber agarrar as oportunidades de celebrar a literatura e os escritores".
A Rosário escreveu acertadamente - primeiro disse "julgo" e depois expressou "celebrar" - o que não significa que tem certezas e celebrar não é comprar ou apoiar.
Vou dar-lhe mais um exemplo.
Tenho uma obra prontinha a ir para a gráfica, cartonada e toda a cores, de âmbito cultural e regional/distrital. Propus o apoio, através de aquisição de alguns exemplares, apontando inclusive um número mínimo para as bibliotecas aos municípios abrangidos, que são 14. Responderam afirmativamente 6.
Convenhamos dizer que todos eles celebrarão a ideia, mas a coisa não vai lá com palmadinhas nas costas e palavreado do género "força, vá em frente" ou "faça uma sessão de lançamento na nossa biblioteca".
Não se vendem mais livros com barriga cheia ou barriga vazia; vendem-se com educação escolar, tradição de leitura e qualidade.
Permito-me ressalvar esta parte do seu comentário
Eliminar"Não se vendem mais livros com barriga cheia ou barriga vazia; vendem-se com educação escolar, tradição de leitura e qualidade."
Concordo com a sua receita final de venda. Porém, o mesmo não acontece com a primeira parte da afirmação, pode crer que a barriga vazia não aspira ler livros, quer mesmo é comida, um bolo alimentar que se transforma em quimo e depois em quilo e etc etc.
Além do mais, o que aventa como possibilidade de venda são condições que não abundam na pobreza. Por mais do que um motivo, a leitura raramente é hobby dos mais necessitados. É que existem hábitos de leitura que, eventualmente, mudam/se criam com a citada qualidade, apoio escolar e etc. E hábitos cuja matriz definidora é a impossibilidade social. Aos últimos não sei como é que os livreiros podem chegar.
Beatriz
EliminarElogio a sua atenção aos textos e a forma como os interpreta e, de certa forma, os comenta, geralmente com boa dose de sageza e oportunidade.
Há um provérbio brasileiro - se é que os provérbios têm nação - que diz: "se o pobre come galinha é sinal que tem dinheiro para comprar carne".
Já deparei com pessoas (perdoe-me imputar o género, mas são mulheres na maioria), que implram a caridade do próximo, carpem as suas necessidades em melopeias de extrema necessidade, que julgo legítimas e reais. Porém, reparo que trazem as unhas devidamente arranjadas, com aspecto de recurso a casa da especialidade, os cabelos pintados e, sobre o telhado de uma casa em decrepitude estrutural, uma parabólica.
Quem gosta de ler, quem tem "necessidade" de ler, procura obter poupanças que, mais ou menos, possam possibilitar a aquisição de livros, embora haja outos meios gratuitos de os obter, como as bibliotecas públicas. Tenho encontrado, nas livrarias que frequento, pessoas de fracos recursos e, com alguma perplexidade, não tenho visto por ali outras com grandes recursos financeiros (obviamente sob os meus conhecimentos).
Vou dar-lhe mais um exemplo, na sequência do que disse no comentário anterior. A empresa municipal a que presidi, recebeu, através de acordo com o município, todos os livros que faziam parte do acervo das bibliotecas fixas e itinerantes da Fundação Gulbenkian, no seu conjuno de dois concelhos (incluída a "sacramental" carrinha Citroen). Mandei separar aqueles que estavam em bom estado (alguns mesmo sem terem sido expostos) e coloquei-os à disposição do público, ao arrepio das directrizes que mandavam tudo para a "fogueira", a um valor simbólico de cinquenta cêntimos. Essa colheita, irrisória que fosse, ia direitinha para a aquisição e apetrechamento das bibliotecas sob a alçada da empresa.
Por decoro, não lhe vou dizer quantos foram vendidos...
Porém, tb é verdade que,quando o pobre come galinha nem sempre tem dinheiro para ela :).
EliminarJá pensou que as mulheres queixosas podem ir a mando; há no estereótipo feminino uma quase legitimidade na queixas o que não sucede com o outro género. Mas é verdade que as mulheres se queixam mais (em meu entender a sua sobrecarga também é, em geral, maior).
Quando salde de novo livros a cinquenta cêntimos - ou mesmo um euro - se avisar e me interessem, já tem cliente certa. Tem a certeza que divulgou convenientemente a venda?! é que nos supermercados as gentes assanham por dez cêntimos.
Já agora, as pessoas com grandes recursos financeiros não andam por aí a comprar livros:) encomendam na net por exemplo; não podem perder tempo que tempo é dinheiro. E acho que a mistura com gente normal, que conta as moedinhas a ver se chegam também não lhes apetece.
As palermas como eu é que gostam de ver muita lombada de seguida, cheia de títulos desconhecidos e ficar embasbacadas a olhá-los. Dá-nos prazer.
Será preconceito meu mas penso que a parabólica é um direito de cada um (e custa bem menos que um telhado novo, como sabe).
E é verdade que no mundo das opções se escolhe tanta vez o que menos presta. Mas os livros não deveriam existir em vez de. Teriam de vir na sua vez mesma. Só assim é que vale.
Hum... considero-me uma pessoa com recursos financeiros grandes ou acima da média, (vanitas vanitatum...) pois quando quero comprar um livro, compro!
EliminarPosso! Graças a Deus e se calhar a algum esforço meu nesse sentido... discutível e espero que não ofensivo.
Compro livros nas livrarias... só raramente na net (nesta compro livros técnicos que não encontro nas livrarias) e compro muito por impulso!
Talvez não seja um comprador-tipo ...
E já agora, o ditado brasileiro que conheço diz:
" Quando pobre come galinha, um dos dois está doente!"
A nossa Extraordinária Cláudia pode ser mais elucidativa a respeito.
Saudações ... galináceas, da Cidade Morena.
Correcção Pacheco.
Eliminar"Eu não vou na sua casa para você não vir a minha, você têm boca grande vai comer minha galinha".
Crendice popular será (...).
Ora, concordo bastante mais com este ditado, ainda que me pareça mais português que brasileiro e já nem se adeque completamente: a carne de galináceo é hoje das mais baratas, logo de grande consumo; e as galinhas já não saem das capoeiras para a panela.
EliminarHá até crianças que abismam com galinhas vivas, na sua mente as penas estão a mais:)
Bom dia Beatriz Santos e Luís António Pacheco e quem mais leitor o blog.
EliminarEmbora estranho "ditados e crendices" fazem parte ou arte do inconsciente colectivo popular o diz-se povo a cultura a mescla o sentido a interpretar a tradição e nem só transição comportamental e certamente nem estar-se-ía tradição que valores a perspetiva.
Brasileiros e portugueses e moçambicanos e angolanos e timorenses e enfim donde particular ternura a gênese a feição forma expressar.
Cláudia da Silva Tomazi
Oh, a querida Cláudia e mais seu português de onde:).
EliminarAhahah! Os países da tanga ... gostei!
ResponderEliminarSigo com regularidade a actividade divulgadora da minha Querida Amiga Facebuquiana e Extraordinária Cristina Carvalho, pois digo-vos:
É Extraordinário... o fôlego e a dedicação!
Mas, prova ainda que quem tenha pernas e queira andar, anda mesmo! E faz! Pois aproveita bem as oportunidades que surgem da parte de escolas, agremiações, prisões (!), autarquias e todas as muitas entidades que a solicitam e onde ela acorre com o maior e óbvio gosto!
Por isso não acredito que a literatura e a leitura estejam mortas... precisam de ser regadas como um jardim!
Sinceramente parece-me (e lá vai asneira, me perdoem...) que há dois problemas com a nossa leitura:
1- O preço, de modo geral elevado, dos livros!!!!
2- Termos autores nacionais que há muito refiro ser gente ensimesmada, chata, deprimidos e que escrevem apenas para si mesmos e sobre eles mesmos, para exorcizar fantasmas e exteriorizar frustrações, etc. São deprimentes, e não gosto daquilo que escrevem (reparem digo AQUILO e não COMO escrevem, pois muitos deles escrevem muitíssimo bem!).
A solução para o primeiro ponto?
Sei lá! (Sic MRP) Mas pode passar pelos impostos e eventualmente uma estratégia editorial que dê mais destaque a edições económicas e quem sabe reduzir os lucros das editoras... trocar lucro por mais vendas?
Para o segundo ponto, e como dizia aqui algum Extraordinário, há dias, reavivar o interesse pelos clássicos, pelos mestres que escreviam sobre outras coisas que não eles mesmos e as suas depressões!
Perdoem-me dizer asneiras e casquem-me que eu aguento!
Saudações Animosas cá da Cidade Morena!
P.S. - Durante os dois meses que a minha mulher esteve aqui comigo, saía todas as manhã para dar o seu passeio a pé, de uns quilómetros pois é uma andarilha inveterada, e ia muitas vezes descansar ou nos bancos da muralha da praia Morena ou nalgum dos jardins que esta cidade tem - bem cuidados! E lia... acabava sempre por atrair alguém, jovem ou cota, que procurava saber o que lia e lhe falavam invariávelmente do alto custo dos livros, da pouca escolha e dificuldade em os arranjar. Para quem não saiba, Benguela é berço de poetas e tantos escritores...
Lembranças à patroa!
EliminarMas quem são esses autores deprimidos que escrevem sobre si mesmos apenas, que não li nenhum...está sempre a referi-los e não me lembro de exactamente nada. Mas pronto, posso ter-me enganado e andar toda a gente por aí a desditar-se supremamente. Estou curiosa. Atire lá uns nomezinhos, vá. Autores daqueles tristes tristes, que só devem falar de morte e buracos negros da alma (imaginando que as depressões dêem para esse lado), mas será que gente dessa vende e as editoras arriscam nela?!
EliminarÉ verdade que conheço alguns relatos bem interessantes, mas não são depressivos. Parecem-se com a vida. Para o leitor é um quase igual a viver, mas está sentadinho e só a olhar, o pensamento espraiando-se pelas páginas num vagar de tempo que apetece. Portanto, os meus autores não são depre:)). preciso ler os seus para avaliar.
Mas gosto bem dos clássicos. Também porque desconheço bastante literatura que importa ao espírito. E a curiosidade livresca não mata nem prejudica. Nem sequer fica mal:)
Põe-me um problema Caríssima e Extraordinária Beatriz... e passo a explicar:
EliminarNão pretendo polemizar e menos ainda porque citando nomes (vá lá... a Beatriz sabe a quem me refiro pois é quase toda a actual geração de escritores, consagrados ou em ascensão, profusamente celebrados, premiados e publicitados) vá de algum modo ferir susceptibilidades aqui neste blog, o que de todo não quero! A começar pela sua, pois entendo que seja até uma apreciadora do género negro, e com o meu maior respeito note, mas... acho que é demasiado e a malta precisa é de se animar, de um Júlio Diniz... por aí ...
Mas até fica o desafio, ao contrário do seu: descubram antes nomes de autores que não se encaixem naquela minha classificação.
Eheheh...
Não me leve a mal e não se amofine comigo!
Não amofino, não afino nem me fino. Mas mantenho a dúvida, dos autores que li nenhum me parece confessional. Paciência. Acho-lhes uma mente cheia de ideias e inesperadas e bem urdidas voltas que entrelaçam nas histórias. Parecem-me às vezes vestidos com excesso de enfeite.
EliminarNão li nenhum muito tétrico (bom, não gostei muito de um de VHM em que há um marido estúpido que nem uma porta a escavacar a mulher com pancada do princípio ao fim do livro e a gente fica para ali a sofrer com ela nas letras todas até ao ultimo suspiro. Está bem urdido, mas não se faz ao leitor.
Hum... este é à prova de bala e por isso o cito:
EliminarAntónio Lobo Antunes!
Não o acha confessional?
Com todo o respeito, pelo autor e por si...
Tem razão, em parte. Porque aquilo é tudo menos biografia, memórias. É arte e pronto. Mas não o acho um escritor depressivo ou tétrico. E se ele tivesse todos aqueles traumas, já teria enlouquecido (penso que a escrita lhe é salvífica). Alguns pertencem,-lhe, mas não todos. Ao contrário, ele escreve sobre tudo sem o mal ou o bem que lhe apomos. Escreve a roda da vida, como se ela mesma a escrevesse, a saber o de fora e o de dentro das coisas e das pessoas, no circuito fechado de exisitr. E até encontro que aquelas frases e palavras que termina a desoras nos acontecem assim na cabeça e é como se a mente consiga chegar a uma roda livre e a gente entenda nos seus livros que todos somos pessoas, não apenas as bondades e virtudes são humanidade; sem qualquer explicação ou raciocínio pessoal e de autor, toda a gente é pessoa nos seus livros: Além disso, nem todo o pensamento é corredio . Aceito dele o que tanto já ouvi criticar, "que a mão escreve sozinha"; e entendo que essa escrita seja mesmo qualquer coisa que brota lá do fundo, não será fácil chegar ao ponto de observação do todo. Mas os admiradores confessos não são quem melhor vê. E pertenço ao clube.
EliminarAlém do mais, o senhor usa de uma poesia muito visual nas imagens que nos oferece por via da palavra. Ainda por cima consegue ser de uma originalidade a toda a prova.
Caríssima Beatriz... apesar de não ser leitor do referido escritor, gostei agora e uma vez mais de a ler a si, e muito apreciei a opinião, pela qual aliás tenho a maior consideração - mesmo que eventualmente discordemos!
EliminarSempre aprendi ainda mais qualquer coisa!
Repare que eu disse algures que me parecia haver autores que exorcizam os seus fantasmas nas páginas que escrevem, e creio que tal se aplica ao autor em questão, indo ao encontro do que a Beatriz também disse.
Não sendo embora leitor, tenho de lhe dar todavia o reconhecimento de ser um grande nome da nossa escrita actual, talvez o maior? Não me parece que isso o afecte, sê-lo ou não ser... creio que se está um bocado nas tintas para o que pensam dele.
Saudações cá da terra do Pepetela!
A escrita serve também esse fim, exorciza. Ou deixa os fantasmas, mas comendo-lhes movimento e força.
EliminarÉ um bom escritor, sim. Desconheço isso de ser o melhor. As pessoas escrevem todas diferente e tem cada uma o seu valor.
Ainda não entendi se o autor em causa finge que não liga aos prémios, ou se é coisa que realmente pouco o perturbe. Ele tem de si uma óptima opinião: acha-se muito bom:)), arrisco dizer que é:)
Acho que se tem "banalizado" o livro (devo me estar a repetir...).
ResponderEliminarAlém de se publicarem demasiados títulos, também se fazem demasiadas feiras (em qualquer lado), quase sempre com os mesmos livros (andam às cavalitas dos vendedores, de feira em feira...).
Acho que os vendedores destas feiras devem fazer a estatística das vendas e sabem que cada vez vendem menos...
E este exagero de feiras também acaba por "matar" as livrarias...
É por isso que a ideia do El País" é óptima.
Com as minhas desculpas às livrarias e aos senhores livreiros quando os há que o nome mereçam, venham as feiras. Quero lá saber se os livros andam às costas dos vendedores e são os mesmos. Se entre eles estiverem os que quero e vierem com 50% de desconto, quando passem por mim ou eu por eles, arremato.
EliminarE pode crer que não sou uma excepção.
Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. ;)
Eliminar"La Hune" fechou definitivamente esta semana. Já tinha sido desalojada há poucos anos pela Louis Vuitton do seu lugar histórico no Boulevard , agora vai dar lugar a uma cadeia low cost de multiplicação de imagens fotográficas e outras. Se até os parisienses passaram a gastar menos 35% em livros na "La Hune", o que será do resto do mundo... A Amazon não explica tudo.
ResponderEliminarO consumo da imagem e a participação em redes sociais tornaram-se atividades obsessivas que substituíram a leitura e a conversa de café. São quase tudo o que penetra o mundo de lazer do "average citizen".
Os blogs são quase só instrumentos para insuflar o ego, neste mundo de solidão física, servindo de eco digital aos nossos gostos e às nossas convicções. Sentimos-nos acompanhados por quem pensa e sente como nós, ou próximo disso, embora não os vejamos. Não entram, e são sujeitas a "digital gang rape", os eventuais participante num blog os que exprimam opiniões contrárias às que nele são dominantes.
Escolhemos os sites digitais que frequentamos usando um espelho. Vamos sobrevivendo isolados no nosso cantinho de comunicação digital com os nossos irmãos gémeos. Digitalmente anestesiados, tudo aceitamos, até a humilhação social dos mais fracos. Nem os vemos, estamos a olhar para o computador e a teclar. Frequentar blogs é escolher tribo e fechar horizontes.
Ler literatura é a liberdade sem limites.
Obrigado Umberto Eco ! Continuas a ser um sábio !
"No momento em que todos têm direito à palavra na internet, temo-la dada aos idiotas"
Eliminarumberto Eco, dixit.
Gostei de ler... não sei se a si se a Eco, mas gostei!
EliminarNão frequento blogs, justamente porque sinto aquilo que diz e perdem para mim o interesse.
Confesso que por sistema só mesmo este e justamente porque aqui encontro uma larga diversidade de opiniões e sentimentos, que me ajudam a pensar ou a descobrir coisas. E é o que me prende a ele e a Vós Extraordinários.
Se Fernando Pessoa, Rómulo de Carvalho, Eça de Queirós, Miguel Torga... tivessem blogs, bem aí eu seria frequentador mas sem comentar nada, só ler os seus pensamentos...
Um Grande Abraço cá da Cidade Morena!
Eu sei: vinha ontem na pequena coluna escrita pelo Rui Zink no "Público", uma das razões do meu post de hoje.
EliminarComo é o extraordinário Pacheco vem aqui todos os dias e diz que não frequenta blogues?
EliminarSerá que as "Horas" não são um blogue?
Talvez seja um felizardo, pois frequento blogues, e estes não colidem nada com os livros que leio nem com as conversas de café que tenho com amigos.
Naturalmente, num blog onde se partilha e discute literatura, fala-se sem os limites e os facciosismos que dominam a maioria dos blogues. Por isso, leio e, de vez em quando, participo neste blog da Maria do Rosário Pedreira. Nem tudo no mundo blogueiro é idiota e sem substância. Abraço da cidade das tripas.
EliminarAs generalizações são sempre aquilo que sabemos.
EliminarParece que não vivemos na mesma "blogosfera" e ainda bem Artur.
Conheço centenas de blogues com grande qualidade.
Acredito que hajam centenas blogs excelentes. Só que prefiro ler literatura a procurá-los. As nossas culturas popular e erudita têm demasiados comentários e comentadores. Não sou anti-blogs . Eu próprio criei um blogue há 2 anos que tem sido bastante útil na comunicação dentro da minha instituição.
EliminarAh... não... como eu disse, só frequento este a apenas este blog!!!!
EliminarPontualmente (muito pontualmente mesmo) posso ir a um ou outro por bisbilhotice ou porque me o indicam...
Vir aqui diáriamente, e várias vezes ao dia, foi um vício Extraordinário que adquiri...
Eheheh!
Um abraço!
Do que me é dado a observar, nunca se falou tanto de livros e leituras como agora.
ResponderEliminarCativar novos leitores é um projeto de longo prazo, começa em casa, lendo aos nossos filhos, passa pela escola, continua em casa, pois os jovens têm que ser estimulados e terem exemplos.
É evidente que quem só possui recursos para as necessidades básicas, tem que fazer escolhas.
O preço também não tem ajudado, se bem, que com o valor de um bilhete para um concerto se compram 3 ou 4 livros, são escolhas que se fazem.
Uma livraria é para quem gosta de ler, um espaço único, uma divisão da casa onde nos sentimos muito bem.
Uma feira, é uma festa e um local de oportunidades.
Quem gosta de ler não deve desistir de mostrar aos outros o bem que a literatura nos faz sentir...
Caro Extraordinário Artur Águas
ResponderEliminarAprecio o que escreve e tenho muita consideração por si. Por essas duas razões vou pedir-lhe para substituir o hajam por haja.
Caro Extraordinário António Luiz
ResponderEliminarOusaria sugerir-lhe o blogue Tempo Contado, do escritor J. Rentes de Carvalho. Mas já vou tarde, infelizmente ele fechou-o há dois dias.
Olhe... desconhecia!
EliminarE é pena, pois aprecio muitíssimo o Rentes de Carvalho...
Grato pela sua nota!
Abraço cá da Cidade Morena
Caro Pacheco
EliminarRentes de Carvalho deixou de fazer o blogue. Mas o que ele lá escreveu ao longo dos anos continua lá, acessível.
Vá lá de vez em quando e explore, que vale a pena.
Abraço.
Olá Maria,
ResponderEliminarEstou pela primeira vez no seu blog porque este artigo tem muito a ver com o meu dia-a-dia, sou livreiro.
Continuo a pensar; porque já o disse várias vezes; que há muita falta de ética neste negócio dos livros.
Não é de todo admissível que as livrarias após passarem um ano inteiro a promover os livros sejam depois "apunhaladas pelas costas" pelas editoras com a feira do livro.
O cliente final também é atraiçoado pelas editoras porque se compra o livro enquanto novidade paga muito mais por ele; ou seja; se o livro pode ser vendido por metade do preço, porque é que isso não se reflecte logo no preço de capa ?
Só a paixão pelos livros e uma teimosia férrea por parte dos livreiros permite que ainda hajam livrarias com as portas abertas a "celebrar" o livro e a incutir o gosto pela leitura.
Não é certamente nas grandes superfícies comerciais, por entre batatas, bolachas e o fiel amigo, que as nossas crianças ganham gosto pela leitura e respeito pelo livro como fonte de conhecimento passado, presente e futuro.
Muito há a dizer e principalmente a fazer, mas temos que ser rápidos, porque senão, em pouco tempo não haverá nada para salvar. Só restará uma leve lembrança daqueles sítios onde se podia comprar apenas livros e o cheiro não vinha misturado com as doces fragrâncias do corredor dos detergentes.