Internacionalização
Para os autores portugueses, que vendem livros para um mercado bastante pequeno (e o Brasil ainda não conta, essa é a verdade), a internacionalização é extremamente importante. Se um romance for comprado por vários países e traduzido em diversas línguas, o autor não só ganha notoriedade fora de portas como pode conseguir rendimentos importantes. Hoje, enquanto estiverem a ler-me, encontro-me em Bruxelas (ou a caminho) para ver David Machado receber o Prémio de Literatura da União Europeia pelo seu romance Índice Médio de Felicidade. Feliz fiquei quando soube do galardão, mas ainda mais feliz quando comecei a receber pedidos do estrangeiro para apreciarem o livro e logo a seguir ofertas para a sua tradução. É muito bom ver que um livro extremamente actual sobre uma Europa em crise faz o seu caminho, abrindo as portas a um autor ainda relativamente jovem, que terá certamente muito mais para nos dar. Sinto-me orgulhosa por poder lá estar a vê-lo ser recompensado pelo seu trabalho sempre tão solitário. Parabéns, David Machado!
Adorei esse livro, lido há um par de anos, e fiquei à espera do romance seguinte do David Machado. É um romance sobre a desgraça que se abateu sobre o sul, mas é também um romance de um sul imaginativo e sobretudo solidário e bondoso. Que bela lição literária e ética !
ResponderEliminarEstupidamente, ainda não li o "Deixem falar as pedras" também do David Machado, mas vou comprá-lo e levá-lo para férias.
Que a aura da Maria do Rosário ajude Bruxelas a olhar a Grécia com a dignidade que merece !
Acho que este é um pormenor que não tem preocupado muito os escritores portugueses. Acho que só o João Tordo é que começou a escrever fora de Portugal.
ResponderEliminarUma das coisas mais curiosas do livro do "extraordinário" João Pinto Coelho ("Perguntem a Sarah Gross ") é não ter nenhum sinal do nosso país, foi mesmo escrito para o mundo - e espero que seja muito traduzido.
Estou mesmo no fim deste excelente livro (depois falarei dele).
Ainda não tive oportunidade de ler a celebrada Sara... mas volto a perguntar, e, acrescento:
Eliminar- O último europeu - de Miguel Real, que parece ter passado desapercebido, é igualmente um livro que me parece escrito para o Mundo! A ser traduzido aposto que ia ser um sucesso e mesmo daria um excelente filme!!!!
Saudações Europeias e Cinéfilas da Cidade Morena!
Não li, extraordinário Pacheco, pelo que não posso dar uma opinião.
EliminarQuando disse que o João escreveu "fora de Portugal", referia-me aos cenários, às personagens e à própria história de praticamente todos os seus livros.
ResponderEliminarGosto muito da escrita do David Machado, para mim era um dos nomes elegíveis para o prémio José Saramago e julgo que lhe teria ficado bem. Li este livro e gostei, mas recomendo "Deixem falar as pedras" a quem quiser descobrir este autor.
ResponderEliminarParabéns ao David Machado e à nossa anfitriã, pelas apostas certeiras.
Rui Miguel Almeida
Estou a lê-lo e a gostar bastante.
ResponderEliminarParabéns ao David Machado!
Parabéns ao David Machado e à sua editora!
ResponderEliminarE agora um desabafo em contramão e a despropósito:
ResponderEliminar100.000 livros vendidos ! A grande surpresa literária de 2015 ! Surgiu o novo jovem escritor português de best-sellers ! Eu, curioso com a manchete de ontem do JN, fui ler a notícia: é um livro com o título “Prometo Falhar” de um autor que eu não conhecia, Chagas Freitas. Ele vangloria-se no JN das suas técnicas de marketing. Fui à página do autor e deparei com a oferta de leitura de um excerto do livro. Presumi serem parágrafos que o autor, um expert em marketing, considera como entre os mais inspirados do seu “romance”, e leio-os:
“Trazes o relógio azul que te dei pelo aniversário e a promessa de um beijo, é o que basta para te abrir os braços e te convidar para debaixo dos lençóis,
há tanto frio em mim quando não estás,
já fechei as janelas e os olhos e não há maneira de adormecer, ouve-se a cidade cheia de pessoas e nenhuma és tu,
Deus acontece pela diferença,
e pela maneira como quando chegas me sorris e me pedes perdão por mais um atraso, o escritório e reuniões, quase dez segundos até que sem falar te diga para vires e te abraçar por dentro,
há só uma vida e és tão inacabável em mim.”
Pasmo: a escrita de telemóvel chegou à edição. É a inanidade absoluta. E 100 000 livros vendidos ! Uma nova era invade o mundo editorial. Felizmente não são de consumo obrigatório estes livros, mas temo que cheguem aos manuais escolares. Margarida e José, estão perdoados (e suplantados, pelos vistos…).
Extraordinário Artur, vou fazer uma pergunta não sei se impertinente, mas de ignorante... o Hemingway não se notabilizou por escrever (e muitíssimo bem) num estilo dito à época como sendo "telegráfico" ? Seria o equivalente da actual de mail ou telemóvel?
EliminarEstou a perguntar...
De resto, fiquei surpreendido com o excerto que aqui postou... não me parece nada mau!
Saudações Internáuticas cá da Cidade Morena!
Metendo-me onde não devo, ALP , o Chagas é um comunicador, um artista da palavra feito de poucas palavras, em cheio no coração e devaneios das moças. Grande Chagas que suplanta aos poucos e aos pontos a revista Maria. Entre a Maria e o Chagas, vote-se no Chagas que incomoda e inebria corações ressequidos e naifs.
EliminarAinda bem que gosta ! É uma alma jovem, eu sou um velho sexagenário sem iphone. Confesso que não me parece, embora eu considere sempre que eu possa estar enganado, que este estilo novo do nosso novíssimo best-seller mereça ser uma metáfora atualizada do estilo telegráfico hemingwayano.
EliminarCaro Pacheco, discorde sempre ! Eu agradeço: só o contraditório é iluminante. Abraço !
É verdade que ainda só consegui ler trechos do livro do David e também do João. Esperam, esperemos que para breve, por tempos aquisitivos melhores. E não tenho dúvidas de que muitos dos nossos autores merecem o caminho da internacionalização. Porta aberta ao sossego da escrita, embora sempre me tenha questionado se vidas complicadas e movidas não nos obrigam a uma escrita sempre renovada. 100.000 já amanhou o Chagas. O Chagas é esperto. Um tautologista do sentimento, um operário das palavras e das transas ordinárias. Ordinárias por que vulgares e não recheadas de mais do que aquelas bolhas em que todos estamos metidos. O Chagas é uma daqueles contemporâneos cujo índice médio de felicidade se mede pela conta do empedernido marketter . A comunicação, a comunicação meus amigos, é quase tudo. Como diz quem sabe isto não só é preciso sorte, muita sorte, como um saber de proficiência e lata feito.
ResponderEliminar(...) sabe, isto...
EliminarExcelente análise, como sempre ! Obrigado.
EliminarObrigado eu, Artur, pelas suas palavras!
EliminarDesconheço essa gente quase toda, mas desejo-lhes muita sorte. No plano nacional e internacional se for possível. A Rosário tem feeling. Espero que a língua portuguesa saia dignificada e mais conhecida através dos escritores que o estrangeiro lê.
ResponderEliminarO autor que vendeu qb, não sei avaliar se é bom, esse extracto poético pouco revela, além de ser poético.
A Rosário tem feeling, sim, para o que vende. É uma vendedora. Nenhum dos seus autores é, na verdade, um daqueles que ficará para a história. Nem ela.
EliminarEntão porquê, JM ?
EliminarEscritores banais do banal. Todos. A poesia da MRP é do mais fraquinho que já li em poesia portuguesa. E, no entanto, já ouvi dizer que, depois da Sophia, era a melhor de todos. Estamos todos cegos ou quê? Poesia é outra coisa, não é pôr meia dúzia de banalidades e queixas de amor e partir as frases ao calhas para ser mais fixe...
EliminarQualquer autor da Caminho, por exemplo, põe os quixotescos da MRP num cantinho.
Quase totalmente de acordo, JM. A nossa literatura está a ser (des)cuidada por jardineiros que não sabem da arte. A língua já não importa, nem sequer a história bem delineada. O que importa é que se venda, para o que também conta uma cara jovem e apresentável.
EliminarJM, deixe-me vasculhar o seu caixote do lixo. Qualquer autor da Caminho? A qualidade poética já se define por editoras? Faltava essa, realmente.
EliminarA MRP é fraquinha? Então conte lá: como é que faz essa avaliação? Quais são os seus critérios? É que não há nada mais difícil de avaliar actualmente, creio, do que a qualidade poética. Daí a poesia ser o género mais publicado (e o menos lido) em Portugal. Mas venham daí esses nomes e, sobretudo, essas justificações. Ficamos à espera.
Certamente maria cristina mendes quando há (público) há bons escritores.
EliminarDe modo vence o quê vende.
Cara Beatriz: poético? Uma soma de banalidades... desculpe a sinceridade.
EliminarSão gostos. Eu prefiro a poesia da MRP à do Herberto. Mas eu tenho mau gosto: ainda releio José Gomes Ferreira com prazer.
EliminarNão sei o que entende por banal, JM.
EliminarMas dos autores que li da MRP nenhum é banal.
E gosto da sua poesia, embora não a classifique atrás ou à frente de ninguém.
Provavelmente não sou tão exigente.
Mas como é que alguém tem tanta certeza acerca de quem não ficará para a história?! E não estou implicativa, não. É que gostaria de saber mesmo.
EliminarAlém do mais, presumo que entre os livros e a história haja um percurso meio autónomo e a que as vontades particulares são alheias.
peço desculpa pelo atraso:)
E o que é a vida senão uma soma de banalidades? E note que não me refiro à obra de um autor que desconheço e nem consigo avaliar por meia dúzia de linhas, mas ao facto extraordinário e também banal de estarmos vivos. Talvez toda a banalidade seja, deste ponto de vista, extraordinária.
EliminarA arte liberta-nos momentaneamente dessa soma de banalidades que é vida.
EliminarSe não o fizer, para que serve a arte?
Não lhe sei responder cabalmente. Para mim a arte tem essa característica de evasão sobretudo pela harmonia que desprende. Claro que nem toda a arte é bela, mas há-de ter algo, uma proporção, qualquer coisa que atrai e conquista, que pega no banal e o transfigura. Por outro lado, penso às vezes se ela não nos chama para dimensões novas, que antes despercebemos. Se não nos vamos nela descobrindo. E essa é uma das razões por que penso que a escola devia incentivar esta faceta humana e mesmo conhecer as capacidades artísticas dos seus alunos. Mas a escola ocupa-se demasiado com disciplinas "sérias", resultados e treinos de exame. E os alunos conseguem fazer nela um percurso de 12 anos sem que a dita lhes vislumbre o lado artístico. E é grande pena isto.
EliminarBela e fria manhã ( estranho ) está imensa conquista a terça-feira.
ResponderEliminarParabéns a ambos: autor e editora. Li o livro. Foi-me oferecido... Mas gostei ainda mais do «Deixem falar as pedras». Pode ser que vá a reboque e seja também publicado lá fora.
ResponderEliminarAssim que lhe fosse possível, gostaria que a Maria do Rosário Pedreira nos dissesse porque é que «o Brasil ainda não conta» e o que seria preciso fazer - e por quem - para que o país-irmão «contasse».
ResponderEliminarConheço os autores de que aqui se escreveu, do primeiro descrito pela MRP, foi-me transmitida uma opinião positiva, já o segundo foi negativa, muito negativa.
ResponderEliminarMuito sinceramente não são autores que me tenham despertado qualquer interesse em ler, em explorar, em descobrir.
Também já não me impressiono pelos números de exemplares vendidos de um qualquer livro.
É que dê-se lá as voltas que se der, gostos e preferências não se discutem.
Há livros e géneros literários para todos os gostos e feitios.
É o que eu acho...
E tem toda razão ! Não se discutem, mas pode conversar-se sem acrimónias. Ganha-se sempre em conhecer diferentes opiniões e gostos.
EliminarCertamente que sim Artur!
ResponderEliminarMas tal como referi anteriormente, já tinha lido criticas sobre os autores em discussão, porém, não me despertaram qualquer interesse.
Quanto à questão da escolha por editora, é verdade que a minha preferência vai para a Relógio d'Água.
No entanto, sou assinante do JL, da Granta, da Ler, e sou fã de vários escritores que publicam por outras editoras que não, a que referi.
São gostos e preferências...
A Dra. Maria do Rosário Pedreira que me perdoe e pode apagar este post que eu, como é óbvio, compreendo. Ainda não li este livro do David Machado embora já o tenha em casa. Quando estive na feira do livro, a propósito de um livro que publiquei em Maio, uma amiga minha tinha acabado de o comprar, depois de ter comprado o meu.
ResponderEliminarPronto. Isto só para fazer publicidade à «A Máquina não gosta de gatos». Romance. 407 Páginas. Mário Santos. Guerra e Paz Editores. A Dra. perdoe-me o abuso, até porque estou quase sempre em desacordo consigo e, para ser sincero, com maioria das opiniões que vejo escritas nos comentários. Concordo com o Pedro A. Sande em relação ao Pedro Chagas Freitas. Nunca li nada dele, apenas pequenos excertos.
Em relação ao meu romance, «A Máquina não gosta de gatos», publicado a 20 Maio, não acredito que seja o estilo de ninguém que frequenta as Horas Extraordinárias. Estou a dizer isto sem ironia nenhuma. Mas uma vez que sou leitor deste blogue, ainda que discordante, não resisti à tentação.
Beijinhos e abraços.
Companheiro... como não sou máquina, gosto de gatos!
EliminarE, tenho um amigo, aliás conhecido por "Máquina", o Luis Perfeito de Santa-Maria, halterofilista e professor no Instituto Politécnico de Beja, autor de várias crónicas no jornal de Moura, posteriormente editadas num livro hilariante... (Manel Loendrero) que óbviamente aqui ninguém conhece, por isso não se sinta muito mal! O Zéi Alicrau e Abel Tengerina afinal interessam a quem?
E adoro livros... sou um leitor diria que absoluto pois gosto de quase tudo...
Vou tentar encontrar o seu livro... ajude-me!
Não se chore...olhe eu vendi os 1200 exemplares do meu "Largueza" que por contracto tinha a meu cargo à força de me dedicar a isso! Não esperei por distribuidores...
Saudações autorais da Cidade Morena.
Caro António Pacheco,
EliminarObrigado pelo seu interesse. De qualquer modo acho que me expliquei mal. Eu não estou a chorar, muito pelo contrário. Apenas quis divulgar o livro neste blogue, o qual, embora participe pouco enquanto comentador, sigo fielmente. Apenas disse que o estilo de escrita certamente não segue os gostos literários da maioria dos frequentadores deste espaço.
Eu já estava a par do esforço que o António Pacheco fez em relação ao seu «Largueza». Li um seu post quando mencionou isso. Quanto ao «A Máquina não gosta de gatos» está à venda na FNACS e Bertrand. E também online nos locais do costume. Deixo aqui o link : http :/ www.fnac.pt A-Maquina-Nao-Gosta-de-Gatos-Mario-Santos /a878426
Um abraço cá do norte.