Sardinhas
Entre o fado, o futebol e Fátima – três coisas que ao longo de muito tempo foram tomadas como as mais ilustrativas de Portugal – não podemos ignorar as belas das sardinhas; e elas estão por todo o lado, metem-se até em negócios de livros, como se verá por esta história deliciosa que uma colega editora (por acaso, também Rosário, mas Araújo) me contou recentemente durante um almoço na cantina. Não sei se já ouviram falar de Adolfo Simões Muller, um homem que devotou grande parte da sua vida à divulgação da literatura juvenil e da banda desenhada e foi responsável por vários fanzines e revistas (O Papagaio ou o Cavaleiro Andante, por exemplo) onde publicava muitos autores estrangeiros. Pois foi também ele que começou a publicar as histórias do Tintim em Portugal há muitos anos. E, numa entrevista que deu ao Jornal de Letras pouco antes da sua morte, quando o jornalista lhe perguntou como pagava os direitos de autor ao grande Hergé, a resposta foi a mais inesperada possível: «Em sardinhas de conserva!» Estranho, não? Mas tem uma explicação interessante: tudo isto se passava no início dos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial; e, ao que parece, Hergé tinha um irmão que fora feito prisioneiro dos alemães e estava num campo. Então, a mulher de Simões Muller comprava as latas de sardinhas e mandava-as para o campo através da Cruz Vermelha... Mais tarde, Simões Muller conheceu Hergé e ficaram amigos. Quem diria que alguns autores preferiam receber em géneros, hã?
FFF - Fado, Futebol e Fátima – três coisas que ao longo de muito tempo foram tomadas como as mais ilustrativas de Portugal - como se fossem coisa do passado...
ResponderEliminarAtenção que estas três coisas estão cada vez mais presentes no quotidiano português - o FADO é o que está na moda, é só Cucas, Fanans e Camanés ; FUTEBOL é o maior caldinho da cultura portuguesa (e que me dizem aos adeptos entrevistados? ali se vê e ouve a sua voz bem portuguesa- só sabem zurrar, uivar, é uma tristeza; e no domingo haverá mais...); quanto a FÁTIMA, há cada vez mais caminhantes à pata. A cada dia 13 é vê-los marchar a caminho do Templo do Negócio Universal.
Adolfo Simões Muller - fez parte do quotidiano da minha infância, recordo-o como um grande escritor (e creio que desenhador) de histórias durante a minha infância.
E temos agora um quarto F, que é o do Facebook.
EliminarÓ JJ obrigado, é que não podia ser mais adequado:
EliminarFado, Futebol, Fátima e Facebook - perfeito!
Mas o Face não define os portugueses...é um fenómeno muito mais abrangente.
EliminarComo eu concordo com o Severino.
EliminarTudo tão do presente, e agora com um quarto F bem acrescentado pelo Jordão.
Não quero ser do contra... mas hoje vou contrariar estes meus Excelentíssimos e Extraordinários Amigos, Severino e Jordão, pois não considero nada redutor os 3 referidos F!
ResponderEliminarSão traços da nossa cultura, próprios... e por isso os respeito.
Fado, gosto muitíssimo e lembro que já é património imaterial da humanidade (falta a tauromaquia).
Futebol... nem tanto, mas sinto orgulho num Eusébio, Figo, CR7 ou Mourinho quando estes elevam o nosso país. Tenham lá paciência a este meu popularucho de barrão...
Fátima ... bem isso dava para escrevermos um livro a discutir um fenómeno telúrico e que está muito para lá da crença ou de ser reduzido a um episódio religioso, é muito mais do que isso... e acho que respeitar a fé e as esperanças de milhões de pessoas não fica mel nem é obscurantismo, é apenas isso mesmo: respeito e tolerância. Também havia peregrinações ao túmulo de Lenine, e fico-me por aqui, excelentíssimos Camaradas Extraordinários.
O Facebook ... bom, é de facto a modernidade e estamos condenados a ela, ou nos extinguiremos como os dinossauros. Na verdade, graças a ele, eu a milhares de KM posso diariamente saber onde andam o que se passa e falar com os meus amigos e família... acreditem que tem coisas boas!
Quanto ao A. S. Muller, creio que devia ser relembrado como um vulto grande na divulgação da cultura, e da palavra como da imagem... se bem me recordo é dele aquela obra que resume e explica os Lusíadas às crianças? Fora muitas edições de livros clássicos que ele fez, e de biografias, sob a forma de colecções acessíveis aos jovens.
Saudações Felizes (mais um F) cá da Cidade Morena!
Ó Pacheco, calma aí, que eu apenas me limitei a acrescentar o F do facebook.
EliminarConcordo consigo em quase tudo o que diz acerca dos três primeiros FFF – excepto quanto ao segundo, que me pareceria merecedor de... como dizer?... ao menos uma referenciazita ao clube da cidade da qual houve nome Portugal, e cujas cores são as da bandeira nacional de então...
É que eu – não me leve a mal – sou homem de uma só cor: azul-e-branco.
Já quanto ao facebook, tenho visto e sabido tanta coisa, que resolvi não fazer parte. Basta-me o telemóvel e o email, e mesmo a estes dou apenas o uso mínimo indispensável.
Assim ando mais sossegado.
E é graças a tal sossego que tenho podido saborear as minhas sardinhas de conserva, de preferência em molho de tomate.
Recentemente, porém, tive de deixá-las de parte, por causa do sal. Mas descobri umas latinhas de atum simples, e também umas embalagenzitas de queijo fresco sem sal, de modo que vou alternando e, juntamente com umas nozes, um fio de azeite e uma pitada de pimenta, todos os fins-de-tarde arranjo bom pretexto para o copo de vinho maduro tinto que o médico me receitou.
Ora, meu caro Pacheco, concordará que este saudável procedimento alimentar devia ser generalizado a todos os portugueses.
O problema é que – tal como para a tauromaquia – não há aqui nada começado por F...
Um Forte abraço.
Ó Pacheco terás é de me contrariar a mim porque efectivamente, como o JJ já referiu, ele limitou-se a acrescentar mais um F ao que eu escrevi.
EliminarQuanto aos quatro FFFF , não terei nada a retirar nem muito mais a acrescentar ao que já escrevi. E lá por eu pensar assim não quer dizer que não respeite as pessoas de fé e que acreditam no embuste. Mas que é um negócio dos grandes lá isso é...e em ascensão, note-se.
Sobre o tema, não sei se já leste "O MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ" do José Rodrigues Miguéis? vale a pena.
Fado é património imaterial da humanidade - também o cante alentejano o é e este merece também todo o meu respeito e admiração, porque se calhar (digo eu) ainda será mais genuíno do que o Fado.
Só tenho é pena de gostar tanto de Futebol o que, no entanto, não me impede de reconhecer que é actualmente o ópio do(s) povo(s), e coisa de atrasados mentais, onde, infelizmente, eu, por enquanto, ainda me incluo o.
Quanto ao Facebook é fixe ó meu, é mesmo bué , manda aí um link ó mano. LOL -sobre este F estamos conversados-!
Ó Pacheco e essa de, por dá cá aquela palha, invocares o Lenine (e outros papões de criancinhas ao pequeno almoço) já está absolutamente fora de moda, já vem com trinta anos de atraso...as múmias agora são outras...
Anda Pacheco...
Ó Severino... não te amofines, eu sei que tu és suficientemente esclarecido para perceber que a minha alusão às peregrinações ao túmulo do Lenine não foi por anticomunismo primário e sim para estabelecer um paralelo... entre crenças!
EliminarDiz o roto ao nú... porque não te vestes tu? É o adágio que se aplica.
Uns vão ao santuário e outros ao mausoléu ... há os que vão ao muro das lamentações, à pedra negra, ao Ganges ... todos com a sua motivação.
É só isso que pretendo explicar, porque os comunistas denunciam e troçam dos dogmas da religião mas defendem cegamente os seus... acusavam a Gestapo e criaram a KGP a Stasi, etc.
Ou seja... diz o roto ao nú...
Somos humanos, só isso... e apenas.
Olha, eu que sou católico por educação mas não por convicção, gosto de ir a Fátima, sobretudo desde que por aqui ando... sinto que há ali qualquer coisa, talvez o acumular e canalizar de uma energia de muitos anos de esperanças e desesperos que ali são despejadas... e quando vejo pessoas de joelhos a pagar promessas, não critico nada, apenas imagino o desespero e a dor, a esperança, que os leva àquilo, e isso é que me dói... o sofrimento daquelas pessoas, não o obscurantismo ou o que possa parecer.
E respeito profundamente esse sentimento e aquelas pessoas, pois imagino o que possa levá-los a tal. Felizmente nunca cheguei a isso... mas o que não fará por exemplo uma mãe para salvar um filho? Até a Maria Barroso se converteu...
Saudações saudosas (pleonasmo...) cá da Cidade Morena onde há uma bonita imagem da Senhora do Pópulo... na dúvida já lá fui dizer-lhe que estou aqui...
Subscrevo as palavras do A. L. Pacheco, apesar de me considerar ateia dou muita importância ao turismo religioso...
ResponderEliminarE sim, também o cante alentejano é um património a preservar. Tal como outras tradições que temos muito giras, interessantes e que nos distingue dos outros.
Quanto às sardinhas em conserva, cá em casa somos fãs das nossas conservas, atum inclusive, apesar de que por estas bandas (Ilha da Madeira), o atum fresco ser o rei. De tal modo que confecionamos o atum de mil maneiras tal como o bacalhau.
Quanto ao fb, considero-o uma ferramenta muito útil, mas claro, não substitui o livro, o cinema, o convívio.
O fado, o futebol, a religião, o fb, serão sempre e só o que quisermos que sejam.
A Maria do Rosário, sempre atenta ao que se passa no mundo editorial (seja ele da ficção escrita ou desenhada) empregou um termo bem interessante quando se referiu a Adolfo Simões Muller - "Não sei de já ouviram falar de...".
ResponderEliminarFez bem. Grande parte dos portugueses menos atentos à literatura infanrtil, juvenil e banda desenhada, jamais ouviu falar deste Muller; mas certamente saberá quem é Thomas Muller (com trema no u), jogador de futebol do Bayern de Munique.
Provavelmente, se viesse referir-se a qualquer livro publicado ou a publicar pelo futebolista alemão, teria começado a frase por "Certamente já ouviram falar de...".
Gosto de futebol, é raro perder um jogo na tela do televisor, mas sou incapaz de folhear sequer um jornal desportivo. Compreendo que haja quem o faça - e são muitos - assim como respeito todos os que, pelo futebol, se empenham (nos dois sentidos) e se envolvem.
Adolfo Simões Muller esteve ligado à banda desenhada, sim, mas no campo editorial. E fez um excelente trabalho. Muitos dos jovens de então - eu sou de tempo posterior, mas não muito - aprenderam a ler, escrever e desenhar, graças a ele.
Futebol, recente.
ResponderEliminarFátima, contemporânea.
Fado ou canto alentejano o mais tradicional?
Já sardinha antiga desde sempre.
Faceta, vossos modos a expressão.