Ouvir livros
No mesmo mês em que saiu para os escaparates um romance que escrevi para ser um CD (e são dois, por acaso – os Romance(s), de Aldina Duarte), leio num blogue que as vendas dos audiolivros subiram vertiginosamente em todo o mundo e duplicaram em cinco anos no Reino Unido. Segundo me contaram há muito tempo, as inglesas gostam de ouvir histórias contadas pelos seus actores de eleição enquanto cozinham e passam a ferro – e eu cá acho esta actividade bem mais interessante do que dar atenção a programas estupidificantes de rádio e televisão (credo, até podiam queimar o assado ou a camisa do marido em alguns casos). De qualquer modo, decerto não são estas as vendas que justificam a multiplicação (mesmo que haja mais desemprego em toda a Europa, as donas de casa do Reino Unido dificilmente duplicaram em cinco anos). Pergunto-me, pois, quem compra – além dos cegos, claro, para quem são essenciais – estes CD de literatura lida em voz alta (nem sempre literatura séria, bem sei); e de repente lembro-me de um amigo flamengo que tive há muitos anos, que ouvia livros e fazia cursos de línguas no carro (foi assim que aprendeu a falar espanhol) por ser obrigado a filas de horas no trânsito de todas as manhãs. É uma bela hipótese, enfim, para quem fica trancado entre automóveis sem conseguir avançar – e talvez seja o que acontece a muitos dos que trabalham em Londres, por exemplo, mas têm de viver bastante longe da capital, em locais onde têm vivendas ou ainda podem pagar a renda e a gasolina.
Por coincidência, acabei de publicar um post sobre a minha prática de ouvir audio livros. Há anos que o faço, em regra compro na NAXOS. Ou melhor, comprava porque me tenho privado de alguns luxos. Não perdi em qualidade porque existem excelentes fontes de audiobooks no site www.openculture.com, inclusivé lidos pelos próprios autores (hoje foi Aldous Huxley) ou então as magníficas dramatizações da rádio dos anos 30/40.
ResponderEliminarTambém ouço as leituras em podcasts como o The Yorker Fiction. Aí também encontro verdadeiras preciosidades como Nadine Gordimer a ler Saramago.
Quando?
Em transportes porque nunca consegui ler sem enjoar.
Na banheira, uma excelente companhia para um banho de imersão muito longo (há quem vá ao SPA, esta é a versão pobre).
À noite, quando os olhos estão demasiado cansados.
Porém, acabo por preferir audios "curtos" ou de não ficção, ou seja, que permita interrupções sem perder o fio à meada.
Extraordinária idéia de ouvir o livro na banheira!!!!
EliminarOra, e porque não no carro - em vez da telefonia?
Saudações entusiásticas e auditivas da Cidade Morena!
Sim, eu faço isso: ouço no carro quase todos os dias. No carro ou em outro transporte. Numa viagem longa de comboio, não há melhor.
EliminarExtraordinária idéia, essa de ouvir o livro na banheira!!!!
ResponderEliminarOra, e porque não no carro - em vez da telefonia?
Saudações entusiásticas e auditivas da Cidade Morena!
Olá,
ResponderEliminarEu tentei ouvir audiolivros enquanto fazia desporto. Na verdade odeio correr e "ler" ao mesmo tempo era um estímulo. Infelizmente há poucos audiolivros em Português (principalmente em Português sem sotaque) e os que há são caríssimos pelo que optei pelas versões em Inglês, o que não foi assim tão produtivo (para o desporto) porque passava a vida a parar para voltar a ouvir uma passagem...
Boas leituras
Patrícia
Ahahah!
EliminarNa Alemanha, os audiolivros são um tipo de comércio muito lucrativo, há vários anos (já ia de vento em popa, quando aqui cheguei, ainda com cassettes). Alguns resumem-se à leitura do texto; outros, se o enredo assim o permite, fazem lembrar teatro radiofónico, com vários atores (vozes), música ou outros ruídos. O meu marido já ouviu um romance histórico em que até existiam sons de batalhas.
ResponderEliminarE é mesmo o meu marido o grande fã de audiolivros, em nossa casa, eu ainda não aderi. Ouve-os precisamente no transporte público, a caminho do trabalho, porque não se consegue concentrar numa leitura com barulho à volta. Nesse caso, os audiolivros são uma boa opção. E tornam-lhe essas viagens, por vezes, em sessões empolgantes, principalmente, depois de ter sido obrigado a interromper a audição em fases de mais suspense. É com entusiasmo que, no dia seguinte, bem cedo (pelas seis e meia) entra no comboio que o levará a Hamburgo, ansioso para encetar a "leitura" do livro.