Memórias de um hotel

Uma vez, encontrando-me num quarto de hotel em frente de um espelho, perguntei-me quantos rostos se teriam visto nele ao longo dos anos. Muitos, certamente... Os hotéis terão memória de quem passou a noite nos seus quartos? Se pudessem falar, sem ser através dos seus funcionários (que terão igualmente recordações sobre muitos hóspedes), quanto na verdade poderiam dizer e revelar? Este é o ponto de partida do novo livro de Nuno Camarneiro – Se Eu Fosse Chão –, uma colecção de textos que formam um todo e correspondem à experiência dos hóspedes que passaram, em três épocas distintas (1928, 1956 e 2015), por um Plaza Hotel em Portugal (quase me apetece adivinhar onde). Diplomatas, viúvos, actores, veraneantes, recém-casados, putas, refugiados, clandestinos, homicidas e até alguns fantasmas vão, assim, contar-nos a sua noite passada num hotel em que as paredes têm ouvidos, mas não bocas para reproduzir o que por lá se disse e viveu. Num quarto de hotel, pode começar uma história de amor ou acabar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou sentir-se a dor de uma perna amputada, perdida na guerra, pode cometer-se um crime de sangue ou investigar-se um caso de adultério. Neste livro, como na vida, tudo pode suceder.


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Comentários

  1. Bom tema. Na verdade penso nele imensas vezes - não em memórias de chão de hotel, mas em quanto as paisagens que vemos são enganosas, idílicas por vezes. As casinhas brancas do longe guardam os mesmos anseios e dores das nossas casas comuns, escondem lixos idênticos e tesouros que não valem senão para quem os vive. E nos caminhos o mesmo cansaço de pés e quiçá lonjura de mente...é um tema inesgotável. E não apenas porque permite diversos passantes.
    Muita sorte para o autor.

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  2. Quantos amores secretos se escondem numa cama de hotel...

    O chão talvez guarde mais a memória de umas roupas soltas, distantes do "strip-tease".

    O espelho? Só serve para ajeitar o cabelo e a maquilhagem...

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  3. Num quarto de hotel também se pode dar à luz, sozinha. E abandonar o bebé.

    Lembrei-me agora da história de Hans-Jürgen Hufeisen, um flautista e compositor alemão, nascido em 1952 e criado num lar de órfãos. A mãe teve-o sozinha, num quarto de hotel, e abandonou-o. Mesmo assim, ele conseguiu ser alguém na vida. Mérito seu, mas não só. O mérito nunca é apenas do próprio, é preciso ter alguma sorte, algum apoio.

    Quem se interessar por este caso, pode ler mais aqui:
    http://andancasmedievais.blogspot.pt/2015/03/ajudas-preciosas.html

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  4. O Nuno é, para mim, o escritor das frases perfeitas. Este é dos livros mais aguardados deste ano pela minha estante. Vou lê-lo muito em breve. Arrisco-me à certeza de que vou gostar muito.

    Rui Miguel Almeida

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  5. Escrevi e desenhei - em BD naturalmente - qualquer coisa no género sob o título "Se o meu carro falasse". É um corropio de histórias ocorridas "dentro" de automóveis de várias épocas e com outros tantos proprietários.
    Para além disso, o assunto permitiu-me fazer aquilo que mais gosto: desenhar automóveis; colocar ficções que tocam a realidade em situações verosímeis; proporcionar a participação e dar voz a um "unanimado" para testemunhar o que "viu".

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  6. António Luiz Pacheco18 de maio de 2015 às 09:12

    Hum... agora assim de repente, lembro-me da série da BBC Fawlty Towers ... e mais recentemente do genial (para mim) filme "Grand Budapest Hotel", ambos sobre o tema hoteleiro.
    O livro, pois vamos a ver!

    Saudações da Cidade Morena

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