Falar

Não sei se se aprende alguma coisa com um autor ouvindo-o falar das suas estratégias (se é que serão estratégias) de criação. Mais se aprende quase de certeza lendo o que escreve e vendo à transparência (ou opacidade) os seus textos. E, porém, achou alguém que eu – escritora mais bissexta do que os anos – devia partilhar com os interessados pelas coisas da escrita (de poemas, antes de tudo, mas também de blogues como este) a minha oficina, o como-faço depois de a ideia – essa estrangeira – me visitar. Pois nem eu sei bem explicar, parece-me, pelo menos enquanto não começar a falar, coisa em que nunca estou completamente à vontade, sobretudo quando encaro rostos assim curiosos. Ainda por cima, pedem-me que fale no feminino, sexo que alguns dizem fraco, ou mais fraco, só porque os pulsos das mulheres são, vá lá, mais delgados, e os seus punhos fechados como flores em botão. Faço flores, bem sei, para não ir directa ao assunto; mas sem saber exactamente porquê (só descobrirei in loco, presumo), disse sim ao convite e vou estar por quatro horas a debitar, mal ou bem, sobre criatividade – a minha, mas também a dos autores que me impressionaram e, quanto a isso, será seguramente difícil eleger só uma parcelinha, mas fácil elogiar. O caso é que, se vos apetecer, apareçam, inscrevam-se. A sessão é no próximo sábado às 14h30, na Rua do Possolo, 16, à Estrela, e faz parte dos Cursos Ícone da Ec.on. Mais informações no link abaixo. Veremos.


 


http://escritacriativaonline.net/autores/maria-do-rosario-pedreira/


 


cartaz Escrita Criativa.jpg


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de maio de 2015 às 02:41

    Aprende-se sempre... mas é preciso querer, e até saber aprender!

    Eu costumo dizer que o saber é como a água!
    Umas vezes corre ali mesmo aos nossos pés e basta baixarmo-nos para a recolher, outras está no fundo de um poço e precisamos de um balde e uma corda para lhe chegarmos!

    Desejo-lhe uma boa participação e fico certo de que isso a fará feliz, pois é óbvio que gosta de comunicar e ligar as pessoas entre elas!

    Bem-haja, cá desde a Cidade Morena!

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  2. como eu entendo a Rosário...

    mas na hora sairá sempre algo de interessante.

    (nunca me esqueço que numa das últimas visitas que fiz a uma escola, o ambiente foi de tal forma familiar, que também falei das coisas que corriam mal em livros escritos a mais que uma mão, inclusive daquilo que nos deixa de boca aberta... depois, já em casa, senti que falei demais)

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  3. Um enorme beijinho Rosário. E que pena tenho eu de estar cá da outra banda...

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  4. Dei uma espreitadela e achei interessante. Tal como os outros cursos que espreitei (on line e em directo). Mas acontece que vou começar uma quarentena caseira e havia de ser difícil. Além disso, ainda há gastos a adicionar.

    E será que toda a gente que escreve livros frequentou tais coisas?! Bom, mas gosto de aprender. Tenho pena. Mesmo.

    Boa sorte para todos que gostam de escrita e de leitura. E também para os que não. Também são gente:) E poderão vir a gostar.

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  5. Obrigado pela partilha! Deste lado, já em contagem decrescente para sábado! :)

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  6. Maria do Rosário
    Não se atrapalhe. Este seu texto de hoje é óptimo. Basta chegar lá, no sábado, e dizê-lo de viva voz. Aposto que que despoleta logo uma série de comentários, perguntas, dúvidas, etc.
    (... digo eu, apesar de não ter experiência destas coisas de pessoas reunidas para ver como é isso da escrita criativa, e tal...)
    (Não tenho experiência, portanto posso imaginar...)
    (Sim, que isto da escrita criativa, sem um bocadito de imaginação...)
    (Agora o que não pode ser é escrita criativa com tantos entre-parêntesis...)
    (... nem tantas reticências...)
    (É que até parece mal!)

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    Respostas
    1. Fui chamado à pedra e, reconheço, devo esclarecer o que escrevi aí acima.
      Quando digo “... o que não pode ser é escrita criativa assim...” e que “... parece mal” , refiro-me ao que eu próprio, tarde e más-horas, estive para aqui a escrever com bastas reticências e entre muitos parêntesis e bocejos de sono.

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  7. Só este pequeno texto,vale por tudo o que poderá dizer.por isso eu a leio sempre que aparece por aqui...e iria com certeza ouvi.la,se pudesse estar na rua do possolo ,onde fico sempre que vou a lisboa.Coincidencia.
    E não me cansaria,como não me canso de ler e reler o que escreve.
    Abracinho

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  8. Pois, isso do sexo forte e fraco é sabido que é discutível, depende do que se considera forte: a força muscular, a força da inteligência, a força dos sentimentos, a força da criatividade, etc., etc.
    Mas isso de «os seus punhos fechados como flores em botão», vai-me desculpar, acho tão lamechas, tão... telenovelesco... Então também não há agressividade nas mulheres? Tudo tem a sua utilidade. Para que se quer punhos desses? Eu dispenso. Ou melhor, é preciso distinguir as situações. Há alturas em que não me apetece nada (nem convém) ser flor em botão.
    Ou eu não entendi, pronto, é possiblidade que admito.

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  9. Aprende-se muito, devo dizer.
    Eu estive lá, nessa 'aula'. Como estive na dada pelo José Luís Peixoto e a dada pelo Sérgio Godinho. Todos elas diferentes, todos elas de apaixonados pela língua portuguesa.
    Aprende-se a gostar de escrever ou a desistir de escrever para fora e a ficar dentro de nós. Aprende-se que não há um método, mas todos os possíveis. E aprende-se que, como tudo, antes de mais deve-se ler, e muito. Não basta só o dom e o talento, mas o saber. E o saber só se alcança a através das palavras.
    Obrigada.

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