Dançando com a diferença

Um colega editor da Nova Delphi, uma editora que opera no Funchal e se encarrega também de organizar anualmente o Festival Literário da Madeira, pediu-me há uns meses um poema inédito para uma antologia. Tratava-se, no fundo, de publicar uma colectânea de poesia cujas receitas revertessem para o grupo Dançando com a Diferença, um projecto de Henrique Amoedo, cujo elenco inclui, "sem balizas" pessoas com deficiência ("artistas que dançam com o corpo, sempre, e não apesar do corpo"). Pois bem, dei, evidentemente, o poema, e a antologia foi recentemente publicada com a colaboração de todos os que quiseram ajudar: Alex Gozblau fez a capa, Gonçalo M. Tavares escreveu o prefácio e cerca de 70 poetas ofereceram os seus textos por esta boa causa. Agora, o volume intitulado 70 Poemas para Adorno (Adorno é o filósofo alemão que se interrogou sobre a possibilidade de se escrever poesia depois de Auschwitz) está aí, depois do seu lançamento oficial no Festival Literário da Madeira em Março último, e precisa de que todos a comprem e leiam. Fazer o bem lendo é coisa séria e faz-nos sentir bem.


 70poemas.jpg


 


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco12 de maio de 2015 às 02:59

    Uma boa causa!

    Fazer o bem pela leitura (ou pela escrita) é sem dúvida uma nobre missão e um elevado desempenho do autor!

    Curiosa a dúvida do filósofo, sobre a possibilidade de se escrever poesia depois de Aushwitz... e porque não? Escreveu-se sempre poesia, apesar e depois das muitas catástrofes, hecatombes e desgraças provocadas pelo ser humano, que tem essa capacidade de reunir em si o belo e o horror, o melhor e o pior!
    Hitler era um amante dos animais e no entanto para as pessoas foi o que se sabe!

    Saudações Humanas cá da Cidade Morena!

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    1. Um “a propósito”: descubra uma vaga entre dois livros e leia – se ainda não o fez – “Escrever depois de Auschwitz”, de Gunter Grass. Na verdade é tudo menos um livro; é um livrão e um livrinho. Um livrão pelo conteúdo, um livrinho pelo tamanho (li-o num ápice enquanto esperava na gare de um aeroporto – afinal nem tudo foi mau na greve dos pilotos...). Fala de Adorno, claro, e das batalhas pessoais do autor perante uma Alemanha traumatizada. Nota: nem o preço será desculpa: 4,99 €

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    2. António Luiz Pacheco12 de maio de 2015 às 06:06

      O seu "a propósito" parece-me muito oportuno, tendo em conta a minha manifesta surpresa quanto à dúvida do filósofo...
      Grass terá sido assombrado na sua vida de adulto pela sua actividade militar juvenil, ao que parece pelo seu percurso posterior e sobretudo pela actividade literária!
      Afinal produzindo bons frutos, ou se quiserem e porque num blog de leitura: "Escreve Deus por linhas tortas" ...

      Grato pela sua sugestão, confessando que não conhecia este título do referido autor.

      Saudações Oportuníssimas cá da Cidade Morena!

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  2. Já tinha lido uma notícia acerca deste título e do livro. E espero que o prefácio o explique., que a muitos leitores, Adorno nada diz e a sua afirmação muito menos.

    Mas é uma boa forma de ajudar quem precisa. E que haja muita compra.

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    1. António Luiz Pacheco12 de maio de 2015 às 10:44

      E tem toda a razão Estimada e Extraordinária Beatriz... confesso que Adorno me é desconhecido enquanto autor (nunca li nada completo), se é que estão a referir-se ao sociólogo Theodor Adorno de quem tenho algumas referências quanto às suas concepções da história natural contrárias ao empirismo e ontologia, como das suas críticas à sociedade através da análise do autoritarismo e anti-semitismo, mas muitíssimo ao de leve.

      Saudações da Cidade Morena

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