Autores independentes
Cada vez há mais gente a querer publicar o que escreve – nem há já editoras suficientes para tanto livro; e esta invenção da Internet ajudou muito à criação da autopublicação, que está a tornar-se em todo o mundo um autêntico fenómeno e gera livros atrás de livros. Paginar uma obra sem ilustrações não é difícil, arranjar um amigo com jeito para desenho que faça uma capa em condições é mais difícil, mas não impossível. O problema é depois encontrar onde vender o rebento, sobretudo se for um livro não digital, pois plataformas deste tipo há muitas, mais do que chapéus; mas as pessoas ainda vão gostando do papel e de tirar um volume da estante para mostrar aos outros do que foram capazes. Pois bem: leio que nos EUA já existem livrarias exclusivamente para estes autores independentes. Alugam-se prateleiras a 60 dólares o trimestre e recolhem-se os lucros, ao que parece, a 100%, sem dar qualquer percentagem ao livreiro. Claro que o autor tem de gerir as faltas, o stock, a reposição. Mas é melhor do que não ver à venda o seu mais-que-tudo, com que quer impressionar conhecidos e familiares. Aqui ainda não fomos tão longe, embora haja umas tantas editoras que vivem apenas de fazer livros de encomenda (mas ganham muito dinheiro com isso). Uma fotografia de uma dessas livrarias norte-americanas, a Gulf Coast Bookstore, só para dar um cheirinho do que aí vem.
This is Mike evolution.
ResponderEliminarWhat?!
Denomino-a geração Mike.
creio que toda a gente tem direito a ver publicado um livro que escreveu. mesmo que seja muito mau. essas editoras de ajuda à publicação apenas vieram ocupar um espaço que as editoras tradicionais nunca poderiam ocupar. e acho bem. eu tenho um livrinho quase pronto e vou recorrer a essa solução.
ResponderEliminarJosé Luís
Eliminarestá no seu direito de publicar a sua obra numa dessas editoras que "obrigam" o autor a ficar com alguns exemplares (por vezes os únicos que serão vendidos). Ao contrário do que já li por aqui, acho que qualquer pessoa que decida publicar um livro, o deve fazer, porque não é razão de menoridade literária publicar-se numa "vanity publishing" ou auto editar-se. Por vezes, encontram-se aí obras de grande valor literário, bem escritas e bem revistas, o que nem sempre acontece com as edições de chancela.
É claro que não se irão encontrar os livros assim publicados numa FNAc ou em grandes livreiros - a não ser os de ao pé da porta - mas issoé irrelevante, porque não é inédito recebrem algumas editoras, como sobras, todos os livros para ali enviados.
Já o disse em outro comentário: hoje há formas de publicação relativamente baratas, principalmente se forem apenas de texto, com recurso a maquinaria digital, própria para pequenas (pequeníssimas) tiragens, que se podem repetir à medida que escoem entre os amigos, inimigos e indiferenciados.
Tenho 60 livros publicados - entre romances, ensaios e banda desenhada - e cerca de metade foram editados com chancela (incluída a da LEYA-ASA). Vou dizer-lhe que os sem chancela foram totalmente vendidos, alguns com tiragens de 3.000 exemplares e um deles já vai na quinta edição e esta está a esgotar.
Força, não deixe de publicar, mesmo que não seja lido pelos pseudo intelectuais literários e quejandos.
a literatura hoje é outra coisa.
ResponderEliminaré um negócio mais largo, com mais gente a querer escrever livros e também mais gente a querer ganhar dinheiiro à sua custa.
é a vida. O O'Neill deveria chamar-lhe vidinha...
A MRP não consegue disfarçar o preconceito contra quem, não conseguindo publicar pela via do mainstream, tem de optar por saídas deste tipo. Nota-se um tom crítico em "esta invenção da Internet" e "gera livros atrás de livros", com apoio noutras intervenções anteriores da autora. "Mas é melhor do que não ver à venda o seu mais-que-tudo, com que quer impressionar conhecidos e familiares" não deixa lugar a dúvidas.
ResponderEliminarMuitas belas obras passam despercebidas, minha senhora, porque vão contra a poeira dos tempos ou porque não se nasceu no ambiente melhor e com o traseiro virado para a lua.
Olhe que muitas vezes as autopublicações são bem melhores do que muito livro publicado pela D. Quixote.
Era isto mesmo que eu ia dizer, embora não tão bem. É ofensivo para quem escreve sacrificando a vida ao que entende ser uma necessidade e ainda paga para ver publicado o fruto do seu labor ler aqui - sistematicamente - que o faz por motivações mesquinhas, dependentes da vaidade, como se a vaidade pudesse explicar ou compensar tantos sacrifícios. Cara Maria do Rosário, a literatura não é uma coutada, não é um clube com o direito de acesso reservado, nem a MR a sua porteira. Nenhum escritor pediu autorização para escrever e eu também o não fiz nem farei.
EliminarJCC
Não se acanhe, faça-nos uma lista de todos esses livros autopublicados.
EliminarQuanto a autopublicados não sei. Infelizmente, compro os que são publicitados pelas editoras "mainstream", como diz o Rui Silva. E entre esses, a maior parte é uma belíssima nulidade.
EliminarEntão porque continua a comprar?
EliminarUi, que mau este LSR... Lá Sei Raciocinar...
EliminarNão acha estranho comprar livros quando sabe que vai comprar belíssimas nulidades? Eu não costumo ter esses problemas; eu conheço os meus gostos e sei comprar de acordo com eles. Se apenas compra o que o editor lhe coloca à frente, sem qualquer juízo e sem investigar primeiro, porque se queixa?
EliminarConcordo, nenhum escritor pede autorização para escrever, apenas escreve. Mas isso não significa que todos os que escrevem e publicam sejam escritores. E ainda menos quer dizer que sejam bons escritores.
EliminarMas imagino que um livro dê muito trabalho, que seja uma tarefa nem sempre fácil, e que muita gente nem consiga escrever um romance embora possa pensar que sim.
Sinceramente não vejo razão válida que impeça quem escreve um livro de o editar em edição de autor ou noutra modalidade qualquer que não passe por editoras. E não há mal em alguma vaidade, ser capaz de escrever duzentas ou trezentas páginas para contar uma história, é obra. Que merece destaque nem que seja na árvore familiar.
Mas há livros demais. Ou sê-lo-ão para mim em vários sentidos.
Quanto aos intelectuais armados ao pingarelho são uma baita chatice. Parece-me até falarem outra língua, há neles uma cultura de hermetismo verbal quase cómica.
Já pensou que o mal pode residir na escolha?! É verdade que não leio muito, mas não me lembro de ler um livro mau. Bom, há livros que me recuso a ler e também a comprar. O meu tempo é demasiado precioso para gastar no que não vale a pena nem me acrescenta.
EliminarLembrar-lho-ía d. Beatriz à ler-mos enciclopédias a adolescência.
EliminarCláudia
Eliminarnão entendi.
O Sol quando nasce não é para todos os que se intitulam - escritores
ResponderEliminarEu acho tudo muito bem, são pequenas empresas que prestam serviços, tal como nos casamentos existe um exército de empresas a girar à volta: os fotógrafos, os das flores, os dos banquetes, etc, etc. São serviços, estes também. Este fenómeno das publicações só existe porque existem redes sociais que, de alguma forma, vieram animar os desejos de expressão e reconhecimento, um desejo intenso de visibilidade (julgam as pessoas) de quem é, extraordinariamente, solitário. Eu acho tudo muito bem se isso puder contribuir para uma pequena felicidade pessoal ou então até alimentar desejos de má índole, tais como, por exemplo, criar inveja nos amigos - os que não podem pagar tais publicações - e achar que são "grandes". O problema é com tudo o que gira à volta disso e que é pouco ou nada. Esses "editores" que são tanto editores como eu sou astronauta, nada sabem de edição. Escrevem muito mal e não sabem, sequer, expor, com definição e realismo um pensamento, quanto mais perceber o que está mal e o que está bem num livro! E depois essas publicações não têm nada! Não há promoções, nem distribuição nem publicidade normal, nada passa pelos filtros da crítica competente, o papel é péssimo, as capas encaracolam ao fim de uma semana. Esses textos são publicados numa gráfica e fazem pequenas tiragens de 200 ou 300 ou 400 livros, depende do que a pessoa interessada pode pagar. E os textos, regra geral, em 98% dos casos, são da pior qualidade que pode existir. Chamar literatura a esses textos de prosa e poemas, só mesmo por enorme bondade e condescendência. E chamar "editores" a pessoas sem qualquer preparação, que um dia se lembraram de fazer imprimir textos na gráfica da esquina e assim estabelecer um negócio, isso é que é mais esquisito e estranho. É claro que um livrinho desses custa ao interessado, por vezes, dinheiro que ele não tem. Sei de casos inacreditáveis! Mas pronto! São escritores! É bom que se tenha a noção disto: esses livros não têm nem terão jamais qualquer tipo de visibilidade, podem aparecer pontualmente numa livraria e desaparecem em seguida, não cumprem com os circuitos normais, não são revistos, não têm nada a não ser algum papel. Faz-me lembrar as crianças quando brincam aos médicos ou aos cozinheiros que os tentam imitar. É como os tais editores e os tais escritores que tentam imitar os verdadeiros. E depois o chinfrim à volta do lançamento de tais livros: são alugueres de salas de hotéis, são ramos de flores em cima das mesas, são velas, são músicos, às vezes fadistas, são crianças a tocar violino, são as chamadas "variedades". Depois há mesas com cinco e seis pessoas - para dar um ar de peso à coisa - fala este, fala aquele, discursos inomináveis. Já tive ocasião de ouvir. No fim vendem 50 livros ou talvez mais aos amigos ali presentes, aos amigos dos amigos ali presentes, aos vizinhos, aos tios dos vizinhos e, claro, a toda a família. Mas ainda restam 250 livros por vender que serão colocados lá em casa, num cantinho ao pé do móvel da televisão. E têm de ser vendidos! Custe lá o que custar. Para isso, os ditos livros são impingidos pela internet, nas caixas de mensagens indicando o nib para quem compra fazer a transferência bancária dos 10 euros que é quanto, geralmente, custam. Sei de muitos casos destes que algumas pessoas me têm vindo a contar, algumas banhadas em lágrimas, outras desesperadas de raiva e frustração. Este negócio interessa apenas a quem o montou. Ganham muito dinheiro, na verdade, à custa de desejos de cariz psicológico muito perturbadores. Muita solidão. Muito desespero. De alguma forma, o nome impresso na capa de uma publicação faz crer a quem pagou para tal que esse alguém é, na verdade, alguém no mundo literário. Este fenómeno abunda nas redes sociais e na facilidade que toda a gente tem, ou julga ter. Mal sabem o que os espera.
Cristina Carvalho
eu não quis ir tão longe, Cristina, mas é muito assim.
EliminarLuís Eme, obrigada pelo comentário.
EliminarNão disse tudo, nem nada que se pareça! O assunto é por demais complexo para ser conversado assim, numa caixa de comentários. Está aqui envolvido um enorme e importante conceito: o do conhecimento, o da aprendizagem da boa leitura. É lícito que se tenha acesso a tretas destas? É justo que se faça da literatura uma arte tão insignificante, fácil e imediata uma vez que qualquer pessoa pode ser apontado como putativo escritor? É justo que literatura absolutamente menor e de baixíssima qualidade circule pelas bancadas das escolas só porque os autores desses livros são amigos, vizinhos e conterrâneos de alguns professores?
É que está muita coisa envolvida, compreende, Luís Eme? Não é só a simples prática da impressão de um livro na gráfica da esquina. Se fosse só isso, outro galo cantaria. É, por exemplo, nivelar por baixo, dar a conhecer textos péssimos a quem nada sabe. Em lugar de se começar pelo melhor, começa-se por apresentar o pior?
Alguma coisa aqui está mal.
E a Maria do Rosário Pedreira tem toda a razão em levantar esta questão. A questão em si é melindrosa, mas é preciso que se diga que esse lixo abunda, actualmente, por todo o lado.
Cristina Carvalho
Só se desilude quem estiver iludido. Não devemos meter tudo e todos no mesmo saco, nem tomar a nuvem por Juno. No meu caso, nada me interessam novos títulos, nem me movem desejos de reconhecimento social. Estranho? Veja o caso de Fernando Pessoa, por exemplo. (Nada me dais, nada me tirais, nada me sois que eu sinta.) Faço o que bem entendo e só devo satisfações a mim mesmo. É de mim mesmo, o leitor mais exigente que conheço, que preciso de aprovação. E nada me incomoda que o presente e o futuro se estejam nas tintas para o que escrevo. Se escrevesse para conseguir a aprovação alheia mais me valia estar quieto. Porque, como digo frequentemente, não gosto de escrever e fazê-lo é tortura a que me submeto - porque tem de ser. Que exijo dos outros? Respeito. Ou, pelo menos, que me não chateiem por assim desperdiçar a minha vida.
EliminarJCC
credo, que psico-drama para aí vai. eu, ao contrário da cristina, não sei o que se passa com os outros escritores, mas não me sinto nem solitário nem desesperado e ainda menos possuidor de "desejos de cariz psicológico muito perturbadores". apenas escrevi um livro, que mistura fotografia com prosa e poesia, penso que a minha ideia é original, e prescindi de todo o trabalho que essa editora poderia prestar. revi-o com ajuda de duas pessoas, paginei-o, concebi a capa (de boa cartolina, por sinal) e quero editá-lo. estou no fundo a pagar a impressão gráfica e pouco mais. e no máximo serão cem exemplares, ou seja não é para me armar em escritor nem desejar visibilidade e muito menos enriquecer com isso ou causar invejas alheias. trata-se apenas de uma obra minha que quis tivesse existência física. poderia interessar a uma editora a sério? talvez, mas não me interessa de todo ficar dependente dos critérios de alguém que, todo-poderoso, decide o que pode e deve ou não ser publicado, entende? eu também preferia ver o meu livro com a chancela de uma dom quixote mas, para pessoas como eu, essas editoras prestam um serviço que as tradicionais não prestam - se o prestassem teriam ficado elas com o negócio, não é? assim sendo, por que razão lamentam tanto o "muito dinheiro" que as outras ganham com isso? haverá, aqui sim, alguma inveja? e era só.
EliminarBoa tarde José Luís
EliminarJá que invocou o meu nome - cristina - já agora, escreveu-o com letra pequena, ou isso não tem a menor importância? Se calhar não tem, mas eu ainda vou escrevendo os nomes próprios com letra maiúscula.
Dizia eu, aproveitando a sua última frase: inveja de quê??
E se quiser dar-se ao trabalho de explicar-me esta sua frase:
(...) eu também preferia ver o meu livro com a chancela de uma dom quixote mas, para pessoas como eu, essas editoras prestam um serviço que as tradicionais não prestam - (...)
Isto quer dizer,exactamente, o quê??
Obrigadíssima.
Cristina Carvalho
escrevo sempre com letra pequena, terá decerto reparado que até o meu nome está em minúsculas (e a minha assinatura no c.c. também). por favor não se ofenda porque para mim realmente não tem a menor importância.
Eliminaro que quis dizer foi apenas que as editoras tradicionais, como a dom quixote que citei, poderiam ter feito exactamente a mesma coisa que as outras "novas", ou seja, propor à generalidade do público serviços de mera auto-edição/impressão gráfica, etc etc.
penso sinceramente que as editoras tradicionais perderam uma bela oportunidade, e por duas razões:
primeiro, essa fatia do mercado livreiro (por pequena ou marginal que seja) e o tal "muito dinheiro" ficavam nas suas mãos.
segundo, no meio de inúmeros livros sem a mínima qualidade literária (que, concordo, serão a esmagadora maioria), até poderiam descobrir um ou outro autor/obra com interesse para editar pela "via habitual", o que equivale a dizer que parte do trabalho de triagem feito a todos os que apresentam obras às editoras tradicionais já estava realizado.
muito obrigado pelo seu comentário.
José Luís,
EliminarNão estou, realmente, absolutamente nada ofendida com a sua letra pequena. Acho-lhe graça, apenas. Uma graça retórica que me daria bastante "trabalho" a explicar. Desculpe-me a pergunta e se quiser responder, eu aceito a sua resposta, claro! Qual é a razão de escrever com minúsculas o que deve ter maiúsculas? O que é que o leva a iniciar um espaço frásico com minúscula a seguir a um ponto final? É moderno? É do AO ? O que é? É para se distinguir? « Olha, é aquele que escreve sempre com minúsculas!» Qual é a razão?Estou a ser sincera quando faço esta pergunta sem qualquer espécie de acrimónia. Gostava, apenas, de saber. É que eu acho estranho. Não pelo respeito que me inspiram as maiúsculas, mas porque há uma certa tendência de algumas pessoas a tentar diferenciar-se com questões bastante estapafúrdias, questões essas que jamais farão a diferença. Não é isto que faz a diferença. Isso posso eu garantir-lhe. Mas se quiser explicar, sou toda ouvidos.
A outra questão, não posso estar de acordo. Então para si não existem editoras com critérios de qualidade? Isso também já não interessa? Os nossos melhores editores - um grupo que eu conheço e respeito profundamente e por alguns dos quais tenho orgulho em ser editada e publicada - só pensam no lucro? Portugal tem, no panorama literário, dos melhores editores que podem existir. São pessoas altamente qualificadas, são pessoa com reconhecidos méritos profissionais cá e no estrangeiro, são pessoas cultíssimas e com universais conhecimentos literários. Mas está convencido de que a editora Dom Quixote, já que a invoca com insistência - chancela do grupo Leya que ostenta um rigor literário de 50 anos com autores de tanta qualidade, com tantas apostas em novos autores, o que realmente vê são cifrões? E quem diz a Dom Quixote diz mais algumas magníficas editoras? Mas o que é que o leva a afirmar tal coisa? Eu não consigo argumentar mais perante tanto desconhecimento da sua parte no que refere às actividades e campus literário. Tenho 65 anos, nasci num meio profundamente literário, fui ensinada e educada por escritores, meus pais, eu própria sou escritora a tempo inteiro (isto está no ADN, não é?) e, de facto, conheço bastante bem o sistema. Não posso aceitar, de modo algum, as suas afirmações. Repare que não estou zangada! Simplesmente entristecida por ver tanta afirmação desconexa, irreal e desconhecedora de como as coisas se passam, de facto, ao nível da edição mais competente.
Nem todos são escritores, nem todos são pintores, nem todos são músicos, nem todos são, etc, etc, etc. Isso é preciso ser entendido. Um editor reconhece à distância um escritor. Isso é uma das facetas mais interessantes do seu trabalho.
Muito obrigada
Cristina Carvalho
pois quem devia ficar zangado era eu!… então mas eu disse alguma vez que as editoras tradicionais não pugnavam por critérios de qualidade? desculpe, mas não ponha na minha boca (neste caso, escrita) palavras que eu não disse - apesar de também se editar muita coisa (até best-sellers) de qualidade literária no mínimo duvidosa.
Eliminartemo que não tenha percebido o que quis dizer.
volto a repetir: um grupo como o leya que citou, ou a porto editora ou outro qualquer poderia ter uma chancela em que se editavam livros nesse regime de auto-edição, cuja qualidade era exclusivamente da responsabilidade do autor, etc. isso em nada teria diminuído o grupo enquanto editor de qualidade, reservando as chancelas tradicionais para as suas edições. não consigo explicar melhor do que isto.
Se escrever com maiúsculas a seguir aos pontos finais, já ficará mais claro, decerto!
EliminarE não chegou a explicar por que é que escreve com minúsculas...
Acrescento que se não percebi, foi porque está mal explicado. Não vejo outra razão!
Cristina Carvalho
escrevo com minúsculas porque é a minha maneira natural de escrever. as palavras são o que são e valem o que valem, independentemente de estarem escritas assim ou ASSIM. as maiúsculas no começo das frases são uma mera convenção formal. não me identifico com isso e portanto não sigo essa norma (do mesmo modo não sigo o a.o.). posso ser acusado de escrever mal ou com erros de ortografia. e fica(re)mos nesse pé.
EliminarEu gosto de escrever; e é por pensar que escrevo bastante bem que quero que leiam o meu romance. Se não gosta de escrever, José Catarino, já pensou parar de fazê-lo?
EliminarDe certa forma descreve toda a minha experiência com o meu livro de poesia, excepto que nunca tive lançamentos, nem me banhei de lágrimas, nem me sinto desesperado de raiva e frustração. Simplesmente aceitei, com todo o estoicismo possível, que na ânsia de querer ser publicado me deixei enganar. A culpa foi minha e só minha; e agora tenho três pilhas de soberba que olham para mim sempre que abro o roupeiro.
EliminarDepois desta experiência decidi que nunca mais pagaria para ter um livro publicado; ou um editor acha que tenho mérito e corre o risco, ou simplesmente deixarei o texto inédito até ao dia em que alguém se interessar ou eu morrer. Caso contrário não me posso considerar um escritor a sério.
Já agora, estava a responder à Cristina Carvalho, caso isso não fique claro.
EliminarA pergunta é óbvia e a resposta também - está dada, aliás, no meu comentário. Sugiro que veja isto, do grande Mário de Carvalho:
Eliminarhttp://www.mariodecarvalho.com/uploads/pdfs/52d448660ffb8201477bb994dceea26b8d8e6ca0.pdf
Eu percebi que estava a responder-me, LSR.
EliminarE acrescento: o seu pensamento está certo.
É a minha opinião. apenas, que vale o que vale.
Boa noite e obrigada.
Cristina Carvalho
Sem querer carreguei no ponto em vez da vírgula.
EliminarAgora sim: É a minha opinião, apenas, que vale o que vale.
Ah, José, 'tá bem, pá, quer que eu brinque às citações, eu brinco à merda das citações:
Eliminar"Writing depresses some people. It doesn’t depress me. I love to be doing it two or three hours a day."
http://www.dalkeyarchive.com/a-conversation-with-paul-west-by-david-w-madden/
Isto vem da boca de Paul West, que é considerado por William H. Gass um dos maiores estilistas vivos. Mas o José não deve conhecer nem um nem outro, por isso...
Já agora, o Pessoa não é um bom exemplo. Ele criava revistas para publicar a poesia, submeteu a Mensagem a um prémio da SPN, e até se correspondeu com estrangeiros na esperança de que lhe publicassem os poemas lá fora. Aliás em vida foi publicado na revista inglesa Atheneum. O homem era tão desavergonhado que até escrevia em inglês para aumentar a visibilidade da obra.
Nem o Eça, que andava sempre com falta de dinheiro, teve a ideia de escrever em francês, embora conseguisse. Será melhor arranjar outro ídolo, o seu tem pés de barro.
Brinque, brinque, que é saudável. Mas olhe: não distorça a seu bel-prazer os factos. Nem os outros são tão ignorantes como os julga, nem assim impressiona as editoras onde sonha publicar. Como me falta o tempo para brincadeiras, limito-me a pequenas chamadas de atenção. Assim, não viu que a citação que apresentei não é de Pessoa, como apressadamente escrevi, mas de Álvaro de Campos. Destinava-se, não a impressionar os fãs de West, mas a clarificar a minha posição no assunto discutido. E Pessoa escreveu inicialmente em Inglês porque essa era praticamente a sua língua materna, como qualquer aluno de 12 ano sabe. Mesmo que me venha com citação do Papa, seja ele da sua literatura, seja o do Vaticano, não espere mais resposta. A desonestidade intelectual com ataca o, como diz, meu ídolo, convence-me de que a discussão não será produtiva, nem interessante, apenas uma perda de tempo. Ah, Roma não paga aos assassinos dos seus generais!
EliminarJosé, nos anos 30 Pessoa escreveu à editora de Aleister Crowley, a Mandrake Press, na esperança de conseguir impressionar o famoso ocultista para ver se este lhe arranjava cunhas no mundo editorial inglês. Até lhe prometeu fazer a carta astrológica, o que depois não cumpriu. Sim, todos sabemos que ele passou a infância na África do Sul; isso não muda o facto de que em idade adulta ainda queria ser publicado em inglês. Esse é o ponto fulcral: queria ser publicado. Ao contrário do José, que tem uma noção romântica dos escritores como criaturas puras que não querem nada com Mammon.
EliminarTambém não percebo a sua falta de tempo; ontem pareceu ter bastante para escrever várias mensagens aqui. Esgotou-se-lhe o tempo de repente, foi? Ou vai começar um texto novo e vai manter-se fechado num quarto durante meses, como Géricault quando pintou A Jangada de Medusa? Veja lá, que não lhe aconteça como a ele quando saiu do quarto com a pintura terminada, e com um colapso nervoso. Espero que o tão pouco divertido acto de escrever, a total angústia disso, não o conduza a idêntico destino.
E no entanto, daqui a muitos anos, alguns desses exemplares, pouquíssimos, farão a fortuna de quem nada teve a ver com a sua escrita ou edição, mas em cujo colo de alguma maneira foram cair. Isto é tudo estranho, o mundo é muito estranho sempre a rodar em volta dele próprio, mas ainda bem.
ResponderEliminarExiste um claro preconceito da MRP e não só em relação aos novos meios de publicação, quer digitais quer físicos. O lugar do editor, do distribuidor e do vendedor vai, mais tarde ou mais cedo, ser redefinido por mais que isso custe. Não vejo qual o problema dessas editoras. As pessoas com dois dedos de testa devem estar informadas e saber ao que vão. Já me custa ouvir esse choradinho de que foram enganados. E se alguém quer editar um livro com uma tiragem pequena para o ter na estante e vender aos amigos, qual é a questão? A questão é que as editoras tradicionais têm as linhas editoriais muito fechadas, restritas apenas a uma elite, tanto de pessoas como de estilo literário. Sou a favor das Chiados Editoras, porque no meio de muita má qualidade, tal como disse o Rui Silva “…muitas vezes as autopublicações são bem melhores do que muito livro publicado pela D. Quixote.”
ResponderEliminarAlguém leu o conto do último prémio Leya publicado recentemente, creio eu, na revista da Bertrand?
ResponderEliminarLi, no Observador, onde escreve:
Eliminar"À volta, as pessoas pegavam nos livros. Com cerimónia, temendo magoar ou deslocar o miolo (igual a lidar com doentes). De mão na contracapa e um ou dois dedos travando a capa, que se queria abrir. Cheirando. Lendo a lombada num gesto de não me misturo com isto. Aproximando muito a cara. Em grupo (quatro mãos na mesma obra), com conversas paralelas. E, claro, em casal: ela aconselha, ele resiste."
Mas olha que excelente ideia.
ResponderEliminarAos mais atentos: sabiam que a grande maioria da imprensa de cariz nacional e generalista está moribunda?
E que aquela que irá subsistir e ainda está pujante é regional.
Porquê? Porque está perto das pessoas, porque vem colmatar uma necessidade e anseios de proximidade.
É que meus amigos já está quase tudo escrito. Por que perder tempo com novos escritores se lá para trás ficaram obras magistrais que elas próprias já se desfazem com o próprio passar do tempo. A própria realidade já há muito ultrapassou a ficção. Há uns anos umas jovens a darem murros bem puxados num rapaz pareceria ficção. Hoje é realidade.
E como irá ser nos livros? A necessidade será imposta? Essa era a óptica antiga do marketing, a óptica da oferta.
Então que tal nos adaptarmos a novas necessidades, a uma nova óptica: a do prosumer . A do consumidor de livros que hoje tem também a expectativa de ter voz e de ser produtor.
São os tempos, meus amigos.
E é preciso saber lê-los! E digeri-los! E dizer cantando em toda a parte: O Futuro É Passado No Presente ;)
Uau : o que para aqui vai! Nem vou (quase) comentar o que para aqui vai.
ResponderEliminarVou dizer também (e desculpem-me mas como profissional da gestão não o poderia deixar de dizer) que não há nada pior do que meter a cabeça na areia.
Uau : o que para aqui vai!
Vou dizer apenas que obviamente o modelo das editoras tradicionais está em risco. A mudança está à porta e só não a vê quem tem dificuldade de perceber a mudança.
Claro que uma editora bem gerida e atenta devia perceber que o seu modelo está claramente em risco, porque implica diminuição no número de vendas. Se não há maior queda nas tiragens por autor, esta tem sido travada por um regime oligopolista na distribuição, já que grande parte da distribuição está nas mãos das grandes chancelas. Embora apareçam novas formas, novos modelos. Já repararam que há já feiras de livros contínuas nos Metros. E algumas delas (as chancelas) até se dirão campeãs do direito das massas à liberdade.
O leitor-escritor é um novo jogador neste processo, um player que quer agora também ser parte no processo. Já não lhe basta ler, quer ser também parte na sua aspiração de se fazer ler, de se fazer ouvir, de se eternizar, mesmo que essa eternização seja uma ilusão e dure apenas o tempo de um fogacho. E no meio da quantidade enorme de leitura só interessante para esse autor e os seus conhecidos, aparecerá um ou outro bafejado pela sorte, pelo cheiro, pela exposição, pelo interesse, puxado pelas orelhas por grandes editoras. Que no meio do tudo igual escolhem o que lhes é menos igual, seja por critérios de filiação, amizade, conhecimento, frescura, criação, ou mesmo, por uma igualdade de segurança, por um déjà sucedido... um ou outro pela qualidade, que não é mais do que replicação de uma fórmula que funcionou!
E desculpem-me lá os absolutistas... mas eu sou um relativista... nem tudo o que gosto é adorável ou açucarado!
E desculpem-me lá: se algum dia for editado por uma grande editora, nego tudo o que disse atrás!
Alguns comentadores têm falado de preconceito. Não penso que seja isso que fez a Rosário escrever este textp.
ResponderEliminarPenso que se trata apenas de querer separar as águas.
Se as grandes editoras se movem por critérios de qualidade (seja lá isso o que for...), não podem ser confundidas com outras, que editam toda a gente que queira escrever um livro (desde que o pague, e é quase sempre bem pago...).
E na minha opinião isso deixa de ser literatura. É outra coisa, que ainda não está bem definida, mesmo que possam aparecer desta forma grandes escritores, através desta massificação.
Penso inclusive que tudo isto desvaloriza o papel do escritor e do próprio livro enquanto objecto de culto e de cultura.
a questão é que as grandes editoras não se movem por critérios de qualidade (seja lá isso o que for…), movem-se pelos "seus" critérios de qualidade - e deixaram de poder ter a pretensão da verdade universal. acontece que o mundo pulou e avançou, o acesso à edição foi simplificado e o que as grandes editoras se recusam a aceitar é apenas a perda de um poder que detinham - o poder de decidir quem era editado ou não.
Eliminare, desculpe que lhe diga, a boa literatura não está em todo o lado? não pode surgir onde menos se espera? por que razão o trabalho de um autor editado pela grande editora pode ser considerado "literatura" e o do autor auto-editado "deixa de ser literatura e é outra coisa"? não é isso afinal apenas outro preconceito?
José Luís,
Eliminaruma boa parte das pessoas que querem editar o que escrevem, colocam a qualidade num segundo plano, a sua única obsessão é publicar um livro.
Eu não penso que esteja a ser preconceituoso, quando digo que este negócio das editoras que editam tudo o que lhes é pedido (desde que os autores paguem...) é outra coisa, não é literatura.
Basta dizer que uma pessoa nem precisa de saber "escrever" para ver o seu livro editado, basta juntar umas palavras e já está. Já é escritor.
E por muito que se goste de escrever, pintar ou cantar, isso não faz de cada um de nós, escritor, pintor ou cantor. E isto não é preconceito, é a realidade, embora muita gente não a queira ver...
talvez sim, talvez muitos estejam obcecados por serem escritores. não é de todo o meu caso. quis editar um livro porque sim, por achar que merecia existência física. não me interessa rigorosamente nada saber se sou escritor ou não, entende? sei que escrevi aquele livro, com os muitos defeitos e poucas qualidades que terá, mas fiz o que queria e como queria - sem ter de estar sujeito ao escrutínio de alguém gostar ou não daquilo para aquilo ser editado.
Eliminare sobre literatura não foi isso que eu disse. para mim, a literatura não tem nada a ver com as editoras, desculpe. a literatura está à parte, vale o que vale por si, e é independente da origem da edição, ou mesmo de haver edição. que me conste, o senhor pessoa só editou em vida a "mensagem" - mas o resto que estava na célebre arca já era literatura, tivesse tido uma grande ou pequena ou nenhuma editora por trás.
é nesse sentido que digo que considerar que "literatura" só pode vir de uma editora tradicional é um preconceito.
Ilustríssimo Extraordinário Luís Eme
EliminarO seu último parágrafo emprega o termo desvaloriza, o que tem obviamente o significado de "terirar valor a" um papel que cabe aos "verdadeiros escritores" ou seja, aquelas que são publicados através de uma chancela e não os que editam as próprias obras.
Todo o livro é objecto de culto e de cultura, que não perderá esses valores pelo facto de serem de raiz "independente", incluindo os que recorrem à "vanity publishing".
Leio algumas obras com chancela e digo-lhe que, para além de mal escritas, mal revistas e sem nada que prenda a leitura; leio algumas daquelas que saem às "custas" do autor, as quais preponderam os requisitos ante apontados pela positiva.
Há editoras que imprimem 500 exemplares e outras ainda menos. Se tiver de dar um conselho aos que contribuem para esta "massificação" (como lhe chama) dir-lhes-ei que, se querem deslumbrar os amigos, satisfazer o ego ou completar o trinómio do livro, do filho e do plantio da árvore - quiçá posteriormente apresentá-lo numa editora "mainstream" - faça-o com uma tiragem de 100 exemplares, mandando-o imprimir em impressão digital, na gráfica mais perto de si. Com isto, até poupa na dúzia de exemplares obrigatórios para o "depósito Legal". Leve-os a duas ou três livrarias, dando-lhes os 30% ou mais sobre o preço de capa, e ponha os amigos a distribuí-los pelos amigos, se o forem efectivamente.
Por favor, respeitem aqueles que, de forma embrionária, ainda que pretensiosa e egocêntrica, querem escrever e contar alguma coisa. São escritores, na acepção da palavra. E isso basta.
Não percebo muitos dos comentários. Estou de acordo com o Rui Silva: como está escrita, esta publicação da MRP, como outras que no passado ela tem publicado, demonstra preconceito para com quem publica sem a intervenção de uma editora.
ResponderEliminarA MRP nem sequer fala da publicação com chancela, como as da Chiado Editora, etc. Se se ler bem, ela refere-se, simplesmente, a edições de autor.
Se autores como o Miguel Torga se deixassem melindrar com a opinião dela, meu deus..., nunca tinham dado a conhecer o que escreviam...
E se formos a ver, os grandes autores de uma selecta literária começaram a publicar, quase todos, com edições de autor ou por terem conhecimentos.
Há muita palha? Há. E daqui a cem anos, quase todos os livros publicados pela Leya também serão palha.
Esta discussão vai longa e encontro bons argumentos de todas as partes. Por um lado admiro o trabalho de escrita da MRP mas subscrevo algumas das coisas que lhe foram aqui apontadas. Alguém ter um mais-que-tudo e gostar que esse mais-que-tudo veja a luz do dia não me parece motivo de ironia ou de qualquer tipo de paternalismo. Até porque haverá mais- que-tudo que merecem ver a luz do dia. O ter sido escrito por um perfeito desconhecido, sem conhecimentos nenhuns no meio editorial, não faz dele material de pior qualidade. Faz dele apenas isso: desconhecido e sem garantia de venda.
ResponderEliminarEu tenho um mais-que-tudo que irá ver a luz do dia ainda este ano, através da chancela da Porto Editora, mas andei por vários caminhos. As grandes editoras não respondem, algumas nem aceitam novos manuscritos, e as Chiados e afins pedem balúrdios. Por um lado não tinha dinheiro para investir, por outro acreditava que o meu mais-que-tudo não merecia aquele tratamento. Nem eu! Continuei e, sem conhecimentos no meio, consegui.
Não me estou a vangloriar até porque como eu existem outros autores que gostam de escrever, que poderão trazer qualquer coisa de novo e não têm qualquer patologia, necessidade de atenção ou problema de solidão! Apenas precisam de estar sós, de quando em vez, para escrevinhar umas coisas. Mas isso também os escritores a sério. Serve unicamente para sublinhar que existem pessoas de valor na sombra, desconhecidas, que merecem uma oportunidade.
Os públicos e leitores também se educam. Os mercados já não sei. Mas a escrita deveria estar imune a essas coisas. (Sim, sou um tanto ou quanto naif de vez em quando!)
:)
Cumprimentos
BARTLEBY 6 COMPANHIA" - Enrique Vila-Matas-página 39: - "A Biblioteca Brautigan reúne exclusivamente manuscritos que foram recusados pelas editoras às quais foram apresentados, nunca tendo sido publicados. Esta biblioteca reúne apenas livros abortados. Quem tiver manuscritos desses e os quiser enviar à Biblioteca do Não ou Biblioteca Brautigan só tem de remetê-los à povoação de Burlington , no Vermont, Estados Unidos. Sei de boa fonte - embora estejam só interessados em armazenar o que não é bom - que nenhum manuscrito é recusado; pelo contrário, aí são cuidados e exibidos com o maior prazer e respeito"
ResponderEliminar