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Logo mais à tarde, pelas 18h30, acontece na Livraria Buchholz o lançamento de um ensaio biográfico de Orlando Raimundo sobre o homem da propaganda de Salazar, intitulado António Ferro: O Inventor do Salazarismo. A apresentação estará a cargo de António Costa Pinto, que conhece bem a figura e o período em causa e, por acaso, há uns dez anos, apresentou igualmente outra obra do autor que reeditei recentemente, desta feita dedicada a Marcello Caetano (A Última Dama do Estado Novo e Outras Histórias do Marcelismo). António Ferro é uma personagem fascinante para quem se queira dar ao trabalho de esmiuçar as suas acções – e o seu quê de impostor (usou a circunstância de ter sido editor da revista Orpheu, o que aconteceu apenas no papel – e por ser menor de idade e inimputável – para se enaltecer e conseguir chegar a muitos lados) anda sempre a par do seu poder criativo e da sua genialidade. Rodeou-se dos melhores homens da cultura do seu tempo e soube trazê-los, diria eu, para o lado errado (sempre os artistas gostaram de um certo mecenato, enfim), mas a verdade é que muitos deles produziram nesse tempo coisas inesquecíveis (a título de exemplo, filmes como A Canção de Lisboa ou mostras como a Exposição do Mundo Português). Por isso, se tem curiosidade sobre este homem de muitas facetas, venha ouvir falar dele mais logo ou leia o livro, que vale muito a pena.
Como é que o Rosa não me há-de chamar ignorante - todos os dias são publicados dezenas, centenas de livros, e eu a vê-los passar. Nem que vivesse eternamente esgotaria o armazém...(tens razão ó Rosa sou um ignorante de todo o tamanho).
ResponderEliminarSobre "António Ferro: O Inventor do Salazarismo" - parece-me muito interessante e este é dos que gostaria de ler (...mas atenção que é a opinião de um garganeirolivresco já que eu gostaria de ler tudo pois o meu apetite por livros é insaciável e nem preciso de demasiados condimentos para os devorar).
É um período da vida portuguesa que detesto. O que, desde logo, me destapa a falta de ler tal livro ou outros semelhantes. A fuga a uma época que ainda conheci e felizmente não "tão bem" como outros que nele viveram quase inteiramente e contra ele lutaram ou não, não pode ser motivo para ignorâncias absurdas.
ResponderEliminarNão sei porque sempre me dá um pouco volta ao estômago essa exposição sobre o mundo português. E talvez saiba. Mas não será este o lugar.
Que António Ferro descanse na paz que merece, o que quer que ela lhe seja.
Senti o sentir do pequeno texto que escreveu. Obrigado, Beatriz
EliminarLi este extraordinário ensaio biográfico na semana da Páscoa.
ResponderEliminarBelissimamente escrito e fascinante nas suas revelações. Uma visão que me pareceu muito equilibrada do personagem: o seu arrivismo literário e cultural nunca são esquecidos ou encobertos, mas claramente o Orlando Raimundo documenta que foi pelo empenhamento de António Ferro que Salazar disponibilizou verbas estranhamento elevadas para as iniciativas culturais.
E, sejamos justos com António Ferro, e o Orlando Raimundo pareceu-me justíssimo com ele no seu livro. Assim, façamos a lista daquilo que Orlando Raimundo mostra que foi "inventado" pelo António Ferro e que ainda persiste hoje:
- As marchas dos santos populares em Lisboa;
- As Pousadas de Portugal;
- O galo de Barcelos;
- Os prémios literários;
- A decoração das estações de caminho de ferro da província;
- A aldeia rural paradigmática;
- O cinema português (incluindo Manoel de Oliveira que dá azo a curto e deliciosíssimo capítulo);
- O fado como objeto cultural.
- Amália Rodrigues.
(e quiçá mesmo):
- O (meu querido) Benfica !!!
É obra de se lhe tirar o chapéu mesmo por quem detestou e detesta as ditaduras.
Para mim, e para já, é o LIVRO PORTUGUÊS DE 2015 ! Parabéns e obrigado ao Orlando Raimundo e à sua Editora !
E, dito isto, vou ter que ler o primeiro livro do autor: "A Última Dama do Estado Novo" sobre a filha do Marcello Caetano e os tempos da decadência final da ditadura (tempos que já eu próprio vivi).
Ó Artur, essa do Benfica… Bem: adiante…
EliminarE a das marchas dos santos populares em Lisboa… Então e o S. João do Porto, carago?! Já por acaso alguma vez tiveste oportunidade de estar nas duas festas, a snob do S. António de Lisboa e a genuinamente popular, interclassista e democrática do S. João do Porto?
E essa da aldeia “rural” paradigmática… é para não confundir com aldeia “urbana”? Quer dizer: o Ferro estabeleceu um modelo de aldeia para todas as regiões do país, tanto no Minho como nas Beiras e no Algarve… Certo? Só mesmo na cabeça de um “paradigmático” benfiquista!
O certo é que, na inauguração da imponente Exposição do Mundo Português, o ilustre benfiquista Ferro não foi capaz de, à saída da visita ao pavilhão da Indústria, esclarecer à Ex.mª Esposa do Presidente Carmona a dúvida que ela, coitada, singelamente manifestou a Salazar: “- Só há uma coisa que me faz espécie: como é que eles conseguem meter a bolinha no gargalo da garrafa do pirolito?”
Ora bem: era mandá-la ir dar uma volta ao Bilhar… perdão: à Marinha… Grande e ver como é que os trabalhadores das vidreiras faziam as garrafas de pirolito, ora o carago!
Em suma, digo-te o seguinte: as coisas teriam sido de outra forma se a tal Exposição do Mundo Português em 1940 tivesse sido feita, como devia ter sido, aqui na antiga, mui nobre, invicta e sempre leal cidade da qual “Houve Nome Portugal”, e cujo clube de futebol, por isso mesmo, ostenta as cores que foram as cores nacionais durante quase oito séculos – e não na cidade cujos clubes repartem entre si as cores da recente bandeira nacional que, nesse 1940, tinha apenas trinta anos de duvidosa legitimidade.
Não é que eu não reconheça virtudes no António Ferro… Mas há perspectivas históricas que – c’um carago! – ele, tão inteligente, havia de ter antecipado.
É que eu sou um homem de uma só cor: azul e branco.
Não sei se estás a ver, pá…?
Talvez lhe valha a pena ler o livro, pelo prazer estético de fruir uma escrita de enorme qualidade literária e pela informação que está lá documentada. Não se fie em resumo do Expresso. Cumprimentos !
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