Oficinas

Quando fui recentemente a Macau, pediram-me que montasse uma oficina de escrita de uma história para crianças para alunos do 4.º ano, portanto, de nove ou dez anos de idade. Nunca tal coisa fizera parte dos meus planos, mas meti as mãos na massa e acho que acabámos por escrever em conjunto uma pequena história bastante engraçada com feiticeiros, partidas, poções – e até intestinos de barata –, que mais tarde haveria de ser ilustrada pelos autores com a ajuda do ilustrador João Fazenda (numa segunda parte da oficina). Sei que não me saí muito mal, mas na verdade há quem faça este tipo de oficina bem melhor do que eu: falo, mais uma vez aqui no blogue, de Marina Palácio, que tem agora um ciclo de workshops agendado para várias bibliotecas de Lisboa, entre as quais a dos Olivais e a de Telheiras. O programa é variado, mas eu tenho especial curiosidade em relação a duas destas oficinas: a dos Alimentos Incríveis e a dos Alfabetos Sensoriais. Acho que a Marina tem mesmo de ter muita imaginação, saber e paciência para trabalhar estas matérias com miúdos ao longo de duas horas... De resto, deixo-vos aqui um link se acaso tiverem vontade de inscrever numa delas os vossos pequenos conhecidos. E boas obras!


 


http://blx.cm-lisboa.pt/noticias/detalhes.php?id=1014

Comentários

  1. A Extraordinária Maria do Rosário já nos deu a 1a notícia da sua estada em Macau. Quem espera sempre alcança. Como foi a sua 1a experiência naquele tipo de trabalho terá tido especial sabor o sucesso que obteve. Parabéns.

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  2. Quando se fala de literatura infantil, regra geral trata-se de textos escritos por adultos, sendo as crianças os destinatários.
    Não é o caso do texto que, avô babado, tomo a liberdade de transcrever.
    Sem ter frequentado nenhuma oficina, o Guilherme (8 anos) sentou-se ao computador e, desembaraçadamente, imaginou e escreveu o seguinte:

    O PINHEIRO DE FOLHAS CADUCAS

    Um pinheiro, farto de ver os seus amigos carvalhos a mudar de roupa em cada estação, ficou com inveja porque também gostava. Pegou num pincel e num balde de tinta laranja, noutro castanho, um vermelho e ainda um amarelo e outro verde.
    Na primavera e no verão, o pinheiro pintou as suas agulhas de verde. Quando chegou o outono , pintou-se de amarelo, castanho, vermelho e laranja.
    Mas, no inverno, os carvalhos não têm folhas e então, o pinheiro também tirou as suas folhas. Um dia ficou muito fraco e caiu. Adormeceu.
    Um mês depois acordou e viu que tinha folhas. Perguntou aos carvalhos:
    - De onde vieram estas folhas?
    Os carvalhos responderam:
    - Fomos nós que as pusemos…senão, tu ias adormecer para sempre!
    O pinheiro agradeceu e os carvalhos disseram:
    - Agora vais ter folhas como nós! Se isto acontecer outra vez, não vamos poder ajudar.
    - Mas…
    Disse o pinheiro,
    - …se eu arrancar as minhas folhas, faz mal?
    Os carvalhos explicaram:
    - Então, tu agora és uma árvore de folha caduca!
    O pinheiro gritou:
    - Nãão !...não quero voltar a ter frio no inverno! Quero a minha roupa de volta!

    Guilherme Jordão / 3ºano / 2 de março de 2015

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  3. Claudia da Silva Tomazi17 de abril de 2015 às 06:11

    O Pinheiro de Terno

    Havia dias que ía-se trabalhar à vontade trajando o esporte outras vezes, socialmente e bem composto. Arlindo Pinheiro era um destes tipos ligado em manter ordem e proporcionar a lisura no traje, embora alguns dos funcionários a puxar-lhe a cadência nem faziam figura adequada.
    Eis que, belo dia entre o disse, nem disse haveria inspeção e, Arlindo cheio de ares bem vindos exibiu o sorriso no valioso (prestígio) há muito o gôsto o terno e sapato; um escovado outro engomadinho estava a apresentar o departamento.
    Claro, de encomenda só dinheiro achado o Pinheiro feito árvore de Natal o riso miúdo a porta larga.





    Sinceramente um dos melhores ofícios, Doutora Maria do Rosário Pedreira e a exemplo do Guilherme Jordão, escrever trata-se à bela prática de entusiasmo a família, proporciona alegria e disposição a bem viver.

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    Respostas
    1. Se bem inspeccionei o que, entre o disse e o nem disse, quis a Cláudia dizer, vejo que o Pinheiro tem ar de lindo, e mais (Ar)lindo fica quando, engalanado, é Pinheiro de Natal.
      Mas mesmo quando simplesmente de terno, o seu Pinheiro é uma ternura.
      Merece que o juntemos ao pinheiro do Guilherme – e assim vamos mostrando, aqui nesta oficina, como se planta um pinhal.
      E mostramos também como, combinando palavrita daqui, palavrinha dali, palavra d’acolá, se fertiliza o solo textual onde os plantamos.
      É como diz Cláudia: – “escrever trata-se à bela prática de entusiasmo”.

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