Macondo

Queridos amigos, não sei se já sabiam por outras fontes, mas queria dizer-vos que, enquanto me estão a ler, se tudo correu como esperado, estarei em Bogotá, a participar na Feira do Livro daquela cidade, donde só regressarei no dia 30. Terão de passar o resto da semana sem o blogue, mas deixei este post preparado porque entretanto descobri uma coisa maravilhosa que quero partilhar convosco. É habitual as Feiras do Livro de vários países terem anualmente um país convidado e organizarem a programação à sua volta; é assim com a Feira do Livro de Frankfurt, por exemplo, ou o Salão do Livro de Paris, mas também com a Feira de Guadalajara, no México, ou a FILBo, em Bogotá, uma das maiores feiras da América Latina, que já contou recentemente com Portugal como país convidado, até porque a Colômbia tem um grande especialista na obra de Pessoa, chamado Jerónimo Pizarro, que tudo comissariou na altura. O que tem piada é que, estando este ano convidada e não sendo ano de Portugal, fui tentar saber qual era o país homenageado. E, enfim, a resposta mostra que há gente com imaginação e atrevimento suficiente para fazer uma coisa bem original: Macondo! Ora, como sabem, Macondo é um lugar criado por García Márquez nesse que foi o seu romance mais traduzido e lido de sempre: Cem Anos de Solidão. Bonita homenagem a Gabo, um ano depois da sua morte. Até dia 4, bom feriado no dia 1!

Comentários

  1. Não vejo que haja um melhor país para homenagear.
    Parece-me que a escolha dá vivas à literatura incontornável de Garcia Marquez e ao imaginário de quem escreve ficção.

    Há-de ser uma Feira do Livro bem interessante. Boa estadia. E muitas histórias para contar. Aqui. Ou em qualquer lugar.

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  2. Um gesto muito generoso, e uma justa homenagem a um dos grandes romancistas dos século XX.

    Lembro-me do adolescente leu Cem Anos de Solidão e por alguns tempos o considerou o maior livro de sempre; depois fui somando outras leituras, descobri outros escritores e essa crença perdeu-se, mas continuo a ter grande reverência por este maravilhoso romance.

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    1. Não me canso de regressar a Macondo. Cem anos de solidão é uma das minhas releituras frequentes, apesar de saber de cor muitos dos excertos.
      JCC

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  3. Uma aldeia de vinte casas de barro e tacuara...

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  4. o que seria de nós sem o realismo mágico...

    e boa passagem da Rosário pela nossa "latinamérica".

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  5. Em suma: sem desprimor para o Macondo de Gabriel G. Márquez, vamos ter aqui no nosso país, graças a Maria do Rosário, uma semana de solidão.

    A mim, solitário, o que me vale é que, para partilhar com os Extraordinários no próximo mês, “ando a ler” umas coisas interessantes sobre outros “países” (Açores, Douro…). E também tenho aqui, para desenvolver durante a semana de solidão, uns apontamentos sobre palavras e expressões que, por nos terem caído em desuso, tenciono sugerir que sejam recuperadas, pelo menos durante umas semanitas.

    É que, tirando partido do sossego que me permite esta semana de solidão, dou comigo a reflectir que a nossa cultura e a nossa língua, multicontinentais e pluriculturais (o contrário da solidão…), são tão ricas que se permitem dois luxos: o de, de uma semana para a outra, deixarmos aqui e ali cair em desuso algumas palavras e expressões; e o de, fácil e descontraidamente, sem pedir licença aos acordos ortográficos, criarmos e adoptarmos, de um dia para o outro, novas expressões e palavras.

    Isto, como digo, não obstante o acordo ortográfico que, como se verifica, não me impede de, aproveitando a semana de solidão, refle”c”tir sobre o desuso de certas palavras e tentar a re-ado”p”ção de certas expressões – e vice-versa, se for caso disso.

    Aliás – reflito eu agora sem “c”– para que a nossa língua possa exibir ao mundo a sua vitalidade e criatividade, não precisa de estar cem anos em solidão. Nem coisa que se pareça. Basta uma semana de vez em quando – por exemplo, esta semana em que está representada no Macondo por Maria do Rosário.

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