Havíamos de falar

Não, não me refiro a Mário de Carvalho e ao seu Havíamos de Trocar Umas Ideias sobre o Assunto (estou a parafrasear), mas até podia ser, porque o post tem tudo que ver com o Belo. Falo, porém, de um Ciclo de Conferências que ocorrem mensalmente, de há cerca de um ano para cá, no Teatro Aveirense, ciclo esse organizado pelo Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos e a Fábrica Centro Ciência Viva em Aveiro e com a mãozinha de Nuno Camarneiro, investigador na Universidade dessa cidade e também escritor. As conversas, que já se dedicaram a Deus, ao Tempo, ao Conhecimento ou à Solidão, entre muitas outras coisas sobre as quais havíamos de falar e às vezes não falamos, envolvem artistas, cientistas e pensadores que, diante de uma audiência ao que sei entusiástica, trocam ideias sobre esses assuntos e se deixam interpelar por Nuno Camarneiro. Hoje às 18h00 estarei por lá a falar do Belo, essa palavra muito grande onde podem caber poemas e Fellini, mulheres loiras e pintura renascentista. Terei como companheiro o coreógrafo Paulo Ribeiro e desta vez não vai haver desculpas, temos mesmo de falar disso que é a Beleza, sem a qual já não podemos viver.


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Comentários

  1. Trabalho a 50 metros do Teatro Aveirense, melhor nem por encomenda. Lá estarei. Espero ter oportunidade de a cumprimentar e agradecer tantos bons livros com que nos tem presenteado.

    Rui Miguel Almeida

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  2. António Luiz Pacheco14 de abril de 2015 às 03:35

    Belo! É o que se me sugere comentar!

    Mas inclua nele as mulheres morenas, ora essa!


    Saudações da Cidade Morena!

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  3. Desejo a todos os participantes um bom crepúsculo e melhor público. Que o encontro lave a alma de todos. É que, sem beleza, este mundo não se aguenta.

    O gosto é uma qualidade tão subjectiva! Por exemplo, o bom gosto acerca de mulheres loiras serem belas:)

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    1. António Luiz Pacheco14 de abril de 2015 às 04:23

      Se me permite a observação, diria que "gosto" não é uma qualidade (exactamente por tão subjectivo) e sim sensibilidade.

      Saudações da Cidade Morena

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    2. Hummm...tem razão e não tem: partindo nós do pressuposto de que consideramos qualidade de um corpo qualquer característica ou propriedade do mesmo, o gosto, neste caso o bom gosto, é uma qualidade da sensibilidade humana: a de apreciar. Mas, digo eu, apesar de ser uma qualidade sensível (necessita da participação dos sentidos) não se esgota neles. Ou seria pertença de qualquer outro animal o que não se verifica. Portanto, julgo que a própria sensibilidade humana difere, por contaminação racional e emotiva, da sensibilidade dos outros animais. Penso que será um dos casos em que, como diria um dos meus professores, é o peso e a forma da relação que torna possível aferir a qualidade do objecto estético.

      Na verdade, o gosto é a qualidade subjectiva que melhor permite a universalização do espírito. Há até quem afirme que os homens conseguem entre si uma proximidade mais feliz no juízo de gosto que no juízo moral ou mesmo no puramente racional (se é que algum homem consiga este último).

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    3. António Luiz Pacheco15 de abril de 2015 às 08:32

      Muito agradeço a sua interessantíssima resposta!

      De facto, creio que é aqui que está o busílis: "qualidade de um corpo qualquer característica ou propriedade do mesmo" (sic).

      Esta uma definição da física, mas será aplicável ao tema, que é ... metafísico? Não sei se me faço entender?

      No resto, inteiramente de acordo com o que me diz, e gostei particularmente desta afirmação:

      "Há até quem afirme que os homens conseguem entre si uma proximidade mais feliz no juízo de gosto que no juízo moral ou mesmo no puramente racional".
      Eu diria que sim, sem qualquer dúvida... é o que mais nos aproxima, a partilha de gostos comuns, como no nosso caso, a leitura!!!!

      Saudações gostosamente enviadas cá da Cidade Morena, onde há belas morenas... loiras são mais raras...

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    4. Não sei porque tenha a sensação de que está brincando comigo, mas pronto, pode ser mera impressão. A ser brincadeira, não é danosa:)

      Julgo que as qualidades não são apenas nem sobretudo físicas e no entanto, porque provenientes de um ser dimensional como o homem, não as considero metafísicas. Mas é só a minha opinião. E sim, tem razão, eu deveria ter dito "de qualquer ser" e não dos corpos.

      Parece-me que os filósofos se referiam à capacidade de apreciação do belo (um belo livro, também) como força comunicante e aglutinadora para os homens. Como se aspiração à beleza e a sua mesma contemplação possam chamar a ética e o conhecimento. O tema interessa-me, contudo não sei o suficiente para o situar com firmeza e sou demasiado preguiçosa para estudá-lo. Mas é uma ideia bonita, a vida sem beleza desinteressa. E homens que não lhe atendam são menos homens, pigmeus, talvez:)

      loiras e morenas têm suas particularidades. Em Portugal, as loiras são em menor número e por isso, mais apetecidas. Provavelmente, tb na sua cidade morena:) e a afirmação de outro dia passa a fazer sentido.

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    5. António Luiz Pacheco16 de abril de 2015 às 12:05

      Embora ponha muitas vezes uma tónica que pretende ser bem-disposta, nas minhas intervenções, não estou neste caso a brincar consigo, e nem vejo porque pensou isso...

      Quanto às morenas... bem, é por elas que Benguela é famosa!
      Ahahah!

      Saudações Morenas da Cidade das Acácias Rubras!

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  4. «entre muitas outras coisas sobre as quais havíamos de falar e às vezes não falamos» - Deus, Tempo e Solidão, assim como a Morte, são assuntos dos quais me ocupo muito em pensamentos e conversas, nomeadamente, com o meu marido. Também leio muito sobre eles e já pensei em transportar as minhas reflexões para o papel. A ver vamos, que o tempo não chega para tudo...

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  5. Creio que o título do livro de Mário de Carvalho a que alude é quase esse, mas, na verdade, é: «Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias sobre o Assunto».
    Cumprimentos.

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  6. Claudia da Silva Tomazi14 de abril de 2015 às 07:19

    Conveniente explicar o belo a beleza enfim; o arco-íris as flores a humanidade o elogio a vida a beleza a inspiração e complementos a emoção.

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    1. António Luiz Pacheco14 de abril de 2015 às 09:17

      Aplaudo o seu belo comentário, se me permite!

      Saudações da Cidade Morena, que já foi bela... mas continua cá deste lado do mar, esperando melhores e mais belos dias!

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