Arte com mensagem
A expressão «arma de destruição maciça» aparece, de há uns anos para cá, frequentemente nos nossos jornais (por razões que sabemos e nem vale a pena estar a lembrar). Mas haverá uma outra menos comum que, evocando a sonoridade da anterior, é completamente outra coisa: “arma de instrução maciça.” Se não a conhecia, saiba que ela foi criada por um artista argentino ao que dizem um pouco excêntrico, de seu nome Raul Lemesoff, e que o seu objectivo é o de combater a ignorância e espalhar o conhecimento por todo o lado. Trata-se, afinal, de uma espécie de tanque de guerra cultural – concebido a partir de um velho Ford Falcon de 1979 – cheio de livros por dentro e por fora (cerca de 900, ao que parece), que percorre as ruas de Buenos Aires conduzido pelo seu criador, desejoso de oferecer livros a novos e velhos. Diz Lemesoff, a brincar, que a sua missão é muito perigosa e que ataca as pessoas de uma forma simpática e divertida. Venham mais artistas como ele criar bibliotecas artísticas e itinerantes e espalhar o “perigo” da sabedoria. Pode ser que assim haja menos guerras reais.
Se surgisse outra viatura exibindo todo o género de artefactos de destruição - pistolas, espingardas, metralhadoras, granadas, ingredientes explosivos, facas, venenos - e duas multidões apoiantes antagónicas se confrontassem, o que é que ia acontecer? Nos últimos cem anos, nesta "maravilhosa" Europa, a instrução não tem levado a melhor.
ResponderEliminarTão bonita a "arma de instrução maciça"! Será Lemesoff um mecenas das ruas?! O certo é que todos nós gostaríamos de ter tido a ideia e o poder de a concretizar. Ataques desta qualidade escasseiam. E tanto faltam no mundo das pessoas. Tornam mais poético e vivível o mundo. Refrescam.
ResponderEliminarÉ bonita e original a iniciativa, leva livros até às pessoas, se não fizer bem, mal não faz. Em termos de eficácia, não será seguramente superior à das Bibliotecas Ininerantes fã Fundação Calouste Gulbenkian às quais tanto devo enquanto leitor.
ResponderEliminarMas o problema da crise de leitura está, penso eu, muito mais do lado da procura do que do da oferta, pelo que iniciativas como esta terão sempre mais impacto mediático do que resultados duradouros.
JCC
Uma militância de aplaudir e divulgar, sem dúvida!
ResponderEliminarIndependentemente dos resultados, das consequências e até da situação vigente, mostra que há um resistente! Pode não dar em nada... mas também pode acordar algo ou alguém.
Nós tivemos as bibliotecas itinerantes, da Gulbenkian? E sei que muita gente leu assim...
Saudações cá da Cidade Morena
Uma militância de aplaudir e divulgar, sem dúvida!
ResponderEliminarIndependentemente dos resultados, das consequências e até da situação vigente, mostra que há um resistente! Pode não dar em nada... mas também pode acordar algo ou alguém.
Nós tivemos as bibliotecas itinerantes, da Gulbenkian? E sei que muita gente leu assim...
Saudações cá da Cidade Morena
Uma iniciativa de louvar, sem dúvida. Já o facto de usar um veículo de guerra, mesmo adaptado, não é para o meu gosto. Pelo menos, o canhão, ele poderia ter tirado. Entendo a metáfora, mas não gosto, porque liga cultura a agressividade e a armas, impôr à força. A literatura e a cultura em geral deviam usar sempre símbolos pacíficos e não "imitar" a guerra.
ResponderEliminarLi que o modelo de carro que ele usa - um ford falcon verde - era o modelo usado pelos grupos paramilitares durante a ditadura argentina. Parece-me, portanto, bastante apropriado, também como guardião da memória.
EliminarNão gosto daquele canhão apontado. Podiam inspirar-se na revolução portuguesa e pôr lá um cravo, ou outra flor, ou um ramo de flores...
EliminarNem de propósito - é que depois de aqui ter sido rotulado de tremendo IGNORANTE tive oportunidade de confirmar que afinal o ROSA tinha razão é que sou mesmo um gigantesco ignorante tal como tive oportunidade de confirmar num dos dias da semana passada na Biblioteca do Convento de Mafra - é que dos milhares de livros que lá existem nem um, nem um que fosse eu li.
ResponderEliminarDaí que esta «arma de destruição maciça» vinha mesmo a jeito de me ser aplicada no lombo... só que, tal como diria o outro (não, o Rosa não), quanto mais aprendo mais alargo o campo da minha ignorância.