Vida colorida
Quando era miúda e ficava doente em casa, a minha mãe dava-me às vezes livros de pintar. Eu adorava, e os meus preferidos – não sei se ainda existem, apesar de tanta coisa sofisticada que para aí há – traziam um pincel que, mergulhado em água, fazia, em contacto com o papel, aparecer cores diferentes em cada página (parecia magia). Bem, os livros de colorir não são para os mais criativos (que gostam de fazer os próprios desenhos), mas a ideia que guardo deles é a de que entretinham muito. E leio agora num artigo que, pelos vistos, também os adultos gostam deles… Em Inglaterra, os médicos receitam-nos para diminuir a depressão e aliviar a tensão do dia-a-dia e, segundo os livreiros, só em 2014 o aumento de vendas foi de cerca de 300 %. A moda desta terapia começou em França quando se descobriu que as mulheres que trabalhavam muitas horas ao telefone, por exemplo, ficavam muito menos enervadas se pintassem ou desenhassem ao mesmo tempo. E a tendência (como tudo o que é francês) atravessou o canal, sendo agora a Inglaterra surpreendida por um aumento exponencial na venda de certos títulos de livros de pintar, sobretudo aqueles que têm páginas destacáveis que podem ser posteriormente emolduradas. Enfim, as crianças andam com brinquedos cada vez mais tecnológicos e os adultos parecem estar a regressar à infância.
as coisas que a Rosário nos conta. :)
ResponderEliminarmas tem alguma lógica.
pela experiência que tenho nas ruas da cultura, noto que muitas pessoas depois de se reformarem começam a fazer coisas que não puderam na infância (tantas infâncias roubadas...) e adolescência, pelo menos no campo das artes.
o único senão é alguns em meia dúzia de meses já se acharem os "Picassos" lá da rua...
tudo coisas desculpáveis, porque os deslumbramentos podem aparecer em qualquer altura da vida.
acho que uma das coisas mais importantes que se criaram no nosso país foram as Universidades da Terceira Idade.
lá fugi mais uma vez ao tema. :)
Inteiramente de acordo Extraordinário Luis Eme!
EliminarAcontece-me levar com pintores de última hora, e é cada seca... pior que isso só aqueles que de repente decidem comprar um cão, e em meia-hora são especialistas em cães no geral e naquela raça em particular!
Ahahah!
Mas também acho que nunca é tarde para se descobrir aquilo que gostamos, sem dúvida!
Saudações Distinguidas cá da Cidade Morena!
Gosto muito de colorir livros como os que descreve. Pensava que era por fazê-lo com o meu neto, pelo prazer de estar com ele, mas será que se deve aos benefícios terapêuticos que inadvertidamente retiro da atividade?
ResponderEliminarA minha sobrinhada, nos seus variados escalões etários, de um modo geral adoravam pedir-me para lhes desenhar coisas, peixes e animais sobretudo... que depois pintávamos em conjunto!
EliminarTenho uma colecção completa da "Varinha Mágica", colorida à mão e a lápis, pela minha irmã mais velha, Tereza Isabel, que mais tarde estudou desenho com o Carlos Amado e veio a fazer o IADE. Para nós tem um valor inestimável, mas para um colecionador certamente ficou estragada.
Que se lixe... o prazer de ler e depois pintar as gravuras (desenhadas a preto e branco) representam horas e memórias, boas!
Saudações Coloridas cá da Cidade Morena!
Bom exemplo arte em aguarela; a deitar 'árvore' fabricar lápis de cor... Faber Castle (justifica) o lúdico.
ResponderEliminarÉ verdade que aqui em França todos os quartos de crianças que conheço têm uma rima de livros de colorir e uma gaveta cheia de aguarelas e pinceis. A maioria dos miúdos usam-nos para decorar folhas e mais folhas com dedicatórias e desenhos aos que mais gostam, normalmente aos pais que depois vão afixando aquilo pela casa fora. E há casas que parecem galerias, outras uma enorme creche. Mas é certo que a pintura faz parte do dia a dia dos franceses. Agora que a coisa tinha atravessado as fronteiras isso não sabia! Mas é curioso que o meu marido, por exemplo, quando está no meio de uma conversa mais estressada a primeira coisa que procura é uma caneta e um bocado de papel e enquanto a conversa durar ele não para de desenhar bonecada. Talvez agora compreenda melhor a sua ânsia quando os olhos buscam a caneta.
ResponderEliminarUm abraço e um extraordinário fim de semana.
Carla Pais
Excelente terapia. Nada como andar com um caderno, parar para desenhar e pintar na rua e nesse momento relaxar através dos traços e das aguarelas.
ResponderEliminarLá em casa faço os desenhos e a minha filha pinta-os.
Nos Urban Sketchers temos este mote:
"Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar."
John Ruskin
Voltemos à infância, então!
Extraordinário passatempo esse Caro Henrique Vogado!
EliminarE, Extraordinário o "Urban Sketchers"! Será que o meu amigo Saul faz parte? Ele delicia-me com os seus esboços feitos por toda a parte, seja numa espera nas finanças, no dentista, na praia...
Quem me dera... o que faço é andar sempre com a máquina e vou recolhendo imagens do que vou vendo, mas nada como a alma que um lápis dá!
Caro António Luiz Pacheco,
EliminarÉ excelente a sensação de desenhar e de observar com mais atenção o que nos passa despercebido diariamente.
Não sei se o seu amigo faz parte dos Urban Sketchers, mas pode sempre aparecer nos nossos encontros de desenho e trocar impressões.
Experimente também pegar num caderno e num lápis e fazer uns traços. A sensação é boa e melhora com o tempo.
Bom fim de semana!
Lá em casa, cada um dos meus filhos - sobretudo os dois mais novos - colore quase todos os dias. A gaveta dos talheres mistura garfos com marcadores, e há pontas de lápis de cor esfareladas no soalho e na sola dos sapatos de toda a gente. The Amazing Technicolor Dreamhouse …onde não há livros de colorir. Não sendo regra, é costume: desenhar tudo aquilo que se pinta. E, sim, também me lembro desses livros e do gozo que me deram quando era puto.
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