Uma livraria que seja sua

Sim, pode parecer sexista ou feminista, como queiram, mas a ideia é criar uma livraria de mulheres na cidade do Porto no próximo mês de Abril. Ao que sei, existe apenas meia centena de livrarias deste tipo em todo o mundo, mas Aida Suarez, a mentora do projecto, não tem medo de arriscar. Espanhola, está habituada a viver seis meses em Portugal e outros seis em Espanha e leva sempre livros com ela para ler no comboio (imagino que muitos serão de escritoras). Inspirando-se numa livraria para mulheres que existe em Madrid (a Prolég, onde uma vez entrou), Aida resolveu criar um espaço de promoção da cultura feminina na Invicta e diz que os homens serão também muito bem-vindos, mas os livros serão todos de mulheres. (O mote é justamente de uma escritora que todos conhecemos, Virginia Woolf, e do seu livro Um Quarto Que Seja Seu.) Para realizar este sonho, Aida lançou na Internet uma plataforma em que apela ao contributo de todos – Confraria Vermelha (confraria por apelar à união, vermelha por ser a cor da capa de Capuchinho, a mais famosa personagem feminina de contos infantis). Porém, o projecto da livraria não se resumirá a um lugar para vender livros, incluindo telões para a emissão de filmes, um espaço para lançamentos e apresentações, cursos, conferências, tertúlias e debates. Nos escaparates, literatura de mulheres e para mulheres, livros práticos para mães e mulheres trabalhadoras, ensaios sobre a igualdade de género e muitas outras coisas. Vão ser precisos 12 000 euros para pôr tudo em marcha, mas haverá certamente muitas mulheres com vontade de contribuir.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de março de 2015 às 03:03

    Ignoro o que dirão as feministas exacerbadas e extremas... mas certamente irão gritar contra, dado que "só para mulher" é mais grave do que "só para homem", porque assim nem faz sentido invadir o espaço que é reservado a mulheres, algo que pode para algumas ser sintoma de inferiorização!

    Pela minha parte, acho uma idéia peregrina e cuja mais-valia comercial não me parece vantajosa.

    Há livros para mulheres? Creio que sim... como creio que há livros para homens... o que não me parece é que justifiquem uma livraria só para uns ou outros, se bem que complementada com outras actividades, que podia ainda ser cabeleireiro ou barbeiro, por exemplo...

    Lembro-me da Biblioteca das Raparigas e da Biblioteca dos Rapazes... e de facto parece-me que não interessam grandemente às mulheres os livros do Salgari e nem aos homens os romances da Berte Bernage... pois por muito que isso vá eriçar o cabelo da Extraordinária Cristina Torrão, ainda há coisas que interessam a homens e outras a mulheres, e ainda bem, acrescento!

    Viva a diferença!

    Saudações diferenciadas cá da Cidade Morena!

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    1. Caro António Luiz Pacheco, eu bem digo que me entende mal:
      eu sou pela diferença entre homens e mulheres, sempre gostei de homens precisamente por serem diferentes das mulheres e também acho bem que haja coisas que interessam só a umas e outras só a outros. Só não concordo com a diferença de níveis, ou seja, considerar, por exemplo, atividades, interesses e inteligência de homens superiores ao das mulheres, como foi feito durante toda a História humana, até há, digamos, cerca de trinta anos. E ainda se continua a considerar, também na nossa cultura. No fundo, a igualdade está longe de ser atingida. E repito: por igualdade, não defendo que as mulheres sejam iguais aos homens nas suas características, mas nos seus direitos e oportunidades!

      Quanto a uma livraria para mulheres, onde se vendem apenas livros escritos por elas. Pois, sei lá... Se considerarmos que, durante séculos, só os homens tinham direito a frequentar bibliotecas e livrarias, digo que nós temos algo a recuperar. Nesse sentido, acho que faz sentido, se me permitem a exressão ;)

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    2. Só caminhando juntos a VITÓRIA será nossa.

      Mas que fenómeno será este de estar sempre a apelar para a discriminação...

      Curioso; parece-me um caso de avaliação para um Júlio Moral Machado Vaz...

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    3. António Luiz Pacheco9 de março de 2015 às 09:53

      Não entendo nada mal... estava a brincar, e a provocar - espero que saudavelmente! E creio que sim, porque a réplica veio boa!!!!

      Eheheh! Eu sou munta reinadio...

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  2. Livrarias para mulheres
    Bares para Mulheres
    Hipermercados para Mulheres
    Automóveis para Mulheres
    Cafés para Mulheres
    Passeios para Mulheres
    Ruas para Mulheres
    Televisões para Mulheres
    Computadores para Mulheres

    Como é triste esta figura das mulheres que, a todo o custo, querem perder toda a sua identidade e força de MULHER!

    Não percebem que quanto mais carregam mais se atascam...

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  3. Está lançado o repto para uma discussão de género. A cota de mulheres nas administrações de empresa já vai no adro. Certamente alguém lançará a idéia de uma cota de homens no emprego dos jardins de infância. Assuntos e livros para a novel livraria.

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    1. Pela primeira vez na História da Humanidade, as mulheres estão a ter crescente relevância nos mais variados cargos e sectores da vida da sociedade.
      E – digo eu do cantinho da minha provecta idade – ainda bem que assim sucede, que é a ver se nós, os homens, temos finalmente algum sossego.
      Caso contrário, não será bem uma evolução civilizacional...
      Digo eu...

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  4. Quando diz “livros de mulheres”, significa livros “escritos” por mulheres ou livros “dirigidos” a mulheres (seja lá o que isso queira dizer)?

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    1. O melhor João é conhecer o projecto e essas dúvidas desaparecem. Seja bem-vindo e viste por agora online: http://livrariaconfrariavermelha.com/

      Um abraço,
      Aida

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  5. António Luiz Pacheco9 de março de 2015 às 04:42

    AI!!!!

    A Nossa Extraordinária Anfitriã, com este post acordou o "monstro" !!!

    Ahahahah!

    Saudações cá da Cidade Morena...

    Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela!
    Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela!





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  6. «Um Quarto Que Seja Seu» («A Room Of One's Own») - que eu já li - não é um romance mas sim um ensaio de Virginia Woolf.

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  7. Perdoem-me, Extraordinários, usarei uma palavra menos elegante, mas mesmo a calhar:

    Chiça! Como este mundo anda chato e preconceituoso! Cansa. Enfastia e enfadonha. Dá azia.

    Vivemos em gavetas, ou em pequenos nichos, sem direito a horizontes. Tudo arrumadinho, como armário de mulher, com as roupas organizadas por cores e usos. Chiça, novamente!
    Há os negros e os não negros. Os fumantes e os outros. Os gays e os hetero. Os ricos e os pobres. Os "crentes" e os ateus. Os gordos, os magros; os altos e os baixos; os "malhados e sarados" e os flácidos. Os velhos e os novos. Os "bem" e a ralé, os orientais e os ocidentais, os do norte e os do sul. Ainda sobrevivem os de direita e os de esquerda, os intelectuais e os alienados. Os homens e as mulheres ....
    Ainda haverá seres humanos neste planeta tão lindo? Parece que sim, existem. Só que agora vêm com rótulos, como mercadorias vendidas nos hipermercados. Está realmente chato ter de aturar este tipinho de gente que gosta de gavetas e rótulos!!

    Boa tarde, Extraordinários.

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  8. Ó Pacheco vamos lá a chamar as coisas pelos nomes:

    Há os negros e os não negros / Há os pretos e os brancos.

    Há os gays e os hetero /Há os paneleiros e os machos.

    Há os ricos e os pobres /Há os explorados e os exploradores

    Há os "crentes" e os ateus / Há os beatos e os desiludidos.

    Há os "bem" e a ralé / Há o José Castelo Branco (a coisa) e o Zeze Camarinha (o prototipo do português)

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  9. indo direta à questão ( e julgando que o público deste blogue está fartinho de saber que a Mulher precisou de se impor e que a Mulher preferia nem ter falado nisso, mas a história obrigou-a a ter mão firme na Voz, nos direitos, nas oportunidades e que a resposta de Maria do Rosário Pedreira não seria precisa em pleno sec xxi ) gostava de pedir:

    informações mais precisas sobre o projecto, se já tem espaço, como se pode ajudar para além do contributo financeiro. obrigada

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    1. O melhor, Paula, é procurar na Internet por «Confraria Vermelha».

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    2. Paula Peres, para conhecer melhor o projecto podes visitar: http://livrariaconfrariavermelha.com/

      Um abraço,
      Aida

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  10. olhando apenas para o negócio, não me parece boa ideia.

    se as livrarias para todos têm dificuldades, pior será uma especializada em apenas um género.

    por outro lado, tenho dificuldade em encontrar literatura para homens ou para mulheres. distingo os livros por bons ou maus, não por género.

    claro que estou a falar de literatura, não de livros práticos, mais virados para os seus interesses particulares.

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  11. Quer dizer que será uma livraria onde não será possível acontecer o que me aconteceu, nem há meia hora, numa Fnac de subúrbio: encontrar casualmente, um exemplar único do esgotadíssimo A Morte Sem Mestre de H. Helder. Casualmente ainda que, segundo o autor, "tudo quanto neste livro possa parecer acidental é de facto intencional".

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  12. Será que já está planeada uma manifestação semelhante à das mulheres que "invadiram" a barbearia lisboeta?
    Ou isto da igualdade é só quando convém?

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    1. Niguém referiu, em lado algum, que os homens não podem entrar nessa livraria!

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    2. Mas podem fazê-lo. Não vejo problema em ter uma livraria onde só entram mulheres. Não me sentiria discriminado.
      Tal como não me afeta que existam ginásios só para mulheres.
      Com o meu comentário a roçar o sarcasmo apenas queria afirmar que concordo com esta iniciativa distanciando os extremismos a que chegam determinados assuntos.
      Devia ter sido mais explícito, eu sei! Mea Culpa.

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    3. Não será necessária nenhuma acção do género Jhonny M, simplesmente porque os homens podem entrar e são bem-vindos na livraria Confraria Vermelha como podes perceber se leres este artigo:http://confrarialivreira.blogspot.pt/2015/02/e-os-homens-podem-entrar.html

      Um abraço,
      Aida
      livrariaconfrariavermelha.com

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    4. Há alturas em que não tenho piada! Esta foi uma delas. Se calhar devia ter dito apenas que são as diferenças que nos fazem únicos e interessantes e que por esse motivo este tipo de projetos deviam ser sempre bem vindos.
      Vou tentar visitar a livraria, pois é um projeto que considero interessante é que espero sinceramente que vingue.
      Sei que não tenho esta obrigação mas aproveito para pedir desculpa a quem possa ter ficado ofendido ou intimidado com o meu comentário.

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    5. Espero por ti Johnny e se por acaso quiseres visitar a livraria online também podes fazê-lo, será uma prazer, receber-te na Grande Casa: http://livrariaconfrariavermelha.com/

      Um abraço e até já,
      Aida

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  13. Não me apetece esmiuçar a ideia e a sua concretização, mas não gosto muito de seja o que for só para um dos sexos - embora o outro género possa, evidentemente, frequentar o meio. Mas hoje há ideias de tudo. E esta nem é tão pior.

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  14. Muito obrigada pela divulgação Rosário. Juntas fazemos acontecer

    Uma correcção a livraria de Madrid que visitei foi "Librería de Mujeres" a Pròleg é uma livraria em Barcelona.

    Um abraço
    Aida
    livrariaconfrariavermelha.com

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