Um par irresistível
Já aqui falei deste mini-romance de Mário Cláudio, O Fotógrafo e a Rapariga, que é o último de uma trilogia dedicada à relação entre pessoas de idades muito diferentes. Depois de Bernardo Soares e um paquete de escritório em Boa Noite, Senhor Soares, e de Da Vinci e um seu discípulo em Retrato de Rapaz, temos agora a novidade de uma rapariga e de um professor de Matemática, fotógrafo amador, que se sente muito atraído por Lolitas e vê na menina Lidell alguém que fica muito bem na objectiva da sua câmara. Charles Dodgson (esse professor-fotógrafo) ficou conhecido por Lewis Carroll e é o autor desse livro imortal intitulado Alice no País das Maravilhas, que se diz ter sido inspirado justamente por Alice Lidell (que está na capa do livro de Mário Cláudio e tem ar de tudo menos de inocente). Depois de o termos feito nas Correntes d’Escritas, é agora a vez de lançarmos O Fotógrafo e a Rapariga no Porto (logo mais à tarde, pelas 18h30, na Sala Braga da Ordem dos Médicos, com apresentação do professor Martinho Soares) e em Lisboa (amanhã, na Livraria Buchholz, às 18h30, com apresentação de Daniel Sampaio). Apareça!
Boas sessões.
ResponderEliminarEspero que o livro - o único da trilogia que ainda não li - não desmereça da foto. A menina Lidell, de quem li algures sobre a sua relação com Lewis Carroll, era o que se chama de garota fotogénica. Insinuante qb. Atractiva. Mas o fotógrafo não desmerece. As roupas, o lugar e o olhar... são ela só?! Quem é afinal o modelo fora da fotografia, se é que interessa.
E pode que tudo isto e muito mais esteja já em letra de forma, como dizia o meu avô, no livro de Mário Cláudio
Na referência anterior a esta obra eu tivera a impressão de conhecer esta foto da capa de outro livro. É daquelas coisas que ficam a mexer e nos obrigam a procurar. E encontrei: "Paisagens depois da Batalha" - Juan Goytisolo, Relógio d'Água. Há imagens cujo fascínio tem o poder de as disseminar.
ResponderEliminarVi-o nas Correntes, no sábado, mas ainda não li o livro (começo dentro de um dia ou dois). Normalmente faço questão de que seja ao contrário, mas não resisti. E ainda bem.
ResponderEliminarFico sempre um pouco incomodada, quando se atribuem qualidades de adultos a crianças, porque há definitivamente algo que não funcionou bem na educação/crescimento das últimas. Não o disse da primeira vez que foi publicada aqui esta capa, mas agora não resisto.
ResponderEliminar«Tem ar de tudo menos de inocente» - de onde virá essa falta de inocência? Na minha opinião, ela vem sempre na sequência de comportamentos menos adequados por parte dos adultos em relação à criança em questão. Esse comportamento pode até nem estar relacionado com sedução ou incitamento a práticas do foro sexual. Por vezes, uma criança adota atitudes, digamos, menos próprias, apenas na busca de reconhecimento, atenção e amor. Ora, isso significa que há falta desses fatores na sua vida.
A moça da foto tem, decerto, um ar sedutor q. b. Mas reparem bem: também está longe de ter um ar feliz!
Para mim, a fotografia é de uma tristeza confrangedora (tristeza, no verdadeiro significado da palavra, isto é, põe-me muito triste, angustiada, é um verdadeiro murro no estômago).
Eu sei que muita gente diz que as crianças não são tão inocentes como se pensa, que algumas são capazes de pôr um adulto maluco (isto, no que respeita à sedução). Ora bem, para que conste: essa costuma ser precisamente uma das "desculpas" dadas pelos pedófilos para os crimes que eles cometem! "Desculpas" dessas fazem-me também lembrar os violadores (de mulheres adultas, ou não) que se justificam com: «ela estava mesmo a pedi-las».
Talvez eu devesse ler este livro. Será que mudaria de opinião?
Será talvez defeito, ou algum bloqueio meu... mas não consigo ver conotação sexual numa criança ou imagem de criança... acho até que me inibe a líbido!
EliminarPara os meus cânones chamo a isso "saúde"... e não quero ofender ninguém nem afirmar nenhuma superioridade! Que fique claro, pois pode haver outro tipo de sensibilidade e entendimento sem que tal se revele como "tara" ou pedofilia ou o quer que seja nesse sentido!
O que vejo na foto é uma garota, com tipo de humilde/pobre, numa postura algo desconfiada e até agressiva, típica das crianças ciganas por exemplo... será o caso?
Vejo diariamente pelos quimbos ou musseques desta África onde a dureza impera e o belo convive com o horror, crianças com aquele olhar e atitude, como vejo outras de sorriso rasgado e alegria por nada, estejam sujos e andrajosos ou limpos de batinha escolar!
Não consigo ver-lhes traços adultos, vejo sempre crianças, ainda que por vezes tragam às costas e enrolada num pano, outra pouco mais pequena!
Ou levem na cabeça um alguidar de água mais pesado do elas, ou arrastem um carrinho de mão com carga de adulto.
Nunca tinha na verdade pensado nisto, se bem que fotografe montes delas, quando deixam... às vezes fogem da máquina a toda a velocidade, outras vêm a correr porque adoram tirar, e fazer poses.
Não conheço a história desta foto, mas não vejo uma menina-objecto e tão pouco outra atracção que a singela dureza do seu olhar, e isso se calhar é que impressiona,, pois sabe-se lá a que é devida!
Saudações saudáveis cá da Cidade Morena!
Gostei imenso da sua resposta ao aspecto da menina na capa do livro. Maldade, obscenidade é o que se depreende de tais comentários.
EliminarObrigado
Madeirada Silva
«postura algo desconfiada» - concordo, António Luiz Pacheco! Agressiva, não sei bem... Mas, com certeza, vontade de agradar ao adulto que a fotografa. Conscientes de que dependem dos adultos para sobreviver, as crianças tentam agradar-lhes, captar as suas atenções, na esperança de serem objeto do seu carinho. Acho uma grande maldade um adulto aproveitar-se dessa característica infantil para manipular a criança aos seus desejos.
EliminarQuando queremos seduzir, por vontade própria, quando nos sentimos sedutores e estamos conscientes dessa sedução, sentimos prazer, alegria, triunfo, sentimentos que transparecem no nosso olhar. Não me parece ser este o caso. Vejo olhos tristes, já desiludidos da vida...
A vida desta pessoa, em adulta, deve ter sido uma tragédia...
Claro, Cristina Torrão concordo e há muitos o esquecer a infância em dar costas a criança outrora a si, torna o mundo menos doce e, digo no sentido também materno porque embora o tempo cultiva a tolerância o entendimento a participação alheia o olhar crítico poupara desnecessário argumento.
ResponderEliminarMas, vos inclino a este relato (experiência nada agradável) de quando eu era criança, estávamos na chácara de meu pai nos fundos de casa a distância de 200m onde terminava o chão rastelado e iniciava uma densa arborização e, emaranhado a mata estava um homem que saltou e agarrou o braço de minha amiga, por sua vez contorseu a desvancilhar sem sucesso; o agressor sorria a maldade do achado e, então aproximei sem medo puxei da ferramenta e a trouxera cruzada na linha da cintura atrás na calça e utilizei ameaçando o agressor para largar minha amiga Lenice Eccel e, este relato nem tornou-me heroína porque embora valeu-me a ferramenta, descascar laranjas tornou-a arma branca.
E viva o descascador de laranjas!!!
EliminarSem comentário... Extraordinária Cláudia!
ResponderEliminarHá de facto muita maldade, e até explícita...
Creio que o intuito do fotógrafo - e até do autor Mário Cláudio - possa ter sido pôr-nos a pensar e a sentir o que aqui partilhámos.
Saudações Positivas da Cidade Morena!
Ora bem!
EliminarPelo menos, a mim, pôs-me muito curiosa.
Não vou poder ir ao lançamento mas quero muito lê-lo. Gostei imenso do Retrato de Rapaz.
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