Tudo por causa de uma vírgula

A pontuação é tremendamente importante para quem escreve e para quem lê, e um texto mal pontuado pode efectivamente levar-nos a compreender algo muito diferente daquilo que o autor queria transmitir (até há anedotas e charadas a este respeito). É por isso que é tão importante para quem é do ofício (escritor, editor, leitor, tradutor...) dominar a colocação dos sinais de pontuação, mesmo que alguns autores mais originais gostem de os dispensar (lembro-me de que valter hugo mãe nunca punha pontos de interrogação, mas escrevia de uma forma tal que não nos custava entender quando se tratava de uma pergunta). Eu diria que, entre todos esses sinais, a vírgula é aquele que levanta mais problemas (há gente tão virgulativa que nos interrompe permanentemente o raciocínio, há gente tão parcimoniosa na sua aplicação que nos deixa sem ar ao fim de umas linhas); mas raramente as vírgulas são obrigatórias (mesmo que a colocação de uma obrigue à colocação de outra, se não pusermos nenhuma das duas ninguém nos pode acusar) e a verdade é que o que é facultativo na pontuação pode causar grandes problemas. Se sabe inglês, atente por favor ao vídeo abaixo, rapinado do blogue dos Blogtailors, um exemplo delicioso de como uma vírgula (que, por acaso, em português, quase nunca usamos) faz toda a diferença.


 



 


 

Comentários

  1. Na verdade aprendi na escola primária que as enumerações (sejam quais forem) se separam por vírgulas, excepção feita ao último objecto enumerado que, por ter a conjunção e a ligá-lo ao anterior, indica o fim da enumeração.
    Tal não acontece neste caso...

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  2. «Eu gosto de vírgulas. Mas tenho com elas uma batalha diária, já que a sua colocação parece mesmo depender, algumas vezes, da minha condição física.»
    Ou será: «Eu gosto de vírgulas, mas tenho com elas uma batalha diária, já que a sua colocação parece mesmo depender algumas vezes da minha condição física». Raios partam as vírgulas que parecem crianças hiperactivas . Aquietem-se! ;)

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  3. António Luiz Pacheco12 de março de 2015 às 10:42

    Ora!
    Claro que há regras mas isto de virgular, sendo embora uma ciência, é como o sal e a pimenta...

    Eheheh!

    Saudações, da Cidade Morena!

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  4. Divertido, mas, pegando no exemplo com que se fecha o filme - I dedicate this book to my parents , Ayn Rand and God -, pergunto-me:

    Querendo manter a ordem na dedicatória (e fugir à vírgula Oxford), porque não repetir a preposição “to” em associação à Ayn Rand (ainda por cima falando de inglês escrito)?
    No fundo, optar-se-ia por uma solução mais próxima da portuguesa - que aconselharia uma terceira preposição, neste caso “a” (Deus).

    Ou seja:

    I dedicate this book to my parents , to Ayn Rand and God .

    É caso para dizer, it will do the job as well "...

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  5. Não existiu um caso curioso cá em Portugal de um decreto-lei que gerou polémica por causa de uma vírgula que alterou o sentido da lei? Já não me lembro o que era. Se calhar estou a fazer confusão.

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  6. https://youtu.be/P_i1xk07o4g

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