Oh, a poesia!

Ao longo dos anos, tenho-me dado conta de que os extraordinários comentadores deste blogue não têm uma especial atracção pela poesia; não que não gostem de a ler de vez em quando, mas talvez sejam mais chegados a um bom romance e, sobretudo, parecem desconhecer muito do que se vai fazendo na área nos últimos tempos. Uma boa maneira de remediar a lacuna é frequentar um bom curso que ensine a ler e compreender poesia – através de textos poéticos e teóricos – mas que forneça de igual modo nomes e correntes mais contemporâneas. Pois bem: há agora um desses cursos à disposição e começa já amanhã. As sessões terão como orientadores Marta Navarro, João Silveira e Rosa Azevedo e decorrerão em horário pós-laboral, das 19h00 às 20h00, às quartas-feiras, até ao dia 29 de Abril (dois meses é tempo para aprender tudo), na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, em Lisboa (Av. Dom Carlos I). Nas palavras dos organizadores, “A partir de algumas linhas de força (pensar a poesia, o poeta, a noção de escrita e de leitura) e da leitura de alguns poemas, este curso pretende criar leitores críticos, autónomos, livres de preconceitos e pré-leituras de cada texto. Não vamos ensinar a ler, não vamos ensinar a escrever; vamos, sim, abrir portas e caminhos múltiplos para que estes leitores criem com os livros um espaço de segredo, intimidade e absoluta autonomia.” Ora então, de que está à espera? O preço é de 45 euros mensais. O link para a inscrição aí vai: rosa.b.azev@gmail.com

Comentários

  1. Claudia da Silva Tomazi3 de março de 2015 às 01:33

    Oh, doutora Maria do Rosário Pedreira qual conversa?!

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  2. não sei se a Poesia gosta de cursos.

    acho-a demasiado livre (e até selvagem, no melhor sentido da palavra):)

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    1. na descrição do curso dizemos exactamente isso, que a poesia não se ensina. mas sim, pode-se e deve-se falar sobre ela, é importante que o façamos :)

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  3. Pois, livre (liberdade livre, dizia Ramos Rosa), selvagem, mas muitas vezes tão individual e exclusiva que outros indivíduos não entram nela. Ora essa singularidade de expressão mata muitas vezes a possibilidade de comunicação. E sem comunicação...

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  4. António Luiz Pacheco3 de março de 2015 às 02:44

    Pois... se calhar vou dizer asneira, e certamente que vou ser pretensioso, mas aquilo que é proposto não me interessa e se calhar nem se me adequa (pretensiosismo...)

    Os propósitos parecem-me algo despropositados para um leitor apaixonado e veterano, talvez presumido mas que garantidamente não precisa de criar com os livros um espaço de segredo, intimidade e absoluta autonomia... já o possuo!

    Preciso sim que me ensinem a ler poesia, mas como será isso possível?
    Eu gosto de poesia mas preciso de a sentir e que ela faça sentido, me diga algo, o que na maior parte das vezes não acontece.
    Esse o problema...

    Mas louvo a iniciativa, tudo o que seja dinamizar e divulgar a leitura e o relacionamento com os livros é de apoiar!

    Saudações literárias e poéticas da Cidade Morena!

    E um poema - do benguelense Olimpio Neves, que ilustra bem aquilo que digo sobre fazer sentido, compreender e tocar-me... desta poesia eu gosto!
    Simplista? Talvez... mas é do que gosto:

    Numa das longas conversas,
    Que tive com minha Avó
    Perguntei-lhe se conhecia Benguela.
    A minha Avó respondeu-me:
    Conhecer eu não conheço,
    Mas já ouvi falar dela.
    Perguntei-lhe, se conseguia,
    Num mapa localizar.
    Ou por seus olhos cansados
    Ou porque o mapa era velho.
    Precorreu-o de alto a baixo
    Não conseguiu encontrar.
    Para eu não ficar triste,
    Pediu-me lápis de cor,
    E em seu estilo Naiff,
    Sobre uma folha branca,
    Com o castanho fez vários riscos,
    Com o vemelho fez bolinhas
    Chamou-lhe Acácias em flor.
    Dum lado e de outro de um morro,
    Desenhou duas baías.
    Que mais pareciam contorno,
    De dois seios de mulata.
    Com o azul pintou o mar,
    Com o amarelo fez um sol,
    A uma chamou-lhe Azul.
    A outra chamou-lhe Farta.
    Três praias mais desenhou,
    A uma chamou Caota...
    E Caotinha à mais pequena.
    Mais ao lado, para mim,
    A mais bonita...
    Chamou-lhe praia Morena
    Com o mesmo azul da praia,
    Fez um rio.
    A preto pintou um barco...
    Com o amarelo bananas,
    De resto tudo era verde...
    Chamou-lhe rio Cavaco.

    Segurou naquele desenho,
    Como não sabia ao certo,
    Em que lugar no mapa,
    Deveria colocar!
    Disse-me escuta meu neto.
    Quando para o sul viajares
    E chegares a uma cidade
    Com praias maravilhosas,
    Com acácias floridas,
    E muitas mulheres bonitas,
    Nas ruas ou à janela.
    Pára...
    Porque ou já é, ou estás perto
    Dessa Cidade tão linda,
    A que chamam de Benguela.




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    1. Claudia da Silva Tomazi3 de março de 2015 às 03:20

      Sai agora Pacheco, veja que lindo dia e, se por ventura estiveres de gravata; afroxe-a, pois o mais perto da poesia a estar livre.

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  5. António Luiz Pacheco3 de março de 2015 às 02:56

    Em Benguela tem bué de poetas!

    Haviam de os ver a dar só milongas às damas aí mesmo pela rua, ahahah!

    A Debates & Idéias lançou uma publicação, "Nova Safra", para divulgar novos poetas de Benguela.

    Alexandre Dáskalos deve ser o poeta mais celebrado aqui do burgo... procurem no Google que encontram informação, assim como de Ernesto Lara e deste Olímpio Neves!

    Saudações poéticas da Cidade Morena

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  6. Claudia da Silva Tomazi3 de março de 2015 às 04:13

    Muito bem, está poesia de Olímpio Neves expressa o anseio conhecer um reino distante reino do pá; reino este em que os homens falam as conchas a voz de ondas, dicção de mar e, desde sempre através de gerações sabem-no sabor ealegria o bem viver desde lá, (o ) procuram-no.

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  7. Sou um leitor diário, e interessado, deste blog, e um seu comentador ocasional. Mas tenho uma «especial atracção pela poesia»: não só a leio como a escrevo, e desde muito novo. Tanto assim é que tenho três livros de poemas que ainda não consegui publicar... apesar de já ter outros publicados, de diferentes géneros.

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    1. António Luiz Pacheco3 de março de 2015 às 09:59

      Ora essa, Caro e Extraordinário Vate!

      Brinde-nos com um poema seu... ouse!
      Falo a sério, e estimo sinceramente que obtenha quem lhos edite!

      Saudações poéticas da Cidade Morena... e não é que fiz mesmo o que aconselhou a Cláudia? Não uso gravata por aqui, não faz sentido andar a visitar pescarias e fazendas engravatado... mas fui à Baía do Santo António ver da casa para irei morar, e num belo dia de Sol e água calma, pois não resisti a ir saudar as Ondinas pessoalmente!

      Que felicidade!

      Aguardo agora o seu poema! Aguardamos, diria...

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    2. Que não se diga que eu não respondo a um desafio... mesmo que de índole poética. ;-)

      Pelo que eu decidi «ousar» e dar um «brinde»... pode ser este:

      http://octanas.blogspot.pt/2005/04/obras-abril.html

      Não tenho a certeza de ser um «extraordinário vate»... mas faz-se o que se pode.

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  8. Clicando o link que está no fim do post surge: "Página não encontrada".

    Não acredito que as pessoas que frequentam o blogue gostem menos de Poesia. Mas é que quase todos os posts são sobre romance ou semelhantes. Obras em prosa, portanto.

    É natural que os comentários, mesmo quando divergem, sejam fiéis ao estilo.

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    1. Não é um link direto, Beatriz, é um endereço de c.e. Terá de o copiar e colá-lo na sua caixa de mensagem de e-mail.

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    2. Tem razão, nem reparei que é um endereço de gmail:) Obrigada pela atenção.

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  9. António Luiz Pacheco4 de março de 2015 às 01:13

    Interessante o link... e a obra!

    Vou procurar mais informação pois me despertou a curiosidade pelos temas, mais do que pela poesia, confesso...

    Um abraço Extraordinário

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