O papel soma e segue

Leio na revista Time que no Reino Unido houve um aumento significativo da venda de livros em papel e que as vendas de livros electrónicos estão a baixar todos os meses, pondo até algumas livrarias que já se encontraram perto da falência a ponderar abrir novas lojas. Num jornal português que cita o Huffington Post, encontro outro artigo sobre o facto de haver razões de sobra para os livros em papel não acabarem, a primeira das quais – muito curiosa – é a de os jovens leitores acreditarem que a informação útil e verdadeira se encontra sobretudo fora da Internet... Mas há mais: os estudantes norte-americanos, por exemplo, não se importam de estudar disciplinas científicas em manuais digitais, mas preferem estudar por manuais em papel as chamadas Humanidades e, o que é mais giro, dizem que para livros que não são de estudo o papel fica a milhas do e-book, pois é difícil estabelecer uma relação emocional com os textos lidos num ecrã (e alegam que a compreensão dos mesmos é muito superior numa página física). Ainda por cima, parece que em Harvard se levou a cabo um estudo que prova que o e-book interfere no sono dos que lêem na cama (parece que a luz emitida por alguns dispositivos não ajuda) e que as famílias com filhos pequenos também preferem ler livros em papel quando o fazem em conjunto. Por isso, talvez Umberto Eco tenha tido razão ao dizer que os e-books não iam durar sempre – afinal, até os mais novos começam a preferir o velhinho papel.

Comentários

  1. e esta?

    não fazia ideia...

    talvez a escola passe essa mensagem, de que estudar a sério, é pelos verdadeiros manuais escolares.

    (os meus filhos ainda estudam mais pelos livros que pelo computador)

    agora a ficção, é estranho.

    não pode ser uma informação manipulada por um (ou vários) "bota de elástico"?

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  2. António Luiz Pacheco25 de março de 2015 às 03:33

    Ahahahah !

    Já aqui foi - e mais do que uma vez - abordado este assunto! A minha opinião, valha o que valer, é a de que o papel pode ser substituído, claro, mas nem por isso com tantas vantagens assim, e não acredito que desapareça pura e simplesmente... olhem eu não leio jornais on line ... pura e simplesmente!
    Não gosto, não é cómodo e não dá jeito... como imprimo tudo o que seja para ler, estudar e analisar... por muita troça que os meus colegas façam, mas acabam sempre por me pedir "vê lá nas tuas notas... " , ah! Pois é!

    E de resto, peguem num e-book ou num jornal on line e tentem forrar o ninho do cão, pô-lo por baixo da caixa de areia do felino doméstico ou do cocho da água do canídeo familiar, forrar a gaiola do periquito, ou amanhar peixe... e vão ver quão indispensável é o papel!!!!
    E mais, é que pelo papel haverá sempre árvores-mesmo , dado que replantarão as que cortem, em vez de as substituir por outras sintéticas que não deitam folhas, nem apodrecem ou adoecem como os modernos logo inventarão fazer, caso deixe de ser precisa a celulose!

    Leiam "O último europeu", de Miguel Real! Ele bem fala no papel e é fantástica a forma como trata o papel e os livros, a tinta e a escrita na sua utópica Nova Europa, e as explicações que dá!
    Fabuloso romance de ficção, fantástico... Miguel Real é sem dúvida um dos meus escritores preferidos da actualidade e este seu livro merece ser traduzido e vendido pela Europa! É uma obra de abrangência absoluta, ou global... oportuna e tão certeira que até magoa!!!!
    Estou empolgadíssimo!
    E ainda aborda este nosso tema de hoje!

    Não percam Extraordinários, aconselho vivamente a TODOS pois tenho a certeza de que vão gostar, e não se intimidem com a aparente designação por mim usada de "ficção científica", nada disso, é um livro escrito por um pensador e um filósofo de alto gabarito que assim encontrou a maneira de também escrever um ensaio brilhante sobre a humanidade actual e os costumes, quem sabe se prevendo um futuro...

    Saudações entusiásticas de um europeu-velho num país já invadido pelo oriente que o está a esvaziar de riquezas e a escravizar!

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    1. "O último europeu", de Miguel Real - Já tomei nota, obrigado ó Pacheco.

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  3. Outra vantagem de ler em papel, para quem escreve, é a qualidade de correção textual. Quando leio e corrijo no Word, muita coisa os meus olhos não alcançam. Talvez os meus olhos sejam feitos de papel.

    António Breda Carvalho

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    1. António Luiz Pacheco25 de março de 2015 às 04:05

      Não são feitos de papel, mas foram feitos no papel... creio ser a diferença!

      Pela minha parte, reconheço a facilidade que é poder escrever no ecrã e apagar, mudar, refazer, acrescentar... e imagino o que seria escrever em resmas de papel, muito mais duro e difícil... aliás escrevi ainda em papel claro, na escola... fazia o rascunho, depois corrigia e finalmente passava a limpo!
      Quando comecei a colaborar em revistas, ali por 1986, escrevia numa máquina e depois mandava os textos por correio, entregava à mão e depois já mandava por fax... mas hoje é tão simples que até aleija pensar que era no tempo do Camilo!

      Mas tirando neste detalhe, sou um papeleiro!

      Saudações celulósicas cá da Cidade Morena e das suas acácias rubras!

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    2. Sem dúvida António Breda ! Além da diversidade. Um livro em digital perde a sua materialidade, a sua existência. É uma espécie de vento mistral que passa.

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    3. "Saudações celulósicas cá da Cidade Morena e das suas acácias rubras!"

      Gostei:)

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    4. Por acaso aprendi em miúdo (no tempo em que os mais novos aprendiam com os mais velhos) a escrever directamente para a máquina em vez de fazer rascunhos e o que é certo é que a escrita me saia melhor e mais fluente (isto já do tempo da hcesar ).

      Sabes o que é a hcesar ? Ó Pacheco.

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    5. António Luiz Pacheco26 de março de 2015 às 13:43

      Um teclado???? De máquina, claro... ? O HAZERT e havia outro... seria esse?

      Conta lá ó Severino, essas lembranças são sempre interessantes, como parte das nossas histórias pessoais.

      Abraço pluvioso... aqui é enxurrada que ferve, após 7 anos de seca severa, as águas selvagens tudo invadem e levam adiante - até vidas...

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    6. Máquina de escrever (era um menino) e havia dois teclados o nacional e o internacional; creio que o hcesar (as primeiras letras do teclado) seria o teclado nacional, o internacional não me lembro.

      Comecei a trabalhar muito cedo (em vendas) e escrevia cartas aos clientes que iria visitar e foi o meu chefe que me ensinou a não fazer rascunhos mas a escrever directamente para a máquina e aí comecei a aprender a escrever e a gostar de ler... e por aí fora...

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  4. Escrever em computador, que funcional! Pegar num livro e encostar-me num sofá a lê- lo ou metê-lo numa bolsa, sair e lê-lo quando surgir um sítio que está mesmo a pedir leitura, hum...

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  5. Aqui a assistente de biblioteca e documentação fica feliz com a novidade :) Afinal parece que a prevista extinção de bibliotecas não é para já!

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  6. Curioso como o "painel" tem todo a mesma opinião. Não há nada como o livro objecto. A leitura em digital será sempre um parente massificado menor. Livro, logo existo.

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    1. Ó Pedro a rádio matava o teatro, a televisão matava o cinema....

      Video Killed The Radio Star, grande canção dos Buggles

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  7. Claudia da Silva Tomazi25 de março de 2015 às 06:30

    Ilustre papel sociocultural no (cenário) conectado este conceito virtual; sistem information jus't in time.

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  8. Há amores que voltam, duradoiros que são, resistem à efeméride. Não acho crível que o papel seja destronado pelo e-book. E, pronto, é subjectivo, mas gosto tanto dos meus livros todos todos (mesmo os que comprei por feeling parvo) que tenho certeza, nenhum amor de e-book se lhes assemelharia. E não é a posse quem me guia.

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    1. Será a existência de dimensão? ;)

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    2. Será. Também. Como alguém disse, este tema já correu aqui várias vezes; no papel escreve-se, sublinha-se, põem-se nódoas, deixam-se marcas nossas. O papel pode viver-se aos poucos, envelhecer connosco. Há livros que nos acompanham, folhas a descolar, amarelecidos...
      O tempo e o seu rasto fazem-nos falta. Se é a isto que chama dimensão, sim, falta corpo ao e-book, nele não há onde inscrever o desgaste - ou o ganho - do tempo com alguma substância.

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    3. Beatriz: dimensão e posse serão gémeos idênticos?

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    4. Diz-nos Beatriz que “O tempo e o seu rasto fazem-nos falta” (…) e que no e-book “não há onde inscrever o desgaste - ou o ganho - do tempo com alguma substância.”
      Sublinho “fazem-nos falta (...) o desgaste - ou o ganho - do tempo”.
      Quanto a mim, está tudo dito.
      Grato, Beatriz.

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    5. Pedro, não sou uma caixinha de respostas. Na verdade sou bastante mais de perguntas.

      Pensando no que perguntou: eu diria que não são irmãos e nem gémeos. Que a dimensão, muito cartesianamente, é própria dos corpos. E condição da posse. Mas o verbo possuir só o admito em minha tia quando lamenta, "já possuí esta flor, mas agora já não possuo".

      Contudo, há bens que é bom e útil ter. O mundo das coisas é-nos necessário e dá-nos alguma segurança que algumas sejam nossas. É o que entendo. A riqueza que com eles possamos alcançar já me desinteressa.
      Apesar das palavras de Cristo serem para nos despreocuparmos:"Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? "

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  9. Ao fenómeno podem não ser alheias algumas razões que continuam a favorecer o papel: muita gente compra livros para oferecer (os quais podem nunca vir a ser lidos), há ainda quem tenha estantes para preencher, quem goste de impressionar os outros exibindo os livros que, supostamente, anda a ler... Para mim, não há conflito entre livro em papel e ebook. Sou agnóstico, sigo em cada caso as minhas conveniências. Mas cada vez compro menos em papel. São pesados para ler na cama, não posso aumentar o tamanho de letra conforme as necessidades, ocupam espaço que cada vez falta mais, são muito mais caros, e poucos ficam para segunda ou terceira leitura. Enfim, gostos.
    JCC

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    1. Subscrevo inteiramente a sua opinião, José Catarino.

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    2. Gostos! Sem dúvida José. E sem dúvida que há muitos desses motivos na compra de um livro em papel.
      Mas também há quem quem faça um outro tipo de transposição, como a que fiz outro dia numa ida ao talho: e se em vez de ir preencher o vazio que tenho no estômago com aquelas fatias de bife de peru, pedidas directamente no talho, eu pudesse pedir ao invés, evitando os inevitáveis plásticos que vão entupindo os ralos do mundo, pela Web 2.0, que me enviassem trezentos gramas de bifes virtuais de peru.
      «E precisa de saco?», pergunta ele sem qualquer euforia, olhos sem olhos. «Não, não!» respondo, «Tiro-os já do meu portátil directamente, para matar esta fome que me devora por dentro, colocando-as logo aqui na boca entre o palato e a goela». :)

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    3. António Luiz Pacheco25 de março de 2015 às 13:52

      Ah! Mas é assim que os novos-europeus se alimentam... de essência e virtualmente, Extraordinário PAS! Leia "O Último europeu", tenho a certeza de que vai gostar!

      Saudações virtuais (virtuosas é que nada! livra!) cá da Cidade Morena!

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    4. Não pretendo convencer ninguém. O meu tempo de apóstolo foi-se há muito. Mas aprecio uma boa discussão, desde que pautada pelo respeito mútuo, que pressupõe honestidade intelectual. Não me parece ser o caso, pelo que, talvez injustamente, nada acrescento ao que escrevi, a não ser esta citação de Camilo Castelo Branco a propósito de graçolas: ""o estreme espírito português, por mais que o afiem e agucem, é sempre rombo e lerdo: não se emancipa da velha escola das farsas: é chalaça.""
      JCC

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    5. Obrigado António. Assim farei. Um abraço.

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    6. Ó José: não se amofine, homem, com estas graçolas, que podem dar o ar de chalaças, mas são apenas dichotes sem graça.
      Isto é dos ares da cidade, parvoíces dos gases de escape que o nosso Costa quer erradicar na caixinha das esmolas.
      Brincadeirinha, por certo romba e lerda, mas brincadeirinha, sem beliscar o respeito.
      Já não se leva nada a sério por aqui, nem vale a pena. É só farsa, relativismo, desrespeito urbano, desrespeito humano, é desprezo pelo ambiente decadente que vamos vivendo aqui, em contacto com os Imperadores da respublica e com os fazedores impunes de opinião. Mas é também reconhecimento e amizade virtual por si, mesmo que o amigo José Catarino seja um grande apreciador do Camilo, talvez um dos únicos grandes que nunca consegui me entrasse, pelo gongorismo, sei lá pelo cheiro a naftalina, verdadeiramente no goto. Sou mais Gil Vicente, Eça, Ortigão, Bocage, até Herculano, mas menos Garret , Camilo, Júlio Diniz.
      Mas quem sabe com o tempo! O tempo faz-nos às vezes dizer amanhã no gosto o contrário do que dizíamos hoje!
      Mas anime-se, José, que muito em breve vamos precisar que o campo invada a cidade, para nos pôr a todos a fazer pequenas hortas onde antes havia jardins. Um abraço com amizade!

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    7. António Luiz Pacheco26 de março de 2015 às 13:50

      Camilo!
      Serei na verdade um Camiliano oculto... Camilo das esperas e dos escopetazos, das lutas a pau... escreve com verve e com poder!
      O Camilo das afrontas e dos desagravos, da companhia que fez ao José Teixeira da Silva no cárcere... o Camilo das rupturas e dos amores desencontrados ou inconvenientes.
      Curiosamente, ou talvez não, a minha escrita (em Largueza) foi classificada como tendo "toques Camilianos" ... pessoalmente acho que Camilo é talvez um dos enigmas e dos menos justiçados dos nossos escritores clássicos.

      Um abraço Camiliano cá da Morena Cidade, hoje alagada e enlameada!

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  10. O sentir as folhas, o cheiro delas, o peso do livro e o olhar para o livro e dizer "caramba este é um calhamaço" te outro "sabor".
    Além do mais, quando não tenho sono e sei que tenho de dormir basta pegar num livrito ler algumas paginas e o "João Pestana" chega rapidamente. Bem, dependo do livro.
    Bom fim de semana

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  11. Eu pessoalmente tambem prefiro textos em papel. Mesmo para estudar, por vezes só não imprimo para poupar um pouco. Mas às vezes poupamos na tinta e no papel, mas gastamos nos óculos e nas consultas de oftalmologia, o que para a nossa saúde fica bem mais caro. Não é segredo nenhum que muito tempo em frente ao ecrã fazmal à visão. E aquele pormenor de afetar a qualidade do sono também se confirma - a cor de fundo dos ecrãs estimula o cérebro, por isso é aconselhável por especialistas mantermo-nos longe de ecrãs duas horas antes de dormir. Eu cá prefiro cada coisa no seu sítio: livros na cabeceira, blogs na internet! ;)

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