Lisboa, 1921
Publiquei recentemente um romance extenso no qual cabe um ano inteirinho: 1921 (o ano mais violento da história de Lisboa). Chama-se Veio depois a Noite Infame e assina-o Margarida Palma, que já antes compusera um romance sobre o Regicídio, intitulado A Morte do Rei. Esta obra mais recente conta-nos a história dos habitantes de uma praça lisboeta (a Praça Duque de Saldanha), especialmente a de uma família tradicional que reside numa vivenda que ainda ali sobra no meio dos edifícios horríveis que lá construíram depois, e também a dos moradores do prédio contíguo, entre os quais se contam um monárquico muito cómico, um casal de refugiados russos fugidos da revolução de 1917 e ainda uma actriz famosa, adorada e criticada em doses iguais, que recebe em casa numerosas visitas que vamos conhecendo ao longo do romance. Com um toque de Jane Austen (nas intrigas e nos mal-entendidos), muito informado sobre este ano específico que culminou com a Noite da Infâmia (em que uma carreta de milicianos foi buscar uma série de políticos ilustres às suas casas e os matou sem dó nem piedade), este é um livro que nos ensina muito sobre as convulsões da República, a devoção à Nossa Senhora de Fátima, os horrores da Primeira Guerra Mundial ou o fim da aristocracia russa. Mas é também uma história de vizinhos diferentes que nem sempre se relacionam com transparência, de vícios e virtudes, de oportunismos e males de amor. Com muito sentido de humor à mistura e um leque de personagens notáveis (a tia Fortunata sem papas na língua faria muita falta hoje na crítica aos políticos e às políticas), Veio depois a Noite Infame oferece-nos um enredo rico em episódios que nos deixam com água na boca até à última página.
Olha que maravilha de capa!
ResponderEliminarFiquei muito curioso, vou espreitar o dito cujo na próxima oportunidade.
ResponderEliminarO Severino roubou-me o comentário que pretendia fazer: a capa está muito boa.
Rui Miguel Almeida
Jane Austen, desconheço.
ResponderEliminarÓ Cláudia deve ter sido engano, a MRP deveria ter querido dizer Gina Esteves (a fadista); ó Cláudia não me digas que também não conheces a Gina Esteves?
EliminarFaça presença o fado e Gina Esteves, vosso gosto a canção ASeverino.
EliminarDescreio, proveta Cáudia:)
EliminarOlha que giro! Estive com esse livro nas mãos há dois dias. Ainda não o comprei mas há-de ser meu! Bom fim de semana!
ResponderEliminar«Noite da Infâmia» não é a designação habitual, nem (mais) correcta, do que sucedeu entre 19 e 20 de Outubro de 1921: é sim «Noite Sangrenta», que é aliás também o título de uma mini-série televisiva sobre o tema estreada na RTP em 2010 aquando do centenário da república.
ResponderEliminarAlém disso, é de duvidar que 1921 tenha sido «o ano mais violento d(e tod)a história de Lisboa». Tal pode ser válido em relação aos últimos 100 anos mas não para a totalidade da história da capital. Nesse sentido, 1506, em que ocorreu o massacre de (milhares de) judeus, poderá «merecer» mais a (vergonhosa) «distinção».
Fiquei curiosa; a capa é sintomática da época e de comadrice e compadrio intemporais, cada um virado a si. Tão pouco andámos desde então...
ResponderEliminarConvenhamos D. Beatriz fazer crítica difere apontar qualquer disparate e, a capa poder-se-ía melhorar; prova está a Sandra Neves nem comprou-o.
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