Cuidados intensivos
Esta profissão tem que se lhe diga e, como é natural, há dias em que perdemos completamente a cabeça e quase queríamos ter escolhido um ofício menos mental e mais manual (às vezes, penso que gostaria de experimentar a olaria, apesar da minha faltinha de jeito); mas, se eu acaso sofresse um certo desequilíbrio psíquico, a verdade é que teria quem me ajudasse a reposicionar-me e a recuperar os parafusos desatarraxados. É que, como recentemente uma escritora que publico me informou (eu nunca me tinha lembrado de tal coisa, mas gostei de saber), cinco dos meus autores são psicólogos… A informação foi dada por Ana Cristina Silva, uma dos tais cinco, que até é docente no ISPA e doutorada. Porém, além dela, publico as obras de Vasco Luís Curado (que é psicólogo clínico de formação – com livro novo lá para o Verão), Gabriela Ruivo Trindade (que ora não exerce, mas tem o mesmo curso), Norberto Morais (idem, idem, aspas, aspas) e ainda Nuno Amado, professor na Universidade de Évora, a propósito de cujo livro (Manual de Felicidade para Neuróticos) publiquei aqui recentemente um post (de todos, este último, pelo título do seu romance, parece o mais indicado para tratar as minhas neuroses passageiras). Estou, pois, debaixo de cuidados intensivos todo o ano sem me aperceber, com apoios à discrição para dias difíceis. Até me passam as neuras só de o saber.
Análises e literatura, análises e pintura, análises e amizade; arte finalidade.
ResponderEliminarOlaria olarila!
ResponderEliminarNa minha opinião, os psicólogos têm excelentes conhecimentos para criar carácteres, diga-se, boas personagens. Eu própria consulto livros de psicologia para testar a verosimilhança de certos comportamentos de personagens que crio.
ResponderEliminarPor exemplo: achei excelente a maneira como Gabriela Ruivo Trindade explicou a razão para a prostituta do seu romance não deixar a sua profissão: por habituação, por não ter aprendido mais nada, por ter sido assim criada. Esta é a explicação mais simples e a mais verosímil. Muito raramente se consegue sair do ambiente e dos modos de vida em que fomos criados, mesmo que não gostemos, mesmo que nos façam mal.
Eliminar(...)
ResponderEliminarE já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
(...)
Herberto Helder
E falta-lhe aí outro psicólogo, que nunca publicou e de que nunca, nos vários anos deste blog, lhe li uma palavra (pelo que, depreendo, não é um dos seus autores preferidos). De qualquer modo, vou percebendo que está entre os óptimos autores vão sendo votados ao ostracismo e que já ninguém publica. Apesar do grande valor que, na minha humilde opinião tem.
ResponderEliminarRefiro-me ao Luís Caminha, psicólogo formado pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e, para mim, um dos grandes, enormes, escritores da actualidade. Para quem não leu o 'Um Pinguim na Garagem', publicado no já longínquo ano de 2009, aconselho-o vivamente.
Um aparte: Herberto Helder, terei saudades de ler coisas novas tuas, mas continuarei a ler as que deixaste, surpreso sempre da novidade.