Conhecer o Brasil através de livros

António Candido, que é considerado o mais importante crítico literário brasileiro vivo, escreveu um interessante ensaio sobre os livros que é preciso ler para conhecer o Brasil desde a sua fundação – não apenas romances, claro, mas obras que nos digam o que é fundamental saber sobre o país irmão. Começa, curiosamente, por um livro de 1995 que pensa sintetizar melhor do que qualquer outro a formação e o sentido do Brasil: O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, ao qual se segue Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (o pai de Chico), que é, segundo ele, uma análise inspirada da sociedade brasileira a partir da sua herança portuguesa. Em relação às populações autóctones, seleciona História dos Índios do Brasil (organização de Manuela Carneiro da Cunha) e indica, entre outros, O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco, um livro do século XIX sobre o papel dos negros no Brasil que, quanto a ele, ainda não foi superado por nenhum outro. Passa depois para Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (que considera um acontecimento na história da literatura brasileira, a par do ensaio Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior) e segue para as obras que precedem e explicam a independência, das quais destaca D. João VI no Brasil, de Oliveira Lima, e História Geral da Civilização Brasileira (org. Sérgio Buarque de Hollanda), entre várias outras. Do período da República até aos nossos dias, temos, por exemplo, Coronelismo, Enxada e Voto, de Vítor Nunes Leal, A Revolução Burguesa no Brasil, de Florestan Fernandes, alguns livros sobre a imigração alemã e italiana e Do Outro Lado do Atlântico, de Ângelo Trento. Dada a limitação imposta no número de títulos a indicar, penaliza-se por não referir ainda a obra de autores como Evaldo Cabral de Melo, Alcântara Machado e outros. Pois bem: com isto percebi que não sei nadinha do Brasil...

Comentários

  1. Casa-Grande & Sanzala" de Gilberto Freyre.
    Em tempos um amigo ofereceu-me uma bonita edição comemorativa, publicada pela EDIÇÃO LIVROS DO BRASIL, do 50º. aniversário dessa obra prima da ciência e da literatura contemporâneas.
    Sei que é um clássico sobre os reflexos da colonização do Brasil pelos portugueses, mas que nunca me atrevi a ler, pois são mais de 500 páginas que certamente irão requerer muita concentração, e não só...contudo, para além deste, tenho a minha pequena biblioteca de que apenas li meia dúzia de livros (lembrei-me agora do Humberto Eco -mas para que queria eu uma biblioteca de livros já lidos).

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  2. Claudia da Silva Tomazi26 de março de 2015 às 04:50

    Concordo ASeverino. O livro a leitura estabelece a máxima ou mínima distância entre 'anseios distintos'; claro (conhecimento afinidade familiaridade e até mesmo linguagem são identidades à parte) e, antropólogos estão a ser desde sempre os que os mais estudam o conceito brasileiro a perceber percebendo a importância os números o país a diversidade cultural.

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  3. Pensava que "Sertões " (Euclides da Cunha) ntrava no rol. Ou obras de ficção como "Memórias de um Sargento de Milícias" por exemplo, também. Assim, só me resta reduzir-me à minha ignorância. Hellas.

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  4. Não podemos saber tudo. E o conhecimento, fazendo parte, não é tudo na vida. Para muitos, nem sequer a maior parte.

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  5. António Luiz Pacheco26 de março de 2015 às 14:01

    Arriscando-me a dizer asneira, creio já ter lido bastante sobre o Brazil, que todavia apenas visitei em 2 ocasiões, uma por negócios de peixe e outra para um campeonato do Mundo de pesca submarina, que duraram demasiado pouco (15 e 22 dias) mas serviram para me deixar pelo menos a recordação da Claudinha do "Água na Boca - ai Portugal e Brazil... e a convicção de que o brasileiro é bem diferente do que conhecia dos restaurantes ou negócios em Portugal, e para melhor note-se!

    O Brazil é um Mundo, diria, eu... sobretudo no aspecto humano e portanto os antropólogos levarão toda uma eternidade para o não entender nunca! Resumi-lo em estudos, ensaios... hum... é demasiado grande e diverso e diria que fantástico!

    Saudações antropomórficas cá duma Cidade Morena afogada em água!

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