Um duo imperdível

Mário Cláudio gosta do número 3 e, como tal, brinda-nos frequentemente com trilogias. O escritor do Porto tornou-se conhecido sobretudo com o romance Amadeu (sobre o pintor Amadeu de Souza-Cardoso) e logo completou aquilo a que chamou a «Trilogia da Mão» com os romances Guilhermina e Rosa. Mais tarde, olhou o céu inspirador e ofereceu-nos a trindade de romances Ursa Maior, Gémeos e Oríon. Quando publicou o delicioso Boa Noite, Senhor Soares (este Soares é o Bernardo do Livro do Desassossego), não sabíamos que se tratava do primeiro livro de um trio sobre a relação entre pessoas de idades muito diferentes. O segundo volume saiu no ano passado e era sobre Da Vinci e um discípulo (intitula-se Retrato de Rapaz) e o terceiro vem a caminho (quase nas bancas!) e é sobre a relação nem sempre clara entre Charles Dodgson e Alice Lidell; chama-se O Fotógrafo e a Rapariga. Pois para quem não esteja inteirado, eu esclareço: Charles Dodgson é, nem mais nem menos, o nome real de Lewis Carroll, o espantoso autor de Alice no País das Maravilhas, e a menina Lidell, provocadora q.b., uma Lolita em muitos aspectos, é tão-só a rapariguinha que inspirou o professor de Matemática e fotógrafo amador a escrever um dos livros mais famosos de todos os tempos. Esta pequena novela de Mário Cláudio é então sobre o encontro destas duas figuras imperdíveis – e, aqui para nós, nenhuma delas é inocente… Leiam, leiam – e não se arrependerão.


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Comentários

  1. O Mário Cláudio já me surpreendeu com um grande livro "CAMILO BROCA" e com um grande e amargoso pastel "RETRATO DE RAPAZ"; tenho que ir ao desempate...

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  2. Embora não venha a propósito alguém me saberá esclarecer a origem do "gato-pingado"? é que em tempos ouvi que no séc. XIX um gato costumava acompanhar as carretas dos funerais e quando chovia...

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    1. Tem aqui um artigo aparentemente sério sobre o assunto:

      http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/de-onde-veio-a-expressao-gatos-pingados/

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    2. Muito obrigado JoãoPCoelho . Só que, tal como lá se diz (no blogue que me indicou): "A origem da acepção lusitana de gato-pingado como agente funerário, papa-defunto , permanece um tanto misteriosa...

      É que, gostava de confirmar o que ouvi aqui há alguns anos, precisamente a um homem de uma agência funerária, que era usual no início do século passado, quando os cadáveres eram levados para o cemitério, em carretas puxadas por cavalos eram sempre acompanhados por um gato preto, e quando chovia o gato pingava, daí o nome e o relacionamento com os homens das funerárias. Creio que até na altura me foi mostrada uma imagem num livro ou revista do facto.

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  3. Já li alguma coisa sobre a relação entre o dito fotógrafo-escritor e a garota que o inspirou. Se ela for a da foto, não me parece propriamente inocente. Veremos como a veste Mário Cláudio.

    O "Retrato de Rapaz", apesar do domínio de conceitos e espírito de época, não provoca assim uma alegria extraordinária. É leve e lê-se depressa. Tenho em casa "Guilhermina" e "Boa noite senhor Soares" mas inda os desconheço. Vai ser agora.

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  4. Li em tempos, A Quinta das Virtudes.
    Gostei... MC escreve e descreve muitíssimo bem, para o meu gosto. Além disso é um erudito e um pensador, conhece a história e o seu significado, usando-a da melhor maneira.

    Saudações sudorosas e de uma calmaria podre cá do Tômbwa - antigo Porto Alexandre.

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  5. Mário Claúdio será, a par com Mário de Carvalho, quem melhor escreve no país e quem mais palavras conhece da língua. Acresce que aprecio também nele as descrições detalhadas das perturbações psicossomáticas de algumas das suas personagens, que me fazem recordar familiar chegado que já partiu e que me levam a concluir que Claúdio, além de grande escritor, deve ser também um extraordinário hipocondríaco. Só pode!

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  6. Claudia da Silva Tomazi18 de fevereiro de 2015 às 07:20

    Bem vejo em termos diferem; exemplo no Brasil estaria a ser criança em vez de rapariga.

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    1. E moça? Extraordinária Cláudia.
      Seria termo aceitável no Brazil?

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    2. Claudia da Silva Tomazi18 de fevereiro de 2015 às 11:21

      Bem Pacheco, termo moça ou mocinha no Brasil fácil exemplo (também) em outra quaisquer cultura, utiliza-se à vinda de regra a maturidade, quê difere de maior idade.

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    3. Agora parece ser hábito - e creio que um disparate - traduzir "young girl" por "jovem rapariga".
      Porque me parece disparate? Pois porque uma rapariga é sempre jovem, logo será uma redundância sem nexo.
      Quem saiba português conhece a diferença entre o uso e a diferença entre a palavra rapariga e rapariguinha (rapariguita) por exemplo, se queremos marcar uma diferença... ou só "jovem", ou ainda miúda e garota/garotinha/garotita.
      Sei que no Brazil, rapariga é termo pejorativo.
      Moça, mocinha ou mocita, moçoila, também designam uma jovem, ou cachopa e cachopita, mas aí já entramos nos regionalismos.

      Resumindo... temos uma língua rica e que possui termos para tudo, por isso me custa a perceber a tradução literal de "jovem rapariga".

      Saudações do Tômbwa, extraordinária Cláudia, e lembranças das Welwitschia mirabilis!!!!

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    4. Claudia da Silva Tomazi19 de fevereiro de 2015 às 02:00

      Que bom Pacheco e que belo, traduzir o livro do Mário Cláudio em inglês e, neste termo utilizar-se-ía modo de identidade a língua inglesa, estaria a ser pretty, sweet ou little girl; certamente vai da arte do editor da casa editorial a escolha o livro do Mário Cláudio entre quantos títulos interessantes.

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