Ouvir ler
«A leitura alarga o teu espaço, dá-te novos amigos, leva-te a conhecer lugares, emoções e ideias que nem imaginas que existem. […] Ler define a tua personalidade, faz de ti uma pessoa mais corajosa, mais inteligente, mais sedutora. Por isso, nós desafiamos-te a revelar o teu lado secreto. Mostra do que és capaz e lê em voz alta os textos de que gostas e os que vais descobrir.» Foi desta forma que a Fundação Calouste Gulbenkian convidou os jovens a gravarem um vídeo com uma leitura de um texto literário e a enviarem-nos para este concurso chamado Dá Voz à Letra. A participação foi maciça e certamente a pré-selecção muito difícil de fazer. Mas agora chegou a altura de se ouvirem os dez finalistas, cinco rapazes e cinco raparigas com idades entre os 13 e os 17 anos. Se gosta de ouvir ler literatura e quer saber qual é o melhor destes dez magníficos, a sessão decorrerá na Zona de Congressos da Fundação amanhã, pelas 18h00, garantindo que a leitura também pode ser espectáculo. Os textos serão todos de autores portugueses! Um júri composto por Catarina Furtado, o actor Albano Jerónimo e o escritor David Machado escolherá o leitor de 2015. Não falte.
EXTRAORDINÁRIO!!!!
ResponderEliminarÉ o meu comentário, e da minha parte fica tudo dito!
Só tenho pena de não poder ir assistir... seria uma excelente iniciativa a ser televisionada, assim uma espécie de "Leitura dos Segredos" a contrapôr como um "Reallity Reader's Show".
Saudações Extremosas da Cidade Morena!
Sobre este "ouvir ler" de quando leitor (especial) a Educação brasileira adiciona Libras.
ResponderEliminarE, no entanto, durante tantos anos, a doutrina estabelecida no sistema educativo português era contra a leitura em voz alta! E, no entanto, durante esses tantos anos, organizei tantos concursos de leitura em voz alta! Tempos em que o professor podia ter ideias próprias...
ResponderEliminarNão pretendo de modo algum contradizê-la, mas desconhecia de todo essa norma contra a leitura em voz alta... no meu percurso escolar e liceal, em Portugal e até 1974 (ano em que completei o curso complementar dos liceus) praticava-se a leitura de textos em voz alta, tanto nas disciplinas de línguas, como noutras, caso da história e filosofia...
EliminarNas minhas aulas (fui professor eventual do 11º Grupo B entre 1978 e 83) recorria por vezes à leitura de textos, fossem notícias da imprensa ou de livros) para apoio das aulas ou para debates dos temas. E nunca me apercebi ser tal prática interdita.
Saudações Espantadas da Cidade Morena.
Não, interdita a prática não era... havia quem o fizesse (e reporto-me sobretudo às décadas de 80 e 90), mas lá que as mentes bem pensantes das pedagogias da língua materna lhe punham muitas reservas, punham. Já no meu tempo de aluna, era o «mandar os alunos ler em voz alta» (assim, a seco) que campeava. Enfim, linhas cruzadas, e desafinadas, do ensino em Portugal!
EliminarNas aulas de lavores e enquanto aprendíamos pontos, havia sempre alguém a ler. Não precisávamos prémios, nem júri de nome. Èramos só nós e a voz de cada uma. E como apreciávamos aquele espaço à camilha.
ResponderEliminarPorém, havendo óptimos leitores em voz alta, pessoas que dá gosto ouvir, quem lê, na maioria dos casos, não retira grande prazer da leitura. A preocupação com a entoação e a clareza da voz raro deixa o imaginário trabalhar à vontade. Aperreia. Mas pode ser um serviço ao outro que dá gosto. Se o conquiste para a leitura, ainda melhor.
Passei boa parte da minha infância numa quinta no Bairro Ribatejano, sem televisão... havia um grande rádio a baterias, onde a minha mãe ouvia a radionovela do TIDE, e nós os parodiantes de Lisboa, "Graça com todos" e o "Rádio Crime" com os inesquecíveis Patilhas e Ventoinha e o Jack Taxas mais o seu cavalo caralinda! À noite era a vez d' "O que quer ouvir".
ResponderEliminarEm muitos serões das senhoras, lia-se, enquanto à luz dos candeeiros de petróleo suspensos do tecto elas faziam renda, malha, tricô, costuravam e bordavam (as camisolas, napperons, sacos de guardanapo e do pão, guardanapos, panos de cozinha, pegas... era tudo costurado ou feito em casa), e a "ti'Abeca" dava lição de renda de bilros à minha irmã e a alguma prima.
Eu era muito pequeno e o único rapaz, não tinha ainda lugar entre os homens que ficavam no salão a fumar e a conversar entre eles, mas lembro-me tão bem, e, o que eu gostava de ouvir ler, que variava entre as Selecções do Reader's Digest, ou algumas passagens de obras como "Lendas e Narrativas", "À vara larga", "Grandes Dramas da História"... umas vezes era a minha avó Maria Cecília, outras a Rosarinho (afilhada de minha mãe que foi criada connosco como irmã mais velha). A Rosarinho era (e ainda é...) muito pantomineira e divertida, lia fazendo as vozes como ouvia na rádio. Com sorte, era lida uma história de fadas da colecção Varinha Mágica, da minha irmã, ou de algum livro de histórias.
Parece que foi numa outra época... e foi só há 55 anos ... até me custa a acreditar quando lembro estas coisas, e duvido que tenha sido assim, pois hoje parece tão longe e sobretudo tão diferente!
Saudações e Saudades da Cidade Morena.