Derrocada
A história tem anos, mas, pelo que sei, apesar das chamadas de atenção desde 2007, quase nada foi feito. Nesse ano, um artigo do Jornal de Notícias alertava para a derrocada iminente da casa onde António Nobre terminara os seus dias, na Avenida do Brasil, à Foz, no Porto, e da qual não se sabia quem retirara recentemente a placa que aludida a que ali residira e morrera o grande poeta do Porto. Na altura, foram enviados pedidos de recuperação do imóvel, bem como a sugestão da sua transformação numa casa que pudesse albergar o espólio do autor de Só, armazenado pela Câmara e indisponível. Era então presidente do município Rui Rio e ministra da Cultura Isabel Pires de Lima. Porém, apesar da insistência, o problema persiste, a casa degrada-se cada vez mais e, embora o espólio (manuscritos, livros, objectos e peças de vestuário) tenha sido transferido para a biblioteca pública municipal, a ruína do edifício e a sua não classificação poderão apagar o rasto de um dos mais importantes nomes literários do Porto. Corre, pois, uma petição para evitar a calamidade, sendo um dos seus signatários o escritor Mário Cláudio. Creio que é de todo o interesse assiná-la e, por isso, aqui deixo o link para todos os interessados.
Já está...
ResponderEliminarEstá, o pais e as gentes, em derrocada absoluta!
Está a humanidade, afinal e o Mundo?
Saudações Catatamala (direito, esticado) da Cidade Morena
A casa onde morou em Coimbra enquanto estudante (um torreão da cintura de muralhas) passou também por um problema semelhante, mas creio que se resolveu. Espero que não surja aqui um Extraordinário de Coimbra a afirmar que estou completamente enganado.
ResponderEliminarÉ triste, mas mais me entristece o esquecimento injusto e imerecido a que se condenou este grande poeta e a sua poesia, da melhor que já se escreveu entre nós.
ResponderEliminarQue se lixem as casas, leiam-lhe os versos.
"E tu ó Maria
dize àquela cotovia
que fale mais devagar
não vá o João acordar..." (O sono do João, citado de memória.)
JCC
"Nesta vida que a dor povoa
EliminarHá só uma coisa boa
Dormir... dormir..."
ibidem, também de memória.
Discordo. A história também se conta através dos lugares que habitaram; ali os respeitamos.
EliminarAntónio Nobre não é poeta extraordinário - na minha opinião, claro - mas é uma voz que perdura e tem tonalidade própria; por mérito, faz parte da história da poesia portuguesa, mesmo não sendo marco fundamental.
Foi-me apresentado numa selecta, um fragmento de "Só" que li desvairada no dia em que ela debutou na minha mesa. Aos doze, treze anos o que queria da poesia era entendê-la; e António Nobre aparecia-me em versos cristalinos e melancólicos, falava-me de coisas e pessoas que me eram familiares. Rimando. Achei o máximo. Além do mais era bonitinho, olhava triste e morreu tuberculoso. Tudo nele me chamava. Portanto.
Mas ler. Dizer a poesia é que é. Porque vivê-la é muito mais difícil:)
Não sei quem ou o que se pode preparar fora da história, como é que se forma a mente sem ela (ou quase).
Beatriz, agora que a idade é outra, sugiro que pegue no Só, esqueça lugares-comuns, e leia, por exemplo, os poemas "António", "Os sinos", ou "Viagens na minha terra".
EliminarE continuo na minha,mais importante do que preservar uma das casas por onde o poeta passou - e onde talvez tenha sido muito infeliz - o que importa é trazer à vida os seus poemas.
JCC
Peço desculpa, mas não disse que não reli António Nobre:)
EliminarO que quis dizer foi que António Nobre me parece muito bem para quem desperta para as letras.
Então se os versos são mais importantes - e são; mas esses vão ficar -, deixe-nos preservar a casa. Não importa se foi feliz ou infeliz. Foi ali que foi. Isso, é o importante.
Há um lado quotidiano das pessoas que se distinguiram e admiramos, que urge preservar. É memória viva, sinal de tempo gravado e aberto a todos. No meu entender é de preservar. Sou devota neste santuário. Acendo velas e fico a olhar-lhes a chama até arderem completíssimas.
Está feito, Rosário!
ResponderEliminarUma derrocada que vem a par dos valores: uma tristeza!
ResponderEliminarCaro Sande quem inventou a tristeza?
ResponderEliminarFoi a alegria. Para contrapor:)
EliminarAssinado e comentado.
ResponderEliminarAbraço.
São os mercados, vomitam eles...
ResponderEliminarSê de Pedra!
ResponderEliminarNão reparaste nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegraphicos da estrada,
Cantam as aves, desde que o sol nada,
E, á noite, se faz sol a lua cheia...
No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vae , n'uma ancia alada!
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, ás vezes, d'além-mar anceia :
- Revolução! - Inútil. - Cem feridos,
Setenta mortos. - Beijo-te! - Perdidos!
- Enfim, feliz! - ?- ! - Desesperado. -Vem!
E as lindas aves, bem se importam ellas !
Continuam cantando, tagarellas :
Assim, António ! deves ser também.
António Nobre
António Nobre é um pedaço de imaginário português. Datado, sim.
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