Vende-se

Nos meus primeiros tempos de actividade no mundo da edição, trabalhei muito com autores de divulgação científica. Era o tempo dos sucessos televisivos de David Attenborough ou Carl Sagan – e livros como Cosmos tiveram um êxito estrondoso. Na colecção Ciência Aberta, foram publicadas muitas obras de autores de renome internacional e, por ocasião do respectivo lançamento, houve vários físicos, astrónomos, biólogos, etc., que se deslocaram a Portugal e contaram com numerosas audiências que hoje talvez já só existam para misérias televisivas como O Preço Certo. Certo é também que nessa época vi salas cheias no auditório do Instituto Franco-Português para ouvir Hubert Reeves ou Yves Coppens falar de estrelas e esqueletos ancestrais. O Instituto tinha então um animador científico muito dedicado e todos ganhávamos com o seu apoio. Com o tempo, a instituição perdeu peso (a França em geral também), mas, apesar de tudo, ainda eram feitos alguns lançamentos de obras de autores franceses e havia uma livraria francesa e uma mediateca interessante no edifício, além de aulas de língua. Pois sei que o Governo Francês vai fechar o Instituto Franco-Português e vender simplesmente o edifício (que já estava parcialmente alugado). A Alliance Française encontrará outro sítio para ministrar as aulas, a Livraria procurará um espaço de rua e a Mediateca simplesmente desaparecerá para todo o sempre. Uma pena, claro, não só para os franceses que vivem em Portugal, mas para todos nós que ali assistimos a festivais de cinema francês, a palestras, a peças de teatro, enfim, a um programa cultural de respeito. Existe uma petição contra o seu fecho e a transmissão de uma ínfima parte dos serviços para a embaixada no link abaixo. Eu assinei.


 


https://www.change.org/p/sauvonsifp?utm_campaign=responsive_friend_inviter_chat&utm_medium=facebook&utm_source=share_petition&recruiter=68497557

Comentários

  1. O David Attenborough... e as horas todas que uma pessoa passou no Institut Franco-Portugais (mais que não fosse a fazer exames...)

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  2. António Luiz Pacheco14 de janeiro de 2015 às 02:40

    Duvido que a petição ou baixo-assinado como se dizia, tenha efeito... é a austeridade e a França não difere dos demais. Hollande não dá mais atenção à cultura que os nossos, quando muito finge melhor.

    A cultura francesa, como se dizia também: é chão que já deu uvas! Hoje a eventual cultura que haja é a americanizada, sem dúvida... a coca-cola foi a mais poderosa arma jamais inventada, ao dispôr e usada pelo neocolonialismo! Acrescente-se Hollywood e o McDonalds, as calças em baixo e os bonés de basebol! É o que impera e conquistou o Mundo.

    Até os termos franceses e tão caros aos nossos literatos foram americanizados, mesmo a maçonaria passou a ser americana...
    Creio que só o "jamais" (jamé) do Mário Lino perdura, mas creio que muita gente que o repete ignore que seja uma palavra francesa!

    A cultura francesa, de ostras e champagne acabou nas esplanadas... foi substituída pelas democráticas Hot Wings nos centros comerciais!

    E, divulgação científica hoje, é feita no Google!

    Tem vantagens, não nego... mas temos de nos convencer que estamos a assistir ao fim de uma época, e tal como os bizantinos estamos em vias de extinção, tanto quanto o lince que já é de quintal e usa coleira sinalizadora!

    Saudações tristes e francófonas, caluandas!
    (Já cá estou outra vez...)

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  3. Que pena! Fecha mais uma instituição cultural. Qualquer dia só há mesmo lojas de chineses neste país a retalho.

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  4. Que notícia terrivel a começar o dia... Mas sabe-se o que motivou a decisão de fecho? A livraria, por exemplo, era das melhores de Portugal...

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  5. António Luiz Pacheco14 de janeiro de 2015 às 03:33

    Porque será que não consigo ver os comentários?

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  6. "É a vida", como diria o nosso futuro presidente ! Numa geração o francês foi (justamente) batido pelo inglês, essa que é mais fácil das línguas para a comunicação entre os cidadãos de todo o mundo. Não admira que cada vez sejam menos, e mais velhos, aqueles que frequentam os centros culturais franceses. Eu, como velhinho que sou, sinto-me feliz quando os meus filhos, em viagem turística em França, olham para mim com um admirativo ao ver-me falar aquela "língua exótica" e ser compreendido pelos nativos...

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    1. Claudia da Silva Tomazi15 de janeiro de 2015 às 01:08

      Engraçado o modo de contar número Arthur.

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    2. Cara Cláudia, obrigado pelo seu comentário. O "contar número", nesta nossa época de obsessão económica, infelizmente manda em quase tudo... Gostei de ver o meu nome escrito com h !

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  7. Nestes últimos tempos a França anda muito na berlinda – infelizmente não pelas melhores razões.

    Será que a extinção do Instituto Franco-Português é sintoma de que a França, por necessidade de se dedicar à resolução dos seus cada vez mais agudos problemas internos, está a deixar para trás os países amigos?

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  8. Um tombo de gigante deu a cultura francesa nos últimos vinte anos.

    O Francês chegou a ser a primeira língua em muitos países.

    O cinema francês deu cartas

    A Literatura francesa ainda hoje vive à sombra dos gigantes Hugos, Zolas , Balzac's e por aí fora.

    E esta é mais uma (pequena) machadada na cultura francesa.

    Mas estes Sarkozys , Holallandes e similares sabujos interessam-se lá pela cultura...esta gente só pensa nos mercados, nas OPAS, nos PSI's , nos PIB's e dinheiro, dinheiro, dinheiro, poder, poder, poder...

    Que tristeza certamente para (alguns) franceses...e parece-me que nos tempos que correm somos todos franceses...eles varrem tudo, tudo...mas esta gente não abre os olhos, porque eles tapam-nos com o consumismo, com os centros comerciais, com os últimos I'pad's ou I'poD's ...e eles cada mais carregam...e lá está o outro (outro sabujo da mesma escória) para dizer ai aguenta aguenta...

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    1. Claudia da Silva Tomazi15 de janeiro de 2015 às 01:09

      Língua co-irmã do português ASeverino.

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  9. Eu assinar, também assinei mas é o tal problema: "you sign this petition because..."

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  10. Nunca frequentei o instituto, vejo os meus filmes franceses em casa, e recebeo a minha ciência de livros e não palestras. Mas nem toda a gente é um morcego anti-social como eu, por isso assinei; precisamos de salvaguardar estes espaços, os canais por que a cultura é espalhada vivem todos em risco hoje em dia, já são demasiado raros, e não podemos perder mais.

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    1. Claudia da Silva Tomazi15 de janeiro de 2015 às 01:10

      Bem, Miguel for opção francesa desde 1789.

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  11. Infelizmente já assisti a este filme duas vezes, quando fecharam dois centros do Institut Français que foram muito importantes para mim em determinada altura da minha vida: o do Porto e o da Praia (Cabo Verde). Como são cidades relativamente pequenas a importância destes centros era maior do que o de Lisboa. Seja como for é mais uma machadada na vida cultural lisboeta. Os franceses retiram-se e não há ninguém que possa substituí-los. Isso é ainda mais lamentável.

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    1. António Luiz Pacheco14 de janeiro de 2015 às 07:14

      Pois... mas se calhar instalam ali uma Pizza Hut e uma loja de telemóveis... os chineses não pagariam renda para se estabelecerem num local daqueles!

      Será portanto uma migração cultural... e não há nada a fazer, a não ser irmos comentando por aqui e quem sabe se não criaremos uma corrente de pensamento contra-corrente?

      Quem sabe... há que manter viva alguma coisa, ainda que pequena. Uma semente também é pequena e algum dia, quando as condições são favoráveis, germina e origina uma nova planta.

      Será o caso?

      Saudações cultivares de Angola!

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  12. Estamos a tornar-nos insignificantes até para a França. Penso que é o resultado de dois fatores: a cultura francesa já não é aquele foco que irradiava, designadamente sobre nós, que agora a desprezamos, e também a França corta nos custos já que o produto cultural rende pouco.
    Só não percebo porque é que na mesma época em que encerra o Instituto Francês de Portugal abre o Centro Cultural Romeno.

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    1. António Luiz Pacheco14 de janeiro de 2015 às 09:17

      Ah... isso é lógico!
      Como os romenos que por aí andam são basicamente pedintes, a idéia é importar a sua cultura e experiência, e seremos assim melhores pedintes! Só pode... Depois vamos para as cidades europeias com uma ranchada de crianças, mendigar nas ruas!

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    2. Ó Pacheco mas será que estes pedintes serão os verdadeiros representantes da Roménia? é uma pergunta a que, sinceramente, não sei responder mas que gostaria que alguém, com conhecimento de causa, me respondesse. Efectivamente a impressão que eu tenho dos Romenos é precisamente essa
      -pedintes- mas não quero acreditar que seja essa a realidade...

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    3. É como o padeiro Manuel e as mulheres de bigode para os brasileiros, as porteiras para os parisienses, ou as garotas dji programa aqui e especialmente em Bragança. São estereótipos que se criam numa determinada fase e é difícil depois perderem-se. Há na Suiça um dizer que estabelece que, salvo erro, ao português, mal ele nasça, atira-o a mãe a uma parede; se cair ao chão, vai assentar ladrilho, se ficar agarrado vai para trolha. Ou talvez vice-versa. Por menos que isto, por uns meros desenhos, há até quem se arvore em justiceiro e mate.

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    4. Claudia da Silva Tomazi15 de janeiro de 2015 às 01:15

      Epa lá... Paulo Oliveira no Brasil o dono da "padaria" o português mas, o pãozinho francês (cacetinho, pão d'água,bisnaguinha entre outros).

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  13. Humor negro, António.
    Só faltou um cartun no espírito do Charlie.
    Um abraço.

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    1. António Luiz Pacheco14 de janeiro de 2015 às 14:54

      Entendeu-me Amalivros...
      Eheheh!

      Ó Severino, nunca fui à Roménia e suponho que não serão todos salteadores, vampiros ou lobisomens e nem pedintes... mas uma vez estava parado a meter combustível numa bomba algures numa autoestrada italiana, e chegaram 4 autocarros carregados de romenos, tal e qual os que vejo andar lá por Santarém a exigir mais do que a pedir. Foi o pânico... fecharam a loja e apareceram logo mais seguranças e os empregados reforçaram a vigilância no restaurante e um pouco por todo o lado, foi-me dito que fechasse o carro para ir pagar e não me distraísse... aquilo parecia o Átila às portas de Roma! Por isso não sei se serão todos assim, mas a parte que conheço é francamente pouco animadora!

      Saudações kaluandas

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    2. Senhor Salcede,

      Um homem viajado como o senhor Salcede, que ganha tanto dinheiro para dizer aos outros o que fazer, que come para aí tanto lagostim, e vem dizer uma parvoíce destas? Entào os romenos haviam de ser todos iguais? Quando um clube de futebol vai jogar ao estrangeiro e a sua claque viaja para lá, acha justo os locais tomarem pelo povo português aquele conjunto de arruaceiros? Ai os lugares-comuns, senhor Salcede, os lugares-comuns...

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    3. Oh Lacerda (Ó com h pois que -Oh Lacerda- foi, em tempos, creio que uma marca de um produto qualquer) obviamente que todos sabemos que os romenos não poderão ser todos iguais, muito menos um lugar comum, pero que los hay hay...

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    4. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2015 às 03:46

      Não lhe vou dar o gosto de responder, nem a estas e nem às aos outros posteiras que enviou, se quer engalinhar engalinhe com o Gonçalo M. Tavares, eu não sou digno disso e não lhe darei importância.

      Mas faço notar o seguinte: Esteve muito caladinho enquanto percebeu que eu estava em Portugal, não foi? Agora que percebeu que saí, saiu da toca...

      Fica-lhe mal, sabe? E olhe que eu volto e repito que sendo o país pequeno, pode ter o desagrado de me encontrar pessoalmente... pode acontecer... ai pode, pode.

      Desejo-lhe um bom ano de 2015, cheio de realizações que o ajudem a realizar-se e a não ter essas frustrações que exibe nos seus textos.

      Passe bem, saudações de Luanda.

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    5. Sim, estava com medo de que um gordo como o senhor Salcede, só por estar no mesmo território onde há mais 10 milhões de pessoas, me encontrasse por acaso. Faz sentido, isso, faz... E depois não quer que as pessoas gozem com os seus disparates...

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    6. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2015 às 06:48

      Ora essa... eu não sou gordo, sou forte!

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  14. Claudia da Silva Tomazi15 de janeiro de 2015 às 01:21

    Arte é arte (em qualquer lugar) em França há artistas brasileiros e cito Juarez Machado pintor (conterrâneo) barriga verde.

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