Regresso

Já aqui escrevi sobre o romance que venceu a mais recente edição do Prémio LeYa, O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral. É um texto surpreendentemente maduro para um escritor que conta apenas 24 anos (o júri ficou profundamente admirado porque acreditava que o autor tinha a idade do protagonista, 40 e picos) e cujo tema central é a relação, nem sempre fácil, por vezes bastante atribulada, de dois irmãos – o narrador e Miguel, este último portador de Síndrome de Down. A narrativa alterna presente e passado – uma viagem à aldeia do Interior onde os pais de ambos compraram em tempos uma casa e eles se refugiam agora por uns dias, procurando a paz necessária após um momento dramático; e as memórias de infância, momentos-chave que os dois viveram cumplicemente enquanto cresciam. Afonso Reis Cabral, embora natural de Lisboa, viveu no Porto até entrar na universidade. É por isso uma espécie de regresso a casa a sessão que faremos amanhã às 17h30 nas instalações da Cooperativa Árvore, com apresentação de Pedro Mexia. Se estiver no Porto ou lá perto, não falte.


 


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco23 de janeiro de 2015 às 03:06

    Esperemos que o Afonso Reis Cabral desenvolva uma carreira literária!

    Para já e além de escrever muito bem, revelou algo que me parece ser de relevar: sensibilidade!
    Além da famigerada técnica revelou que tem alma, e sabe usá-la para a escrita.
    Mais do que simples sensibilidade, parece possuir uma grande humanidade, um notável sentido de ser social e socializável, de solidariedade para com os mais fracos, sentido de família, de grupo.

    Talvez o facto de ser tão jovem o ajude!

    Desejo-lhe que cresça e desenvolva todas estas capacidades que parece revelar.

    Saudações fraternas da Cidade Morena

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  2. António Luiz Pacheco23 de janeiro de 2015 às 03:19

    PS

    Deixem-me comentar o seguinte: não me espanta que ele se tenha conseguido meter na pele de um quarentão! O escritor deve ou não ser um actor que consegue desempenhar os personagens que desenvolve e usa no seu romancear?
    O escritor cria, desempenha, representa... se não seria apenas um relator, um repórter...

    Estarei certo?

    Assim e para já, lembro-me de como recente e surpreendentemente a Patrícia Reis conseguiu vestir a pele de um cinquentão frequentador de bares no seu último romance ... aliás e como prometi já bebi o tal par de Black Bushmill à saúde dela!

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  3. Já li e não gostei. Uma imitação barata do já de si fraquinho Lobo Antunes. Espremidinho sai aguadilha.

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    Respostas
    1. Não li. Mas desacredito que um prémio seja assim tão fraco.

      Não ofenda a sua inteligência.

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    2. O Lobo Antunes de Fado Alexandrino, Auto dos Danados, Explicação dos Pássaros e Conhecimento de Inferno certamente não é fraquinho; são romances orquestrais onde cada palavra está no lugar certo, como um instrumento, a tocar no momento certo ao ritmo da batuta do condutor.

      Mas onde é que acha que ele o imita? No estilo? Nos temas? No pessimismo? Acho isto um tópico muito interessante.

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