Os esquecidos

Já aqui vos falei do blogue da minha amiga Aldina Duarte, em que uma vez por semana se faz homenagem a quem não teve o reconhecimento que merecia pelo seu génio e talento. É sempre bom lembrar quem foi esquecido – e fiquei muito contente quando recebi há dias um press-release de João Morales, um jornalista que organiza festivais e encontros de escritores e teve agora uma belíssima ideia: a de, uma vez por mês, juntar dois convidados (escritores, pelo menos na primeira sessão) na Livraria Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa (e que bonita livraria é), para recordar livros esquecidos. Por ano, são tantos os livros publicados que muitos passam injustamente despercebidos e, além disso, os mais antigos são difíceis de encontrar à venda e podem cair facilmente no esquecimento. Esta é, pois, uma boa maneira de ressuscitar uns quantos. Assim, amanhã, dia 31 de Janeiro, pelas 18h00, Bruno Vieira Amaral e Rui Cardoso Martins vão estar a conversar com João Morales sobre livros esquecidos. As próximas sessões ocorrerão no último sábado de cada mês, excepto em Fevereiro (será no penúltimo – e já me ponho aqui a pensar que João Morales não quer é faltar às Correntes d’Escritas que, neste ano, são mesmo no final de Fevereiro).

Comentários

  1. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2015 às 02:04

    Hum... livros esquecidos, creio ser uma coisa:
    - Livros publicados e distribuídos que independentemente do sucesso, muitas vezes por serem de autores que escreveram pouco ou não se notabilizaram, caem no esquecimento.
    Diria que são a esmagadora maioria!

    Livros despercebidos, acho que é outra coisa!
    São todos os que independentemente da sua eventual qualidade pura e simplesmente não terão atraído leitores, muitas vezes nem os editores e nem as distribuidoras...
    E como bem refere, muitas vezes injustamente!
    Injustamente? Sim, mas apenas para quem os tenha lido e gostado, porque para quem nem saiba da sua existência não se aplica esse conceito.

    A diferença está em que apesar de tudo há autores que ainda têm por si o facto de terem um padrinho ou madrinha, que de vez em quando os lembra - como é o caso. Os que não os tenham, permanecem no seu estado de obliteração, e aí sim a injustiça se aplica de novo...

    Saudações injustiçadas desde a Cidade Morena!

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  2. Que ideia fantástica! Muitos parabéns ao autor da mesma. Julgo que, para ter maior efeito, seria preferível que em cada sessão os intervenientes se centrassem em duas ou três obras, pois caso apontem dezenas de nomes, corre-se o risco de não se conseguir destacar nenhum livro que desperte curiosidades. Deixo a minha humilde sugestão (por acaso um livro que publicou) de uma obra que merecia uma segunda vida, com muitos leitores: "Os pretos de Pousaflores" de Aida Gomes. Que coisa deliciosa!

    Bom fim-de-semana,

    Rui Miguel Almeida

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    1. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2015 às 02:25

      Ora aí está um bom livro (indiscutivelmente!) "Os pretos de Pousaflores", que caiu no esquecimento mas não por falta de atenção da editora e nem da distribuição... pura e simplesmente desapareceu ou foi ignorado, porém vi-o em tudo o que era escaparate, teve críticas, teve publicidade da Editora e da editora, etc.

      Relembrá-lo... hum... lá está outra vez, fala nele porque gostou (eu também e muito, repito) mas não será injusto para outros na mesma situação mas que não foram por si lidos?

      O que quero dizer, é que me parece que devemos pôr de parte o conceito "justo-injusto", e avaliar apenas a oportunidade ou o interesse da obra.
      Porque já sabemos que não poderá haver justiça ou não chegavam as TV e as rádios, nem as 24 horas do dia para tanta obra nesta situação.

      Um abraço justo e merecido para si, desde a Cidade Morena!

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    2. António Luiz Pacheco30 de janeiro de 2015 às 02:27

      Ah!

      Esqueci-me porém de aplaudir a iniciativa... pois claro, tudo que seja divulgar e promover a leitura é de apoiar!!!

      Saudações solidárias cá da Cidade Morena!

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    3. Tem razão Pacheco, estas coisas, por muita objectividade que se pretenda, não escaparão nunca ao domínio da paixão. Um grande livro para mim pode não o ser para si e vice-versa. O mesmo será verdade para os participantes nesta iniciativa, que sendo escritores, até podem ter inclinações a favor ou contra algum autor que extravassem critérios exclusivamente literários. Dava pano para mangas, sem dúvida.

      O que me parece é que a iniciativa é claramente de louvar e, mais importante, apoiar! Se morasse em Lisboa era menino para ir, mesmo com um Chelsea - Man. City pelo meio :)

      Um forte abraço,

      Rui Miguel Almeida

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  3. é sem dúvida uma boa ideia.

    as sessões vão estar cheias de "miminhos" para quem gosta de ler. :)

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  4. Claudia da Silva Tomazi30 de janeiro de 2015 às 02:44

    Na trajetória (da escrita) há modelos que além homenagens exercem o bom nome e, lembra-los o bom exemplo.

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  5. A propósito de livros esquecidos, que passaram despercebidos, e assim, não me canso de trazer aqui António Ferreira a dizer de sua justiça:

    Livro, se luz desejas, mal te enganas.
    Quanto melhor será dentro em teu muro
    Quieto, e humilde estar, inda que escuro,
    Onde ninguém t'impece , a ninguém danas!

    Sujeitas sempre ao tempo, obras humanas
    Coa novidade aprazem; logo em duro
    Ódio e desprezo ficam: ama o seguro
    Silêncio, fuge o povo, e mãos profanas.

    Ah! não te posso ter! deixa ir cumprindo
    Primeiro tua idade; quem te move
    Te defenda do tempo, e de seus danos.

    Dirás que a pesar meu foste fugindo,
    Reinando Sebastião, Rei de quatro anos:
    Ano cinquenta e sete: eu vinte e nove.

    [ In Poemas Lusitanos, 1598 ]

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  6. Claudia da Silva Tomazi30 de janeiro de 2015 às 11:05

    Aegyptius iudex - um bom juiz, de forma alguma corrompido por dons e presentes.

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  7. Amanhã estarei em Lisboa por essa hora, talvez passe por lá.

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