O medo

Todos ficámos chocados com o que aconteceu há dias em França quando dois fundamentalistas islâmicos entraram na redacção de um jornal satírico e liquidaram em minutos uma data de jornalistas, ferindo muitas outras pessoas. As reacções do mundo ocidental não se fizeram esperar, pois o atentado punha claramente em causa a liberdade de expressão e aparecia não só como uma espécie de vingança (os cartoonistas estavam sempre a meter-se com o Estado islâmico), mas também como um aviso, uma ameaça. (Lembremo-nos de que uns quantos jornalistas foram decapitados uns meses antes, e os vídeos enviados para o mundo ver que nada daquilo era bluff.) Porém, apesar do horror, o balanço dessas reacções resumia-se muito claramente a uma ideia: não podemos ter medo, não vamos cair na armadilha. Vi nos jornais e nas redes sociais muitos jornalistas portugueses sublinharem este aspecto. E, no entanto, nunca o jornalismo português me pareceu mais inerte e obediente do que agora. Até os títulos das notícias de certos diários (às vezes é preciso ler duas vezes para os perceber) parecem tirados ipsis verbis dos comunicados enviados pelos assessores de imprensa dos ministérios, e os artigos reproduzem-nos comentando pouco e pouco questionando; um jornalismo correctinho, sem risco, porque não estamos em altura de perder o emprego e é melhor não chatear o dono do jornal, que até é do partido do Governo? Ora, se temos medo do patrão, como não vamos ter medo da Al-Qaeda? Talvez este exemplo internacional – um dos cartonistas disse seis meses antes da tragédia que preferia morrer de pé a viver de joelhos e que continuaria, por isso, a fazer o que achava que devia fazer – sirva para agitar as águas dos nossos jornais que, quando não andam pardacentos, parecem preocupar-se apenas com escândalos ou a cor das cuecas de Sócrates. Espero que muitos dos nossos profissionais da comunicação social sejam, de facto, Charlies, pelo menos uma vez por outra.

Comentários

  1. Concordo. E acrescento: quanto mais submissos, menos vendas. A crise da imprensa, julgo eu, a partir da minha experiência como leitor, tem a ver com a sua progressiva irrelevância. Por que havemos de comprar o jornal, ou a revista, se pouco ou nada nos diz?

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  2. Se um jornalista é a voz e a letra de um governo, seja ele qual for e que linha siga, então estamos mesmo perdidos. Um jornalista deveria ter como dever de ofício trazer a público as denúncias e os anseios de um povo. É ele o fio condutor de tudo isso. Mas não são todos, aliás são muito poucos, os que preferem morrer de pé. Os que se ajoelham não deveriam ter o título de "jornalistas" e sim de amordaçados por conveniência. E tantas vezes essa mordaça traz lastro e o símbolo da Casa da Moeda ...

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  3. «Preferia morrer de pé a morrer de joelhos»?

    Creio que é «preferia morrer de pé a viver de joelhos».

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  4. Concordo e subscrevo.

    Mas há que não esquecer que este é o pais em que as pessoas têm de ver os comentários de domingo para terem uma opinião às segundas.

    Há pouco pensamento estruturado no nosso país.

    Abraço.

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    1. "País" e não "Pais", ó mente pouco estruturada...

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  5. Há muitos jornais, mas em muito poucas mãos; existem umas quantas empresas que possuem todos os jornais, revistas, canais, rádios, e isso estreita a margem de manobra. É um cliché dizê-lo, mas hoje em dia tudo está interligado.

    E não é só uma questão de o dono ser membro do PSD ou do PS, às vezes nem há um dono, há accções de bolsa detidas por milhares de empresas pelo mundo fora, algumas que colocam a publicidade nos jornais que paga os salários da redacção.

    E por isso um jornalista ou um director tem de pensar duas vezes se realmente quer publicar uma notícia negativa sobre uma empresa que, ainda que subrepticiamente, detenha parte do jornal. Não se esqueçam: as pessoas que pagam a publicidade dos jornais são muitas vezes as pessoas contra as quais os jornais deviam escrever: as multinacionais sem escrúpulos, os mega-conglomerados da indústria do tabaco, das seguradoras, e por aí fora.

    Um jornal que não tenha independência financeira viverá sempre subalterno a quem lhe paga as contas, e o mais das vezes são empresas sem qualquer responsabilidde social que usam os media como instrumentos de controlo.

    A única alternativa que eu vejo é os jornalistas investigadores que não têm jornal ou que trabalham para periódicos alternativos; o tipo de jornalista que investiga, não para o artigo, mas para o livro. No estrangeiro há muito essa prática: refiro-me a pessoas como Naomi Klein, John Pilger, etc, que investigam e reportam aquilo que o establishment prefere ignorar. Por Portugal também vai havendo. Há pouco tempo li um óptimo livro sobre as contas offshore na Madeira - o "Suite 605," do João Pedro Martins. Se o jornalismo se quer manter relevante, é nesse sentido que deve continuar.

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  6. António Luiz Pacheco12 de janeiro de 2015 às 05:20

    Hum... jornalismo???
    Onde? Qual? Como? Quem?

    Temos sobretudo opinadores que escrevem notícias que são o que pensam e se tornam assim não notícias mas artigos de opinião! E que quase sempre pensam mal, segundo a moda do momento ou uma cartilha partidária e políticaa, e ecológicamente correcta!
    Ou então fracos redactores de notícias que reproduzem e também mal, o que se diz seja nos comunicados ou nos mentideros.
    Por isso, por sistema não leio jornais! Para ter opiniões basto-me a mim mesmo e não preciso que me conduzam!
    Apenas o Expresso onde encontro de tudo um pouco em termos de diversidade de opiniões, do Daniel Oliveira ao Henrique Raposo!
    Os jornalistas anseiam ser o poder, e por isso noticiam de acordo com interesses, sejam os do governo sejam os da oposição!
    Jornalismo-mesmo, honesto e digno desse nome creio que é coisa rara, se é que existe!
    Os jornais são veículos da mentira e da baixa política, da intriga... dispenso!

    E cobardolas... bem isso é o que há mais, são muito valentes a dedilhar no teclado e a publicar, mas quando é preciso ir "à cara", encolhem-se!

    Fiquei desagradávelmente surpreendido com a tónica geral do Expresso... tudo com paninhos quentes quanto ao que nos ameaça: a progressão islâmica (ou o retrocesso que ele implica?). Só a Clara Ferreira Alves, que tenha os defeitos que tiver é uma mulher e pêras, tesa, é que faz uma análise clara! Os demais, sempre com a conversa do costume, sobre a tolerância e a integração, etc. São tolos... com gente daquela não se podem ter contemplações, pois tomam por fraqueza a nossa tolerância. Integrar terroristas? Ou proto-terroristas que não conseguindo viver nos seus países, vêm para cá mas não para viver como nós e sim como viviam lá, onde não conseguem viver!
    Integrar como?

    Há que mostrar definitivamente e de uma vez por todas que o Ocidente não é fraco, que não temos medo deles! Que existimos há séculos e saímos da barbárie pelo nosso pé, evoluímos! O colonialismo já passou, é velho...

    Mas o resultado será o mesmo, com as meias-medidas e as tibiezas habituais, a Europa será forte com os europeus e fraca com os eventuais terroristas, com medo de "parecer mal"...
    Preparem-se para limitações à nossa circulação e liberdades na UE, como resultado... mas só para "nós", que "eles" continuarão na mesma a entrar e a cirandar, trazendo AK 47 e o que queiram enquanto a polícia anda entretida a fiscalizar se eu tenho cofre para as minhas armas legais e a pôr-me mil e uma dificuldades, enquanto fecham os olhos aos verdadeiros perigos!

    Saudações preocupadas e irritadas do Bairro Ribatejano!

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    1. Ó Pacheco a Clara Ferreira Alves é uma JORNALISTA a sério, das poucas (os) (muito poucas/os) que há em Portugal. Tem tudo.

      A grande maioria dos jornalistas deste país, mas uma grande maioria não valem um chavo, nem um tostão furado!

      Também, num país onde o jornal mais vendido é esse vómito "CORREIO DA MANHÃ" será que merece mais?

      O protótipo do jornalista em Portugal é o Marcelo Rebelo de Sousa (que se julga o maior e que esta cambada de carneiros venera e o ouve de baba a escorrer), que ia passar férias ao Brasil com o Ricardo dono disto tudo e nos seus comentários semanais (depois dos gatunos serem descobertos)...moita carrasco- uns VENDIDOS - e há-os por aí aos moitões !

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    2. Senhor Salcede,

      Então o que nos ameaça é a progressão islâmica??? De que modo é que isto é um discurso menos radical do que o discurso dos radicais islâmicos que acham que o que os ameaça é a progressão capitalista do Ocidente? Há uma diferença, embora não pareça percebê-la, entre quem é islâmico e quem é terrorista. E o senhor Salcede está a confundir as duas coisas. Como qualquer radical islâmico não percebe a diferença entre um cidadão ocidental comum e um intolerante ocidental, que não respeita o Islão, o senhor Salcede não percebe que o Islão, em si, não faz mal a ninguém, que os islâmicos, como quaisquer pessoas, merecem a tolerância e a integração, e que o Ocidente não deve reagir ao que aconteceu com demonstrações de força, mas com demonstrações de coragem, erradicando não tudo o que não é europeu a torto e a direito, pessoas e valores, mas os intolerantes, como aliás o próprio senhor Salcede, e a intolerância. Não é de força que é preciso, é de coragem para não seguir pela via da força, de coragem para perceber que faz pior ao Ocidente qualquer radical, islâmico ou ribatejano, como o senhor Salcede, do que pessoas comuns. É por isso que os Nacionalismos são estúpidos. Porque não percebem coisas simples como a de que faz mais falta à França a comunidade islâmica do que qualquer um dos eleitores em potência da Marine le Pen. E eu acrescentaria que faz mais falta a Portugal qualquer estrangeiro minimamente inteligente do que o alegado português que é o senhor Salcede.

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  7. o problema é que na actualidade muitos dos jornalistas com coluna vertebral e sem preferências "clubisticas," não são bem vindos às redacções.

    e além disso, é uma profissão onde actualmente se envelhece rapidamente, pelo menos para os donos dos jornais. um jornalista com 40 anos é "velho", mesmo que esta palavra não seja sinónimo de "incómodo" ou "livre".

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  8. Apoiado. Claro que se os angolanos venderem a posição que já têm em jornais portugueses a sauditas, por exemplo, seremos ainda menos charlies.

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    1. Quer dizer que em Portugal já nem são os portugueses a vender as coisas que se pensariam portuguesas, são os angolanos...esta cambada vendeu tudo e tudo quer vender, é o mercado livre meu caro, e a cambada vai na conversa... é o mercado livre, é a livre concorrência, é a globalização, é o PSI20...e por aí fora...cambada de carneiros...Casa dos Segredos com eles...

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    2. Pois. Nem de propósito, vi hoje o que não recordo ter visto em Portugal, no caso em Algés: uma mulher de niqab, isto é toda de negro dos pés à cabeça com uma estreita nesga que lhe mostrava apenas os olhos e que lhe permitirá não bater com a cabeça nalgum poste ou não ser atropelada. Parecia uma visão da morte, apesar de aparentar ser muito nova, alta e magra, com bom porte, provavelmente jeitosa, quase uma modelo de niqab. Pela maneira segura como caminhava pareceu-me fazê-lo com exibicionismo e, talvez, como forma de afirmação tipo "je ne suis pas charlie". Lá, onde tal prática seja lei, não caminharia certamente com tal desenvoltura e muito menos sozinha, e não confrontaria o seu olhar com o de um estranho, como fez comigo, usufruindo assim de ocidental vantagem face às irmãs orientais. Que Deus a proteja e a nós.

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  9. António Luiz Pacheco12 de janeiro de 2015 às 06:06

    Não me tomem por inimigo do jornalismo ou dos jornalistas, hein!
    Muito pelo contrário, tive e tenho amigos, familiares e conhecidos neste meio, eu mesmo fui responsável editorial de uma revista temática, mas verifico com preocupação o que diz o Luis M: parece que agora só há miúdos... e os jornalistas veteranos, batidos, sérios e responsáveis são preteridos ou até encostados...

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  10. País anestesiado o nosso e não só na comunicação social, como a MRP tão bem aponta. Eu, que ganho a vida na universidade, sinto a mesma doentia quietude. E, no entanto, ontem tive a honra de assim à tarde a uma belíssima encenação de "A vida é sonho" de Calderón de la Barca no Teatro de S. João, representado por um grupo de espantosos jovens atores, entre os quais uma atriz fabulosa, Sara Ribeiro, a cuja arte assisti pela primeira vez. E no sábado vi uma obra prima (importada) sobre o teatro (e a vida): o filme "Birdman". Um belo fim de semana cultural, completado com a leitura de alguns capítulos do "Hollywood" de Bukowski. Fez-me esquecer que, segundo li, em Portugal houve este ano que passou mais candidatos ao "Big Brother" do que à universidade.

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  11. Estou de acordo com quase tudo o que li neste fórum. Até porque vivi algumas das situações relatadas. Mas, como de boas intenções está o Inferno cheio, deixo aqui uma pergunta: quanto é que cada um de nós está disposto a pagar para sustentar uma imprensa livre e interventiva?
    Porque hoje, numa era em que tudo se paga mas as pessoas se acham no direito de ter informação grátis na Internet, os valores e as referências vêm agarrados ao cifrão.
    É triste, mas é isto mesmo. Sem autonomia financeira, o jornalismo não é livre. E sem um jornalismo livre a opinião pública vacila. E sem uma opinião pública formada e informada a democracia fica coxa.
    A culpa primeira disto tudo é dos jornalistas e dos seus patrões, que deixaram desvalorizar um produto que devia ser "premium". Duvido que a solução venha desse lado. Terá de ser a sociedade civil a exigir um serviço que considera indispensável. Infelizmente, também não vejo grandes sinais disso no Portugal de hoje.
    Cumprimentos a todos

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  12. Publicar algo incómodo num exercício de liberdade. Ora aí está uma coisa que não vai acontecer em Portugal, simplesmente porque os mcs não são livres.

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  13. Convinha que fôssemos todos, Charlies. Não só os jornalistas. E ainda que de vez em quando.

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  14. Eu já não conheço a imprensa Portuguesa, faz algum tempo que não moro para essas bandas e por conseguinte não me posso pronunciar, mas acalmem-se todos os que condenam os jornalistas portugueses, ainda que tenham um ou dois ou três punhados de razão.
    Isto é tudo muito lindo. Dizemos: Je suis Charlie, quando deveríamos dizer: Je devais être Charlie. Pois, eu que vivo aqui para os lados de Paris e conheço ou vou conhecendo a realidade parisiense e francesa, posso assegurar que muitos dos muçulmanos que ali estiveram, apesar de não o assumirem publicamente, compactuaram com aqueles actos terroristas quando no seu íntimo pensam e repensam: ils ont cherché! De igual forma falo dos franceses, apesar da dor comum na manifestação, muitos pensaram e repensaram: Nous sommes pas pareils.
    Trabalho com muçulmanos e franceses, no meu dia a dia, e sem precisar de participar em manifestações, consigo perceber as entrelinhas de uns e de outros... Mas sim, a fotografia ficou bonita para o mundo.

    Desculpem lá esta minha delicadeza.
    Um abraço tardio.
    Carla Pais.

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  15. A comunicação social, como a maioria dos domínios da nossa sociedade, está sob o jugo apertado da economização total. Não haver ricos na prisão nem notícias inconvenientes aos donos dos jornais tem a mesma razão... Encontrar uma lógica que escape deste ciclo aprisionador é complicado...

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  16. Olá Maria do Rosário,

    Não vou ser tão poético como alguns comentários existentes no seu post. Infelizmente em todas as profissões temos bons profissionais e outro que pensam que o são ... mas independentemente de tudo o todos nos podemos pensar, é triste o que aconteceu em Paris e digo-o não por ser francês mas por tudo o que a suposta liberdade nos deveria permitir neste mundo. NÃO! Não devemos ter medo deles e, o mundo provou-o na união que foi patente em todos os lados, apesar dos comentários irónicos de alguns ... mas todos os jornalistas deste mundo deveriam unir-se a mostrarem nos jornais de todo o mundo quantas pessoas foram ao funeral dos terroristas? Essa é que é a diferença, eles (os terroristas), infelizmente, estarão sempre presente só para nos fazer lembrar de vez em quando que existem com actos bárbaros como foi o matar porque o Charlie fez um desenho sobre o profeta!?! Quantos desenhos ele não fez sobre os políticos franceses e internacionais? Por esta ideia já teria apanhado prisão perpétua ... que mentes tão pobres. O Cabu teria feito 77 anos ontem, quem não se lembra dos desenhos do Wolinski?
    Enfim é só um desabafo.

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  17. Concordo plenamente, para a maioria dos Jornalistas, estar de plantão na porta da prisão de Évora, para ver quem visita Sócrates é que é jornalismo .....

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  18. Tudo depende do ponto de vista cultural em nos inserimos, enquanto este paradigma não mudar para igual em todo o mundo será muito difícil o uno existir.

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