Ler sem pagar

Apesar de um bilhete para um concerto custar às vezes mais de 50 Euros – e o prazer e usufruto só durar umas duas horitas –, cada vez ouço mais gente dizer que os livros estão muito caros. Talvez não sejam caros, mas seja muito dinheiro, em todo o caso, para quem os quer comprar. O mercado português é pequeno (poucos habitantes e poucos leitores) e por isso as tiragens têm de ser pequenas, o que, na verdade, faz disparar o custo unitário dos livros, sobretudo por causa do montante da impressão. Com as notícias tristes de que os leitores portugueses regulares não estão a aumentar, também não é de crer que os livros fiquem mais baratos nos tempos mais próximos, embora muitos dos títulos não abrangidos pela lei do preço fixo (ou seja, que foram publicados há dezoito meses ou mais) estejam por aí à venda a três e cinco euros (livros bons, de resto). No entanto, para quem aprecia leitura digital e não se importa com o cheiro do papel (a geração mais jovem cresceu a mexer em botõezinhos e a olhar para ecrãs), há muita literatura de borla. E, se se tem a sorte de poder ler em inglês, a panóplia de livros grátis ao dispor é realmente considerável. Assim, deixo hoje aqui um link de cem sites donde pode descarregar de tudo legalmente sem pagar um centavo. E mais outro para livros portugueses. A sua algibeira agradece.


 


http://www.iheartintelligence.com/2014/08/31/free-books-100-legal-sites-download-literature/


 


http://observador.pt/2014/12/27/oito-paginas-da-internet-para-fazer-download-de-livros-legal-e-gratuito/

Comentários

  1. Claudia da Silva Tomazi16 de janeiro de 2015 às 01:51

    Gostaria de parabenizar o escritor João J. A. Madeira o seu novo livro O Rio Que Corre na Calçada.

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    1. Para falar a verdade, eu julgo que o maior problema em Portugal é mesmo o facto de a leitura ser uma actividade extremamente desvalorizada pela população em geral. É certo que quem ama livros, ama-os incondicionalmente, e esses provavelmente nem sequer se lamentam quanto ao valor que gastam em livros e que, habitualmente, leva uma grande fatia do seu rendimento mensal.
      Na minha opinião, sinceramente, eu julgo que quem se queixa constantemente sobre o preço dos livros está simplesmente a querer justificar a sua pouca dedicação à leitura. Justificar provavelmente até para si mesmo.
      Parece-me que comparativamente há uns 10 ou 15 anos atrás, o preço dos livros era mais alto do que hoje. Além disso, as alternativas são imensas, a começar pelas bibliotecas - que continuam a fechar precisamente pela falta de utentes e leitores dispostos a motrar o seu amor pelas muitas dezenas de livros espalhadas pelas prateleiras. Seguidamente, é de relembrar que desde o início da produção literária, há tantas obras disponíveis em domínio público e que são de qualidade indubitável, em termos de conteúdo e forma.
      E finalmente, a internet veio democratizar ainda mais o acesso aos livros, pois várias são as bases de dados que reúnem obras em domínio público, disponíveis nas mais variadas línguas e, mais recentemente, com a proliferação do mercado de publicação de ebooks e com a publicação por parte dos próprios autores, muitos são os livros recentes disponíveis gratuitamente ou que estão à venda por um valor muito modesto.
      Reitero que me desagrada profundamente ouvir alguém queixar-se do preço dos livros. Como se costuma dizer na cultura popular, essas pessoas estão simplesmente a querer "tapar o sol com a peneira".

      É de louvar poder ler este seu texto, com o qual concordo, e agradecer pelo facto de estar a incentivar a leitura, já que ela é não só um prazer, mas deveria ser vista também como uma necessidade.
      Bem haja!

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    2. Tiro certeiro, mesmo na mouche.
      JCC

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    3. Um sincero "obrigado" deste longe que as letras aproximaram, Claudia. Aproveito para agradecer mais uma vez - nunca é demais - à também extraordinária Cristina Torrão que acarinhou esse meu livro no seu blogue "Andanças Medievais". E para dizer que o novo - A Lenda Desconhecida de Francisco Caga-Tacos - estará nas livrarias a partir do dia 25 (desculpe, Rosário, o espaço roubado para publicidade) Um abraço a todos.

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    4. Claudia da Silva Tomazi16 de janeiro de 2015 às 06:20

      Bem, Passarinho democratizar é uma palavra chave mas, (há categoria de leitores) e respectiva(s) acções de escritores: estudo, pesquisa, ensino e entretenimento entre outros; vale lembrar que a esfera literária é globalizada e o padrão quase sempre individual, cada escritor tem assinatura única independente do padrão universal reconhecendo cultura e fomentando saber.

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    5. "Na minha opinião, sinceramente, eu julgo que quem se queixa constantemente sobre o preço dos livros está simplesmente a querer justificar a sua pouca dedicação à leitura. Justificar provavelmente até para si mesmo."

      Penso que esta sua afirmação é um pouco drástica. Pode ser verdadeira para uma fatia da população que a usa como desculpa.

      Garanto-lhe, a maior parte da população portuguesa não pode fazer o que afirma mais à frente: "que quem ama livros, ama-os incondicionalmente, (...)quanto ao valor que gastam em livros e que, habitualmente, leva uma grande fatia do seu rendimento mensal."

      Para já, há muito poucos amores incondicionais. E o dos livros não é excepção. Quem deixa uma fatia substancial do ordenado em livros só a deixa porque pode deixar. Abdica de outras coisas? Sim. Mas pode fazê-lo, porque não retira com isso o pão da boca dos filhos, não deixa de pagar a renda, a água ou a luz. O que pretendo dizer é que a maioria da população portuguesa não pode dar-se ao luxo - é um luxo, pois - de deixar um terço do seu vencimento para livros, por exemplo. Metade da população suponho que receba entre 400 e 600 euros mensais. Mesmo com dois ordenados, já pensou a vida a partir desse parâmetro?!

      Quanto às bibliotecas...pois, aí já concordo mais. A cultura da biblioteca não nos entra. E seria uma boa forma de levar à leitura sem custos.

      No entanto, concordo, lemos pouco; não temos, como outros povos, o hábito da leitura. E isso sim, faria falta. Mas 50 anos de ditadura à portuguesa não se apagam em 40 de democracia pintalgada. Vão ser precisos muitos mais. Diz o povo que para baixo todos os santos ajudam. A subida é que é difícil. E sobre a nossa, que pára de quando em quando...

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    6. Apesar de o meu comentário poder parecer um pouco drástico, Beatriz, não julgue que o pronuncio por vir de um meio privilegiado. Pelo contrário. Eu própria nunca vivi com mais que os €600 que menciona, ou os meus pais sequer. E hoje, bem menos que isso. Cresci numa casa desprovida de livros, precisamente porque não havia dinheiro para os comprar. Mas era sempre o que pedia pelo Natal ou aniversário, inclusive a familiares. Os meus pais percebiam a importância dos livros e cedo me inscreveram na biblioteca municipal, e acabei por tornar-me uma das utilizadoras mais assíduas.
      Como disse anteriormente, ainda assim apesar dos constrangimentos, consegue-se comprar um ou outro livro por mês, nem que seja em segunda mão. Continua a ler-se, porque surgem as outras alternativas... as bibliotecas, alguém que se conhece e que simpaticamente nos empresta o livro, os serviços de trocas de livros, etc.
      Deixar de ler porque "os livros são demasiado caros", continua a soar-me a desculpa. É-o se a pessoa insistir em querer ler apenas as novidades que encontra nos escaparates.
      Se optar por títulos mais antigos por exemplo, os preços habitualmente são bastante mais razoáveis.

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    7. Hummm...agora entendi melhor. Não foi o que me pareceu quando li. Sorry.

      Pois é, as novidades são sempre mais caras. É por isso que vou à 25ª hora da Feira do Livro e compro o que é de há mais de três anos:) três anos de atraso para mim não é nada. Assim como assim já ando sempre atrás de tudo. E o que é bom é bom pelos séculos fora.

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  2. Os livros em Portugal são caros quando comparados com os livros em outros países (como a Maria do Rosário Pedreira diz, o mercado é demasiado pequeno para que o custo unitário do livro se mantenha baixa): muitas vezes, mandar vir uma edição em inglês, seja a língua original ou uma tradução, do outro lado do Atlêntico fica a um terço do preço pago pela versão portuguesa numa livraria.
    Gosto muito de ler mas confesso que desde 2012 que não compro um livro de ficção nacional ou traduzido para português: espero alguns meses e vou às bibliotecas municipais (as de Lisboa funcionam muito bem) ou a outras bibliotecas públicas. De outra forma, não conseguiria ler nem metade do que leio.

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    1. Ora aqui está, a Teresa disse tudo.

      Quem diz que os livros estão caros são aquelas pessoas que não lêem e sempre arranjam uma desculpa...aliás, arranjam desculpa para tudo...

      Então e as Bibliotecas Públicas? sinceramente não lêem porque não gostam e estão-se nas tintas para a leitura - ler? o que é isso? quanto é que gastam em telemóveis, e não são telemóveis daqueles como o meu que me cabem no bolso das calças no bolso pequenino das moedas.
      E às vezes um tlm não chega...

      Tretas, conversa de ervanária...é a tal desculpa esfarrapada que não lê porque em casa não foi incentivado para tal não lê porque dá trabalho e porque isso não interessa a ninguém, e é muito mais fácil ver a TVI, e a Casa das Putas (com os pais -das putas- a assistirem) com a Dona daquilo tudo o Mr , Ed o cavalo que fala a bolsar...

      Já repararam que eu sou um gajo chato sempre a falar no Mr ED...sabem porquê? é que o MrED e seus apaniguados contribuem decisivamente para a estupidez dum POVO, é que se forem a qualquer casa das gentes do Povo a TVI está sempre ligada acompanhada do CORREIO DA MANHÃ esse vómito da incultura, daí a cada vez maior estupidificação desta gente...

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  3. Estas discussões têm anos. Já Orwell num ensaio comparou os custos de livros com os de cigarros e outros vícios, e concluiu que livros até são bastante baratos comparado com o resto. Mas vivemos num mundo de mil distracções, e os livros perdem a sua sedução em comparação com o cinema, festivais de música, jogos de vídeo (que custam 60, 70 euros!).

    Os valores da leitura também, creio eu, não são valores que interessem à maioria: paciência, concentração, empenho, gosto de compreender e aprender. Não há a gratificação imediata que o marketing nos diz ser o propósito de tudo.

    Também são solitários, e acho que muita gente teme ficar sozinha com um livro, porque podem começar a pensar sobre as suas vidas (o emprego que odeiam, o sentimento de que não servem para nada, que estudaram para receber o salário mínimo, que vivem num país nojento), e por isso a experiência social de se ir embebedar com amigos, à sexta-feira, no Bairro Alto, obliterando a consciência da vidinha por umas horas, é muito mais aliciante. Eu compreendo, as pessoas querem escapar das vidas que construíram para si. E os livros têm o irritante hábito de nos reconduzirem à vida.

    Quanto a mim, faço como o Erasmo de Roterdão; li que ele terá dito que, quando tinha dinheiro, comprava livros e com o que sobrasse um bocadinho de comida. Parece-me uma forma ideal de se viver.

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    1. Já fiz isso Miguel/Erasmo. Quando era solteiro. Depois vieram os filhos. E não há livro que resista ao reconsiderar das prioridades. Mas há razão no que aqui é dito. Mais que a desculpa pelos preços, é também a falta de tempo como justificação para não ler. Essa ofende-me mesmo.

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    2. "Quanto a mim, faço como o Erasmo de Roterdão; li que ele terá dito que, quando tinha dinheiro, comprava livros e com o que sobrasse um bocadinho de comida. Parece-me uma forma ideal de se viver."

      Pois não me parece nada a forma ideal de viver. Os livros representam o tempo livre e têm de se cingir a isso. Erasmo era um erudito e a maioria da população não. O Miguel poderá, talvez, fazer como ele. Volto a frisar que, se a maior parte da população fizesse igual, morria de fome.

      E já agora, muitos dos que vão para o bairro alto no fim de semana são bons e grandes leitores. Tudo tem o seu timing. E nem toda a gente vive das letras e para elas.

      Mas ler mais, toda a gente a ler, isso é que seria bom.

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  4. Penso que existem algumas ideias feitas sobre ‘a geração mais jovem que cresceu a mexer em botõezinhos e a olhar para ecrãs’. Cresci a ler livros em papel mas pertenço ou faço parte da geração digital e os sites que indicam onde se pode fazer download gratuito de livros não são para mim grande novidade. No entanto, devo dizer que em 2014, apesar de ter feito o download de diversos livros (maioritariamente ensaios), li apenas um livro em formato digital. Através de uma aplicação para telemóvel que para além de ser optimizada para a leitura também disponibilizava livros existentes no domínio público.

    Pessoas da minha geração e outras mais novas continuam a ler livros em papel, mesmo tendo todos um smartphone ou um tablet , já para não dizer acesso a qualquer tipo de computador. Somos surfistas da internet e mestres dos downloads; porquê então ler em papel? Porque passamos o dia a olhar para ecrãs. Isto passa-se quase como o aparecimento de um novo movimento artístico, em reacção ao existente – o digital. É mais fácil levar 20 livros num tablet do que um único volume de 152 x 241 mm com 377 páginas. É também mais fácil e barato fazer o download dos ditos 20 livros ou comprar versões em ebook. Ainda assim, o digital que tem tudo a seu favor não conseguiu dissuadir os juniores da minha família a não pedirem mais uns livros em papel no Natal passado.

    Deixo três notas para as editoras portuguesas: sim, pratiquem preços mais baixos (traduções a 20 euros…); publiquem mais em formato de bolso ou pequenos formatos; e interajam mais com os leitores, não esperem que o Maomé vá à montanha porque também é preciso ir lá buscá-lo – ‘on a mission to civilise’. Interajam, em especial, com os leitores que ainda têm a conquistar e que cujos fundos não são largos, digo alunos universitários e jovens licenciados que estão habituados aos recursos das bibliotecas universitárias mas que estranhamente não se lembram das bibliotecas municipais. Livrarias novas e com outra dinâmica vendem livros a esses leitores, não vejo o porquê de as editoras não poderem adaptar a sua estratégia para fazer o mesmo.

    Sobre os concertos a 50 euros, julguemos menos os outros, cada qual saberá como melhor gastar as economias que tem e o que lhes traz mais proveito. Querendo, existe espaço para tudo.

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    1. Tem razão a Maria. E não tendo editora tradicional não deixo de ter todo o gosto em colocar o que escrevo nas bibliotecas municipais. Ler (e já agora escrever) é definitivamente o mais importante.

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    2. Gostei muito de ler o seu testemunho, maria inês! Eu acredito na sua geração, como acredito em todas! Quando eu era nova, as pessoas mais velhas diziam o mesmo (ou parecido) da minha: que éramos perguiçosos, que não estudávamos, que nunca conseguiríamos nada na vida, etc., etc. Passados trinta anos, o mundo não acabou, continuar a rolar, há bons médicos, bons engenheiros, bons professores (também há maus, mas isso houve sempre), enfim, bons tudo, incluindo bons leitores. E, para quem ache que a geração jovem está mesmo perdida, desculpe, cara MRP, mas não é com vinagre que se apanham moscas. Hostilizar os jovens com frases mais ou menos desdenhosas não leva a lado nenhum!

      «publiquem mais em formato de bolso ou pequenos formatos» - totalmente de acordo, inês! Estive há uma semanas em Bragança e acabei por entrar numa livraria, embora decidida a não gastar dinheiro, por ter vários (bastantes) livros por ler em lista de espera. Saí de lá com seis livros! Porquê? Porque não resisti aos preços das edições de bolso!

      É claro que dizer que não se lê por os livros serem caros é desculpa esfarrapada. Quem não lê, não compraria livros, nem que eles custassem apenas 50 cêntimos. Por outro lado, é verdade que os livros são mais acessíveis noutros países. Já aqui o disse e repito: na Alemanha, o ordenado médio é quase três vezes superior ao português e os livros custam quase metade (em média). Ora bem: para quem não lê, isto não aquece nem arrefece; para quem lê, idem, mas ao contrário (ou seja, não deixa de comprar por ter pouco dinheiro); mas também há uma grande quantidade de pessoas (talvez a maioria) que compra livros e lê de vez em quando. Uma pessoa dessas, se entra na livraria com o intuito de comprar um livro, na Alemanha, talvez saia de lá com três ou quatro, porque, enfim, até tem dinheiro no bolso e viu alguns títulos que lhe podiam interessar. Já um/a português/a, mesmo que veja outras coisas interessantes, faz duas ou três vezes contas à vida e sai de lá apenas com o livro que planeava comprar! Penso que a diferença é basicamente esta.

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  5. Hoje numa formação fiquei siderado ao ouvir um jovenzinho de quarenta anos, responsável por um sector de uma seguradora afirmar que nunca tinha lido um livro na vida. E, no entanto, afirmava ter uma colecção quilométrica de vídeos.

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    1. António Luiz Pacheco16 de janeiro de 2015 às 09:01

      Credo!
      Nem o livro de leitura na escola?
      E se calhar disse-o com orgulho, o pobre...

      No geral parecem-me bem avaliadas e concordo com o que foi dito, incluindo as felicitações ao João Madeira!
      Só faço a este um pequeno reparo, muito pessoal, por vezes não consigo mesmo ter tempo para ler!
      É verdade... há períodos assim, mas em compensação sempre que posso desforro-me!!!

      Saudações caluandas!

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    2. Achas que o Cavaco ou Passos Cu elho leram muitos na sua vida? aposto que não mais de cinco cada um...e certamente livros de índole profissional (para além daqueles por obrigação) e já estou a ser magnânimo!

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  6. Partindo do comentário da Teresa, aproveito para manifestar a minha concordância no que toca a comparar o preço dos livros em Portugal e o preço dos livros lá fora. Mas tal como referiu Maria do Rosário Pedreira no seu texto, a pequena dimensão do mercado livreiro português leva inevitavelmente a um encarecimento do preço unitário do livro e, consequentemente, se não houver procura para esses parcos exemplares, ora pois que a tendência é publicar cada vez menos quantidade, o que agravará a situação.

    Mas no que toca aos livros que já não estão abrangidos pela lei do preço fixo, encontram-se obras majestosas a preços bem irrisórios. Além disso, conseguem-se também bons negócios comprando livros em segunda mão.
    Tenho pena é que não seja praticado no nosso país algo que é muito comum nomeadamente nos EUA, que são as vendas anuais de livros que as bibliotecas retiram do seu repertório.
    É também uma pena que as livrarias em segunda mão e os alfarrabistas sejam em baixo número.

    Agora partindo do comentário da maria inês, também cresci rodeada de computadores e aparelhos digitais, se bem que os smartphones e os tablets já tenham chegado quando eu estava a entrar na fase adulta, e não é por isso que deixo de ler livros em papel. Pelo contrário. Continuo a preferir ler um livro físico do que um livro digital, mas penso que ler em ambos os formatos é igualmente válido, sobretudo se isso se traduzir numa maior disponibilidade para a leitura.

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  7. o preço dos livros é desculpa de "mau leitor".

    passando ao lado das livrarias, acho que nunca se fizeram tantas feiras de livro (já as banalizaram...), quase sempre com boas oportunidades de leitura.

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  8. Que aborrecido não gostar de ler em formato digital! Além de poupar, lia mais. Mas é que gosto de tê-los comigo, fazem-me falta a três dimensões na paisagem da casa, preciso de as minhas mãos a corrê-los de manso, do barulhinho terno de virar a página, de um lápis a desvirginá-los. De me atardar em algumas expressões, de fechá-los para pensar em ideias que me suscitam. A leitura digital, além do mais dá-me cabo dos olhos, cansa-me mais depressa e tira-me a alrgria mansa de olhá-los. E há ainda um amor olfactivo pelo papel:)
    Ora, tanta perda merece bem uns euros.

    Pois é, mas trocar a ida a concertos por livros também não parece solução adequada. São dois amores distintos. Há que preservá-los. Comprar menos e ambos, talvez. Não desistir de nenhum. Nada de substituições. Mesmo no mundo do gosto.

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  9. Não são bem os livros que estão caros (que não notei aumentos nos últimos anos), as prioridades das pessoas é que são outras...

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  10. Os livros portugueses são caros se compararmos com as edições inglesas - ainda mais se também compararmos os níveis de vida. Compro / leio muitos livros - média de 8 por mês. Enquanto no UK isso significaria cerca de 40€, nas respectivas edições portuguesas significaria gastar entre 80 a 160€.

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  11. A rever os links deste texto, reparei que ninguém se preocupou em promover a leitura em português. Gostaria de sugerir um excelente recurso online para descarregamento de livros gratuitos e legais:

    http://cvc.instituto-camoes.pt/search.html?searchphrase=all&searchword=biblioteca+breve

    O Instituto Camões tem muitos livros à disposição, dos clássicos a alguns modernos, da literatura à ciência. Friso especialmente a colecção Biblioteca Breve, uma colecção ensaística dos anos 70. Gosto de comprá-los em alfarrabistas, mas quem tiver paciência para ebooks e gostar de aprender mais sobre a história da literatura portuguesa, há aqui livros de grandes nomes como Jacinto do Prado Coelho, João Palma-Ferreira, José-Augusto França, António José Saraiva, Maria Leonor Carvalhão Buescu, João Bigotte Chorão, e muitos outros.

    E um grande recurso que merece mais publicidade.

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