Esquerda, direita, marche!

Um dos problemas da política portuguesa assim que um governo toma posse é fazer tábua rasa de tudo o que foi feito pelo governo imediatamente anterior (do partido adversário, bem entendido), mesmo quando muitas dessas coisas eram francamente positivas. Na educação, então, nem é bom falar – e quantos alunos sofreram reformas sucessivas ao longo da sua vida escolar por causa disso… Fiquei, porém, bastante surpreendida quando, recentemente, o actual Secretário de Estado da Cultura nomeou para a direcção artística do Teatro Nacional D. Maria II Tiago Rodrigues: é que este actor e encenador é claramente uma pessoa de esquerda e foi até um dos principais oradores num encontro de apoio de gente da Cultura a António Costa quando este avançou contra Seguro. A seguir, nomeou como administrador do mesmo teatro Miguel Honrado, que até agora dirigia a EGEAC, empresa municipal encarregada da animação cultural na cidade de Lisboa e igualmente apoiante de Costa. Algum tempo mais tarde, Barreto Xavier nomeou Margarida Veiga para a Direcção-Geral das Artes – e lembro-me de Margarida Veiga estar no CCB na altura em que Guterres era Primeiro-Ministro, por isso calculo que seja próxima do PS. Não sei se o Secretário de Estado está a querer que o despeçam, se já está a preparar o futuro (diz-se que o PS tem tudo para ganhar as próximas eleições), se simplesmente não há na Direita ninguém que se aproveite para esses cargos; se, por último, decidiu fazer tábua rasa da tradição política portuguesa dos últimos anos e escolheu simplesmente quem lhe pareceu melhor.

Comentários

  1. Claudia da Silva Tomazi21 de janeiro de 2015 às 02:07

    A boa lista indicada é conceito.

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  2. António Luiz Pacheco21 de janeiro de 2015 às 02:36

    Esperemos que algo esteja a mudar!

    1º As pessoas encarregadas/nomeadas devem ser por mérito e competência e não por ideologia ou filiação partidária (muito menos parental... a Ana Gomes cacareja muito e depois arranjou um tacho à filha... não critico o tacho mas a sua hipocrisia)

    2º As pessoas encarregadas/nomeadas devem conduzir-se não por ideologia/filiação partidária e sim de forma competente e meritória.

    Por isso não me preocupa e nem devia admirar que um governo nomeie alguém de "outra côr" mas sim que esse alguém não se aproveite para sabotar!

    Claro que a esquerda e a direita folclóricas vão pôr-se a berrar, "traição!" e a acusar os nomeados de vendidos, quererem tacho e protagonismo, etc.

    Todavia, acho que devíamos rezar para que assim passe a ser.

    Saudações esperançosas da Cidade Morena

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  3. Se fez fê-lo bem. Mais não seja para fazer esquecer os Mirós, que muitos não lhe perdoam a opinião.

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  4. é uma incógnita.

    mas se as pessoas são competentes, nada a dizer.

    embora fuja da prática ministerial, que nomeia quase sempre gente da "família política", mesmo que não percebam nada de "horta".

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  5. É bom ver alguém contrariar a partidarite do costume.

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